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	<title>SoccerBlog</title>
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	<description>Blog sobre futebol</description>
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	<title>SoccerBlog</title>
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		<title>Revolução no Principado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[JoaoRicardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 14:51:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Filipe Luís muda a identidade do Monaco, supera o Olympique de Marseille e inicia sua trajetória europeia com quatro vitórias consecutivas. O novo Monaco de Filipe Luís começa a dar sinais de que pode ser muito mais competitivo do que se imaginava antes do início da temporada. Depois de estrear na Ligue 1 vencendo o [...]</p>
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<p class="has-medium-font-size"><strong>Filipe Luís muda a identidade do Monaco, supera o Olympique de Marseille e inicia sua trajetória europeia com quatro vitórias consecutivas.</strong></p>



<p class="has-medium-font-size">O novo Monaco de Filipe Luís começa a dar sinais de que pode ser muito mais competitivo do que se imaginava antes do início da temporada. Depois de estrear na Ligue 1 vencendo o Le Havre por 1 a 0 fora de casa, a equipe encarou seu primeiro verdadeiro teste diante do <a href="https://www.soccerblog.com.br/2026/08/28/marseille-renasce-sob-o-comando-de-bruno-genesio-e-desafia-a-hegemonia-do-psg/">Olympique de Marseille. O adversário havia aplicado uma goleada por 4 a 0 sobre o Strasbourg na rodada inaugural</a>, aumentando a expectativa em torno do encontro no Principado. </p>



<p class="has-medium-font-size">No entanto, no estádio Louis-II, foram os monegascos que demonstraram maior organização, intensidade e capacidade para controlar os momentos decisivos. O triunfo por 2 a 0 manteve o Monaco com 100% de aproveitamento e ainda colocou o clube na liderança isolada da Ligue 1 após duas jornadas. Mais importante do que a posição provisória na tabela, contudo, foi perceber que as ideias do técnico Filipe Luís já estão ganhando forma.</p>



<p class="has-medium-font-size">Contratado até junho de 2028, Filipe Luís chegou para substituir Sébastien Pocognoli, demitido após a decepcionante sétima colocação na edição anterior da Ligue 1. O resultado deixou o Monaco fora da Champions League e obrigou sua diretoria a buscar uma transformação que fosse além de uma simples mudança no banco de reservas. O jovem treinador de 41 anos de idade desembarcou no Principado credenciado pelas cinco taças conquistadas em pouco mais de um ano comandando o Flamengo, incluindo Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro. </p>



<p class="has-medium-font-size">Logo, apesar da inesperada demissão no Rio de Janeiro em março, seu primeiro trabalho no futebol brasileiro consolidou a imagem de um técnico estudioso, exigente e profundamente ligado ao jogo de posição. A oportunidade em território europeu representa agora o passo mais desafiador de uma carreira ainda curta à beira do campo. Ao mesmo tempo, oferece ao Monaco a possibilidade de construir uma identidade mais ambiciosa depois de uma campanha marcada pela irregularidade.⁠</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="fr" dir="ltr">Monaco a officiellement nommé le Brésilien Filipe Luis comme nouvel entraîneur. Sa première séance est programmée ce mercredi matin. <a href="https://t.co/FZc7J1k0oY">https://t.co/FZc7J1k0oY</a> <a href="https://t.co/swM0qteZLS">pic.twitter.com/swM0qteZLS</a></p>&mdash; L&#39;Équipe (@lequipe) <a href="https://x.com/lequipe/status/2074124503387402565?ref_src=twsrc%5Etfw">July 6, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">A principal alteração promovida pelo brasileiro está na maneira como a formação se comporta com a posse da bola. Embora o desenho inicial seja apresentado como um 4-2-3-1, a disposição se transforma constantemente conforme o avanço das jogadas. Denis Zakaria e Lamine Camara formam a dupla responsável por oferecer equilíbrio, proteger a entrada da área e iniciar a construção desde o setor intermediário. Enquanto um volante se aproxima dos defensores para facilitar a saída, o outro procura ocupar uma faixa mais adiantada, permitindo que os laterais aumentem a amplitude. Aleksandr Golovin circula atrás do centroavante, mas recebe liberdade para abandonar a região central, associar-se pelos corredores ou buscar espaços entre as linhas rivais. Trata-se de uma estrutura móvel, concebida para criar superioridade numérica sem perder a proteção necessária contra possíveis contra-ataques.</p>



<p class="has-medium-font-size">O princípio mais evidente dessa filosofia é a tentativa de sair jogando desde o próprio campo, mesmo quando existe pressão do oponente. Filipe Luís quer defensores corajosos, meio-campistas disponíveis e movimentos coordenados para atrair a marcação antes de acelerar verticalmente. O goleiro Lukas Hradecky participa desse processo como um elemento adicional, oferecendo uma alternativa curta quando os zagueiros encontram os caminhos bloqueados. Eric Dier acrescenta experiência, leitura e qualidade no passe, ao passo que Sadibou Sané apresenta maior velocidade para defender espaços amplos às costas da última linha. Em vez de rifar a bola diante da primeira dificuldade, o Monaco procura manipular o posicionamento contrário até encontrar um companheiro livre. O mecanismo ainda necessita de aperfeiçoamento, mas já revela uma clara ruptura em relação ao futebol previsível apresentado durante boa parte da campanha passada.</p>



<p class="has-medium-font-size">Outra mudança importante aparece no comportamento sem a posse, com uma pressão mais agressiva logo depois de cada perda. Os jogadores próximos ao lance tentam encurtar imediatamente, impedir a progressão e recuperar o controle antes que o adversário consiga organizar sua transição. Essa postura exige distância curta entre defesa, meio-campo e ataque, além de enorme disciplina para fechar os caminhos por dentro. Quando o primeiro combate é superado, Denis Zakaria recua para proteger os centrais, ao passo que Camara utiliza sua mobilidade para perseguir o portador. Aleksandr Golovin, Stanis Idumbo e Mamadou Coulibaly também precisam participar ativamente, evitando que toda a responsabilidade recaia sobre os homens mais recuados. Foi justamente essa solidariedade coletiva que permitiu ao time neutralizar um Marseille que teve posse durante vários períodos, mas raramente encontrou espaço para ameaçar Lukas Hradecky.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="fr" dir="ltr">🔚 C’est terminé au Louis-II !<br><br>Solides derrière, efficaces devant, nos Rouge et Blanc s’imposent face à Marseille au terme d’une belle prestation collective 👊🇲🇨<br><br>⏱️ 90+5&#39; 2️⃣-0️⃣ I <a href="https://x.com/hashtag/ASMOM?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#ASMOM</a> <a href="https://t.co/UinNq42p5K">pic.twitter.com/UinNq42p5K</a></p>&mdash; AS Monaco 🇲🇨 (@AS_Monaco) <a href="https://x.com/AS_Monaco/status/2094163551157907613?ref_src=twsrc%5Etfw">August 30, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">A partida contra o Olympique de Marseille mostrou que esse projeto não depende somente de longas sequências de passes para machucar o oponente. Logo aos 13 minutos, Aleksandr Golovin encontrou Paris Brunner com um cruzamento preciso, e o jovem atacante alemão abriu o placar com uma cabeçada no canto. Aos nove da segunda etapa, o mesmo atleta recebeu uma ligação direta, conduziu em velocidade e concluiu com enorme categoria para definir o resultado. A jogada demonstrou uma característica fundamental da proposta: controlar quando possível, mas atacar rapidamente sempre que o cenário oferecer campo aberto. Mesmo tendo menos presença com a bola em determinados trechos, os monegascos foram superiores na ocupação dos espaços e na proteção da própria área. A vitória por 2 a 0, portanto, não nasceu apenas do brilho individual do camisa 29, mas da capacidade coletiva para reconhecer o tipo de confronto que estava sendo disputado. ⁠</p>



<p class="has-medium-font-size">Paris Brunner, aliás, começa a transformar uma oportunidade emergencial em candidatura permanente a uma vaga entre os titulares. Com somente 20 anos, o ex-jogador do Borussia Dortmund também marcou duas vezes nos confrontos eliminatórios da Conference League e chegou aos primeiros tentos de sua carreira na Ligue 1. Sua mobilidade combina perfeitamente com um esquema que exige de um centroavante muito mais do que presença dentro da área. Ele recua para tabelar, ataca a profundidade, oferece intensidade na pressão e demonstra força para conduzir durante as transições. Diante do Marseille, escapou da marcação no lance inaugural e exibiu personalidade extraordinária ao construir praticamente sozinho o segundo gol. O crescimento dessa promessa aumenta a concorrência com Mika Biereth, Folarin Balogun e o recém-contratado Matthis Abline, entregando diversas alternativas ao comandante brasileiro.</p>



