Itália

Florença sabe renascer. A Fiorentina ainda procura o desenho

Entre a memória do Renascimento e a ameaça do rebaixamento, a Fiorentina descobre que milhões compram talento, mas reconstruir exige uma ideia. Florença aprendeu a desafiar limites antes que seus habitantes conhecessem qualquer arquibancada. Entre 1420 e 1436, Filippo Brunelleschi ergueu a cúpula de Santa Maria del Fiore, transformando engenho numa resposta monumental ao impossível. Aquela construção exigiu cálculos, invenções, paciência e uma compreensão extraordinária das forças envolvidas. Séculos depois, a Fiorentina parece esquecer justamente essa lição diante da própria obra inacabada. No futebol, como na arquitetura, nenhuma ambição permanece em pé quando os fundamentos cedem. O retrato viola oferece pouco espaço para interpretações generosas: 18ª colocação, quatro pontos e presença na zona do rebaixamento. São seis derrotas, um empate e somente uma vitória em oito compromissos pelo campeonato italiano. Dos 24 pontos disputados, vinte ficaram pelo caminho, espalhados entre frustrações que começam a adquirir aparência de rotina. Uma campanha…

O Como de Fàbregas já não pede licença à Europa

Ao golear o Manchester United na Champions League, o clube italiano mostrou como ambição, inteligência no mercado e uma identidade coletiva podem alterar hierarquias. Cesc Fàbregas passou a carreira encontrando caminhos onde os adversários enxergavam obstáculos. Agora, diante do banco de reservas, parece determinado a ensinar uma cidade inteira a fazer o mesmo. A goleada por 4 a 1 sobre o Manchester United, na terceira rodada da Champions League, representa o retrato mais luminoso dessa transformação. No Giuseppe Sinigaglia, a diferença entre os escudos desapareceu assim que a bola começou a rolar. O que permaneceu foi uma superioridade construída com ideias, coragem e coordenação, suficientes para converter um encontro historicamente improvável numa demonstração contundente de autoridade.  Reduzir aquela apresentação à crise inglesa seria uma maneira confortável de ignorar quem realmente conduziu o espetáculo. Evidentemente, as dificuldades dos visitantes ajudaram a ampliar distâncias, oferecendo liberdade a jogadores preparados para aproveitá-la. Mas…

O Napoli de Allegri tem a bola, mas perdeu o comando

Da herança vencedora de Antonio Conte ao nono lugar na Serie A, os Azzurri esbarram em uma contradição sob a liderança de Massimiliano Allegri: querem controlar partidas sem impor o próprio ritmo. Nápoles aprendeu recentemente a olhar para o alto. Campeão italiano na temporada retrasada, vice na seguinte, o clube transformou ambição em hábito sob o comando de Antonio Conte. Agora, com Massimiliano Allegri, encontra dificuldades até para reconhecer aquele horizonte. A nona colocação após sete rodadas traduz uma queda que ultrapassa resultados: falta autoridade para conduzir partidas, personalidade nos momentos adversos e clareza sobre como avançar. Onde existia uma equipe capaz de sustentar expectativas, surge um conjunto ainda procurando a própria voz. A derrota por 1 a 0 diante do recém-promovido Venezia tornou esse desconforto impossível de esconder. Perder faz parte de qualquer campanha; preocupar-se exige observar aquilo que o placar revela sobre comportamentos recorrentes. Nesse caso, o tropeço…

