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		<title>Queda histórica do Leicester: do milagre à terceira divisão em 10 anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[JoaoRicardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 18:07:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A expressão “o mundo dá voltas” raramente encontra um retrato tão fiel quanto aquele vivido pelo Leicester neste momento. Rebaixado para a terceira divisão do futebol inglês com duas rodadas de antecedência, o clube encerra uma temporada que entra para a história não pela glória, mas pela queda abrupta. Não à toa, a sensação que [...]</p>
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<p class="has-medium-font-size">A expressão “o mundo dá voltas” raramente encontra um retrato tão fiel quanto aquele vivido pelo Leicester neste momento. Rebaixado para a terceira divisão do futebol inglês com duas rodadas de antecedência, o clube encerra uma temporada que entra para a história não pela glória, mas pela queda abrupta. </p>



<p class="has-medium-font-size">Não à toa, a sensação que paira sobre a cidade é de incredulidade, quase como se o tempo tivesse decidido cobrar um preço alto demais por um conto de fadas vivido há uma década. Não se trata apenas de um rebaixamento, mas de um símbolo de ruptura com um passado recente ainda muito vivo na memória coletiva. A torcida, que já cantou orgulhosa pelos quatro cantos da Inglaterra, agora tenta entender como o Leicester chegou a esse ponto. O contraste neste curto período de dez anos é tão gritante que beira o inacreditável. E talvez seja justamente isso que torna essa queda ainda mais dolorosa. Os <em>Foxes</em> não caíram sozinhos — caíram carregando suas próprias lembranças.</p>



<p class="has-medium-font-size">O descenso para a terceira divisão marca o segundo rebaixamento consecutivo do clube, algo que por si só já evidencia o colapso estrutural vivido internamente. Após cair da Premier League na temporada anterior, o Leicester não conseguiu reagir na Championship League, afundando ainda mais. A queda em sequência expõe não apenas problemas dentro de campo, mas uma gestão incapaz de interromper o ciclo negativo. Em vez de reconstrução, houve continuidade no erro. Em vez de reação, uma espécie de paralisia coletiva tomou conta de East Midlands. Cada rodada parecia repetir a anterior, com os mesmos erros, as mesmas fragilidades e a mesma incapacidade de resposta. O torcedor passou a conviver com a derrota como rotina. E quando a derrota se torna hábito, o destino costuma ser inevitável.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="580" height="387" data-id="116538" src="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2026/04/134196928221705637-13-e1776965436446.jpg" alt="" class="wp-image-116538"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>O Leicester se tornou o quinto clube da Premier League a cair da primeira para a terceira divisão em temporadas seguidas, se juntando a Swindon Town (1995), Wolves (2013), Sunderland (2018) e o Luton Town (2025).</strong></figcaption></figure>
</figure>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Nem mesmo a dedução de seis pontos por infrações ao fair play financeiro explica totalmente o desastre. Ainda que esses pontos fossem restituídos, o Leicester não teria pontuação suficiente para evitar o rebaixamento. Isso escancara uma realidade dura: o problema não foi circunstancial, foi estrutural. O desempenho da equipe foi insuficiente desde o início, revelando um time sem identidade, sem consistência e, principalmente, sem confiança. A punição apenas agravou um cenário que já era extremamente negativo. Em campo, os <em>Foxes</em> pareciam perdidos, como se tivessem desaprendido a competir. Fora dele, as decisões não ajudaram a estabilizar o ambiente. O resultado foi uma temporada que dificilmente será esquecida — mas pelos piores motivos possíveis.</p>



<p class="has-medium-font-size">O mais impressionante é que essa queda acontece exatamente uma década depois do maior feito da história do clube. Em 2016, sob o comando de Claudio Ranieri, o Leicester chocou o mundo ao conquistar a Premier League, desafiando probabilidades que pareciam intransponíveis. Aquela equipe não era apenas competitiva — era simbólica. Representava a possibilidade do improvável, a vitória da crença sobre a lógica. Jogadores como N&#8217;Golo Kanté, Jamie Vardy e Riyad Mahrez se tornaram ícones de uma geração. O futebol inglês, acostumado à hegemonia dos gigantes, viu um outsider escrever seu nome na eternidade. Foi mais do que um título — foi uma ruptura histórica. E talvez por isso, o presente doa tanto.</p>