<p class="has-medium-font-size">O mercado de transferências foi planejado para renovar posições específicas, mas também precisou compensar saídas extremamente relevantes. Maghnes Akliouche deixou o Principado em uma negociação de aproximadamente 50 milhões de euros rumo ao PSG, enquanto Aladji Bamba, Caio Henrique, Kassoum Ouattara e Krépin Diatta também seguiram outros caminhos. Em contrapartida, Matthis Abline chegou por cerca de 25 milhões, Ansu Fati foi adquirido em definitivo por 11 milhões e Sadibou Sané custou sete milhões. Nazinho reforçou a lateral esquerda por cinco milhões, ao passo que Mathys Detourbet veio por empréstimo para ampliar as opções ofensivas. Somadas, as vendas renderam 104 milhões, diante de um investimento próximo de 48 milhões, proporcionando saldo positivo de 56 milhões. A diretoria conseguiu, assim, rejuvenescer algumas áreas sem comprometer a sustentabilidade financeira que sempre orientou o modelo do clube.⁠</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="580" height="387" data-id="118381" src="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2026/08/134196928221705637-21-e1788186868773.jpg" alt="" class="wp-image-118381"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Contratado junto ao Nantes por 25 milhões de euros, Matthis Abline foi o reforço mais caro apresentado pelo Monaco na temporada, e o décimo atleya mais valioso da história dos monegascos.</strong></figcaption></figure>
</figure>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Entre as novas peças, Nazinho já aparece como um encaixe especialmente útil para o modelo implementado por Filipe Luís. O português oferece profundidade pelo lado esquerdo, qualidade nos cruzamentos e energia suficiente para retornar rapidamente após apoiar o ataque. Foi de uma cobrança de escanteio executada por ele que surgiu a cabeçada de Eric Dier na vitória sobre o Le Havre. Sadibou Sané, por sua vez, conquistou espaço ao lado do inglês graças à velocidade, capacidade de antecipação e segurança para defender longe da própria área. Matthis Abline ainda não conseguiu participar dos primeiros compromissos oficiais, enquanto Ansu Fati se recupera de um problema muscular sofrido durante a pré-temporada. Quando ambos estiverem disponíveis, o treinador do Monaco terá mais recursos para variar o setor ofensivo, alternar características e administrar o desgaste provocado pelo calendário continental.⁠</p>



<p class="has-medium-font-size">Além das contratações, Filipe Luís vem recuperando jogadores que poderiam permanecer escondidos dentro de um elenco numeroso. Stanis Idumbo ganhou protagonismo pela faixa esquerda, usando o drible e a aceleração para ocupar o espaço deixado pelas movimentações interiores de Aleksandr Golovin. Mamadou Coulibaly acrescenta potência, chegada à área e disposição para pressionar, tornando-se importante na ligação entre os volantes e os atacantes. Vanderson continua oferecendo profundidade no corredor direito, porém agora precisa escolher cuidadosamente os momentos de avançar para não desequilibrar a cobertura. Eric Dier tornou-se uma liderança defensiva e ainda contribui nas bolas paradas, como demonstrou ao marcar o primeiro gol monegasco na Ligue 1. A mescla entre experiência, juventude e versatilidade começa a formar uma base bastante adequada ao estilo pretendido pelo novo treinador.</p>



<p class="has-medium-font-size">A rápida evolução também ficou evidente na classificação para a fase regular da Conference League. Em seu primeiro jogo oficial sob a nova direção, o Monaco venceu o Gornik Zabrze por 3 a 2 na Polônia, embora tenha revelado certa fragilidade ao sofrer dois gols. Na volta, entretanto, o comportamento foi muito mais dominante, com a goleada por 4 a 1 e placar agregado de 7 a 3. Paris Brunner, Mamadou Coulibaly, Aleksandr Golovin e Mika Biereth balançaram as redes no estádio Louis-II, demonstrando que o poder de decisão está distribuído por diferentes setores. Diante de um bloco baixo, a formação monopolizou a posse, instalou-se no campo adversário e teve paciência para encontrar as brechas necessárias. A participação europeia funcionará como laboratório para aperfeiçoar mecanismos, oferecer minutos aos jovens e testar variações diante de estilos completamente distintos.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Monaco de Filipinho na liderança 🔝🇧🇷 <a href="https://t.co/9STLl5b6qQ">pic.twitter.com/9STLl5b6qQ</a></p>&mdash; Ligue 1 Português (@Ligue1_POR) <a href="https://x.com/Ligue1_POR/status/2094388934696489023?ref_src=twsrc%5Etfw">August 31, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Naturalmente, quatro vitórias consecutivas não significam que o trabalho esteja completo ou livre de problemas. Os dois gols sofridos na Polônia expuseram dificuldades na recomposição, especialmente quando os laterais estavam adiantados e a pressão inicial era superada. A saída curta também poderá provocar riscos contra rivais capazes de marcar agressivamente, exigindo enorme precisão dos defensores e dos volantes. Outro desafio será administrar um ataque repleto de centroavantes, sem diminuir a confiança daqueles que receberem menos oportunidades. Ansu Fati, Folarin Balogun e Matthis Abline começaram a temporada indisponíveis, mas seus retornos aumentarão consideravelmente a disputa interna. Filipe Luís precisará encontrar equilíbrio entre convicção tática, rotação inteligente e adaptação às características de cada compromisso.</p>



<p class="has-medium-font-size">O início perfeito permite sonhar, porém as perspectivas devem ser analisadas com ambição e alguma prudência. Na Ligue 1, a primeira meta consiste em devolver o Monaco à zona de classificação para a Champions League depois da última frustrante sétima colocação. A Conference oferece uma possibilidade concreta de título, embora o calendário acrescente viagens, desgaste físico e semanas com pouca preparação. O elenco monegasco possui talento para avançar profundamente no torneio continental, sobretudo pela variedade disponível no setor ofensivo e pela presença de jogadores acostumados a grandes competições. Resta saber se a consistência defensiva exibida contra o Marseille será mantida quando o nível das exigências aumentar. Caso isso aconteça, os pupilos de Filipe Luís poderão deixar de ser apenas uma promessa interessante para se transformarem em uma das equipes mais perigosas desta temporada.</p>



<p class="has-medium-font-size">Ainda é muito cedo para saber até onde essa revolução brasileira poderá conduzir os representantes do Principado. Mesmo assim, quatro partidas oficiais, quatro vitórias e a classificação europeia constituem uma apresentação difícil de ignorar. Filipe Luís não entregou somente resultados imediatos, mas começou a mudar a maneira como seus jogadores pensam, ocupam o campo e reagem aos diferentes momentos. O 4-2-3-1 oferece uma plataforma equilibrada, enquanto a mobilidade dos jovens acrescenta imprevisibilidade e intensidade ao ataque. </p>



<p class="has-medium-font-size">Os três pontos diante do Marseille revelaram maturidade para competir contra um rival direto sem abandonar os princípios construídos durante a preparação. Depois de uma temporada decepcionante, o Monaco parece, finalmente, ter encontrado um caminho — e será fascinante descobrir até onde ele poderá levar os Rouge et Blanc.</p>
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		<title>Marseille renasce sob o comando de Bruno Génésio e desafia a hegemonia do PSG</title>
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		<dc:creator><![CDATA[JoaoRicardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 12:07:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de uma temporada marcada por conflitos e instabilidade, o Olympique goleia o Strasbourg no Vélodrome e recupera a esperança. A caminhada do Olympique de Marseille em busca do fim da hegemonia parisiense começou de maneira praticamente perfeita no Stade Vélodrome. Diante de uma torcida que passou os últimos meses entre a frustração e a [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-medium-font-size"><strong>Depois de uma temporada marcada por conflitos e instabilidade, o Olympique goleia o Strasbourg no Vélodrome e recupera a esperança.</strong></p>



<p class="has-medium-font-size">A caminhada do Olympique de Marseille em busca do fim da hegemonia parisiense começou de maneira praticamente perfeita no Stade Vélodrome. Diante de uma torcida que passou os últimos meses entre a frustração e a desconfiança, a equipe comandada por Bruno Génésio goleou o Strasbourg por 4 a 0. O resultado representou muito mais do que três pontos conquistados na abertura da Ligue 1. Houve uma demonstração de força coletiva, um reencontro com a própria identidade e, sobretudo, a sensação de que o turbulento capítulo anterior finalmente ficou para trás. Dezesseis anos depois do último título francês, alcançado na temporada 2009-10, a esperança volta a circular pelas arquibancadas marselhesas. Seria essa atuação apenas uma empolgação passageira ou o primeiro sinal de uma candidatura verdadeiramente capaz de ameaçar o Paris Saint-Germain?</p>



<p class="has-medium-font-size">Não se pode compreender a importância dessa estreia sem recordar o caos vivido pelo clube durante a campanha passada. O quinto lugar na tabela garantiu somente uma vaga na Europa League, recompensa pequena diante das expectativas criadas no início daquele valioso projeto. Resultados irregulares, problemas internos e sucessivas turbulências impediram a formação de uma equipe confiável. A derrota por 5 a 0 para o Paris Saint-Germain, em pleno <em>Le Classique</em>, simbolizou o esgotamento de uma relação que já apresentava rachaduras profundas. Roberto De Zerbi deixou o cargo em fevereiro, pouco depois daquele golpe esportivo e emocional, encerrando sua passagem por meio de um acordo com a diretoria. O italiano havia conduzido o time ao segundo lugar no ano anterior, mas saiu incapaz de recuperar um vestiário que parecia ter perdido a conexão com suas ideias.</p>



