Vexame intragável

A Alemanha desembarcou na Rússia carregando consigo o rótulo de ser uma das principais candidatas ao título da Copa do Mundo, afinal, os alemães além de serem os atuais campeões mundiais, ergueram também a taça da Copa das Confederações 2017 atuando com uma equipe reserva, e realizaram uma excelente campanha nas Eliminatórias. Entretanto, na disputa do Mundial, a Mannschaft literalmente sucumbiu, sendo eliminada de maneira surpreendente na primeira fase do torneio.

Os amistosos disputados pela Alemanha antes da Copa do Mundo, já davam indícios de que algo estava errado na Mannschaft, isso porque os pupilos de Joachim Low sofreram uma inusitada derrota para a Áustria, que nem classificou-se ao Mundial, por 2 a 1, e posteriormente, tiveram de suar a camisa para vencer a modesta Arábia Saudita pelo mesmo placar, ou seja, estes dois resultados definitivamente não condiziam com a realidade, visto que em condições normais os alemães venceriam estes adversários sem grandes dificuldades. E a prova de que as coisas não estavam bem se concretizou logo na estreia dos tetracampeões mundiais na Rússia, quando eles perderam do México por 1 a 0 em Moscou, proporcionando assim, um dos maiores vexames da Alemanha no torneio ao longo da história.

A derrota para o México foi a segunda da Alemanha em estreias por Copas do Mundo. A única vez que este fenômeno havia acontecido, foi no Mundial de 1982, quando os alemães perderam da Argélia, porém consagraram-se campeões.
A derrota para o México foi a segunda da Alemanha em estreias por Copas do Mundo. A única vez que este fenômeno havia acontecido, foi no Mundial de 1982, quando os alemães perderam da Argélia, porém consagraram-se campeões.

No jogo seguinte, frente a Suécia, os alemães só saíram de campo com os três pontos, graças ao gol de falta do volante Toni Kroos no último minuto dos acréscimos, lembrando que os suecos abriram o placar e permitiram a virada da Alemanha. Com isso, a Mannschaft só precisava de uma vitória contra a Coréia do Sul, que naquela ocasião já estava eliminada da Copa, para garantir a sua vaga nas oitavas de final. No entanto, os atuais campeões do mundo sofreram um duríssimo revés por 2 a 0, dando adeus ao torneio de maneira extremamente precoce. Vale ressaltar que a única vez que os alemães haviam sido eliminados ainda na primeira fase de um Mundial, foi na edição de 1938 da competição, período em que a Copa não era composta por grupos (eram confrontos eliminatórios desde o início).

Como não poderia deixar de ser, diversos questionamentos foram feitos em relação a seleção alemã, e o técnico Joachim Low foi considerado o principal responsável pelo fracasso da Mannschaft na Copa da Rússia. O treinador recebeu uma série de criticas por ter mantido alguns veteranos na equipe, dentre eles o goleiro Manuel Neuer, que não disputava jogos oficiais há exatos 259 dias, enquanto o reserva Marc-André ter Stegen, realizou uma ótima temporada defendendo as cores do Barcelona, ganhando tanto a La Liga quanto a Copa do Rey. A não convocação do habilidoso atacante Leroy Sané, campeão inglês pelo Manchester City, foi outra ação bastante contestada pelos alemães.

Apesar do fiasco na Copa da Rússia, a Federação Alemã de Futebol decidiu manter Joachim Low no comando da Mannschaft.
Apesar do fiasco na Copa da Rússia, a Federação Alemã de Futebol decidiu manter Joachim Low no comando da Mannschaft.

Por conta do desastre na Copa do Mundo, a maioria dos alemães esperavam que a DFB (Federação Alemã de Futebol) demitisse Joachim Low, que dirige a Mannschaft há 14 anos e nunca havia tido um desempenho tão pífio em competições internacionais. Levando em consideração o histórico do técnico de 58 anos, a federação resolveu mantê-lo no cargo até o final de seu contrato, válido até 2022. Contudo, Joachim Low precisou de alguns dias para analisar toda essa situação, mas no final das contas aceitou o desafio de permanecer à frente do selecionado alemão pois acredita que ele é nome certo para reconstruir a seleção, assim como já fez em 2006. Confira o que Low disse a respeito de sua continuidade:

“Agradeço a confiança que a DFB me deu, me sinto muito apoiado e estou encorajado, apesar das
críticas justificadas pela nossa eliminação na Copa. A minha decepção ainda é imensa, mas eu
gostaria de focar na reconstrução da seleção com toda a minha energia.”

Ao que tudo indica, figuras como Manuel Neuer, Sami Khedira, Mesut Ozil e Thomas Muller, não farão mais parte da seleção alemã. O próximo compromisso da Mannschaft será já em setembro, pois a Alemanha disputará a Copa das Nações, novo torneio do continente europeu criado pela FIFA, que substituirá os monótonos amistosos pós-Copa do Mundo. Nesta competição, os tetracampeões mundiais estarão no grupo da morte, ao lado de França e Holanda, portanto, é bom o técnico Joachim Low iniciar este trabalho de reformulação com o pé direito, ou então, não seria nenhuma surpresa vê-lo desempregado no caso de outro vexame, até porque o da Rússia, ainda não foi digerido pela nação alemã.

Deixar um comentário

Menu