Lazio: uma arrancada entre ruínas e esperança

Após um início turbulento, a Lazio, de Gennaro Gattuso, encontra resultados e divide a ponta da Série A, mas a reconstrução romana exige mais que cinco rodadas. Roma aprendeu a conviver com ruínas sem deixar de construir sobre elas. Na metade azul da capital italiana, essa imagem ajuda a compreender uma temporada que nasceu cercada por dúvidas e encontrou, inesperadamente, um horizonte promissor. Depois de cinco rodadas, a Lazio divide a liderança da Série A com Roma e Inter, transformando apreensão em curiosidade. Ainda seria precipitado falar em candidatura ao título, mas também seria injusto reduzir a campanha a um acidente de calendário. O que chama atenção não é somente a posição ocupada: é a distância entre aquele cenário de partida e a resposta apresentada dentro dos gramados. A despedida de Maurizio Sarri, rumo à Atalanta, encerrou uma etapa sem oferecer a segurança de uma sucessão tranquila. A campanha decepcionante…

Mancini reencontra a Itália: o passado no banco, o futuro em campo

Entre jovens promessas e uma base experiente, a Squadra Azzurra procura transformar os primeiros sinais de recuperação em um projeto para 2028 e 2030. A camisa italiana continua carregando quatro estrelas, mas há algum tempo o peso do tecido parece superar a proteção que sua história oferece. Depois de três ausências consecutivas em Copas do Mundo, a Azzurra precisa recuperar algo anterior ao prestígio: a capacidade de construir um amanhã que não dependa da lembrança de ontem. O retorno de Roberto Mancini nasce dessa urgência. Há um treinador conhecido no banco e uma geração diferente à sua disposição, combinação que oferece esperança, embora também cobre explicações. Recomeçar com alguém que já esteve ali pode fazer sentido, desde que a familiaridade não substitua a revisão dos erros. Os quatro primeiros compromissos ajudam a dimensionar esse início sem autorizar grandes proclamações. A derrota por 2 a 0 para a Bélgica, em casa,…

O Milan de Amorim: invicto na Itália, pressionado na Europa

Cinco rodadas sem derrotas sustentam a reconstrução rossonera, mas o tropeço diante do Benfica expõe o desafio de transformar uma ideia de jogo em resultados contra adversários mais fortes. A quinta colocação do Milan na temporada passada não foi apenas um número na tabela. Ela representou o desfecho amargo de uma campanha que, durante boa parte da Serie A, alimentou expectativas bem maiores. O time permaneceu na disputa pelas primeiras posições, frequentou a zona de classificação à Champions League e perdeu fôlego justamente quando precisava confirmar suas ambições. A derrota por 2 a 1 para o Cagliari, em San Siro, na última rodada, encerrou a competição com 70 pontos. Para um clube acostumado a enxergar a Europa como parte da própria história, terminar fora da principal vitrine continental exigia uma resposta.  Foi nesse ambiente que a segunda passagem de Massimiliano Allegri chegou ao fim. A diretoria decidiu trocar a experiência…

Bologna troca a espera pela urgência de Raffaele Palladino

Após dispensar Domenico Tedesco em apenas quatro rodadas, clube rossoblù aposta num treinador ofensivo para recuperar identidade, confiança e direção. Em 14 de julho, Domenico Tedesco iniciava no Bologna um projeto que carregava a aparência de começo, planejamento e confiança. Exatos dois meses depois, a derrota por 1 a 0 diante do Napoli, fora de casa, transformou aquela promessa numa experiência breve demais para criar raízes. O ex-comandante da seleção belga deixou o cargo após somente quatro partidas pela Serie A, com três reveses e um empate. Um ponto conquistado entre doze possíveis empurrou os rossoblù ao 16º lugar, apenas duas posições acima da zona de rebaixamento. Entre a fotografia da apresentação e a imagem da despedida, quase não houve tempo para o trabalho respirar. Os números explicam a decisão, embora não sejam suficientes para absolvê-la de qualquer debate. Quatro rodadas constituem uma amostra pequena para julgar definitivamente um treinador,…