<p class="has-medium-font-size">Aquele Leicester não parou no título inglês. O clube ainda alcançou as quartas-de-final da Champions League, ampliando ainda mais sua relevância no cenário internacional. A cidade de Leicester passou a existir no mapa do futebol europeu de forma definitiva. Havia identidade, havia pertencimento, havia orgulho. O torcedor se reconhecia no time. Era um coletivo que funcionava como uma extensão emocional da arquibancada. Hoje, o que se vê é exatamente o oposto. Uma equipe fragmentada, sem conexão, sem alma. A distância entre aquele elenco e o atual não é somente técnica — é espiritual. E isso, no futebol, costuma ser ainda mais difícil de recuperar.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="581" height="387" data-id="116543" src="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2026/04/134196928221705637-14-e1776966112795.jpg" alt="" class="wp-image-116543"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>O Leicester disputará a League One (terceira divisão) apenas pela segunda vez na história. O clube jogou a competição na temporada 2008-09, quando sagrou-se campeão.</strong></figcaption></figure>
</figure>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">A dor se intensifica quando lembramos que, há apenas cinco anos, o clube ainda levantava um troféu importante. A conquista da FA Cup simbolizava a consolidação do Leicester como uma força competitiva no cenário inglês. Não era mais uma surpresa, era uma realidade. Os <em>Foxes</em> pareciam ter encontrado um equilíbrio entre ambição e sustentabilidade. Mas o futebol, muitas vezes, não respeita linearidade. O que parecia um projeto sólido começou a apresentar rachaduras. Pequenos erros foram se acumulando. Decisões equivocadas passaram a ter consequências maiores. A tragédia já havia sendo anunciada.</p>



<p class="has-medium-font-size">Os números da temporada atual ajudam a explicar essa derrocada. Apenas três vitórias nas primeiras 14 rodadas da Championship League são um retrato fiel da incapacidade competitiva da equipe. Um início fraco que comprometeu todo o restante da campanha. A pressão aumentou rapidamente, e o ambiente se tornou pesado. Jogadores começaram a sentir o peso da camisa, algo impensável anos atrás. Cada jogo parecia uma batalha perdida antes mesmo do apito inicial. O Leicester deixou de ser temido e passou a ser visto como vulnerável. </p>



<p class="has-medium-font-size">A demissão de Martí Cifuentes foi uma tentativa de reação, mas que não surtiu efeito. A chegada de Gary Rowett trouxe esperança momentânea, mas a realidade logo se impôs. O novo treinador não conseguiu alterar o rumo da equipe, que seguiu acumulando resultados negativos. A troca no comando técnico acabou sendo apenas mais um capítulo de uma temporada caótica. Faltou tempo, faltou material humano, faltou, talvez, convicção. E quando essas três coisas faltam ao mesmo tempo, o resultado dificilmente será positivo. O Leicester trocou de técnico, mas não mudou sua essência em campo.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="en" dir="ltr">Tonight’s result confirms our relegation to Sky Bet League One. <a href="https://t.co/IsmoQbPOru">pic.twitter.com/IsmoQbPOru</a></p>&mdash; Leicester City (@LCFC) <a href="https://twitter.com/LCFC/status/2046691626978857076?ref_src=twsrc%5Etfw">April 21, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Curiosamente, Gary Rowett vive uma situação peculiar, já que seu ex-clube, o Oxford United, também luta contra o rebaixamento. Existe a possibilidade concreta de que ele esteja associado a duas quedas na mesma temporada, um cenário raro e simbólico do momento vivido pelo técnico trazido para salvar o Leicester. Isso reforça a ideia de que o problema dos Foxes vão além de nomes individuais. Trata-se de um contexto maior, de um ambiente que não favorece a recuperação. A crise é sistêmica. E crises sistêmicas não se resolvem com soluções pontuais. Exigem reconstrução profunda, quase sempre dolorosa.</p>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Os últimos atos do Leicester na segunda divisão serão contra Millwall e Blackburn, jogos que terão mais valor simbólico do que competitivo. Serão nada menos que despedidas melancólicas, marcadas por um sentimento de fim de ciclo. Para muitos jogadores, serão também as últimas partidas com a camisa do clube. A expectativa de um grande desmanche já é tratada como inevitável. O elenco será reformulado, talvez quase que por completo. Os <em>Foxes</em> precisarão se reinventar. E reinventar-se na terceira divisão não é tarefa simples, especialmente para quem, até pouco tempo, sonhava alto.</p>



