Hexa adiado

A eliminação do Brasil diante da Bélgica nas quartas de final da Copa da Rússia, foi certamente um dos momentos mais duros do futebol brasileiro nos últimos anos, afinal, o maior objetivo dos comandados de Tite era apagar a péssima imagem deixada no Mundial de 2014, quando o conjunto tupiniquim perdeu da Alemanha por 7 a 1 nas semifinais do torneio. No entanto, a missão dos pentacampeões foi por água abaixo, pondo fim ao sonho do hexacampeonato em 2018.

Futebol razoável

O rendimento da seleção brasileira na Copa de 2018 foi razoável, isso porque o Brasil perdeu do único grande adversário que enfrentou no torneio, lembrando que até o duelo frente a Bélgica nas quartas de final, o selecionado brasileiro havia encontrado apenas adversários de menor expressão como Suíça, Costa Rica, Sérvia e México.
Contudo, este não é o momento de acharmos vilões ou culpados, até porque estes não existiram. O que aconteceu de fato, foi que Roberto Martínez literalmente atropelou Tite taticamente, anulando o Brasil dentro de campo. Somente na segunda etapa o treinador brasileiro conseguiu organizar a equipe, e consequentemente, tomar as ações do jogo, porém naquela altura da partida já era tarde demais.
A insistência em manter Gabriel Jesus, o atacante que não marca gols, no time titular, além das controversas convocações de Fernandinho, Fágner, Taison e Fred, ao invés dos preteridos Artur, Rafinha, Luan e Lucas Paquetá, também foram escolhas incompreendíveis.

Por incrível que pareça, Neymar jogou melhor na Copa de 2014 do que no Mundial de 2018. Na Rússia, o camisa 10 tupiniquim marcou apenas dois gols.
Por incrível que pareça, Neymar jogou melhor na Copa de 2014 do que no Mundial de 2018. Na Rússia, o camisa 10 tupiniquim marcou apenas dois gols.

A continuidade de Tite é fundamental

As eliminações são os momentos mais duros do futebol, mas todos nós sabemos que isso faz e sempre fez parte deste esporte que mexe tanto com os nossos sentimentos. Entretanto, não devemos deixar essas emoções interromperem a ótima trajetória de Tite e de toda a sua comissão técnica na seleção brasileira, que era apenas a sexta colocada nas Eliminatórias quando estava sob o comando de Dunga, correndo um sério risco de ficar de fora do Mundial de 2018. Através de um excelente trabalho, Tite classificou o Brasil à Copa do Mundo com quatro rodadas de antecedência, sendo inclusive, a primeira seleção depois da anfitriã, Rússia, a qualificar-se no torneio.
Os números, o currículo e a falta de opções no mercado, provam que Tite é o nome certo para continuar dirigindo a seleção brasileira. Por ser inteligente, o treinador de 57 anos com certeza aprendeu com os erros cometidos nesta Copa, desta forma, ele irá evoluir ainda mais como técnico e deixará de lado algumas convicções que o atrapalharam durante a competição, como por exemplo, manter o imaturo Gabriel Jesus entre os titulares, deixando no banco o maduro Roberto Firmino, que há poucas semanas atrás disputou a final da Champions League pelo Liverpool.

O revés diante da Bélgica, foi o primeiro de Tite no comando da seleção brasileira em jogos válidos por torneios oficiais.
O revés diante da Bélgica, foi o primeiro de Tite no comando da seleção brasileira em jogos válidos por torneios oficiais.

Futura geração

A boa notícia, é que outra excelente safra de bons jogadores vem despontando no futebol brasileiro, basta lembrarmos que jovens como Artur, Luan, Lucas Paquetá, Rodrygo, Vinicius Junior, Raniel, Éder Militão, Pedrinho, Felipe Vizeu, entre outros, estão comendo a bola em seus respectivos clubes.
Todos estes garotos ganharão espaço na seleção brasileira ao lado de Neymar, Philippe Coutinho, Casemiro e Gabriel Jesus, portanto, caso Tite permaneça à frente da equipe, o Brasil chegará forte na disputa da Copa de 2022. Todavia, se houver uma mudança no comando técnico, todo o trabalho começará da estaca zero, por esta razão, o futuro será uma incógnita.
O contrato de Tite junto à seleção brasileira termina no final deste mês, e a CBF já manifestou publicamente a intenção de estender o vínculo do técnico até 2022. Mas o que nos resta saber, é se o ex-treinador do Corinthians renovará este contrato. Embora Tite não tenha afirmado que aceitará o convite, ele deixou nas entrelinhas o seu desejo de continuar no cargo em alguns momentos da entrevista coletiva após a derrota para a Bélgica.
Diante de todo este cenário, é hora do Brasil aprender com essa sofrida mas não vergonha eliminação, para desembarcar no Qatar em 2022, ainda mais forte para brigar pelo hexa.

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