<p class="has-medium-font-size">Habib Beye chegou posteriormente com a difícil missão de reorganizar uma estrutura abalada e salvar o que ainda restava da temporada. Antigo jogador da instituição, ele carregava identificação com as arquibancadas, conhecimento do ambiente e uma imagem inicialmente agregadora. Nada disso, entretanto, foi suficiente para neutralizar os conflitos de ego, as cobranças públicas e os desentendimentos entre diferentes setores. Sua passagem durou pouco mais de quatro meses, período no qual algumas decisões aumentaram a distância entre a comissão técnica e determinadas lideranças. As manifestações ríspidas dos torcedores, somadas às divergências expostas nos bastidores administrativos, deixaram a atmosfera ainda mais pesada. Quando o ciclo terminou, a necessidade de uma reconstrução já não era somente esportiva, mas também emocional, disciplinar e institucional.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="580" height="387" data-id="118352" src="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2026/08/134196928221705637-19-e1787917713843.jpg" alt="" class="wp-image-118352"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>O Olympique de Marseille venceu seis dos últimos sete jogos de abertura de uma temporada da Ligue 1, marcando três gols por partida em média no período.</strong></figcaption></figure>
</figure>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">A profunda reformulação realizada durante o mercado surgiu como consequência direta daquele diagnóstico. Gerónimo Rulli seguiu para o Manchester City, enquanto Pau López também encerrou definitivamente sua trajetória no sul da França. Mason Greenwood foi negociado com o Fenerbahçe por 39 milhões de euros, valor importante para o reequilíbrio financeiro e a montagem do novo grupo. Pierre-Emerick Aubameyang, um dos nomes mais experientes do elenco, partiu depois de um período marcado por gols, liderança e desgaste coletivo. Jordan Veretout e Valentin Rongier igualmente deixaram a estrutura dentro de um processo destinado a renovar o meio-campo. Mais do que trocar jogadores, a diretoria procurou eliminar resquícios das antigas crises e abrir espaço para uma hierarquia diferente.</p>



<p class="has-medium-font-size">As reposições foram pensadas para oferecer criatividade, intensidade e maior flexibilidade ao trabalho de Bruno Génésio. Amine Gouiri assumiu o protagonismo ofensivo e passou a ser tratado como principal referência para a construção dos gols. Ángel Gomes trouxe visão privilegiada, capacidade associativa e inteligência para encontrar espaços entre as linhas adversárias. Himad Abdelli acrescentou consistência física, condução vertical e qualidade técnica a uma região anteriormente desequilibrada. Na defesa, Naief Aguerd ampliou as possibilidades, enquanto Derek Cornelius permaneceu como alternativa para um setor que precisava recuperar segurança. Jeffrey de Lange herdou a titularidade no gol e mostrou serenidade para participar da saída curta desde os primeiros minutos.</p>



<p class="has-medium-font-size">Ainda existe uma questão importante envolvendo Leonardo Balerdi, titular frequente na passagem de Roberto De Zerbi e uma das figuras mais reconhecidas do grupo. O zagueiro convive com problemas físicos, motivo pelo qual não participou da rodada inaugural contra o Strasbourg. Sua permanência pode ser valiosa, desde que o argentino consiga recuperar a condição necessária para assimilar os novos mecanismos. Experiência, agressividade nos duelos e facilidade para progredir com a bola são atributos úteis a qualquer sistema propositivo. Ao mesmo tempo, a concorrência aumentou, impedindo que o status construído anteriormente assegure uma vaga automática entre os onze. Bruno Génésio precisará reintegrá-lo sem comprometer o equilíbrio demonstrado por uma retaguarda que iniciou o campeonato sem sofrer gols.</p>



<p class="has-medium-font-size">A primeira formação do novo treinador apresentou um desenho móvel, interpretado inicialmente como um 4-1-2-3, embora assumisse diferentes configurações durante a posse. Timothy Weah apareceu improvisado na lateral direita, usou a braçadeira de capitão e avançou como ala sempre que o contexto permitia. CJ Egan-Riley, Geoffrey Kondogbia e Emerson Palmieri completaram a linha defensiva diante da ausência de peças consideradas originalmente titulares. Pierre-Emile Hojbjerg protegeu a entrada da área, orientou a circulação e ofereceu sustentação às movimentações realizadas à sua frente. Ángel Gomes e Himad Abdelli ocuparam zonas interiores, aproximando criação, intensidade e chegada ao último terço. Essa versatilidade tornou difícil definir posições rígidas, porque cada atleta interpretava o espaço conforme o desenvolvimento da jogada.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="fr" dir="ltr">𝗟&#39;𝗢𝗹𝘆𝗺𝗽𝗶𝗾𝘂𝗲 𝗱𝗲 𝗠𝗮𝗿𝘀𝗲𝗶𝗹𝗹𝗲 𝗮𝗻𝗻𝗼𝗻𝗰𝗲 𝗹𝗮 𝗻𝗼𝗺𝗶𝗻𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻 𝗱𝗲 𝗕𝗿𝘂𝗻𝗼 𝗚𝗲𝗻𝗲𝘀𝗶𝗼 𝗲𝗻 𝘁𝗮𝗻𝘁 𝗾𝘂&#39;𝗲𝗻𝘁𝗿𝗮𝗶̂𝗻𝗲𝘂𝗿 𝗱𝗲 𝗹&#39;𝗲́𝗾𝘂𝗶𝗽𝗲 𝗽𝗿𝗲𝗺𝗶𝗲̀𝗿𝗲 🔵⚪️<br><br>Plus d&#39;informations 👉 <a href="https://t.co/e3kdSKgSmS">https://t.co/e3kdSKgSmS</a> <a href="https://t.co/EJQiBiO77L">pic.twitter.com/EJQiBiO77L</a></p>&mdash; Olympique de Marseille (@OM_Officiel) <a href="https://x.com/OM_Officiel/status/2072251499992809718?ref_src=twsrc%5Etfw">July 1, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Na frente, Amine Harit partiu nominalmente pela direita, porém teve liberdade para flutuar por toda a faixa central. Igor Paixão garantiu velocidade, profundidade e capacidade de desequilíbrio no corredor oposto. Amine Gouiri permaneceu como referência, mas abandonou constantemente a área para tabelar e arrastar os zagueiros do Strasbourg. Sua movimentação como falso nove abriu caminhos para as infiltrações dos companheiros e evitou que o ataque ficasse previsível. Sem um centroavante estático, o trio alternou funções, trocou posicionamentos e confundiu as referências de marcação. Quando Timothy Weah avançava, Ángel Gomes também podia se aproximar daquele lado, formando superioridades que sustentavam a pressão territorial.</p>



<p class="has-medium-font-size">A liberdade concedida ao meio-campista inglês foi um dos aspectos mais interessantes da proposta marselhesa. Ángel Gomes atuou como um camisa 10 clássico na sensibilidade, mas moderno pela quantidade de movimentos executados longe da bola. Em determinados momentos, recuou para ajudar na organização; em outros, surgiu entre setores para receber já orientado em direção ao gol. Essa mobilidade conectou Pierre-Emile Hojbjerg, Himad Abdelli, Amine Harit e Amine Gouiri, reduzindo a distância entre os diferentes corredores. A assistência para o primeiro tento resumiu sua inteligência: aproximação no instante correto, leitura rápida e passe preciso para o atacante finalizar. Em vez de prender seu principal articulador a uma faixa específica, Bruno Génésio construiu um contexto no qual o talento pudesse escolher o melhor caminho.</p>



<p class="has-medium-font-size">O Olympique de Marseille controlou as ações desde o começo, embora tenha precisado esperar até o segundo tempo para transformar superioridade em vantagem. Menos de um minuto após o intervalo, Igor Paixão acelerou pela esquerda, encontrou Gomes e participou da jogada concluída por Amine Gouiri aos 46. A expulsão de Samir El-Mourabet aos 59, depois de uma intervenção do VAR, aumentou ainda mais a diferença entre os times. Pouco depois, Guéla Doué derrubou o brasileiro dentro da área, permitindo ao atacante argelino converter o pênalti aos 68. O placar de 2 a 0 não diminuiu o ritmo dos anfitriões, que continuaram pressionando e procurando novas oportunidades. Essa fome competitiva talvez tenha sido a resposta mais clara de uma formação frequentemente acusada de fragilidade mental no passado recente.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="fr" dir="ltr">L&#39;<a href="https://x.com/OM_Officiel?ref_src=twsrc%5Etfw">@OM_Officiel</a> premier leader de la saison 🥇 <a href="https://t.co/F5LmDLRlQO">pic.twitter.com/F5LmDLRlQO</a></p>&mdash; Ligue 1 McDonald&#39;s (@Ligue1) <a href="https://x.com/Ligue1/status/2091641630499717516?ref_src=twsrc%5Etfw">August 23, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Vale ressaltar ainda, que Bruno Génésio também encontrou no banco a profundidade necessária para manter a intensidade até os últimos instantes. Keyliane Abdallah, jovem de apenas 20 anos, entrou na etapa final e marcou o terceiro gol aos 89 minutos. O lance premiou não somente uma promessa da base, mas a disposição coletiva de atacar mesmo quando o confronto já estava decidido. Pierre-Emile Hojbjerg completou a goleada aos 96, aproveitando uma sobra na entrada da área para finalizar com precisão. A atuação do dinamarquês reuniu liderança, controle do ritmo, imposição nos duelos e presença ofensiva. Ao transformar um triunfo confortável em resultado categórico, os reservas mostraram que a renovação ampliou as opções disponíveis para o decorrer da temporada composta pela Europa League.</p>



<p class="has-medium-font-size">Outro avanço visível apareceu na pressão pós-perda, executada com agressividade e boa coordenação ao redor da bola. Sempre que o Strasbourg recuperava a posse, dois ou três jogadores fechavam rapidamente as alternativas próximas e dificultavam a transição. Essa abordagem ofensiva não se limitava à aceleração dos pontas, pois começava na maneira como o conjunto reagia após cada passe interceptado. Pierre-Emile Hojbjerg oferecia cobertura, os laterais encurtavam o campo e os meias impediam que o rival respirasse. Ainda será necessário observar esse comportamento contra oponentes tecnicamente superiores, capazes de escapar da primeira perseguição e explorar áreas desguarnecidas. Porém, como cartão de visitas, o novo modelo apresentou organização suficiente para alimentar uma esperança que parecia esquecida.</p>