<p class="has-medium-font-size">A torcida, que já chorou de alegria, agora chora de tristeza. O sentimento é de luto esportivo. Não apenas pela queda, como também pela perda de identidade. O Leicester de hoje não representa aquele clube que encantou o mundo. E isso machuca. Porque o torcedor não perde apenas jogos — perde referências, perde memórias vivas. O estádio, que já foi palco de celebrações históricas, agora se transforma em cenário de frustração. E reconstruir essa relação será um dos maiores desafios daqui para frente. Porque confiança, uma vez quebrada, leva tempo para ser restaurada.</p>



<p class="has-medium-font-size">É impossível não olhar para esse cenário e pensar na velocidade com que o futebol pode transformar histórias. Em questão de poucos anos, os Foxes saíram do topo do mundo para o fundo do poço. E essa trajetória serve como alerta para outros clubes. O sucesso, quando não é sustentado por uma base sólida, pode ser efêmero. O Leicester viveu o auge sem garantir sua permanência nele. E agora paga o preço dessa falta de continuidade. O futebol não perdoa desorganização. E, muitas vezes, cobra com juros altos.</p>



<p class="has-medium-font-size">O planejamento falho, as decisões equivocadas e a falta de visão de longo prazo formaram um conjunto de erros que levaram o clube a esse momento. Não houve reposição adequada de elenco, não houve manutenção da identidade de jogo e, principalmente, não houve estabilidade institucional. O Leicester perdeu o controle da própria narrativa. Diante disso tudo, o principal responsável pelo nada surpreendente rebaixamento do Leicester é o presidente Aiyawatt &#8216;Top&#8217; Srivaddhanaprabha. </p>



<p class="has-medium-font-size">Agora, resta ao Leicester olhar para frente. A League One pode ser vista como um recomeço, ainda que doloroso. Será necessário reconstruir não apenas o plantel, mas também a cultura interna do clube. Resgatar valores, redefinir objetivos, reconectar-se com sua essência. O caminho será longo e cheio de obstáculos. Mas o futebol, assim como derruba, também oferece oportunidades de redenção. Logo, a pergunta que fica é inevitável: os Foxes terão forças para escrever um novo capítulo digno de sua história, ou serão lembrados somente como a equipe que viveu o maior milagre — e também uma das maiores quedas do futebol moderno?</p>
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		<title>De um conto de fadas ao pior dos pesadelos, e agora sem Jamie Vardy</title>
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		<dc:creator><![CDATA[JoaoRicardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 May 2025 17:19:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A temporada 2024-25 caminha ao fim de forma pra lá de melancólica ao Leicester que, além de vivenciar o segundo rebaixamento num curto espaço de três anos, ainda se despede de Jamie Vardy, o último remanescente do momento mais magistral da história do clube. Na realidade, este adeus de Jamie Vardy ao Leicester tem o [...]</p>
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<p class="has-medium-font-size">A temporada 2024-25 caminha ao fim de forma pra lá de melancólica ao Leicester que, além de vivenciar o segundo rebaixamento num curto espaço de três anos, ainda se despede de Jamie Vardy, o último remanescente do momento mais magistral da história do clube. </p>



<p class="has-medium-font-size">Na realidade, este adeus de Jamie Vardy ao Leicester tem o mesmo valor simbólico da queda do muro de Berlim aos alemães, afinal ele simboliza o desfecho e o início de uma era no clube, assim como ocorreu na Alemanha em 1989. A propósito, um exemplo que retrata a grandeza do atacante que acumula o montante de 199 gols e 52 assistências em 498 jogos defendendo os <em>Foxes</em>.</p>



