Naufrágio argentino

O naufrágio da Argentina na Copa do Mundo de 2018 era realmente esperado, afinal, a Albiceleste realizou uma péssima campanha nas Eliminatórias Sul-Americanas, garantindo a sua vaga no Mundial da Rússia apenas na última rodada da competição, quando bateu o Equador por 3 a 1. Este triunfo foi suficiente para deixar os argentinos na quarta posição da tabela, atrás de Brasil, Uruguai e Colômbia, respectivamente. Além disso, o selecionado da argentina trocou três vezes de treinador após a Copa de 2014, lembrando que Gerardo Martino, Edgardo Bauza e Jorge Sampaoli estiveram à frente da seleção desde a saída de Alejandro Sabella, que deixou o comando técnico depois do vice-campeonato no Brasil.

Por esta razão, somente um torcedor muito apaixonado e fora de si, acreditaria que a Argentina seria capaz de brilhar nos gramados da Rússia durante a Copa, mesmo tendo em sua equipe o astro Lionel Messi, considerado por muitos, o melhor jogador do mundo. Diante de todo este cenário, fica evidente que a grande responsável pelo insucesso da Albiceleste no Mundial de 2018, foi a AFA (Associação de Futebol Argentino), presidida atualmente por Claudio Tapia, e que tem como vices, o presidente do Boca Juniors, Daniel Angelici, e o presidente do Independiente, Hugo Moyano. Estas três figuras transformaram não só o futebol argentino em uma bagunça, como deixaram a seleção literalmente aos cacos.

O trio parada dura da AFA, formado por Daniel Angelici, Claudio "Chiqui" Tapia e Hugo Moyano, três cânceres do futebol argentino.
O trio parada dura da AFA, formado por Daniel Angelici, Claudio “Chiqui” Tapia e Hugo Moyano, são três cânceres do futebol argentino.

Acho completamente injusto tentar achar bodes expiatórias pelo fiasco da Argentina na Copa do Mundo, mas infelizmente alguns desentendidos culpam Lionel Messi pelo fracasso. No entanto, o camisa 10 não precisa provar mais nada para ninguém dentro das quatro linhas, basta analisarmos o currículo do meia do Barcelona, vencedor do prêmio de melhor jogador do mundo cinco vezes ao longo de sua vitoriosa carreira. Aliás, nem Messi nem nenhum outro atleta do elenco da Albiceleste na Rússia, devem ser crucificados pela precoce eliminação contra a França nas oitavas de final, isso porque todos lutaram bravamente nas quatro partidas realizadas pela seleção argentina, inclusive, acredito que a Argentina só avançou da fase de grupos devido a dedicação dos jogadores, já que o time era desorganizado, sem plano de jogo, e taticamente, uma verdadeira lástima.

O que ficou claro durante a participação da Argentina na Copa de 2018, é que Jorge Sampaoli provou de uma vez por todas não estar preparado para comandar uma seleção ou até mesmo um clube de alto nível. O técnico de 58 anos havia realizado excelentes trabalhos à frente da Universidad do Chile em 2011, do selecionado chileno, levando-o ao inédito título da Copa América em 2015, e posteriormente, o treinador argentino dirigiu o Sevilla, aonde também teve uma boa passagem. Entretanto, desde que assumiu a Albiceleste há exato um ano, Jorge Sampaoli não conseguiu sequer montar um time, ao contrário, ele utilizou diversas formações, convocou dezenas de jogadores, e o resultado final foi o que vimos no Mundial.

Em 15 jogos no comando da Albiceleste, Jorge Sampaoli soma 7 vitórias, 4 empates e 4 derrotas.
Em 15 jogos no comando da Albiceleste, Jorge Sampaoli soma 7 vitórias, 4 empates e 4 derrotas, obtendo assim, 55,56% de aproveitamento.

Quem acompanhou os jogos da Argentina no Mundial, percebeu que os jogadores não deram a mínima importância ao treinador, isso pôde ser constatado principalmente nas comemorações dos gols. O rompimento com o elenco ocorreu porque Jorge Sampaoli criticou acintosamente os atletas após o empate contra a Islândia no jogo de estreia. Outro detalhe que chamou a atenção, foi ver a legião de torcedores argentinos que invadiram a Rússia para apoiar a seleção, vaiando o técnico de forma explícita durante as partidas. A partir dali, Sampaoli perdia não só a Copa como a credibilidade, pois vê-lo à beira de campo, buscando a aprovação de Lionel Messi e Javier Mascherano, líderes da Albiceleste, a quase todo o momento, foi algo bastante deprimente.

A péssima condução de Jorge Sampaoli fez com que a sua reputação perante o povo argentino fosse para o buraco, logo, a AFA não tem mais a intensão de manter o treinador no comando da seleção. Todavia, a multa rescisória para demiti-lo é de US$ 20 milhões (cerca de R$ 78 milhões), dinheirama essa, que a entidade não tem em seus cofres. Vale ressaltar que dias antes do início da Copa, Claudio Tapia estendeu o vínculo contratual do técnico até 2022, ou seja, um ato de enorme incompetência. Com isso, a AFA espera ansiosamente que a pressão popular motive Sampaoli a abandonar o cargo abrindo mão desta estratosférica multa. Contudo, o desejo dele é permanecer na Albiceleste, tanto é, que ele já apresentou à Federação, um novo projeto de reconstrução da seleção, visando o sucesso no Mundial do Qatar. Por conta da sucessão de lambanças cometidas pela AFA, o futuro da Argentina continua sendo bastante obscuro, sem nem ao menos uma luz no fim do túnel!

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