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	<title>Como 1907- SoccerBlog</title>
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	<description>Blog sobre futebol</description>
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		<title>Como desafia a aristocracia italiana e transforma sonho em projeto de Champions League</title>
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		<dc:creator><![CDATA[JoaoRicardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 13:58:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com ideias modernas, investimento e coragem para enfrentar os gigantes, Cesc Fàbregas levou o clube à melhor campanha de sua história na Serie A Durante muito tempo, o Como pareceu pertencer mais às fotografias históricas do futebol italiano do que ao presente da competição. Foram 22 anos de ausência da Serie A até o retorno [...]</p>
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<p class="has-medium-font-size"><strong>Com ideias modernas, investimento e coragem para enfrentar os gigantes, Cesc Fàbregas levou o clube à melhor campanha de sua história na Serie A</strong></p>



<p class="has-medium-font-size">Durante muito tempo, o Como pareceu pertencer mais às fotografias históricas do futebol italiano do que ao presente da competição. Foram 22 anos de ausência da Serie A até o retorno em 2024, cercado pela curiosidade de quem desejava saber se aquele projeto ambicioso teria força para sobreviver entre os gigantes. A primeira resposta veio com a décima colocação na edição 2024-25 do campeonato, resultado que já representava a melhor campanha do clube desde 1988. A segunda participação consecutiva depois do acesso foi ainda mais ruidosa, visto que os comandados de Cesc Fàbregas terminaram na quarta posição, somando 71 pontos e garantindo uma inédita vaga na Champions League. Os <em>Biancoblù</em> que haviam passado mais de duas décadas distante dos grandes palcos agora atravessava a porta principal da Europa.</p>



<p class="has-medium-font-size">A campanha foi histórica não apenas pelo lugar ocupado na tabela, mas por tudo aquilo que o Como precisou deixar para trás. Foram 20 vitórias, 11 empates e somente sete derrotas em 38 rodadas, com 65 gols marcados, 29 sofridos e saldo positivo de 36. Mais do que assegurar a melhor colocação de sua trajetória na Serie A, o time lombardo terminou à frente de Milan, Juventus, Atalanta, Lazio e Fiorentina, instituições habituadas a disputar competições continentais e com estruturas esportivas muito mais consolidadas. O Como não entrou na Champions League porque recebeu uma brecha generosa dos adversários. Ele conquistou seu espaço ao apresentar regularidade, organização e uma identidade difícil de encontrar até mesmo em equipes com orçamentos maiores. A surpresa existiu, mas não foi obra do acaso.</p>



<p class="has-medium-font-size">Também seria equivocado, entretanto, transformar essa trajetória em uma fábula romântica sobre um pequeno clube construído sem recursos. O Como possuía o sétimo elenco mais valioso do futebol italiano e contou com o respaldo financeiro dos proprietários para formar um grupo jovem, técnico e profundo. O investimento foi considerável, especialmente em atletas com potencial de valorização, mas dinheiro sozinho jamais explica 71 pontos em uma liga tão taticamente exigente. Outros clubes gastaram mais, carregaram camisas mais pesadas e começaram a temporada com objetivos superiores, mas acabaram olhando para cima na classificação. A grande virtude do trabalho esteve justamente em aproximar capacidade econômica e competência esportiva. Cesc Fàbregas recebeu boas peças, mas entregou um time que valia mais coletivamente do que a soma individual de seus jogadores.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="it" dir="ltr">Il Como ha avuto la miglior difesa di questa <a href="https://x.com/hashtag/SerieAEnilive?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#SerieAEnilive</a> 🔒 <a href="https://t.co/HFNHR63Cn5">pic.twitter.com/HFNHR63Cn5</a></p>&mdash; Lega Serie A (@SerieA) <a href="https://x.com/SerieA/status/2059557499708084275?ref_src=twsrc%5Etfw">May 27, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">A principal marca do treinador espanhol esteve na coragem de propor o jogo. Seu Como não se comportava como um recém-chegado interessado apenas em fechar espaços, reduzir riscos e esperar pelo erro adversário. Partindo geralmente de uma estrutura em 4-2-3-1, a equipe procurava construir desde a defesa, controlar a posse e avançar por meio de passes verticais. Um dos volantes recuava para auxiliar os zagueiros, enquanto o outro se apresentava como referência por dentro. Os laterais ganhavam altura e os jogadores de frente ocupavam os corredores internos, produzindo superioridade numérica entre as linhas. A intenção não era conservar a bola por vaidade estatística. O controle funcionava como uma forma de defender, atrair a pressão e preparar o espaço que seria atacado no movimento seguinte.</p>