<p class="has-medium-font-size">A goleada colocou provisoriamente o Olympique na liderança e, principalmente, restabeleceu a paz com sua apaixonada torcida. O Vélodrome voltou a vibrar com um futebol corajoso, vertical e comprometido, características indispensáveis para quem pretende competir na parte mais alta da Ligue 1. Naturalmente, uma única rodada não apaga as crises anteriores nem transforma automaticamente os <em>Les Phocéens</em> em concorrente direto do poderoso PSG. A disputa simultânea da Europa League exigirá administração física, maturidade emocional e soluções para os desfalques que inevitavelmente surgirão. Todavia, Bruno Génésio ofereceu uma direção clara a um projeto que havia perdido completamente o rumo durante os últimos meses. </p>



<p class="has-medium-font-size">Pois é, dezesseis anos depois da conquista de Didier Deschamps, Marselha finalmente pode voltar a sonhar com o título francês — resta descobrir se esse renascimento terá força para sobreviver ao peso da temporada.</p>
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		<title>Roma: o novo exército de Gasperini está pronto para conquistar a Itália?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[JoaoRicardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Aug 2026 15:41:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[AS Roma]]></category>
		<category><![CDATA[Calcio]]></category>
		<category><![CDATA[Campeonato Italiano]]></category>
		<category><![CDATA[featured]]></category>
		<category><![CDATA[Giallorossi]]></category>
		<category><![CDATA[Serie A]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após recolocar os giallorossi na Champions League, treinador ganha reforços importantes, goleia a Fiorentina e inicia sua segunda temporada de olho no Scudetto. A primeira temporada de Gian Piero Gasperini no comando da Roma terminou de maneira indiscutivelmente positiva, visto que a terceira colocação na Serie A devolveu o clube à Champions League depois de [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-medium-font-size"><strong>Após recolocar os <em>giallorossi</em> na Champions League, treinador ganha reforços importantes, goleia a Fiorentina e inicia sua segunda temporada de olho no <em>Scudetto</em></strong>.</p>



<p class="has-medium-font-size">A primeira temporada de Gian Piero Gasperini no comando da Roma terminou de maneira indiscutivelmente positiva, visto que a terceira colocação na Serie A devolveu o clube à Champions League depois de sete longos anos de ausência. Mais do que cumprir um objetivo esportivo, a classificação representou a reconstrução da confiança de uma torcida acostumada a viver entre grandes expectativas e frequentes frustrações.</p>



<p class="has-medium-font-size"><br>Contratado há um ano, após uma passagem histórica pela Atalanta, o  Gian Piero Gasperini  chegou à capital italiana carregando ideias próprias e uma identidade impossível de confundir. Em poucos meses, transformou um conjunto irregular em uma equipe competitiva, intensa e consciente daquilo que deveria fazer dentro de campo. Como nas antigas construções romanas, o primeiro passo não foi erguer monumentos, mas estabelecer alicerces suficientemente resistentes para suportar o peso de uma nova ambição.</p>



<p class="has-medium-font-size">A mudança começou pela estrutura tática, sustentada por uma linha de três defensores e pelas variações do tradicional 3-4-1-2. Gian Piero Gasperini implantou encaixes individuais, pressão adiantada e participação constante dos alas, exigindo coragem mesmo diante dos adversários mais qualificados. O resultado apareceu principalmente na retaguarda, setor que se tornou a maior virtude dos <em>giallorossi</em> ao longo da campanha. Poucos espaços foram oferecidos, as coberturas ganharam precisão e cada atleta passou a compreender sua responsabilidade longe da bola. Entretanto, essa proposta cobra um preço físico elevado, pois qualquer atraso na perseguição pode desorganizar todo o bloco e deixar o goleiro exposto. A solidez, portanto, não nasceu de uma postura conservadora, mas de um mecanismo agressivo no qual defender significa atacar o portador antes que o perigo consiga avançar.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="580" height="387" data-id="118333" src="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2026/08/134196928221705637-17-e1787753955932.jpg" alt="" class="wp-image-118333"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Terceira colocada na edição passada da Serie A, a Roma foi dona da melhor defesa do campeonato registrando míseros 31 tentos gols sofridos em 38 rodadas disputadas.</strong></figcaption></figure>
</figure>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Outro mérito de Gian Piero Gasperini foi rejuvenecer o elenco sem transformar juventude em sinônimo de ingenuidade. A média de idade ficou próxima dos 25 anos, colocando a Roma entre os plantéis mais novos das principais forças italianas. Essa característica ofereceu vigor para pressionar, velocidade nas transições e disponibilidade física para sustentar confrontos intensos. Ao mesmo tempo, nomes experientes permaneceram fundamentais na orientação dos talentos que ainda estão construindo suas trajetórias. O equilíbrio entre energia e maturidade permitiu que a formação crescesse justamente quando a temporada entrou em sua fase mais delicada. Em uma cidade fundada, segundo a tradição, por Rômulo em 753 antes de Cristo, renovar sem apagar as próprias raízes sempre foi uma espécie de vocação histórica.</p>



<p class="has-medium-font-size">A arrancada na reta final da última temporada confirmou que o trabalho havia deixado de ser apenas promissor para se tornar verdadeiramente competitivo. Cinco vitórias consecutivas mudaram o cenário da corrida pelas primeiras posições e permitiram a ultrapassagem sobre rivais poderosos. Juventus e Milan ficaram para trás enquanto os <em>giallorossi</em> conquistavam o direito de retornar ao maior palco continental. Não houve uma revolução repentina, mas a consolidação de um processo que ganhou força à medida que os jogadores assimilaram as ideias da comissão. O terceiro lugar simbolizou uma conquista importante, embora não pudesse representar o ponto definitivo de chegada. Depois de abrir novamente os portões da Champions League, seria inevitável perguntar quando esse projeto teria condições de disputar também o trono nacional.</p>



<p class="has-medium-font-size">A resposta inicial da nova temporada foi tão contundente quanto o placar de 4 a 0 sobre a Fiorentina no Estádio Olímpico. Donyell Malen marcou um hat-trick, Paulo Dybala ofereceu três assistências e Niccolò Pisilli completou uma atuação de enorme autoridade coletiva. O resultado não valeu apenas pelos pontos, pois atacou diretamente a principal fragilidade apresentada no campeonato anterior. Se antes havia organização para resistir, mas pouca inspiração para romper defesas fechadas, agora apareceram mobilidade, criatividade e contundência. A <em>Viola</em> foi sufocada por uma pressão alta que dificultou sua saída e concedeu aos donos da casa o domínio territorial. Foi somente a primeira batalha, mas Roma aprendeu ao longo dos séculos que certas demonstrações públicas de força também servem para intimidar os próximos adversários.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="it" dir="ltr">Finisce così 🔚<br><br>Vinciamo 4-0 con i gol di Malen (3) e Pisilli 💛❤️<a href="https://x.com/hashtag/RomaFiorentina?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#RomaFiorentina</a> <a href="https://t.co/Yn2RqLmALG">pic.twitter.com/Yn2RqLmALG</a></p>&mdash; AS Roma (@OfficialASRoma) <a href="https://x.com/OfficialASRoma/status/2091988725420924963?ref_src=twsrc%5Etfw">August 24, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Donyell Malen personificou essa transformação ofensiva ao converter oportunidades com a frieza de quem parece ter encontrado o ambiente ideal. Adquirido definitivamente do Aston Villa por aproximadamente 25 milhões de euros, o neerlandês deixou de ser uma aposta temporária para assumir protagonismo. Sua velocidade ataca a profundidade, enquanto a movimentação abre corredores para os companheiros que chegam de trás. Contra a Fiorentina, cada passe de Paulo Dybala encontrou um atacante capaz de compreender o espaço antes mesmo que ele surgisse. Essa sintonia entre inteligência e aceleração oferece à Roma algo que faltou em muitos momentos da campanha passada: imprevisibilidade no último terço. Se o camisa 14 mantiver semelhante eficiência, Gian Piero Gasperini terá uma arma capaz de transformar equilíbrio em vantagem antes que o oponente consiga reorganizar suas linhas.</p>



<p class="has-medium-font-size">Paulo Dybala, por sua vez, continua sendo o artista responsável por dar beleza e significado ao sistema. As três assistências na estreia demonstraram que seu talento permanece decisivo quando o corpo permite uma sequência adequada de jogos. Ele não precisa controlar todas as ações, pois sua principal virtude está em interpretar o instante exato para acelerar uma jogada. A liberdade concedida atrás dos atacantes aproxima o craque da área e reduz deslocamentos desnecessários, preservando-o para os lances determinantes.<br>No entanto, a dependência técnica em relação ao meia argentino ainda exige cautela diante de seu conhecido histórico de problemas físicos. Toda grande legião necessita de um estrategista, mas nenhuma campanha pode depender exclusivamente da presença de uma única peça do tabuleiro.</p>



<p class="has-medium-font-size">Por esse motivo, a contratação de Rodrigo Mora representa uma das decisões mais interessantes do mercado romanista. O português de 19 anos de idade chegou do Porto por uma quantia situada na casa dos 25 milhões de euros e carrega enorme potencial criativo.<br>Sua capacidade de atuar entre as linhas, conduzir em espaços curtos e encontrar passes improváveis amplia as alternativas para o setor central. Além de dividir responsabilidades com Paulo Dybala, o jovem pode funcionar como sucessor gradual do argentino sem precisar assumir imediatamente um fardo desproporcional. Trata-se de um investimento no presente, mas também de uma escolha direcionada ao futuro esportivo e financeiro da instituição.<br>Poucos concorrentes da Serie A conseguiram acrescentar à própria engrenagem uma promessa com semelhante combinação de técnica, personalidade e margem de evolução.</p>



