Independiente, campeão da Copa Sul-Americana 2017

Na noite de ontem, o Independiente consagrou-se bicampeão da Copa Sul-Americana 2017, ao empatar com o Flamengo por 1 a 1 no Maracanã. Com isso, o Rey de Copas conquistou o 17º título internacional ao longo da história, e segue colado no Boca Juniors, líder neste quesito com 18 troféus na bagagem, para tornar-se a equipe na América do Sul com mais taças continentais.
Quem pôde acompanhar a decisão da Copa Sul-Americana nesta quarta-feira, viu uma grande partida, entre dois tradicionais clubes do continente sul-americano. Como o Indepediente venceu o jogo de ida, em Avellaneda, por 2 a 1, os argentinos tinham a vantagem de jogar pelo empate, e no caso de uma derrota por um gol de diferença, o duelo iria para a prorrogação, ou seja, o Flamengo precisava vencer o confronto com uma margem de dois gols para sair de campo com a taça na mão. O cenário era extremamente favorável aos rubro-negros, já que o Maracanã estava completamente lotado, com mais de 60 mil vozes apoiando o clube carioca, portanto, a pressão sobre o Independiente era realmente enorme. Sabendo que iria ter de enfrentar toda essa atmosfera, o treinador dos Rojos, Ariel Holan mudou a formação tática de sua equipe, abrindo mão da linha de cinco homens na defesa, para colocar o volante Juan Domínguez entre os titulares, deixando o meio-campo mais recheado.

Cerca de 4 mil hinchas do Independiente, se deslocaram até o Rio de Janeiro para apoiar o Rey de Copas.
Cerca de 4 mil hinchas do Independiente, se deslocaram até o Rio de Janeiro para apoiar o Rey de Copas.

Empurrado pela pulsante nação rubro-negra o Flamengo partiu pra cima da equipe argentina no início do jogo, e logo aos 13 minutos, o meia Éverton recebeu ótimo passe de Felipe Vizeu, porém acabou desperdiçando uma excelente oportunidade cara a cara com o goleiro uruguaio Martín Campaña. Insatisfeito com o resultado, o Mengão continuou pressionando, até que aos 29 minutos, o meia Lucas Paquetá, melhor jogador do Flamengo na final, abriu o placar para os anfitriões depois de receber um cruzamento do zagueiro Réver, levando os flamenguistas literalmente à loucura. Após sofrer o gol, o Independiente perdeu o habilidoso ponta Martín Benítez, lesionado, algo que preocupou demasiadamente o treinador Ariel Holan. Quando o castelo de areia do Independiente dava indícios de que iria desabar, aos 37 minutos o volante flamenguista Gustavo Cuéllar cometeu um pênalti, que na minha opinião não aconteceu, no jogador Maximiliano Meza. Na cobrança da penalidade, o novato Ezequiel Barco, igualou o marcador (1 x 1), calando o Maracanã. Assim terminou a primeira etapa da decisão.

O pequenino Ezequiel Barco, autor do gol do Independiente, infernizou a vida da defesa rubro-negra.
O pequenino Ezequiel Barco, autor do gol do Independiente, infernizou a vida da defesa rubro-negra.

Já no segundo tempo o confronto começou morno, e por isso, o treinador do Flamengo, Reinaldo Rueda, colocou o jovem Vinícius Júnior no lugar do lateral-esquerdo Miguel Trauco, partindo de vez pra cima dos argentinos. Entretanto, essa substituição beneficiou o Independiente que a partir deste instante, achou mais espaços para jogar, e consequentemente, encontrou brechas para encaixar os temíveis contra-ataques. Aos 14 minutos, a equipe de Avellaneda teve a chance mais clara de virar o placar, quando o atacante Emmanuel Gigliotti roubou a bola de Réver na altura do meio-campo, invadiu a área adversária, deu um leve toque encobrindo o goleiro César, e só não balançou as redes porque o experiente Juan, através de um malabarismo, tirou a redonda praticamente de dentro da baliza. No decorrer da partida, o Flamengo ameaçava mais, enquanto o Independiente respondia do outro lado por intermédio dos velozes Ezequiel Barco e Maximiliano Meza, porém sem oferecer nenhum grande perigo. Os minutos finais do embate foram bastante conturbados, com empurrões, troca de insultos e uma dose extra de tensão. A última oportunidade dos pupilos de Reinaldo Rueda ocorreu nos acréscimos da partida, mas para a tristeza dos rubro-negros, Réver perdeu um gol inacreditável. Em seguida, o árbitro colombiano Wilmal Rondán soou o apito, consagrando o Independiente bicampeão da Copa Sul-Americana.

O ex-treinador de hóquei sobre a grama, Ariel Holan, ergueu seu primeiro troféu como técnico de futebol, justamente pelo seu clube de coração, o Independiente.
O ex-treinador de hóquei sobre a grama, Ariel Holan, ergueu seu primeiro troféu como técnico de futebol, justamente pelo seu clube de coração, o Independiente.

O rótulo de “Rey de Copas” que o Independiente carrega consigo não é à toa, muito pelo contrário, o conjunto de Avellaneda é o maior campeão da Copa Libertadores com sete canecos conquistados (1964, 1965, 1972,1973, 1974, 1975 e 1984). A última competição internacional vencida pelo Diablo, foi exatamente a Copa Sul-Americana, porém a edição 2010 do campeonato. No total, os Rojos contabilizam 17 taças continentais no currículo, lembrando que o conterrâneo Boca Juniors soma 18 títulos. Contudo, o Independiente tem uma grande possibilidade de ultrapassar o Boca na próxima temporada, já que os comandados de Ariel Holan disputarão a Recopa Sul-Americana (contra o Grêmio), a Copa Suruga (no Japão) e também a Copa Libertadores. Curiosamente, esta foi a primeira taça do técnico Ariel Holan ao longo de sua curta carreira. O comandante argentino de 57 anos de idade, iniciou sua trajetória somente aos 43 anos, pois antes de entrar no futebol, Holan era treinador de hóquei na grama, e chegou até a dirigir a seleção feminina do Uruguai. Para ganhar a Copa Sul-Americana 2017, o Independiente passou por adversários como Alianza Lima, Deportes Iquique, Atlético Tucumán, Nacional (Paraguai), Libertad e por último o Flamengo, colecionando 8 vitórias, 2 empates e 2 derrotas em 12 partidas realizadas, portanto, o bicampeonato é efetivamente incontestável. O próximo compromisso do Rey de Copas será apenas no final de janeiro (dia 28) frente o Estudiantes pelo Campeonato Argentino, desse modo, os torcedores terão tempo de sobra para festejar esse triunfo.

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