Primeira derrota na temporada expõe antigos pecados nos grandes jogos, porém confirma a força de um elenco construído para dominar a Itália e perseguir a Europa. A primeira derrota da Inter de Milão na temporada 2026-27 chegou justamente no palco em que qualquer erro costuma adquirir dimensões continentais. O revés por 2 a 1 diante do Real Madrid, no Santiago Bernabéu, interrompeu uma sequência de três vitórias nas rodadas iniciais da Serie A. Entretanto, reduzir a atuação nerazzurra ao resultado seria ignorar aquilo que aconteceu durante quase toda a noite na capital espanhola. Os italianos controlaram o jogo, empurraram o maior campeão europeu para trás e transformaram Thibaut Courtois no protagonista improvável do encontro. Às vezes, o futebol castiga quem propõe, premia quem resiste e entrega ao placar uma verdade diferente daquela desenhada pelo desempenho. Foram 21 finalizações italianas contra 16 espanholas, além de 11 escanteios diante de somente quatro…
Roma: o novo exército de Gasperini está pronto para conquistar a Itália?
Após recolocar os giallorossi na Champions League, treinador ganha reforços importantes, goleia a Fiorentina e inicia sua segunda temporada de olho no Scudetto. A primeira temporada de Gian Piero Gasperini no comando da Roma terminou de maneira indiscutivelmente positiva, visto que a terceira colocação na Serie A devolveu o clube à Champions League depois de sete longos anos de ausência. Mais do que cumprir um objetivo esportivo, a classificação representou a reconstrução da confiança de uma torcida acostumada a viver entre grandes expectativas e frequentes frustrações. Contratado há um ano, após uma passagem histórica pela Atalanta, o Gian Piero Gasperini chegou à capital italiana carregando ideias próprias e uma identidade impossível de confundir. Em poucos meses, transformou um conjunto irregular em uma equipe competitiva, intensa e consciente daquilo que deveria fazer dentro de campo. Como nas antigas construções romanas, o primeiro passo não foi erguer monumentos, mas estabelecer alicerces suficientemente…
Milan e Ruben Amorim: um clube e um treinador feridos em busca de reconstrução
Depois de uma temporada melancólica, os Rossoneri apostam no treinador português e reformulam o elenco para recuperar espaço entre os protagonistas do futebol europeu. De alegre, a segunda passagem de Massimiliano Allegri pelo Milan não teve praticamente nada. Faltaram a segurança defensiva, a regularidade e, principalmente, a capacidade de administrar resultados que sempre caracterizaram os trabalhos do novo treinador do Napoli. Aliás, a temporada terminou de maneira melancólica, com a equipe despencando na tabela justamente quando precisava confirmar sua classificação para a Champions League. Após permanecer durante 33 das 38 rodadas entre os quatro primeiros colocados, o Milan caiu de rendimento na reta final da temporada e terminou a Serie A somente na quinta posição. Para se ter uma ideia, os Rossoneri venceram apenas uma de suas cinco últimas partidas e desperdiçaram em pleno San Siro a oportunidade de assegurar a vaga no principal torneio europeu ao perderem do Cagliari…
Como desafia a aristocracia italiana e transforma sonho em projeto de Champions League
Com ideias modernas, investimento e coragem para enfrentar os gigantes, Cesc Fàbregas levou o clube à melhor campanha de sua história na Serie A. Durante muito tempo, o Como pareceu pertencer mais às fotografias históricas do futebol italiano do que ao presente da competição. Foram 22 anos de ausência da Serie A até o retorno em 2024, cercado pela curiosidade de quem desejava saber se aquele projeto ambicioso teria força para sobreviver entre os gigantes. A primeira resposta veio com a décima colocação na edição 2024-25 do campeonato, resultado que já representava a melhor campanha do clube desde 1988. A segunda participação consecutiva depois do acesso foi ainda mais ruidosa, visto que os comandados de Cesc Fàbregas terminaram na quarta posição, somando 71 pontos e garantindo uma inédita vaga na Champions League. Os Biancoblù que haviam passado mais de duas décadas distante dos grandes palcos agora atravessava a porta principal…
Itália inicia ciclo para 2030 em meio ao caos e velhos fantasmas
O dia 24 de junho de 2014 carrega um peso que parece aumentar a cada ano para o torcedor italiano. Foi naquela tarde, em Natal, na derrota por 1 a 0 diante do Uruguai — gol do já aposentado Diego Godín —, que a Itália entrou em campo pela última vez em uma Copa do Mundo. Pois é, já se passaram 12 anos desde então e, no intervalo, uma das camisas mais pesadas da história do futebol mundial transformou a ausência no principal torneio de seleções do planeta em algo assustadoramente habitual. Como costumo dizer, uma vez pode ser acidente de percurso, duas vezes já é incompetência, mas três vezes começa a representar uma realidade e, por mais dolorosa que seja para um país tetracampeão mundial, a condição atual é exatamente esta: disputar uma Copa do Mundo deixou de ser uma certeza aos italianos. Depois de ficar fora de 2018…
Fim da era Conte: Napoli aposta em Allegri e levanta dúvidas para o futuro