<p class="has-medium-font-size">O maior investimento da janela foi Santiago Castro, adquirido do Bologna por cerca de 35 milhões de euros, além de bônus. O atacante argentino entrega mobilidade, agressividade e disposição para participar da pressão desde o primeiro passe adversário. Sua chegada oferece uma alternativa a Donyell Malen e permite que a comissão varie a composição ofensiva conforme o comportamento de cada rival. </p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">🚨A Roma chega a acordo para contratar Santiago Castro como novo atacante, aqui vamos nós!<br><br>Acordo fechado por taxa de pacote no valor de €35 milhões, conforme relata <a href="https://x.com/CLMerlo?ref_src=twsrc%5Etfw">@CLMerlo</a> — acordo em vigor entre todas as partes.<br><br>Castro, agendado para exames médicos na Roma nos próximos… <a href="https://t.co/fIouVJQkYd">pic.twitter.com/fIouVJQkYd</a></p>&mdash; Central AS Roma (@CentralASRoma) <a href="https://x.com/CentralASRoma/status/2081692516898730392?ref_src=twsrc%5Etfw">July 27, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Já Nahuel Molina, contratado junto ao Atlético de Madrid por 13 milhões de euros, acrescenta experiência internacional e profundidade pelo corredor direito. Por fim, Daniele Ghilardi, desembarcou na capital vindo do Hellas Verona por cerca de 8 milhões de euros, ampliando assim as opções para uma defesa submetida a enorme desgaste durante o calendário. As movimentações não parecem resultado de uma coleção aleatória de nomes, mas de uma estratégia desenhada para corrigir necessidades específicas do modelo.</p>



<p class="has-medium-font-size">É justamente esse planejamento que ajuda a explicar por que a Roma aparece como a principal ameaça à Inter de Milão. A atual campeã continua possuindo o grupo mais experiente, poderoso e acostumado a enfrentar decisões dentro e fora da Itália. Contudo, Milan, Juventus, Napoli e Lazio atravessam processos de reformulação ou convivem com incertezas que podem cobrar pontos preciosos. Os <em>giallorossi</em>, em contraste, preservaram a espinha dorsal, mantiveram o treinador e acrescentaram qualidade aos setores que pediam evolução. Continuidade não garante títulos, porém diminui o tempo necessário para que conceitos antigos e novas características consigam conviver. Ao passo que alguns adversários ainda procuram uma identidade, os pupilos de Gian Piero Gasperini começam sua jornada sabendo exatamente quem são e como pretendem lutar.</p>



<p class="has-medium-font-size">O futebol de Gian Piero Gasperini exige coragem porque transforma quase todos os duelos em confrontos diretos espalhados pelo gramado. A marcação individual busca retirar tempo e conforto do rival, empurrando a partida para uma intensidade que favorece jogadores jovens.<br>Quando os encaixes funcionam, a posse contrária se torna previsível e a recuperação acontece próxima da área. Todavia, caso uma perseguição seja vencida surgem espaços perigosos, especialmente nas costas dos alas ou diante dos zagueiros afastados.</p>



<p class="has-medium-font-size"><br>Inegavelmente, a Inter de Milão possui qualidade suficiente para explorar esses vazios, controlar o ritmo e punir qualquer desorganização com extrema frieza. Deste modo, superar os <em>nerazzurri</em> dependerá não somente da agressividade, como também da capacidade de compreender quando atacar como uma legião e quando proteger o próprio território, lembrando que no último compromisso contra a Roma, os atuais campeões italianos encerraram encerrou um jejum de quatro partidas sem vencê-la na Serie A, através da goleada por 5 a 2.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">A tabela após a 1ª rodada. O que você notou? 👀 <a href="https://t.co/TT0vWL3G7n">pic.twitter.com/TT0vWL3G7n</a></p>&mdash; Lega Serie A (@SerieA_BR) <a href="https://x.com/SerieA_BR/status/2091994546695512372?ref_src=twsrc%5Etfw">August 24, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p class="has-medium-font-size"> </p>



<p class="has-medium-font-size">Existe ainda um obstáculo que não acompanhou a Roma na campanha anterior: a exigência imposta pela Champions League. As noites europeias devolvem prestígio, receita e emoção ao Estádio Olímpico, mas também consomem energia física e concentração mental. Gian Piero Gasperini precisará administrar minutos, preservar nomes importantes e confiar em reservas diante de oponentes menos badalados no cenário doméstico. Nesse sentido, a profundidade demonstrada por Niccolò Pisilli e o volume de contratações oferecem sinais encorajadores para uma maratona inevitavelmente desgastante. O problema surgirá se lesões atingirem simultaneamente Paulo Dybala, Donyell Malen ou integrantes essenciais do sistema defensivo.<br>É possível sustentar a pressão homem a homem, atravessar viagens continentais e ainda manter regularidade durante 38 rodadas sem perder intensidade?</p>



<p class="has-medium-font-size">A Roma não conquista a Serie A desde 2001, quando a equipe de Fabio Capello encerrou o campeonato no alto e coloriu a capital de amarelo e vermelho. Passaram-se 26 anos desde aquela celebração, período suficiente para transformar uma lembrança gloriosa em saudade transmitida entre gerações. O início atual não permite proclamar antecipadamente um novo imperador, tampouco garante que a Inter de Milão perderá sua coroa. Em contrapartida, existem uma base consolidada, um comandante respeitado, reforços criteriosos e uma torcida novamente autorizada a sonhar.</p>



<p class="has-medium-font-size">Os antigos gladiadores entravam no Coliseu sabendo que reputação alguma substituía a coragem demonstrada diante do desafio seguinte. Resta descobrir se a Roma está apenas pronta para desafiar o poder estabelecido ou se finalmente marchará até o quarto <em>Scudetto</em> de sua história.</p>
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		<title>Manchester United começa uma nova temporada repetindo velhos problemas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[JoaoRicardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Aug 2026 14:05:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Inglaterra]]></category>
		<category><![CDATA[Campeonato Inglês]]></category>
		<category><![CDATA[featured]]></category>
		<category><![CDATA[Manchester United]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Carrick]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os anos passam, os treinadores mudam e novas promessas ocupam o espaço deixado pelas antigas decepções. No entanto, quando a Premier League recomeça, o Manchester United parece encontrar uma maneira diferente de contar a mesma história. A derrota por 2 a 0 para o Hull City não representa uma sentença definitiva sobre Michael Carrick, mas [...]</p>
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<p class="has-medium-font-size"><strong>Os anos passam, os treinadores mudam e novas promessas ocupam o espaço deixado pelas antigas decepções. No entanto, quando a Premier League recomeça, o Manchester United parece encontrar uma maneira diferente de contar a mesma história. A derrota por 2 a 0 para o Hull City não representa uma sentença definitiva sobre Michael Carrick, mas expõe problemas conhecidos demais para serem tratados como simples acidentes de percurso.</strong></p>



<p class="has-medium-font-size">Todo início de temporada traz consigo a possibilidade simbólica de uma reconstrução, especialmente em um clube que procura reencontrar a própria identidade desde a aposentadoria de Alex Ferguson, em 2013. Em Old Trafford, porém, a esperança tem convivido perigosamente com uma repetição quase mecânica de erros, frustrações e diagnósticos adiados. Desta vez, o entusiasmo estava concentrado em Michael Carrick, efetivado após assumir interinamente o cargo deixado por Rubén Amorim em janeiro. </p>



<p class="has-medium-font-size">E tudo porque o ex-meio-campista do Manchester United conduziu os <em>Red Devils</em> à terceira colocação da Premier League anterior, resultado alcançado no <em>G-4</em> somente pela sexta nos 13 anos posteriores à saída de seu maior treinador. Logo, A campanha justificava confiança, oferecia estabilidade e sugeria que finalmente existia uma direção esportiva minimamente compreensível. Entretanto, bastaram 90 minutos no MKM Stadium para que o brilho da reconstrução fosse encoberto pelas sombras que continuam perseguindo esse gigante adormecido.</p>



<p class="has-medium-font-size">O adversário parecia ideal para uma estreia segura, pois o Hull City havia terminado a última Championship League apenas na sexta posição, conquistando a derradeira vaga nos playoffs.<br>Embora chegasse à elite como o participante teoricamente mais frágil da repescagem, o conjunto de Sergej Jakirovic superou Millwall e Middlesbrough para regressar à primeira divisão depois de nove anos. Ainda assim, a diferença entre os elencos colocava os visitantes em uma condição de amplo favoritismo, confirmada pelos 69% de probabilidade de triunfo indicados pelo supercomputador da Opta Analyst antes do confronto.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="580" height="326" data-id="118305" src="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2026/08/134196928221705637-14-e1787663195808.jpg" alt="" class="wp-image-118305"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>O supercomputador da Opta Analyst aponta que o Manchester United tem 3,15% de chances de vencer a Premier League, além de 23,63% de probabilidades de terminar no G-4.</strong></figcaption></figure>
</figure>



<p class="has-medium-font-size"><br></p>



<p class="has-medium-font-size">Nada disso apareceu quando a bola começou a rolar, porque o Hull City foi mais intenso, organizado e competitivo desde os primeiros movimentos. Ao mesmo tempo, os <em>Tigers</em> compreenderam perfeitamente aquilo que precisavam fazer à medida que o Manchester United entrou em campo como se a superioridade histórica fosse suficiente para vencer. No entanto, o futebol não respeita brasões quando um lado apresenta coragem e o outro oferece apenas uma posse de bola vazia.</p>



