Após um início turbulento, a Lazio, de Gennaro Gattuso, encontra resultados e divide a ponta da Série A, mas a reconstrução romana exige mais que cinco rodadas. Roma aprendeu a conviver com ruínas sem deixar de construir sobre elas. Na metade azul da capital italiana, essa imagem ajuda a compreender uma temporada que nasceu cercada por dúvidas e encontrou, inesperadamente, um horizonte promissor. Depois de cinco rodadas, a Lazio divide a liderança da Série A com Roma e Inter, transformando apreensão em curiosidade. Ainda seria precipitado falar em candidatura ao título, mas também seria injusto reduzir a campanha a um acidente de calendário. O que chama atenção não é somente a posição ocupada: é a distância entre aquele cenário de partida e a resposta apresentada dentro dos gramados. A despedida de Maurizio Sarri, rumo à Atalanta, encerrou uma etapa sem oferecer a segurança de uma sucessão tranquila. A campanha decepcionante…
Mancini reencontra a Itália: o passado no banco, o futuro em campo
Entre jovens promessas e uma base experiente, a Squadra Azzurra procura transformar os primeiros sinais de recuperação em um projeto para 2028 e 2030. A camisa italiana continua carregando quatro estrelas, mas há algum tempo o peso do tecido parece superar a proteção que sua história oferece. Depois de três ausências consecutivas em Copas do Mundo, a Azzurra precisa recuperar algo anterior ao prestígio: a capacidade de construir um amanhã que não dependa da lembrança de ontem. O retorno de Roberto Mancini nasce dessa urgência. Há um treinador conhecido no banco e uma geração diferente à sua disposição, combinação que oferece esperança, embora também cobre explicações. Recomeçar com alguém que já esteve ali pode fazer sentido, desde que a familiaridade não substitua a revisão dos erros. Os quatro primeiros compromissos ajudam a dimensionar esse início sem autorizar grandes proclamações. A derrota por 2 a 0 para a Bélgica, em casa,…
O Milan de Amorim: invicto na Itália, pressionado na Europa
Cinco rodadas sem derrotas sustentam a reconstrução rossonera, mas o tropeço diante do Benfica expõe o desafio de transformar uma ideia de jogo em resultados contra adversários mais fortes. A quinta colocação do Milan na temporada passada não foi apenas um número na tabela. Ela representou o desfecho amargo de uma campanha que, durante boa parte da Serie A, alimentou expectativas bem maiores. O time permaneceu na disputa pelas primeiras posições, frequentou a zona de classificação à Champions League e perdeu fôlego justamente quando precisava confirmar suas ambições. A derrota por 2 a 1 para o Cagliari, em San Siro, na última rodada, encerrou a competição com 70 pontos. Para um clube acostumado a enxergar a Europa como parte da própria história, terminar fora da principal vitrine continental exigia uma resposta. Foi nesse ambiente que a segunda passagem de Massimiliano Allegri chegou ao fim. A diretoria decidiu trocar a experiência…
Bologna troca a espera pela urgência de Raffaele Palladino
Após dispensar Domenico Tedesco em apenas quatro rodadas, clube rossoblù aposta num treinador ofensivo para recuperar identidade, confiança e direção. Em 14 de julho, Domenico Tedesco iniciava no Bologna um projeto que carregava a aparência de começo, planejamento e confiança. Exatos dois meses depois, a derrota por 1 a 0 diante do Napoli, fora de casa, transformou aquela promessa numa experiência breve demais para criar raízes. O ex-comandante da seleção belga deixou o cargo após somente quatro partidas pela Serie A, com três reveses e um empate. Um ponto conquistado entre doze possíveis empurrou os rossoblù ao 16º lugar, apenas duas posições acima da zona de rebaixamento. Entre a fotografia da apresentação e a imagem da despedida, quase não houve tempo para o trabalho respirar. Os números explicam a decisão, embora não sejam suficientes para absolvê-la de qualquer debate. Quatro rodadas constituem uma amostra pequena para julgar definitivamente um treinador,…
Inter perde no placar, mas deixa o Bernabéu maior do que entrou
Primeira derrota na temporada expõe antigos pecados nos grandes jogos, porém confirma a força de um elenco construído para dominar a Itália e perseguir a Europa. A primeira derrota da Inter de Milão na temporada 2026-27 chegou justamente no palco em que qualquer erro costuma adquirir dimensões continentais. O revés por 2 a 1 diante do Real Madrid, no Santiago Bernabéu, interrompeu uma sequência de três vitórias nas rodadas iniciais da Serie A. Entretanto, reduzir a atuação nerazzurra ao resultado seria ignorar aquilo que aconteceu durante quase toda a noite na capital espanhola. Os italianos controlaram o jogo, empurraram o maior campeão europeu para trás e transformaram Thibaut Courtois no protagonista improvável do encontro. Às vezes, o futebol castiga quem propõe, premia quem resiste e entrega ao placar uma verdade diferente daquela desenhada pelo desempenho. Foram 21 finalizações italianas contra 16 espanholas, além de 11 escanteios diante de somente quatro…
Roma: o novo exército de Gasperini está pronto para conquistar a Itália?