<p class="has-medium-font-size">Vale ressaltar que a identificação dos torcedores do Leicester em relação a Jamie Vardy deve-se também a aspectos extra-campo, em especial pelo passado do camisa 9 como operário na indústria Sheffield, que fabricava fibras de carbono para fins medicinais, cujo salário era de aproximadamente 30 libras, o equivalente a 229.5 reais, lembrando que antes de chegar ao clube de East Midlands em 2012 — aos 25 anos — ele acumulava passagens pelos modestos Stocksbridge Park Steels, Halifax Town e Fleetwood Town.</p>



<p class="has-medium-font-size">Portanto, a idolatria de Jamie Vardy no Leicester foi construída, inicialmente, através da dura trajetória ao longo da carreira, passando em seguida pelo seu estilo de jogo combativo e aguerrido, já que essas características representavam a torcida, o clube e a cidade em campo. Todavia, tudo se intensificou pra valer na memorável temporada 2015-16, em que a equipe na época comandada por Claudio Ranieri superou totalmente as expectativas ao vencer a Premier League.    </p>



<figure class="wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img decoding="async" width="580" height="386" src="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2025/05/133909205365756945-2-e1746537319102.jpg" alt="" data-id="106099" data-full-url="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2025/05/133909205365756945-2-e1746537319102.jpg" data-link="https://www.soccerblog.com.br/?attachment_id=106099" class="wp-image-106099"/><figcaption class="blocks-gallery-item__caption"><strong>Jamie Vardy é o jogador com o maior número de jogos e gols pelo Leicester em todos os tempos. Aliás, ele tem três jogos para atingir a marca de 200 gols pelo clube.</strong></figcaption></figure></li></ul></figure>



<p class="has-medium-font-size">Por sinal, antes da temporada do inédito título inglês as casas de apostas apontavam o Leicester com a probabilidade de 1 a cada 5.000 cotações para erguer o caneco da Premier League. Logo, a partir desta informação fica fácil dimensionar a magnitude do feito alcançado pelo clube que no ano seguinte ainda foi quadrifinalista da Champions League e, em 2021, faturou tanto a Supercopa da Inglaterra quanto a FA Cup.</p>



<p class="has-medium-font-size">Contudo, o conto de fadas do Leicester acabou com o rebaixamento sofrido há dois anos, e se transformou num verdadeiro pesadelo com o descenso desta temporada, ambos oriundos das péssimas e caríssimas escolhas feitas pelo clube ao contratar Ayoze Pérez (€ 33 milhões) Islam Slimani (€ 31 milhões), Kelechi Iheanacho (€ 27 milhões), Çaglar Soyuncu (€ 21 milhões), Adrien Silva (€ 20 milhões), Wilfred Ndidi (€ 17 milhões), e tantos outros que, definitivamente, não foram capazes de preencher as lacunas deixadas por Kasper Schmeichel, Wes Morgan, Christian Fuchs, Danny Drinkwater, N&#8217;Golo Kanté, Riyad Mahrez, Shinji Okazaki e Leonardo Ulloa no time.  </p>



<p class="has-medium-font-size">E como não poderia deixar de ser, os altos investimentos sem retorno colocaram o Leicester num enorme abismo financeiro que se alastrou com a morte do mandatário Vichai&nbsp;Srivaddhanaprabha, em 2018, além da pandemia que abalou a saúde econômica da King Power. Consequentemente, o clube inglês passou a ser administrado pelo filho de Vichai, &#8220;Top&#8221; Aiyawatt, que jamais se esforçou para mantê-lo minimamente competitivo.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Parece que foi ontem, mas já tem 9 ANOS! ???? Nesse dia, em 2016, o Leicester confirmava um dos maiores choques da história do esporte e se consagrava campeão da <a href="https://twitter.com/hashtag/PremierLeague?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#PremierLeague</a>! ???????? <a href="https://t.co/CVFQPEYzQw">pic.twitter.com/CVFQPEYzQw</a></p>&mdash; TNT Sports BR (@TNTSportsBR) <a href="https://twitter.com/TNTSportsBR/status/1918259172308816287?ref_src=twsrc%5Etfw">May 2, 2025</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p class="has-medium-font-size">Diante deste cenário, o regresso do Leicester à Premier League na atual temporada, inclusive como campeão da Championship League, deu-se em função do bom trabalho desenvolvido pelo técnico Enzo Maresca, hoje no Chelsea, juntamente com a maioria dos jogadores que permaneceram em East Midlands mesmo com rebaixamento dos <em>Foxes</em>, onde, é claro, se inclui Jamie Vardy.  </p>