<p class="has-medium-font-size">Essa estrutura, no entanto, estava longe de ser imóvel. Conforme o posicionamento do adversário, o Como podia construir com três jogadores na primeira linha, liberar simultaneamente os laterais e formar um losango no centro do campo. Em outros momentos, um dos pontas fechava por dentro, transformando-se praticamente em um meia, enquanto o lateral mantinha a amplitude. Quando alcançava o último terço, o desenho inicial frequentemente se convertia em um 4-4-2 ou até mesmo em um 4-2-4, com o camisa 10 se aproximando do centroavante. Havia conceitos reconhecíveis do jogo posicional, mas não uma tentativa de copiar mecanicamente Barcelona ou Manchester City. Cesc Fàbregas adaptou as ideias aprendidas ao longo de sua carreira às características de um elenco que ainda estava sendo construído.</p>



<p class="has-medium-font-size">Sem a bola, o Como também recusava a passividade. A equipe pressionava imediatamente após perder a posse, tentando recuperar o controle antes que o oponente pudesse acelerar a transição. Essa contrapressão agressiva exigia distâncias curtas, concentração e coragem para manter a última linha adiantada. Quando o primeiro combate era superado, surgiam riscos, principalmente às costas dos laterais ou nos espaços deixados pelo volante que participava da saída. A derrota por 4 a 0 para a Inter, em San Siro, expôs alguns desses limites e encerrou uma sequência de 11 partidas de invencibilidade. Mas até as dores fizeram parte do amadurecimento. Os <em>Biancoblù</em> não abandonaram suas convicções depois de serem castigados; aprenderam a controlar melhor os momentos em que precisavam avançar e aqueles em que deveriam proteger o próprio equilíbrio.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="580" height="387" data-id="118218" src="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2026/08/134196928221705637-8-e1786714826779.jpg" alt="" class="wp-image-118218"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Discípulo do Guardiolismo, Cesc Fàbregas soma 90 jogos à frente do Como, registrando 39 vitórias, 27 empates, 24 derrotas, 133 gols marcados e 93 sofridos.</strong></figcaption></figure>
</figure>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">No estádio Giuseppe Sinigaglia, a identidade ganhou força diante de um cenário tão belo quanto apertado. Em 19 partidas como mandante, o Como conquistou dez vitórias, seis empates e sofreu apenas três derrotas, totalizando 36 pontos. Marcou 35 gols e concedeu somente 15, transformando sua casa na quinta melhor campanha de toda a Serie A. A goleada por 6 a 0 sobre o Torino, a maior vitória do clube na história da competição, simbolizou o auge dessa segurança territorial. Todavia, a força como mandante não surgiu apenas da atmosfera criada às margens do lago. O campo familiar permitia à equipe reconhecer melhor as distâncias, encurralar adversários e sustentar ataques sucessivos. Em Como, os visitantes não enfrentavam somente um time inspirado, mas uma engrenagem treinada para ocupar cada pedaço disponível.</p>



<p class="has-medium-font-size">Foi fora de casa, porém, que a campanha adquiriu contornos ainda mais impressionantes. O Como conquistou dez vitórias, cinco empates e perdeu apenas quatro vezes como visitante, contabilizando 35 pontos — a terceira melhor campanha longe de seus domínios. Foram 30 gols marcados e míseros 14 sofridos, números que afastam qualquer interpretação de que a classificação tenha sido sustentada exclusivamente pela vantagem do Sinigaglia. A vitória pelo placar mínimo sobre o Verona assegurou matematicamente a presença europeia, enquanto a goleada por 4 a 1 sobre a Cremonese, na rodada final, confirmou o quarto lugar. Os <em>Biancoblù</em> aprenderam a transportar sua personalidade. Não precisavam das águas do lago diante dos olhos para reconhecer quem eram, porque sua identidade já viajava dentro do próprio jogo.</p>



