A decadência do Kaiserslautern

Os torcedores do Kaiserslautern estão vivendo um verdadeiro pesadelo neste fim de temporada, afinal, a grave crise financeira que assola o Fritz-Walter Stadion levou a diretoria do clube quatro vezes campeão alemão a declarar falência no último dia 15.

Quantas vezes já vimos equipes tradicionais do mundo da bola decretarem falência por conta de péssimas gestões? Pois é, este fenômeno que não é nada comum no Brasil – aonde não existem leis severas que punam clubes e dirigentes responsáveis por levarem agremiações ao colapso financeiro -, costuma ocorrer com alguma frequência no futebol europeu, basta citarmos exemplos como Napoli, Fiorentina, Parma, Deportivo La Coruña e Rangers, que tiveram de fechar as portas e recomeçar um novo trabalho do zero em divisões inferiores, devido ao acumulo de dívidas provenientes de más administrações.

E infelizmente, outro emblemático clube do Velho Continente enfrentará esta duríssima realidade. Trata-se do Kaiserslautern, equipe do sudoeste da Alemanha que já conquistou o título nacional quatro vezes ao longo da história – 1951, 1953, 1991 e 1998 -, e na atualidade, disputa a terceira divisão do futebol alemão. Não restam dúvidas de que a jovem geração terá maior dificuldade em lembrar do FCK, sobretudo porque o time não figura na Bundesliga desde 2012, porém os mais saudosos com certeza se recordarão que os Diabos Vermelhos eram compatíveis ao Bayern – de hoje em dia -, no final da década de 40 e início dos anos 50, ou seja, no início do período pós Segunda Gerra Mundial.

Cinco atletas da seleção da Alemanha, campeã da Copa de 1954, defendiam as cores do Kaiserslautern.

Vale ressaltar que a situação econômica do Kaiserslautern não é boa há anos, e obviamente, ela se agravou ainda mais com a queda do clube à terceira divisão do futebol alemão na temporada retrasada. Entretanto, podemos dizer que os Diabos Vermelhos já chegaram a conviver “bem” com o rebaixamento, isso porque em 1998, o FCK, na época comandado pelo lendário Otto Rehhagel, conseguiu a proeza de erguer a Meisterschale no mesmo ano em que o time retornou à Bundesliga após sofrer o seu primeiro descenso.

Além disso, o Kaiserslautern também se vangloria por ser a equipe que aplicou a maior goleada na história do futebol alemão, visto que a equipe derrotou o Trier-Kurenz por 20 a 0 na temporada 1946-47. Mas atualmente a realidade é outra, tanto é, que os pupilos de Boris Schommers ocupam a modesta 11ª colocação na tabela da 3. Liga com 47 pontos ganhos, colecionando o total de 12 vitórias, 11 empates e onze derrotas em 34 jogos, obtendo 46% de aproveitamento através desta lastimável campanha do time que é dono do segundo elenco mais valioso da terceira divisão.

Um dos principais motivos que desencadearam a crise no Kaiserslautern foram as obras de modernização feitas no estádio Fritz-Walter – sede de cinco jogos na Copa do Mundo de 2006.

No entanto, a saúde financeira do Kaiserslautern ficou totalmente comprometida com a paralisação do futebol na Europa, em decorrência da pandemia do novo coronavírus. A dívida dos Diabos Vermelhos aumentou de forma considerável neste longo período de quarentena, batendo a casa dos 24 milhões euros (cerca de R$ 140 milhões). O mais curioso disso tudo, é que se compararmos o déficit do clube alemão com os valores devidos pelo Cruzeiro – a equipe que mais deve no Brasil -, notamos que o passivo do time brasileiro é quase seis vezes maior, um dado que apenas demonstra o quanto as coisas são levadas a sério na Alemanha, ao contrário do nosso País.

“O objetivo do processo (de falência) é restaurar rapidamente o desempenho econômico do clube. Nós queremos e podemos usar esta oportunidade para fortalecer o nosso patrimônio com investidores e conseguir um reinício em termos econômicos, pois existem investidores interessados na marca Kaiserslautern, com o desejo de desenvolvê-la”, afirmou Soeren Oliver Voigt, diretor executivo do clube.

Embora o pedido de falência não tenha agradado os torcedores do Kaiserslautern, a diretoria do clube alemão segue convicta de que fez a coisa certa, pois os dirigentes entendem que os Diabos Vermelhos terão a oportunidade de resgatar rapidamente o prestígio no mundo da bola através do aporte financeiro de um grande investidor. Contudo, a verdade é que aos 120 anos de existência, a equipe que um dia já se gabou por ter craques como Fritz Walter, Andreas Brehme, Michael Ballack e Miroslav Klose, não sabe qual será o seu destino após o término da temporada mais melancólica de sua história.

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