Após recolocar os giallorossi na Champions League, treinador ganha reforços importantes, goleia a Fiorentina e inicia sua segunda temporada de olho no Scudetto. A primeira temporada de Gian Piero Gasperini no comando da Roma terminou de maneira indiscutivelmente positiva, visto que a terceira colocação na Serie A devolveu o clube à Champions League depois de sete longos anos de ausência. Mais do que cumprir um objetivo esportivo, a classificação representou a reconstrução da confiança de uma torcida acostumada a viver entre grandes expectativas e frequentes frustrações. Contratado há um ano, após uma passagem histórica pela Atalanta, o Gian Piero Gasperini chegou à capital italiana carregando ideias próprias e uma identidade impossível de confundir. Em poucos meses, transformou um conjunto irregular em uma equipe competitiva, intensa e consciente daquilo que deveria fazer dentro de campo. Como nas antigas construções romanas, o primeiro passo não foi erguer monumentos, mas estabelecer alicerces suficientemente…
Milan e Ruben Amorim: um clube e um treinador feridos em busca de reconstrução
Depois de uma temporada melancólica, os Rossoneri apostam no treinador português e reformulam o elenco para recuperar espaço entre os protagonistas do futebol europeu. De alegre, a segunda passagem de Massimiliano Allegri pelo Milan não teve praticamente nada. Faltaram a segurança defensiva, a regularidade e, principalmente, a capacidade de administrar resultados que sempre caracterizaram os trabalhos do novo treinador do Napoli. Aliás, a temporada terminou de maneira melancólica, com a equipe despencando na tabela justamente quando precisava confirmar sua classificação para a Champions League. Após permanecer durante 33 das 38 rodadas entre os quatro primeiros colocados, o Milan caiu de rendimento na reta final da temporada e terminou a Serie A somente na quinta posição. Para se ter uma ideia, os Rossoneri venceram apenas uma de suas cinco últimas partidas e desperdiçaram em pleno San Siro a oportunidade de assegurar a vaga no principal torneio europeu ao perderem do Cagliari…
Como desafia a aristocracia italiana e transforma sonho em projeto de Champions League
Com ideias modernas, investimento e coragem para enfrentar os gigantes, Cesc Fàbregas levou o clube à melhor campanha de sua história na Serie A. Durante muito tempo, o Como pareceu pertencer mais às fotografias históricas do futebol italiano do que ao presente da competição. Foram 22 anos de ausência da Serie A até o retorno em 2024, cercado pela curiosidade de quem desejava saber se aquele projeto ambicioso teria força para sobreviver entre os gigantes. A primeira resposta veio com a décima colocação na edição 2024-25 do campeonato, resultado que já representava a melhor campanha do clube desde 1988. A segunda participação consecutiva depois do acesso foi ainda mais ruidosa, visto que os comandados de Cesc Fàbregas terminaram na quarta posição, somando 71 pontos e garantindo uma inédita vaga na Champions League. Os Biancoblù que haviam passado mais de duas décadas distante dos grandes palcos agora atravessava a porta principal…
Itália inicia ciclo para 2030 em meio ao caos e velhos fantasmas
O dia 24 de junho de 2014 carrega um peso que parece aumentar a cada ano para o torcedor italiano. Foi naquela tarde, em Natal, na derrota por 1 a 0 diante do Uruguai — gol do já aposentado Diego Godín —, que a Itália entrou em campo pela última vez em uma Copa do Mundo. Pois é, já se passaram 12 anos desde então e, no intervalo, uma das camisas mais pesadas da história do futebol mundial transformou a ausência no principal torneio de seleções do planeta em algo assustadoramente habitual. Como costumo dizer, uma vez pode ser acidente de percurso, duas vezes já é incompetência, mas três vezes começa a representar uma realidade e, por mais dolorosa que seja para um país tetracampeão mundial, a condição atual é exatamente esta: disputar uma Copa do Mundo deixou de ser uma certeza aos italianos. Depois de ficar fora de 2018…
Fim da era Conte: Napoli aposta em Allegri e levanta dúvidas para o futuro
A saída de Antonio Conte do Napoli marca o fim de um ciclo que durou exatamente dois anos. Um período relativamente longo se levarmos em consideração a personalidade intensa do treinador italiano e a atmosfera igualmente apaixonada que cerca o futebol napolitano. E embora a passagem de Antonio Conte termine sem títulos em sua segunda temporada pelo clube da Campânia, o saldo geral não pode ser considerado negativo. Afinal, foi sob seu comando que os Azzurri conquistaram o quarto Scudetto de sua história em 2025, recolocando o Napoli novamente no topo do futebol italiano dois anos após a histórica campanha liderada por Luciano Spalletti. Justamente por causa desse título, a expectativa para a temporada 2025-26 era enorme. A diretoria investiu pesado no elenco, desembolsando 147,5 milhões de euros em reforços, valor que representou o segundo maior investimento da Serie A no período. A intenção era clara: transformar o Napoli em…
Juventus fora da Champions League: o fracasso que expõe a crise da Velha Senhora
A temporada 2025-26 terminou de maneira melancólica para a torcida da Juventus. Acostumada historicamente a disputar títulos nacionais e protagonizar grandes campanhas continentais, a Velha Senhora encerra a Serie A apenas na sexta colocação, garantindo somente uma vaga na próxima edição da Europa League. Em outras palavras, um cenário frustrante para um clube do tamanho da Juventus, que iniciou a temporada sonhando em retornar definitivamente ao topo do futebol italiano e europeu. A ausência na próxima Champions League representa não apenas um fracasso esportivo, mas também um golpe duríssimo no planejamento financeiro da equipe de Turim. Afinal, deixar de disputar a principal competição do continente inevitavelmente reduz receitas, enfraquece o orçamento e torna o projeto do clube menos atrativo para grandes jogadores. E isso pesa enormemente no mercado da bola. A Juventus tinha como grande objetivo garantir uma vaga na Champions League justamente para convencer atletas de elite a defenderem…