<p class="has-medium-font-size">Entre tantos símbolos da evolução, Nico Paz foi o mais luminoso. O argentino atuou como meia central, ponta que se deslocava para dentro e organizador entre as linhas, tornando-se a peça capaz de transformar uma posse controlada em uma jogada decisiva. Sua canhota dava direção aos ataques, mas sua importância não se limitava ao último passe ou à finalização. O camisa 10 sabia receber de costas, proteger a bola, girar sob pressão e conduzir até obrigar a defesa a abandonar suas posições. Ao terminar a temporada com 12 gols na Serie A — e 13 gols e oito assistências considerando também a Copa da Itália —, foi eleito o melhor meio-campista do campeonato. Em um futebol cada vez mais dependente de estruturas, ele ofereceu ao Como aquilo que nenhuma prancheta produz sozinha: imaginação.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="en" dir="ltr">Como 1907 midfielder Nico Paz has been named the Serie A Enilive 2025/26 MVP – Best Midfielder. The award was presented during the pre-match ceremony ahead of Cremonese-Como 1907.<br><br>Congratulations, Nico! <a href="https://t.co/A69fjhN1if">pic.twitter.com/A69fjhN1if</a></p>&mdash; Como1907 (@Como_1907) <a href="https://x.com/Como_1907/status/2058614654075613652?ref_src=twsrc%5Etfw">May 24, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Anastasios Douvikas foi outro protagonista indispensável, encerrando a Serie A com 14 gols. Seus movimentos em profundidade empurravam as linhas defensivas para trás e abriam os espaços utilizados por Nico Paz, Jesús Rodríguez e Lucas Da Cunha. Aliás, Rodríguez finalizou a competição como líder de assistências da equipe, com nove, oferecendo aceleração e criatividade pelos lados. Máximo Perrone ajudava a organizar a saída e a controlar o ritmo, enquanto Maxence Caqueret entregava mobilidade para aproximar os diferentes setores. Já Mergim Vojvoda — lateral versátil, e não propriamente um meio-campista — cumpria uma função importante nas rotações, avançando pelo corredor ou fechando como apoio à construção. O brilho tinha nomes, mas nasceu de relações coletivas cuidadosamente desenvolvidas.</p>



<p class="has-medium-font-size">Na defesa, Jean Butez foi uma das bases silenciosas da classificação. O goleiro disputou as 38 rodadas, sofreu apenas 29 gols e terminou 19 partidas sem ser vazado, liderando a Serie A em jogos sem sofrer gols. Sua contribuição começava antes da defesa propriamente dita, pois a segurança com os pés permitia ao Como sair curto mesmo sob pressão. À frente dele, os <em>Biancoblù</em> aperfeiçoaram uma proteção que equilibrava ousadia e prudência, algo essencial para um time que mantinha muitos jogadores adiantados. Não à toa, apenas Inter, Roma e Juventus terminaram o campeonato com menos derrotas. </p>



<p class="has-medium-font-size">Isto posto, o Como inicia esta nova temporada caminhando sobre uma fronteira delicada entre crescimento e ansiedade. Existe qualidade para continuar entre os primeiros, recursos para fortalecer o plantel e um treinador cuja reputação se expande a cada nova solução apresentada. Também existem perigos: o calendário mais pesado, a pressão inédita e a possibilidade de o projeto perder equilíbrio ao tentar acelerar ainda mais. </p>



<p class="has-medium-font-size">Deste modo, a principal missão não é abandonar a ousadia, mas protegê-la com profundidade e maturidade. Às margens do lago, onde durante tantos anos o futebol pareceu somente parte da paisagem, renasceu um Como que deseja ocupar o centro da fotografia e que aprendeu a sonhar; agora terá de demonstrar que também sabe permanecer acordado.</p>
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