Prontos para a Retomada

A excelente campanha realizada pelo Sheffield United na Premier League, corria um seríssimo risco de não ser concretizada. Mas como a temporada do futebol inglês será retomada a partir do dia 17, o sonho dos Blades em conquistar uma vaga na próxima edição da Europa League continua mais do que vivo.

Quem seria capaz de imaginar que o Sheffield United, equipe recém-promovida da Championship League, figuraria na parte de cima da tabela da Premier League logo em seu primeiro ano de retorno à elite do futebol inglês? Pois é, arrisco dizer que nem o mais otimista dos torcedores vislumbravam essa possibilidade, visto que o Sheffield tem apenas o 19º elenco mais valioso do campeonato, lembrando que vinte clubes disputam a competição – o Norwich é dono do elenco mais barato. Deste modo, compreende-se porque o principal objetivo dos Blades antes do início da temporada era evitar um novo rebaixamento.

Embora o Sheffield United seja um dos clubes mais tradicionais na Terra da Rainha – o time foi campeão inglês em 1898 -, ele não disputava a Premier League há exatos 12 anos. A propósito, durante este longo período de ostracismo, os Blades chegaram até a cair para a League One. Todavia, as coisas começaram a mudar pelos lados do Bramall Lane assim que Chris Wilder assumiu o comando técnico da equipe em 2016. Sob a batuta do treinador de 52 anos de idade, o Sheffield United literalmente ressurgiu das cinzas, subindo da terceira para a primeira divisão em um curto espaço de três temporadas.

O Sheffield United gastou míseros 69 milhões de euros (R$ 394 milhões) em contratações na temporada, sendo que o volante Sander Berge foi o reforço mais caro trazido pelos Blades.

E a fórmula do sucesso de Chris Wilder no comando do Sheffield United foi, antes de tudo, familiarizar-se com a cultura do clube, que historicamente aposta em jogadores caseiros, e além disso, não costuma despejar altas cifras para contratar reforços em cada janela de transferências. Ou seja, os Blades entendem que qualquer equipe com orçamento limitado tem condições de alcançar bons resultados, basta os gestores realizarem uma boa administração.

A segunda medida adotada por Chris Wilder, foi escolher um estilo de jogo que se adequasse melhor com as característica de seus jogadores. Desta maneira, Wilder armou a equipe no 3-5-2, povoando bastante o meio-campo e protegendo a defesa, que por sua vez, já conta com três homens no setor. Assim, a maioria das jogadas do time são pelos lados do campo – explorando os cruzamentos dos alas George Baldock e Enda Stevens -, enquanto Oliver Norwood é a peça-chave do Sheffield United, já que o volante/meia exerce um papel fundamental tanto na criação quanto na marcação.

Após uma vitória épica sobre o Reading (2 a 1), o Sheffield United avançou às quartas de final da FA Cup, fase na qual os Blades terão o Arsenal pela frente.

Disciplinados taticamente, e praticando um futebol intenso e de forte marcação, os pupilos de Chris Wilder logo se tornaram a grande sensação da Premier League na temporada 2019/20. Para se ter uma ideia, o Sheffield United estava empatado com o Wolverhampton na sexta posição da tabela, até o momento da paralisação do campeonato em decorrência da pandemia do novo coronavírus. Somando 43 pontos em 28 jogos – 11 vitórias, 10 empates e 7 derrotas -, os Blades registram uma incrível média de 51,2% de aproveitamento na competição, mantendo-se até mesmo à frente dos poderosos Tottenham e Arsenal.

Contudo, o setor defensivo, é certamente, o ponto de destaque do Sheffield United, tanto é, que o time tem a segunda melhor defesa da Premier League com 25 gols sofridos em 28 partidas. Vale ressaltar ainda, que os Blades passaram dez rodadas do campeonato sem serem vazados, sendo que o Manchester United foi o único oponente capaz de balançar as redes de Dean Henderson mais do que três vezes em um jogo – no empate em 3 a 3, pela 13ª rodada da PL– ao longo da temporada inteira, considerando todas as competições.

O primeiro compromisso do Sheffield United na retomada da Premier League, será no próximo dia 17, diante do Aston Villa. Caso os Blades regressem de Birmingham com o triunfo na bagagem, a diferença em relação ao quarto colocado, Chelsea, caíra para apenas dois pontos. Logo, ir bem nos confrontos contra Manchester United, Tottenham, Wolverhampton, Chelsea e Leicester – todos adversários que estão brigando diretamente por vagas em competições europeias nestas onze rodadas finais do campeonato-, pode significar a surpreendente classificação do conjunto de Yorkshire à Europa League. Aguardemos!

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