A saída de Antonio Conte do Napoli marca o fim de um ciclo que durou exatamente dois anos. Um período relativamente longo se levarmos em consideração a personalidade intensa do treinador italiano e a atmosfera igualmente apaixonada que cerca o futebol napolitano. E embora a passagem de Antonio Conte termine sem títulos em sua segunda temporada pelo clube da Campânia, o saldo geral não pode ser considerado negativo. Afinal, foi sob seu comando que os Azzurri conquistaram o quarto Scudetto de sua história em 2025, recolocando o Napoli novamente no topo do futebol italiano dois anos após a histórica campanha liderada por Luciano Spalletti. Justamente por causa desse título, a expectativa para a temporada 2025-26 era enorme. A diretoria investiu pesado no elenco, desembolsando 147,5 milhões de euros em reforços, valor que representou o segundo maior investimento da Serie A no período. A intenção era clara: transformar o Napoli em…
Juventus fora da Champions League: o fracasso que expõe a crise da Velha Senhora
A temporada 2025-26 terminou de maneira melancólica para a torcida da Juventus. Acostumada historicamente a disputar títulos nacionais e protagonizar grandes campanhas continentais, a Velha Senhora encerra a Serie A apenas na sexta colocação, garantindo somente uma vaga na próxima edição da Europa League. Em outras palavras, um cenário frustrante para um clube do tamanho da Juventus, que iniciou a temporada sonhando em retornar definitivamente ao topo do futebol italiano e europeu. A ausência na próxima Champions League representa não apenas um fracasso esportivo, mas também um golpe duríssimo no planejamento financeiro da equipe de Turim. Afinal, deixar de disputar a principal competição do continente inevitavelmente reduz receitas, enfraquece o orçamento e torna o projeto do clube menos atrativo para grandes jogadores. E isso pesa enormemente no mercado da bola. A Juventus tinha como grande objetivo garantir uma vaga na Champions League justamente para convencer atletas de elite a defenderem…
Inter de Milão, campeã italiana 2025-26
Há cicatrizes que jamais desaparecem completamente no futebol italiano. A Inter de Milão descobriu isso da maneira mais cruel possível ao término da temporada passada. Depois de perder o Scudetto por apenas um ponto para o Napoli, cair diante do rival Milan nas semifinais da Coppa Italia e ainda sofrer a traumática goleada por 5 a 0 diante do Paris Saint-Germain na decisão da Champions League, muitos acreditavam que aquele ciclo interista havia chegado ao fim. E não poderia ser diferente, o ambiente era pesado, o vestiário demonstrava sinais claros de desgaste emocional e até a liderança do elenco parecia ameaçada. Diante deste cenário, o assunto em torno dos Nerazzurri era mais sobre reconstrução do que sobre títulos. Parecia improvável imaginar que poucos meses depois aquela mesma equipe pisaria novamente no topo do Calcio. Mas o futebol, assim como a cidade de Milão, também é feito de contrastes. Entre a…
Roma em ruptura: o fim de Ranieri e o império que Gasperini tenta reconstruir
A Roma vive mais um daqueles capítulos que parecem escritos com tinta dramática, como se a própria história do clube insistisse em se alinhar com o peso simbólico da cidade que representa. Na Cidade Eterna, não há meio-termo: ou se constrói impérios, ou se convive com ruínas. E, neste final de abril, os Giallorossi se vêem novamente diante de uma encruzilhada, marcada pela saída de Claudio Ranieri, figura que transcende o cargo que ocupava. Mais do que um conselheiro sênior, Ranieri era um elo emocional com o passado, um guardião silencioso de valores que, muitas vezes, não cabem em relatórios ou reuniões estratégicas. A ruptura com Gian Piero Gasperini não é apenas um choque de ideias, mas um conflito de visões sobre o que a Roma deve ser. De um lado, a tradição, a leitura humana do futebol, a experiência acumulada ao longo de décadas. Do outro, a modernidade tática,…
Itália fora da Copa de 2026 e crise histórica se agrava ainda mais
Em 2017, foi a Suécia. Quatro anos depois, a Macedônia do Norte. Desta vez, a carrasca atende pelo nome de Bósnia e Herzegovina, apenas a 71ª colocada no ranking mundial, responsável por eliminar a seleção italiana na repescagem das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026. Pois é, um novo golpe, mais um capítulo de um roteiro que parecia impensável há pouco mais de uma década. A Azzurra, tetracampeã mundial, agora acumula ausências que já não cabem mais na categoria de acidente. Trata-se de uma sequência que escancara uma transformação profunda. Um abismo de longos 12 anos sem disputar um Mundial. E quando olhamos esse cenário com frieza, a conclusão é inevitável: a Itália deixou de ser exceção e passou a ser ausência recorrente. É impressionante observar como a percepção mudou ao longo do tempo. A primeira ausência foi tratada como um acidente de percurso, algo fora da curva. A segunda…
Milan vence o Derby della Madonnina e mantém viva a disputa pelo Scudetto
O Derby della Madonnina do último final de semana, válido pela 28ª rodada da Serie A, carregava um peso que ia muito além de um simples clássico da cidade de Milão. Em jogo estava não apenas a rivalidade histórica entre Milan e Inter, mas também o futuro da disputa pelo Scudetto nesta temporada. Os Nerazzurri adentraram ao San Siro com uma confortável vantagem de dez pontos na liderança da tabela. Para os Rossoneri, portanto, o cenário era claro: apenas a vitória manteria viva qualquer esperança de briga pelo título. Uma derrota ampliaria a diferença para treze pontos a apenas dez rodadas do fim. Até mesmo o empate manteria o abismo praticamente intransponível. Deste modo, tratava-se de uma decisão antecipada. Diante disso, o Milan entrou em campo pressionado, consciente de que precisava de uma atuação praticamente perfeita. E apesar da partida aquém das expectativas, os pupilos de Massimiliano Allegri superaram seu…