<p class="has-medium-font-size">Deste modo, o retorno do Leicester à Championship League, confirmado com cinco rodadas de antecedência na Premier League após a derrota pelo placar mínimo frente o campeão Liverpool no King Power Stadium, preocupa ainda mais os torcedores que não acham Ruud van Nistelrooy capaz de realizar um trabalho inovador, embora o treinador holandês não seja tão pragmático como o antecessor Steve Cooper, o nome escolhido pela diretoria para substituir Enzo Maresca. Ou seja, um equívoco sem tamanho considerando as filosofias diferentes dos dois técnicos. </p>



<p class="has-medium-font-size">Ademais, é importante destacar que o Leicester começou a temporada jorrando o total de 88 milhões de euros em contratações, é óbvio, atendendo as recomendações de Steve Cooper que, por sua vez, foi demitido na 12ª rodada da Premier League, coincidentemente, depois do revés por 2 a 1 para o Chelsea, de Enzo Maresca, quando a equipe ocupava a 16ª posição na tabela, a apenas um ponto da zona da degola.</p>



<figure class="wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img loading="lazy" decoding="async" width="580" height="381" src="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2025/05/133909205365756945-3-e1746549622222.jpg" alt="" data-id="106163" data-full-url="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2025/05/133909205365756945-3-e1746549622222.jpg" data-link="https://www.soccerblog.com.br/?attachment_id=106163" class="wp-image-106163"/><figcaption class="blocks-gallery-item__caption"><strong>Ruud van Nistelrooy conquistou 11 dos 21 pontos assinalados pelo Leicester na Premier League. No último rebaixamento em 2023, o time caiu contabilizando 34 pontos.</strong></figcaption></figure></li></ul></figure>



<p class="has-medium-font-size">De qualquer maneira, a troca por Ruud van Nistelrooy não surtiu o efeito esperado, a julgar pelas 17 derrotas, 2 empates e três vitórias dos <em>Foxes</em> nas 22 partidas sob a liderança do ex-interino do Manchester United pela Premier League, compostas por uma longa sequência de nove compromissos sem balançar as redes. Não à toa, o Leicester despencou para a penúltima colocação na classificação do campeonato.  </p>



<p class="has-medium-font-size">E não para por aí, pois o desempenho bastante aquém das expectativas dos pupilos de Ruud van Nistelrooy também se sobressai em meio aos 53 gols sofridos e 20 marcados, das nove partidas consecutivas sem vitórias atuando no King Power Stadium, além dos sete pontos conquistados como mandantes dentre os 36 em disputa na Premier League. Por este motivo, a continuidade do técnico de 48 anos de idade no Leicester é incerta na próxima temporada.</p>



<p class="has-medium-font-size">À vista disso, o futuro se apresenta tenebroso pelos lados do King Power Stadium, principalmente em virtude da ausência de Jamie Vardy, representada pela perda de identidade do Leicester, afinal pior do que o rebaixamento são as dúvidas sobre como serão as coisas sem a maior lenda do clube, ainda que cedo ou tarde esse difícil momento iria chegar.</p>



<p class="has-medium-font-size">Pois é, e ele veio de forma inesperada trazendo um vazio antes mesmo do ciclo de Jamie Vardy terminar. Ao menos as memórias, os cachecóis, e as bandeiras estampadas com a imagem do lendário atacante dos <em>Foxes</em>, estarão eternamente presentes no King Power Stadium.   </p>
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		<title>O declínio do Leicester pode levá-lo à segunda divisão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[JoaoRicardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Apr 2023 20:43:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Há dois anos, Kasper Schmeichel, Wes Morgan, Marc Albrighton e Jamie Verdy, os últimos remanescentes do Leicester campeão da Premier League em 2016, erguiam o caneco da FA Cup em Wembley, no último momento de glória vivido pelos Foxes. No entanto, o que os torcedores do Leicester não imaginavam é que a realidade do clube [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-medium-font-size">Há dois anos, Kasper Schmeichel, Wes Morgan, Marc Albrighton e Jamie Verdy, os últimos remanescentes do Leicester campeão da Premier League em 2016, erguiam o caneco da FA Cup em Wembley, no último momento de glória vivido pelos <em>Foxes</em>. </p>