Inter perde no placar, mas deixa o Bernabéu maior do que entrou

Primeira derrota na temporada expõe antigos pecados nos grandes jogos, porém confirma a força de um elenco construído para dominar a Itália e perseguir a Europa. A primeira derrota da Inter de Milão na temporada 2026-27 chegou justamente no palco em que qualquer erro costuma adquirir dimensões continentais. O revés por 2 a 1 diante do Real Madrid, no Santiago Bernabéu, interrompeu uma sequência de três vitórias nas rodadas iniciais da Serie A. Entretanto, reduzir a atuação nerazzurra ao resultado seria ignorar aquilo que aconteceu durante quase toda a noite na capital espanhola. Os italianos controlaram o jogo, empurraram o maior campeão europeu para trás e transformaram Thibaut Courtois no protagonista improvável do encontro. Às vezes, o futebol castiga quem propõe, premia quem resiste e entrega ao placar uma verdade diferente daquela desenhada pelo desempenho. Foram 21 finalizações italianas contra 16 espanholas, além de 11 escanteios diante de somente quatro…

Roma: o novo exército de Gasperini está pronto para conquistar a Itália?

Após recolocar os giallorossi na Champions League, treinador ganha reforços importantes, goleia a Fiorentina e inicia sua segunda temporada de olho no Scudetto. A primeira temporada de Gian Piero Gasperini no comando da Roma terminou de maneira indiscutivelmente positiva, visto que a terceira colocação na Serie A devolveu o clube à Champions League depois de sete longos anos de ausência. Mais do que cumprir um objetivo esportivo, a classificação representou a reconstrução da confiança de uma torcida acostumada a viver entre grandes expectativas e frequentes frustrações. Contratado há um ano, após uma passagem histórica pela Atalanta, o Gian Piero Gasperini chegou à capital italiana carregando ideias próprias e uma identidade impossível de confundir. Em poucos meses, transformou um conjunto irregular em uma equipe competitiva, intensa e consciente daquilo que deveria fazer dentro de campo. Como nas antigas construções romanas, o primeiro passo não foi erguer monumentos, mas estabelecer alicerces suficientemente…

Milan e Ruben Amorim: um clube e um treinador feridos em busca de reconstrução

Depois de uma temporada melancólica, os Rossoneri apostam no treinador português e reformulam o elenco para recuperar espaço entre os protagonistas do futebol europeu. De alegre, a segunda passagem de Massimiliano Allegri pelo Milan não teve praticamente nada. Faltaram a segurança defensiva, a regularidade e, principalmente, a capacidade de administrar resultados que sempre caracterizaram os trabalhos do novo treinador do Napoli. Aliás, a temporada terminou de maneira melancólica, com a equipe despencando na tabela justamente quando precisava confirmar sua classificação para a Champions League. Após permanecer durante 33 das 38 rodadas entre os quatro primeiros colocados, o Milan caiu de rendimento na reta final da temporada e terminou a Serie A somente na quinta posição. Para se ter uma ideia, os Rossoneri venceram apenas uma de suas cinco últimas partidas e desperdiçaram em pleno San Siro a oportunidade de assegurar a vaga no principal torneio europeu ao perderem do Cagliari…

Como desafia a aristocracia italiana e transforma sonho em projeto de Champions League

Com ideias modernas, investimento e coragem para enfrentar os gigantes, Cesc Fàbregas levou o clube à melhor campanha de sua história na Serie A. Durante muito tempo, o Como pareceu pertencer mais às fotografias históricas do futebol italiano do que ao presente da competição. Foram 22 anos de ausência da Serie A até o retorno em 2024, cercado pela curiosidade de quem desejava saber se aquele projeto ambicioso teria força para sobreviver entre os gigantes. A primeira resposta veio com a décima colocação na edição 2024-25 do campeonato, resultado que já representava a melhor campanha do clube desde 1988. A segunda participação consecutiva depois do acesso foi ainda mais ruidosa, visto que os comandados de Cesc Fàbregas terminaram na quarta posição, somando 71 pontos e garantindo uma inédita vaga na Champions League. Os Biancoblù que haviam passado mais de duas décadas distante dos grandes palcos agora atravessava a porta principal…

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