<p class="has-medium-font-size">O placar foi construído ainda na primeira etapa, com Semi Ajayi aproveitando um rebote após cobrança de escanteio aos 17 minutos e Nobel Mendy ampliando de cabeça aos 38.<br>As duas jogadas nasceram de bolas paradas, circunstância que transforma a derrota em um sinal ainda mais preocupante sobre a preparação defensiva. Desde o retorno de Michael Carrick ao comando, somente quatro equipes sofreram mais gols de escanteio na Premier League do que o Manchester United, vazado seis vezes dessa maneira. Portanto, não se tratou, de uma fatalidade isolada, mas da continuidade de uma falha que deveria ter sido enfrentada durante a pré-temporada. A defesa perdeu duelos, reagiu tarde às segundas bolas e demonstrou enorme insegurança diante de cada lançamento dirigido à área de Senne Lammens. Quando concentração e posicionamento desaparecem simultaneamente, qualquer cobrança lateral passa a carregar o peso de uma oportunidade claríssima.</p>



<p class="has-medium-font-size">Também foi dolorosa a incapacidade dos defensores para controlar Ollie McBurnie, cuja influência ultrapassou qualquer registro individual na súmula. O centroavante escocês protegeu a bola, venceu disputas aéreas, conquistou faltas e ofereceu ao Hull um ponto constante de sustentação no ataque. No primeiro gol, sua conclusão obrigou Senne Lammens a realizar uma defesa difícil antes de Semi Ajayi aproveitar a sobra praticamente sobre a linha. Mais do que finalizar, o camisa 9 empurrou a retaguarda rival para trás e permitiu que os alas avançassem com confiança pelos corredores. Harry Maguire, Ayden Heaven e Luke Shaw raramente encontraram uma resposta física ou coletiva para neutralizar essa referência.<br>Como uma equipe que pretende disputar a Champions League pode se mostrar tão vulnerável diante de um recurso tão previsível quanto eficiente?</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="en" dir="ltr">Defeat in our opening game.</p>&mdash; Manchester United (@ManUtd) <a href="https://x.com/ManUtd/status/2091154535817289936?ref_src=twsrc%5Etfw">August 22, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Michael Carrick também precisa assumir responsabilidade pela escalação escolhida, sobretudo por ter formado o meio-campo com Youri Tielemans e Andrey Santos. Ambos possuem qualidade técnica, boa leitura para circular a posse e capacidade de encontrar passes verticais, mas nenhum oferece proteção defensiva consistente como principal característica. Sem um volante de maior imposição, os espaços apareceram entre os setores, deixando a última linha exposta sempre que os donos da casa recuperavam a bola.<br></p>



<p class="has-medium-font-size">Enquanto isso, Bruno Fernandes atuava mais adiantado, Bryan Mbeumo partia pela direita e Patrick Dorgu ocupava o lado oposto, formando uma estrutura excessivamente ofensiva no papel. Na prática, faltaram agressividade na pressão, controle das transições e equilíbrio para recolher as sobras disputadas por Ollie McBurnie. Escalar muitos jogadores habilidosos não significa necessariamente construir um time criativo, especialmente quando não existe uma base capaz de sustentar essa liberdade.</p>



<p class="has-medium-font-size">A utilização de Patrick Dorgu como extremo pela esquerda foi outra decisão difícil de compreender, principalmente diante da presença de Marcus Rashford no banco.<br>O dinamarquês é lateral de origem, consegue atacar profundidade e oferece intensidade, porém não possui o repertório de um atacante acostumado a decidir partidas. Essa diferença apareceu nas duas boas oportunidades que recebeu durante a etapa inicial, ambas desperdiçadas por falta de precisão no momento decisivo. Noussair Mazraoui, outro defensor também teve condições de ameaçar a meta adversária, porém não conseguiu transformar aproximações em gol. </p>



<p class="has-medium-font-size">Para se ter uma ideia, juntos os dois laterais contabilizam míseros 16 tentos em toda a carreira, número que revela a incompatibilidade entre suas características e a responsabilidade ofensiva atribuída pelo técnico Michael Carrick. Em outras palavras, se as melhores chances caem constantemente nos pés de quem raramente balança as redes, talvez o problema esteja menos na conclusão e muito mais na construção.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="580" height="387" data-id="118313" src="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2026/08/134196928221705637-15-e1787664759417.jpg" alt="" class="wp-image-118313"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>A derrota por 2 a 0 frente o Hull City foi a primeira do Manchester United para um clube recém-promovido à Premier League na rodada de inicial da competição ao longo da história.</strong></figcaption></figure>
</figure>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Marcus Rashford substituiu Patrick Dorgu no intervalo e voltou a defender o clube em uma partida oficial depois de 618 dias, oferecendo velocidade e algumas iniciativas individuais.<br>Sua entrada não foi suficiente para modificar o resultado, embora tenha deixado evidente a necessidade de contar com um jogador mais agressivo naquela faixa. A escolha inicial de Michael Carrick privou o Manchester United de uma ameaça capaz de atacar o espaço curto, conduzir para dentro e obrigar a defesa a tomar decisões desconfortáveis. Quando o inglês finalmente apareceu, o Hull já estava protegido por uma vantagem de dois gols e podia administrar o terreno com ainda maior disciplina. Não significa que ele resolveria sozinho todas as limitações, tampouco que sua presença garantiria a vitória esperada. Contudo, começar com um lateral improvisado diante de um bloco tão compacto foi oferecer segurança justamente ao setor mais preparado do oponente.</p>



<p class="has-medium-font-size">O principal obstáculo tático esteve na formação adotada pelos <em>Tigers</em>, que utilizavam três zagueiros na saída e fechavam uma linha de cinco durante a fase defensiva. Sergej Jakirovic não inventou uma fórmula revolucionária, apenas reproduziu o desenho que já havia funcionado contra Millwall e Middlesbrough nos playoffs da Championship League. Mesmo tendo recorrido a essa configuração somente dez vezes na campanha anterior, o técnico bósnio percebeu uma vulnerabilidade conhecida do adversário e a explorou com precisão.</p>



<p class="has-medium-font-size"><br>Vale ressaltar que o Manchester United, de Ruben Amorim, também enfrentava dificuldades semelhantes quando encontrava equipes recuadas, pois seu elenco produzia melhor nos clássicos, onde havia campo para acelerar transições. Contra rivais do <em>Big Six</em>, os <em>Red Devils</em> podiam recuperar a bola e atacar espaços; diante de uma muralha organizada, ficavam presos em uma circulação previsível. A troca no comando técnico alterou a atmosfera, mas ainda não solucionou o enigma que acompanha esse grupo sempre que precisa assumir o protagonismo.</p>



<p class="has-medium-font-size">Os números recentes reforçam a gravidade da questão, já que o Manchester United venceu apenas uma das últimas seis partidas de Premier League contra oponentes que começaram com três ou cinco defensores. Em abril, o Leeds United utilizou o 3-4-3 para ganhar por 2 a 1 em pleno Old Trafford, repetindo o sistema no empate (1&#215;1) do amistoso disputado há duas semanas. Na sequência da preparação, o Milan também castigou as fragilidades inglesas ao vencer por 4 a 2 no último teste antes da abertura do campeonato. Esses resultados não podem ser agrupados como coincidências, porque apresentam um padrão visual, territorial e estratégico bastante semelhante. Os pupilos de Michael Carrick encontram dificuldades para movimentar a última linha, raramente criam superioridade por dentro e acabam empurrados para cruzamentos pouco produtivos.</p>



<p class="has-medium-font-size">A estatística mais reveladora da tarde talvez tenha sido a marca de 34 cruzamentos em jogadas corridas, maior quantidade do clube em uma partida da liga inglesa em quase oito anos.<br>Esse volume não demonstra necessariamente domínio, mas evidencia como o Hull City conseguiu conduzir os visitantes para as zonas menos perigosas do campo. Sem espaço pelo centro, Tielemans e Bruno Fernandes distribuíram passes para os lados, esperando que uma bola aérea resolvesse aquilo que a organização coletiva não conseguia decifrar. O problema é que os <em>Tigers</em> tinham superioridade numérica dentro da área, zagueiros preparados para rebater e um goleiro protegido pela própria estrutura. Deste modo, cruzar tornou-se uma saída automática, quase um pedido de socorro diante da ausência de infiltrações, tabelas curtas ou movimentos capazes de romper a linha de cinco. A posse pode ocupar o gramado inteiro, mas permanece estéril quando não encontra caminhos para chegar ao coração da defesa.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="und" dir="ltr">1/38 ✅ <a href="https://t.co/pjpGbmAZo1">pic.twitter.com/pjpGbmAZo1</a></p>&mdash; Premier League (@premierleague) <a href="https://x.com/premierleague/status/2092137398696124835?ref_src=twsrc%5Etfw">August 25, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



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<p class="has-medium-font-size">Os Red<em> Devils</em> encerraram o confronto com 71,6% de domínio territorial, maior índice da equipe em uma partida de Premier League desde setembro de 2023. Também finalizaram 21 vezes, acertaram cinco tentativas no alvo e acumularam 1,81 gol esperado, números que isoladamente poderiam sugerir uma atuação azarada. A observação do jogo, todavia, revela outra realidade, pois Konstantinos Tzolakis foi verdadeiramente exigido em pouquíssimos momentos. A oportunidade mais clara da segunda etapa surgiu apenas aos 78 minutos, quando Matheus Cunha encontrou Mbeumo em profundidade e o atacante parou no goleiro grego. Produzir muito não significa ameaçar bastante, da mesma forma que controlar a bola não equivale a controlar uma partida. O Manchester United cercou o adversário durante longos períodos, mas quase nunca transmitiu a sensação de que poderia desmontá-lo.</p>