<p class="has-medium-font-size">No entanto, o que os torcedores do Leicester não imaginavam é que a realidade do clube mudaria de forma tão drástica neste curto espaço de quase dois anos, a julgar que atualmente o conjunto de East Midlands ocupa somente a penúltima posição na tabela da Premier League, não vence há exatos nove compromissos &#8211; somando oito derrotas e um empate neste período -, e permanece sem um treinador à frente da equipe.</p>



<p class="has-medium-font-size">Demitido no início do mês, após a queda dos <em>Foxes</em> diante do Crystal Palace por 2 a 1, Brendan Rodgers encerrou o ciclo de quatro anos de um bom trabalho no qual o Leicester venceu os títulos da FA Cup (2021) e da Supercopa da Inglaterra (2021), terminou duas vezes na quinta posição da Premier League (2020 e 2021), e foi semifinalista da Conference League na temporada passada. </p>



<figure class="wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2023/04/11-1-1024x683.jpg" alt="" data-id="72385" data-full-url="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2023/04/11-1-e1681144557633.jpg" data-link="https://www.soccerblog.com.br/?attachment_id=72385" class="wp-image-72385"/><figcaption class="blocks-gallery-item__caption"><strong>Brendan Rodgers obteve 92 vitórias, 42 empates e 70 derrotas, em 204 partidas à frente do Leicester, registrando 51,9% de aproveitamento no cargo.</strong></figcaption></figure></li></ul></figure>



<p class="has-medium-font-size">Contudo, a realidade é que Brendan Rodgers acabou pagando um alto preço pela grave crise financeira que assolou o Leicester que, consequentemente, está prestes a perder sete jogadores devido ao término de seus contratos no final da temporada, enquanto outros oito atletas entrarão no último ano de seus respectivos vínculos.</p>



<p class="has-medium-font-size">Todavia, vale ressaltar que a saúde financeira do Leicester ficou prejudicada pra valer durante a pandemia da COVID-19, precursora de uma duríssima situação que tirou totalmente a possibilidade do clube inglês em dar andamento ao projeto de adentrar ao bloco <em>Big Six</em> da Premier League, ou então de ampliá-lo ao novo grupo <em>Big Seven</em>. </p>



<p class="has-medium-font-size">Além disso, as 100 milhões de libras despejadas nas contratações dos jovens Youri Tielemans e Ayoze Pérez na primeira janela de transferências sob o comando de Brendan Rodgers, e a de Wesley Fofana no ano seguinte, comprometeram ainda mais a situação econômica do Leicester que, por sua vez, já havia gasto outras 100 milhões de libras na construção do novo centro de treinamento em Seagrave, no norte de Leicestershire.</p>



<p class="has-medium-font-size">E como se tudo isso não bastasse, o faturamento da principal patrocinadora do Leicester, a King Power International, empresa administrada pelo dono do clube, Aiyawatt Srivaddhanaprabha, despencou de 2,3 bilhões de libras em 2019 para 448 milhões de libras em 2021. Não à toa, de acordo com a revista Forbes, a fortuna pessoal do mandatário tailandês caiu de 5,9 bilhões de dólares para 1,7 bilhão de dólares ao longo desta mesma época, conforme destaca o link abaixo:  <br><a rel="noreferrer noopener" href="https://www.forbes.com/profile/aiyawatt-srivaddhanaprabha/?sh=1d65c75d712e" target="_blank">https://www.forbes.com/profile/aiyawatt-srivaddhanaprabha/?sh=1d65c75d712e</a></p>



