O fim da era Wenger

O ano de 2018 ficará marcado eternamente na história dos Gunners, mas não devido a conquista de um grande título ou então por conta de recordes alcançados, e sim porque após longos 22 anos sob o comando do Arsenal, o treinador Arsène Wenger enfim deixará o conjunto londrino.

Nem os melhores roteiristas de Hollywood poderiam ter elaborado um script melhor para a despedida de Arsène Wenger do Emirates Stadium, afinal, a sonora goleada sobre o Burnley por 5 a 0, marcou a última partida do treinador francês diante dos torcedores do Arsenal. Agora, Wenger está há exatos noventa minutos de encerrar seu ciclo no time do norte de Londres, isto é, colocar um ponto final em uma história que começou em outubro de 1996, e como qualquer relação, teve momentos de altos e baixos, porém termina com um final feliz, visto que o carinho é recíproco entre ambos os lados.

Há mais de duas décadas no Arsenal, o técnico de 68 anos dirigiu o time 1201 vezes até aqui, contabilizando o montante de 695 vitórias, 261 empates e 245 derrotas, obtendo assim, 65,11% de aproveitamento. Ao longo da trajetória, Arsène Wenger ergueu três troféus da Premier League, sete taças da Copa da Inglaterra e sete canecos da Supercopa da Inglaterra. Além disso, ele levou os Gunners vinte vezes seguidas à Champions League, uma façanha e tanto, haja visto que estamos nos referindo a principal liga nacional do planeta.

Seguramente, a temporada 2003/04 foi a mais espetacular do treinador francês no clube, pois foi nela que Arsène Wenger montou um poderosíssimo esquadrão composto por craques como Thierry Henry, Robert Pirès, Patrick Vieira, Dennis Bergkamp, Sol Campbell, Fredrik Ljunberg, Nwankwo Kanu, além dos brasileiros Edu e Gilberto Silva. Não à toa, o time foi campeão invicto da Premier League, e é considerado o melhor Arsenal de todos os tempos. Vale lembrar que esta foi a última vez que os Gunners venceram a competição.

No entanto, não foi apenas por causa de títulos que Arsène Wenger perdurou tanto tempo no Arsenal, este revolucionário treinador trouxe ao clube uma cultura totalmente diferente como por exemplo a implantação de um moderno departamento médico, com profissionais gabaritados para recuperar os atletas, entre eles, os nutricionistas. Foi ele também o responsável por mudar a forma da equipe atuar, deixando de lado o futebol de força que deu lugar a técnica, a valorização da posse de bola, bons passes, organização e principalmente a inteligência tática.

Apesar de tudo isso, os números comprovam que a performance do Arsenal vem caindo de ano a ano, tanto é, que a temporada passada foi a pior de Arsène Wenger à frente da equipe. Na ocasião, os Gunners encerraram sua participação na Premier League, apenas na quinta posição do torneio, e consequentemente não se qualificaram à Champions League depois de vinte anos. Nesta temporada, o desempenho do Arsenal é ainda inferior, já que o time ocupa o sexto posto na tabela do campeonato, permanecendo atrás de todos os seus principais rivais. Por essas e outras, fica evidente que chegou mesmo a hora de Wenger deixar o clube.

Segundo anunciou o Arsenal, foi o treinador quem pediu demissão do cargo, porém na realidade, a decisão pela saída de Wenger partiu do clube, bastante pressionado pela torcida, que por sua vez, ameaçava boicotar os jogos dos Gunners caso o francês permanecesse no time, logo, a diretoria da equipe inglesa optou em demiti-lo depois do encerramento da temporada, mesmo sabendo que ele tinha um vínculo contratual válido até 2019. Desta maneira, Arsène Wenger não conseguirá superar Alex Ferguson, técnico que ficou mais tempo trabalhando em uma agremiação, lembrando que o escocês comandou o Manchester United de 1986 a 2013, ou seja, 27 anos.

Como resta somente uma rodada para o encerramento da Premier League, os Gunners não têm mais chances de garantirem uma vaga na Champions League, portanto, eles terão de se contentar novamente em disputar a Europa League na próxima temporada. Os últimos noventa minutos de Arsène Wenger no banco de reservas do Arsenal, serão domingo (11:00 de Brasília), no John Smith’s Stadium, contra o Huddersfield Town. Depois disso, o revolucionário treinador francês, que levou ao clube mais tradicional de Londres, um futebol elegante e inovador, estará longe do Emirates Stadium, um fato realmente inimaginável.

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