<p class="has-medium-font-size">A atuação ganha contornos ainda mais alarmantes quando lembramos que o Hull City concedeu o segundo maior volume de gols esperados da Championship League na temporada passada. Tratava-se de uma defesa vulnerável, recém-promovida e ainda em processo de adaptação ao ritmo técnico da principal divisão inglesa. Mesmo assim, o Manchester United não conseguiu expor essas limitações, permitindo que Konstantinos Tzolakis celebrasse uma estreia com a baliza intacta. Pela segunda campanha consecutiva, os <em>Red Devils</em> não marcaram na primeira rodada, apesar de registrarem 43 finalizações nos dois compromissos inaugurais. Além disso, essa foi a primeira derrota de sua história na abertura de uma liga contra um recém-promovido, depois de dez vitórias e três empates nos 13 casos anteriores. Há dias em que o placar exagera o desempenho; no MKM Stadium, os 2 a 0 apenas traduziram a diferença de convicção entre os lados.</p>



<p class="has-medium-font-size">Seria precipitado condenar todo o projeto após uma única rodada, sobretudo considerando o trabalho realizado por Michael Carrick desde janeiro e a recuperação até o terceiro lugar.<br>O próprio treinador pediu calma, lembrou que a caminhada está apenas começando e garantiu que uma derrota não modificará repentinamente a direção escolhida. Ele tem razão ao rejeitar o pânico, porque projetos consistentes não podem ser abandonados diante do primeiro tropeço. Em contrapartida, serenidade não deve servir como esconderijo para falhas que já atravessaram amistosos, campeonatos e até mudanças na comissão técnica. Existe uma diferença considerável entre evitar conclusões apressadas e ignorar evidências recorrentes.<br>A estreia não define o destino do Manchester United, porém oferece um mapa bastante nítido dos lugares onde ele poderá se perder.</p>



<p class="has-medium-font-size">A temporada passada teve somente 40 jogos, menor quantidade do clube em décadas, após eliminações precoces na Copa da Liga e na FA Cup. Agora, o calendário volta a incluir a Champions League, elevando a exigência física, técnica e emocional sobre um elenco que já mostrou lacunas relevantes. Se houve dificuldade para equilibrar o meio diante do Hull City, o que poderá acontecer contra adversários europeus capazes de acelerar cada recuperação?<br>Caso a defesa sofreu dessa maneira com Ollie McBurnie e duas bolas paradas, como reagirá diante de atacantes mais móveis, fortes e sofisticados? O terceiro lugar anterior devolveu prestígio e abriu as portas do principal torneio continental, mas também aumentou o nível das responsabilidades. Competir em várias frentes exige profundidade, alternativas táticas e jogadores capazes de oferecer soluções diferentes quando o plano inicial deixa de funcionar.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Carlos Baleba está MUITO PRÓXIMO de ser o novo jogador do Manchester United. <br><br>Os dois clubes chegaram a um acordo verbal após o United retornar hoje com uma proposta melhorada, depois da rejeição de um pacote inicial de £65 milhões.<br><br>Baleba sempre teve Old Trafford como sua… <a href="https://t.co/lkonJHbenw">pic.twitter.com/lkonJHbenw</a></p>&mdash; Curiosidades PL (@CuriosidadesPRL) <a href="https://x.com/CuriosidadesPRL/status/2090879084586787062?ref_src=twsrc%5Etfw">August 21, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



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<p class="has-medium-font-size">Restam poucos dias até o fechamento da janela, e a diretoria precisa compreender que a derrota não solicita apenas nomes famosos, mas perfis realmente necessários. E o nome de Carlos Baleba se encaixa perfeitamente por ser um volante de maior poder de marcação capaz de proteger a defesa, equilibrar Youri Tielemans ou Andrey Santos e liberar Bruno Fernandes com segurança. A chegada de um zagueiro dominante pelo alto também ajudaria a corrigir a fragilidade nas bolas paradas, embora treinamento e organização continuem indispensáveis.<br></p>



<p class="has-medium-font-size">Nas pontas, Michael Carrick necessita de atacantes capazes de gerar profundidade, vencer duelos e transformar oportunidades em gols, evitando improvisações com laterais. Contratar por ansiedade seria outro erro, porém permanecer imóvel diante de carências tão evidentes representaria uma negligência ainda maior. O mercado não resolverá sozinho todos os problemas, mas pode oferecer as ferramentas que o treinador de 45 anos de idade claramente ainda não possui.</p>



<p class="has-medium-font-size">A comparação com o Arsenal, atual referência na disputa doméstica, mostra a distância existente entre sonhar com o título e estar verdadeiramente preparado para conquistá-lo.<br>Os <em>Gunners</em> apresentam uma ideia consolidada, mecanismos reconhecíveis e respostas coletivas mesmo quando encontram adversários fechados em seu próprio campo. Já o Manchester United continua dependendo de lampejos individuais, transições ocasionais ou espaços concedidos por rivais dispostos a atacar. Contra um caçula compacto, faltaram imaginação para desmontar o bloqueio, força para vencer duelos e concentração para defender situações elementares. A camisa permanece gigantesca, a história continua imponente e a torcida ainda deseja acreditar, mas nenhuma dessas virtudes substitui aquilo que precisa acontecer dentro das quatro linhas. O passado pode inspirar uma reconstrução; jamais deve ser utilizado para maquiar a distância que separa a memória da realidade.</p>



<p class="has-medium-font-size">O Hull City conquistou sua primeira vitória sobre o Manchester United na era Premier League e encerrou um jejum de 52 anos sem superar o adversário pelo campeonato. A festa dos <em>Tigers</em> foi merecida porque nasceu de coragem, organização e uma compreensão perfeita das fraquezas que estavam diante deles. Para Michael Carrick, o revés representa o primeiro grande teste desde que deixou de ser solução interina para assumir definitivamente a responsabilidade pelo projeto. Seu excelente trabalho até então não desapareceu, mas agora precisará ser acompanhado por decisões mais equilibradas, ajustes estratégicos e respostas rápidas no mercado.</p>



<p class="has-medium-font-size">Mais uma temporada começou, enquanto os velhos fantasmas voltaram a caminhar pelos corredores de Old Trafford antes mesmo da primeira partida em casa. Então, a pergunta que permanece é inevitável: esse Manchester United está realmente iniciando uma nova era ou apenas encontrou outro treinador para repetir a mesma história?</p>
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		<title>Ajax transforma a reconstrução em ambição para desafiar a hegemonia do PSV</title>
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		<dc:creator><![CDATA[JoaoRicardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Aug 2026 12:23:52 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[AFC Ajax]]></category>
		<category><![CDATA[Campeonato Holandês]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após quatro temporadas sem títulos, o gigante de Amsterdã aposta em Jordi Cruyff, Míchel e reforços de peso para recuperar a identidade perdida. Há quatro anos sem levantar uma taça, o Ajax começará a temporada 2026-27 tentando reencontrar uma grandeza que parecia fazer parte de sua própria natureza. O clube que ensinou diferentes gerações a [...]</p>
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<p class="has-medium-font-size"><strong>Após quatro temporadas sem títulos, o gigante de Amsterdã aposta em Jordi Cruyff, Míchel e reforços de peso para recuperar a identidade perdida</strong>.</p>



<p class="has-medium-font-size">Há quatro anos sem levantar uma taça, o Ajax começará a temporada 2026-27 tentando reencontrar uma grandeza que parecia fazer parte de sua própria natureza. O clube que ensinou diferentes gerações a compreender o futebol como uma forma de arte tornou-se um personagem secundário dentro da Holanda. Enquanto a equipe de Amsterdã enfrentava crises administrativas, escolhas equivocadas e constantes mudanças no comando, o PSV ocupou o espaço deixado pelo adversário. O conjunto de Eindhoven conquistou as últimas três edições da Eredivisie e transformou uma antiga rivalidade em uma relação momentaneamente desequilibrada. Não se trata, portanto, apenas de interromper uma sequência incômoda, mas de recuperar uma posição histórica no imaginário esportivo do país. Para os <em>Godenzonen</em>, voltar a vencer significa provar que a camisa ainda é capaz de carregar o peso de suas quatro estrelas europeias.</p>



<p class="has-medium-font-size">A última conquista do Ajax aconteceu na Eredivisie de 2021-22, ainda sob a direção de Erik ten Hag, antes de uma sucessão de decisões que desmontou a estabilidade construída naquele período. Desde então, treinadores passaram pelo banco de reservas, dirigentes ocuparam cargos importantes e diversos jogadores chegaram sem que houvesse uma ideia suficientemente sólida ligando todas essas peças. O dinheiro circulou, os nomes mudaram e as promessas se multiplicaram, porém o rendimento permaneceu distante da tradição estabelecida em Amsterdã. Em alguns momentos, a instituição pareceu acreditar que bastaria contratar talento para reconstruir aquilo que havia sido perdido. Todavia, nenhuma equipe recupera sua identidade somente por meio de cheques, anúncios ou apresentações acompanhadas por belas fotografias. Um projeto esportivo exige coerência, continuidade e, acima de tudo, uma convicção capaz de sobreviver aos primeiros resultados negativos.</p>