<figure class="wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-6 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2023/04/11-2-1024x683.jpg" alt="" data-id="72408" data-full-url="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2023/04/11-2-e1681148999314.jpg" data-link="https://www.soccerblog.com.br/?attachment_id=72408" class="wp-image-72408"/><figcaption class="blocks-gallery-item__caption"><strong>Segundo o presidente do Leicester, Aiyawatt Srivaddhanaprabha, o clube registrou perdas recordes de 92,5 milhões de libras na temporada anterior .</strong></figcaption></figure></li></ul></figure>



<p class="has-medium-font-size">Sem dinheiro no caixa e com a queda nas receitas, restou ao Leicester negociar alguns atletas para não infringir as regras do Fair Play Financeiro. Aliás, isso explica a contraditória saída do ídolo Kasper Schmeichel ao Nice por míseros 1 milhão de libras, e a não contratação de um substituto à altura.</p>



<p class="has-medium-font-size">Assim, foi somente depois da venda de Wesley Fofana ao Chelsea por 70 milhões de libras no ano passado, que o Leicester enfim conseguiu reforçar o setor defensivo com as vindas de Wout Faes ainda na janela do verão europeu e, posteriormente, com as chegadas de Harry Souttar,&nbsp;Victor Kristiansen, além de&nbsp;Tete por empréstimo junto ao Shakhtar Donetsk, na janela de inverno.</p>



<p class="has-medium-font-size">Portanto, embora todos os clubes tenham registrado prejuízos com a pandemia, fica evidente que ela causou maiores estragos ao Leicester, interferindo inclusive no planejamento do atual penúltimo colocado da Premier League lá no começo da temporada.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="en" dir="ltr">The twists and turns continue 🤩 <a href="https://t.co/BWs8F4mhAx">pic.twitter.com/BWs8F4mhAx</a></p>&mdash; Premier League (@premierleague) <a href="https://twitter.com/premierleague/status/1645290680225333249?ref_src=twsrc%5Etfw">April 10, 2023</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p class="has-medium-font-size">Seja como for, a realidade é que restam oito partidas para o Leicester escapar da degola. Por este motivo, a diretoria do clube corre contra o tempo em busca de um treinador que até poderá ter sido anunciado antes da publicação deste artigo, lembrando que Dean Smith, ex-Aston Villa e Norwich, se apresenta como o principal nome para suceder Brendan Rodgers no momento. </p>



<p class="has-medium-font-size">Por sinal, a intenção do Leicester é trazer Dean Smith com a missão única e exclusiva de se livrar do rebaixamento, o que se subentende que será oferecido um curto contrato de dois meses ao técnico que está livre no mercado desde a sua saída do Norwich em dezembro de 2022. Por outro lado, Jesse March seria a opção para dirigir o time a partir da próxima temporada, quer dizer, um procedimento similar ao adotado pelo Chelsea.</p>



<p class="has-medium-font-size">De qualquer maneira, a batalha do Leicester contra o rebaixamento não será nada fácil, e uma prova disso é que o Manchester City será o seu próximo adversário no Etihad Stadium. A propósito, segue abaixo todas as partidas dos <em>Foxes</em> nesta reta final de temporada.</p>



<figure class="wp-block-table is-style-stripes"><table><tbody><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Rodada</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Adversário</strong></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Local</strong></td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">31ª</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Manchester City</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fora</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">32ª</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Wolverhampton</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Em casa</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">33ª</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Leeds United</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fora</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">34ª</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Everton</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Em casa</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">35ª</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fulham</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fora</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">36ª</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Liverpool</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Em casa</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">37ª</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Newcastle</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Fora</td></tr><tr><td class="has-text-align-center" data-align="center">38ª</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">West Ham</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">Em casa</td></tr></tbody></table></figure>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Pois é, e considerando essa complicada tabela, o site de probabilidades <a rel="noreferrer noopener" href="https://projects.fivethirtyeight.com/soccer-predictions/premier-league/" target="_blank">FiveThirtyEight</a> aponta o Leicester com 49% de chances de ser rebaixado, estando à frente apenas de Nottingham Forest (76%) e Southampton (80%) no pior desfecho possível para a equipe que há dois anos lutava diretamente por vagas na Champions League.  </p>



<p class="has-medium-font-size">  </p>



<p class="has-medium-font-size"> </p>
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