França, bicampeã mundial

O que todos esperavam realmente se concretizou na tarde deste domingo em Moscou, afinal, a França fez jus a todo o seu favoritismo sobre a Croácia, e goleou os Bálcãs por 4 a 2 no Luzhniki Stadium. Este triunfo garantiu o bicampeonato mundial aos franceses, que se igualaram aos selecionados de Argentina e Uruguai que também somam duas conquistas cada.

Trajetória francesa

A França desembarcou na Rússia sendo apontada como uma das grandes favoritas ao título da Copa do Mundo, juntamente com Alemanha, Espanha e Brasil. Situada no grupo C do torneio, os franceses não tiveram dificuldades para avançar de fase, e devido aos triunfos sobre Austrália (2 x 1) e Peru (1 x 0), além do empate sem gols diante da Dinamarca, os Les Bleus foram os líderes isolados do grupo com sete pontos ganhos.
Já na fase mata-mata da competição, os pupilos de Didier Deschamps superaram a Argentina (4 x 3) nas oitavas de final, o Uruguai (2 x 0) nas quartas de final, e a Bélgica (1 x 0) nas semifinais, e desta forma, garantiram a tão sonhada vaga na decisão da Copa do Mundo. Entretanto, o último compromisso dos franceses no Mundial seria contra a indigesta Croácia, que havia passado por três prorrogações seguidas para chegar na final.

Didier Deschamps entrou para o seleto roll de jogadores que venceram a Copa do Mundo tanto dentro coomo fora das quatro linhas, igualando-se a Zagallo e Franz Beckenbauer.
Didier Deschamps entrou para o seleto roll de campeões da Copa do Mundo tanto como jogador quanto como treinador, igualando-se a Zagallo e Franz Beckenbauer.

Com a ajuda da arbitragem

No confronto frente a Croácia, o futebol pragmático jogado pelos franceses novamente se fez presente, não à toa, eles só abriram o placar graças a ajuda do árbitro argentino, Néstor Pitana, que marcou uma falta inexistente em Antoine Griezmann aos 18 minutos, na entrada da grande área. Após a cobrança realizada pelo próprio camisa 7, o atacante Mario Mandzukic resvalou a bola empurrando-a ao fundo de sua meta. Todavia, a reação dos croatas foi praticamente imediata, tanto é, que Ivan Perisic empatou a partida aos 28 minutos. Mas para a tristeza de todos, o VAR entrou ação aos 38 minutos, pois foi através deste recurso que Néstor Pitana errou novamente, assinalando um pênalti totalmente irregular a favor da França, tudo por conta de uma mão involuntária de Ivan Perisic dentro da área. Com essa penalidade caindo em seu colo, Antoine Griezmann não desperdiçou a oportunidade de ampliar a vantagem, fazendo 2 a 1 para os Les Bleus.

O jovem Kylian Mbappé de 19 anos, foi eleito a revelação da Copa da Rússia.
O novato Kylian Mbappé, de 19 anos, foi eleito o jogador revelação da Copa da Rússia.

Quarenta e cinco minutos finais

A França iniciou a segunda etapa da maneira que queria, isto é, vencendo o jogo e consequentemente obrigando os esgotados atletas croatas à irem em busca da virada. Diante deste cenário, o time de Zlatko Dalic partiu ao ataque, enquanto os franceses, atuavam fechados com quase toda a equipe no campo de defesa.
Com a Croácia tomando as ações da partida e correndo atrás do empate, algumas brechas e espaços foram deixadas, permitindo com que a França explorasse um contra-ataque mortal, puxado pelo veloz Kylian Mbappé e concluído pelo meio-campista Paul Pogba aos 14 minutos da segunda etapa.
Para piorar ainda mais a vida dos croatas, o conjunto francês marcou o gol de misericórdia logo em seguida, aos 20 minutos, depois de um arremate de Kylian Mbappé de fora da área. Nem mesmo o tento de Mario Mandzukic aos 24 minutos, depois de uma falha bisonha do goleiro Hugo Lloris, animou a Croácia. No final das contas, o placar de 4 a 2 coroou a boa campanha dos Les Bleus na Copa do Mundo.

O camisa nove da França, Olivier Giroud, se despediu do Mundial da Rússia sem marcar um único gol no torneio.
O camisa nove da França, Olivier Giroud, se despediu do Mundial da Rússia sem marcar um único gol nas sete partidas disputadas pelo torneio.

Futebol abaixo da média

Na Copa do Mundo de 2018, ficou evidente que nenhuma seleção mostrou um futebol de encher os olhos. Na minha opinião, este é um fenômeno que vem tomando conta do futebol, pois cada vez mais os profissionais da bola estudam minuciosamente os adversários, implementam formas diferentes de jogo, criam novos métodos de treinamentos, além de elaborarem esquemas complexos, fatores estes, que deixam as equipes mecanizadas em campo. Em outras palavras, o talento deu lugar a tática, basta analisarmos que a França bicampeã do mundo atuou de maneira bastante conservadora, através de um sistema defensivo sólido e um ataque que colaborava mais na marcação do que na sua real função de fazer gols. Quando os gols aconteciam, eram quase sempre de bolas paradas.
Isto ficou escancarado na final do Mundial, uma prova disso é que a França obteve apenas 34% de posse de bola na final diante da Croácia. Para se ter uma ideia, apenas a Inglaterra de 1966 ganhou uma Copa do Mundo obtendo menos posse de bola do que a atual França de 2018. No geral, os Les Bleus registraram uma média de 48,6% de posse de bola durante o torneio na Rússia, lembrado que o treinador Didier Deschamps tinha em mãos um verdadeiro esquadrão, que inclusive, era selecionado mais caro da Copa segundo o site Transfermarkt.

Miscigenação: 19 dos 23 jogadores convocados por Didier Deschamps são imigrantes ou filho de imigrantes, sendo a maioria, provenientes de antigas colônias francesas na África.
Miscigenação: 19 dos 23 jogadores convocados por Didier Deschamps são imigrantes ou filho de imigrantes, sendo a maioria, provenientes de antigas colônias francesas na África.

Allez le Bleu

A nação francesa teve que aguardar vinte anos para soltar novamente o grito de campeão mundial. Mas este grito estava entalado na garganta dos franceses, visto que os Les Bleus disputaram três finais de Copa do Mundo (1998, 2006 e 2018) nas últimas duas décadas. Além disso, a França foi campeã da Eurocopa 2000 e vice da Euro 2016, ou seja, não nos restam dúvidas de que esta é a seleção que mais cresceu nos últimos anos.
Jamais poderíamos deixar de mencionar, que a equipe da França, campeã mundial na Rússia, era a segunda equipe mais jovem da Copa do Mundo, registrando uma média de 26 anos de idade. Logo, certamente veremos figuras como Paul Pogba, Kylian Mbappé, Antoine Griezmann, Raphael Varane, Samuel Umtiti e N’Golo Kanté no Mundial de 2022.
Rumores dão conta de que Zinedine Zidane assumirá o comando da seleção francesa, já que Didier Deschamps não convenceu mesmo com o título conquistado na Rússia. Esta informação só nos reforça a ideia de que a França chegará ainda mais forte e experiente na Copa do Qatar, portanto, é bom as demais seleções começarem a trabalhar, ou então, o domínio francês se estenderá por mais quatro anos.

 

 

 

 

 

 

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