Estreia à moda italiana da Azzurra na Euro 2024

O erro pra lá de infantil cometido por Federico Dimarco em uma cobrança de lateral nos primeiros 23 segundos do jogo entre Itália x Albânia, resultou no gol mais rápido da história da Eurocopa em Dortmund.

No entanto, a Itália rapidamente retomou as rédeas da partida igualando o placar através do gol de Alessandro Bastoni, aos 11 minutos, e virando por intermédio do tento de Nicolò Barella, quatro minutos depois. Em resumo, uma vitória que não apenas teve a assinatura da Inter de Milão, como também ampliou para dez jogos a invencibilidade dos italianos em Eurocopas (7V-3E).

Ainda assim, uma estreia bem diferente daquela da edição anterior do torneio, em que os atuais campeões europeus derrotaram a Turquia por 3 a 0 no pulsante estádio Olímpico de Roma. A propósito, em termos de comparação podemos dizer que a Itália viveu um verdadeiro flashback da última decisão da Eurocopa, na qual a Inglaterra abriu o marcador aos 2 minutos, em Wembley.

Logo, o poder de reação da Itália foi o principal ponto positivo em sua estreia na Euro 2024, acima de tudo porque eram diversos os questionamentos sobre a escalação de Luciano Spalletti, como por exemplo, a opção por Riccardo Calafiori como parceiro de Alessandro Bastoni na defesa, já que o jovem zagueiro do Bologna somava míseros dois jogos pela Azzurra, sendo somente um completo.

Por sinal, a função de Riccardo Calafiori foi similar ao papel desempenhado por ele na equipe da Emilia-Romagna, a julgar pelos seus avanços ao ataque como um típico lateral-esquerdo, que transformavam o homem de origem na posição, Federico Dimarco, num ponta. Consequentemente, a Itália atacava a Albânia com um bloco de sete jogadores, deixando Jorginho recompondo a zaga com Alessandro Bastoni e Giovanni Di Lorenzo.

Ademais, é importante destacar que Nicolò Barella passou as últimas duas semanas se recuperando de uma distensão na coxa, o que significa que a sua condição física na primeira aparição da Itália na Eurocopa era repleta de incertezas. Por outro lado, é inegável que o treinador Luciano Spalletti, no cargo há apenas dez meses, acertou nas decisões tomadas.

Pois é, e como tudo na Itália sempre gera muitas expectativas e emoções, muitos jornalistas já perguntavam a Luciano Spalletti na entrevista pós-jogo se a Azzurra retornará ao país com o caneco da Eurocopa na bagagem, detalhe este, que não impressiona pelo fato dos italianos terem sido vice-campeões continentais em 2012, e campeões em 2021, apesar das ausências nos últimos dois Mundiais.

Mas, mais do que isso, a impressão deixada é que essa Itália é um produto evoluído da seleção comandada por Cesare Prandelli, em 2012, e por Roberto Mancini, em 2021. Na realidade, ambas jogavam um futebol baseado no domínio através da posse de bola, porém o conjunto campeão europeu que tinha como pilares no controle das partidas a dupla de meio-campistas formada por Jorginho e Marco Verratti, contava com o forte apoio de Leonardo Spinazzola pela esquerda, bem como o poderio do um contra um de Federico Chiesa.

Com isso, na estreia frente a Albânia, a Itália registrou o montante de 750 trocas de passes, lembrando que 186 deles foram no terço final do campo. Desta vez, Jorginho iniciava com qualidade a saída de bola, e orientava constantemente os companheiros sobre possíveis movimentos e ações como se fosse um treinador dentro das quatro linhas. Não à toa, o volante do Arsenal encerrou a partida assinalando o total de 120 passes dados.

No final das contas, além de Jorginho (120), Giovanni Di Lorenzo (114), Alessandro Bastoni (110) e Nicolò Barella também encerraram a partida frente a Albânia contabilizando um número superior a 100 passes trocados, o que coloca a Itália ao lado da Espanha, ante a Suécia em 2021, como as duas seleções com quatro atletas a atingir essa marca em uma única partida de Eurocopa.

Portanto, essa nova versão do Tiki-Taka, implementada há uma década, segue à tona na seleção tetracampeã mundial em meio ao fim do processo de transição vivido após as saídas da lendária formação defensiva composta por Gianluigi Buffon, Andrea Barzagli, Giorgio Chiellini e Leonardo Bonucci. Por sinal, o sucessor de Buffon e também Gianluigi, Donnarumma, salvou a Itália de sofrer o empate da Albânia nos instantes finais do jogo no Signal Iduna Park, que seria trágico no grupo ainda formado por Espanha e Croácia.

De qualquer maneira, a Itália respondeu como se deve, vencendo em campo, a provocação de torcedores albaneses que sem o mínimo pudor cortavam o spaghetti de seus respectivos pratos no almoço realizado antes da bola em Dortmund, algo que é considerado uma enorme ofensa aos italianos.

Todavia, resta saber agora se o “Tiki-Taka italiano” funcionará contra a progenitora deste sistema de jogo, Espanha, adversária que a Azzurra não vence desde o triunfo por 2 a 0 nas oitavas-de-final da Euro 2016, ou há exatos cinco compromissos que terminaram com três derrotas e dois empates. A ver!

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