<p class="has-medium-font-size">A dor mais profunda desse período ocorreu na temporada retrasada, quando o time comandado por Francesco Farioli esteve muito próximo de recuperar o campeonato nacional.<br>Com cinco rodadas restantes, a vantagem sobre o PSV chegou a nove pontos, margem que parecia suficiente para conduzir o troféu de volta à Johan Cruyff Arena. O desfecho, contudo, transformou uma campanha de superação em uma das maiores frustrações da história recente do clube. O PSV Eindhoven aproveitou cada tropeço do concorrente, assumiu a liderança e terminou a competição um ponto à frente, confirmando a conquista na última jornada.<br>Farioli deixou o cargo dias depois, citando diferenças de visão e de ritmo em relação à diretoria, encerrando um trabalho que havia levado a torcida da esperança ao desalento.<br>Poucas quedas machucaram tanto quanto aquela que veio após a taça já ter sido tocada pela imaginação.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-6 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="580" height="383" data-id="118283" src="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2026/08/134196928221705637-12-e1787226931962.jpg" alt="" class="wp-image-118283"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Há quatro anos sem vencer o título holandês, o Ajax tentará evitar repetir o último longo jejum de cinco temporadas sem erguer a taça da Eredivisie antes da vinda de Erik ten Hag.</strong></figcaption></figure>
</figure>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Se aquele vice-campeonato deixou cicatrizes, a temporada seguinte aprofundou a sensação de desorientação nos corredores da Johan Cruyff Arena. John Heitinga iniciou o trabalho, Fred Grim assumiu interinamente e Óscar García terminou a campanha à beira do campo, numa sequência que simbolizou a ausência de direção esportiva. O Ajax concluiu a Eredivisie somente na quinta colocação e precisou aceitar a disputa dos play-offs por uma vaga na Conference League por conta disso. Para uma agremiação acostumada a medir forças com as maiores potências continentais, competir pelo acesso ao terceiro torneio da UEFA representa uma dura redução de horizonte. A classificação não foi apenas um número ruim na tabela, mas o retrato de uma estrutura que perdeu referências e passou a reagir aos acontecimentos. Quando três técnicos comandam um time no mesmo ano, normalmente o problema ultrapassa as quatro linhas e alcança os gabinetes onde as escolhas são realizadas.</p>



<p class="has-medium-font-size">É nesse cenário que Jordi Cruyff surge como a principal figura da nova tentativa de reconstrução iniciada pelo gigante holandês. Filho do lendário Johan Cruyff, o atual diretor técnico carrega um sobrenome que representa muito mais do que uma ligação familiar com o passado. O eterno camisa 14 foi o grande símbolo de uma revolução que, durante a década de 1970, levou o Ajax a três conquistas consecutivas da antiga Copa dos Campeões da Europa. Sua influência atravessou fronteiras, modificou o Barcelona e eternizou a ideia de que controlar espaços pode ser mais importante do que simplesmente ocupar posições. Jordi, naturalmente, não deve ser julgado apenas por sua origem, porém compreende como poucos a responsabilidade de preservar essa herança. Em Amsterdã, o passado não pode dirigir o presente, porém continua funcionando como uma bússola quando o futuro parece encoberto pela neblina.</p>



<p class="has-medium-font-size">O primeiro grande movimento dessa nova fase foi a contratação de Marcos Leonardo, adquirido do Al-Hilal por aproximadamente 20 milhões de euros. O brasileiro chega como o quinto reforço mais caro da história do Ajax e, sobretudo, como uma referência capaz de transformar volume ofensivo em gols. Sua mobilidade, o oportunismo dentro da área e a facilidade para atacar pequenos espaços oferecem características importantes a uma formação que pretende permanecer mais tempo no campo adversário. </p>



<p class="has-medium-font-size">Já Caio Henrique, comprado junto ao Monaco por cerca de 10 milhões de euros, acrescenta qualidade técnica, experiência internacional e capacidade de construção pelo corredor esquerdo, ao passo que Jofre Torrents, revelado em La Masia, representa uma aposta de longo prazo em um lateral que cresceu numa escola futebolística influenciada pelos mesmos princípios holandeses. Somadas, essas operações mostram que a diretoria não está procurando apenas notoriedade, mas perfis compatíveis com uma proposta baseada em iniciativa e domínio territorial.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Atenção! ⚠️</p>&mdash; AFC Ajax (@AFCAjax) <a href="https://x.com/AFCAjax/status/2078170365462032828?ref_src=twsrc%5Etfw">July 17, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">A chegada de Julian Brandt sem custos de transferência talvez seja um dos movimentos mais inteligentes realizados por Jordi Cruyff nesta janela. Depois de mais de 300 partidas oficiais pelo Borussia Dortmund, o alemão desembarca na Holanda oferecendo visão de jogo, repertório entre as linhas e experiência em ambientes de enorme pressão. Tolu Arokodare, cedido pelo Wolverhampton, amplia as alternativas no comando do ataque com presença física, jogo aéreo e potência para confrontos mais diretos. Marc-André ter Stegen, emprestado pelo Barcelona, acrescenta liderança, qualidade com os pés e uma longa vivência em partidas decisivas do futebol europeu. Daley Blind, por sua vez, retorna como uma extensão da cultura <em>ajacied</em> em campo, conhecendo os atalhos, as exigências e o significado daquela camisa.<br>Entre juventude e maturidade, a composição do elenco revela o esforço para recuperar rapidamente o tempo desperdiçado nos últimos campeonatos.</p>



<p class="has-medium-font-size">Tão importante quanto contratar foi assegurar a permanência de Oscar Gloukh, um dos atletas mais cobiçados do atual grupo. O israelense possui criatividade para receber entre setores, acelerar combinações curtas e encontrar passes capazes de romper defesas compactas.<br>Em uma equipe que deseja voltar a controlar as partidas pela posse, conservar jogadores dessa natureza vale tanto quanto anunciar uma nova aquisição. A reconstrução não pode ser confundida com uma demolição completa, pois determinadas referências precisam permanecer para que o próximo ciclo encontre uma base. Mas será que reunir tantos nomes de qualidade será suficiente para impedir o quarto título consecutivo do PSV? A resposta dependerá menos da fotografia da janela e muito mais da capacidade de transformar diferentes talentos em um organismo coletivo reconhecível.</p>



<p class="has-medium-font-size">Para conduzir esse processo, o Ajax escolheu Míchel Sánchez, treinador espanhol de 50 anos que terá sua primeira experiência profissional fora de seu país. O trabalho realizado no Girona explica por que sua contratação combina com a maneira pela qual os <em>Godenzonen</em> historicamente enxergam o jogo. Suas equipes procuram iniciar as jogadas desde o goleiro, atraem a pressão rival e utilizam movimentos coordenados para criar superioridades em diferentes zonas. Os laterais podem avançar ou ocupar espaços interiores, enquanto os meio-campistas trocam constantemente de altura para oferecer linhas seguras de passe. Mais do que conservar a bola de maneira ornamental, Míchel busca utilizá-la para deslocar o adversário e abrir caminhos em direção ao gol. Essa filosofia dialoga diretamente com um clube que sempre entendeu a posse como instrumento de ataque, não como simples decoração estatística.</p>



<p class="has-medium-font-size">O Girona histórico que conquistou uma vaga inédita na Champions League mostrou um futebol corajoso, fluido e capaz de desafiar a hierarquia espanhola. Naquela equipe, as posições iniciais funcionavam somente como pontos de partida, porque os jogadores recebiam liberdade orientada para interpretar cada lance. A amplitude oferecida pelos extremos abria corredores internos, as aproximações criavam triângulos e a pressão após a perda tentava recuperar rapidamente o controle territorial. Existe, deste modo, uma compatibilidade evidente entre as ideias do novo treinador e os conceitos associados ao Ajax desde Rinus Michels e Johan Cruyff. Em contrapartida, o desafio será adaptar esses mecanismos à Eredivisie sem permitir que a beleza do desenho esconda fragilidades defensivas nas transições. Atacar com muitos homens exige precisão, pois qualquer passe errado pode transformar uma construção elegante em uma avenida para o contra-ataque.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Míchel é o novo treinador do Ajax. <a href="https://t.co/ARo9JttHmi">pic.twitter.com/ARo9JttHmi</a></p>&mdash; B24 (@B24PT) <a href="https://x.com/B24PT/status/2061909923173126247?ref_src=twsrc%5Etfw">June 2, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">O rebaixamento do Girona na última temporada, porém, impede que a contratação do espanhol seja tratada como uma garantia antecipada de sucesso. Míchel chega à Holanda depois de experimentar os dois extremos da profissão: a classificação histórica para a Champions e a dolorosa queda à segunda divisão. Esse contraste não apaga seus méritos, mas oferece à análise uma necessária dose de prudência diante do entusiasmo provocado por sua chegada. Treinadores também precisam demonstrar capacidade de adaptação quando o plano preferido deixa de produzir respostas, especialmente em uma instituição obrigada a disputar troféus. No Ajax, não bastará propor um futebol atraente, revelar jovens ou dominar adversários durante determinados períodos das partidas. A arquibancada espera vitórias, a direção precisa de estabilidade e a história exige que boas ideias sejam convertidas novamente em conquistas.</p>



<p class="has-medium-font-size">Também convém lembrar que esta nem sequer é a janela mais cara vivida recentemente pelo clube, embora tenha causado enorme empolgação entre os torcedores. Na temporada 2022-23, mais de 100 milhões de euros foram destinados a contratações, sem que o investimento estabelecesse uma base esportiva duradoura. Já na campanha passada, aproximadamente 60 milhões de euros foram aplicados no elenco, novamente sem a correspondência esperada dentro de campo. Esses números demonstram que gastar muito e investir bem são conceitos bastante diferentes, ainda que frequentemente sejam apresentados como sinônimos durante o verão europeu. Logo, os cerca de 35 milhões já empregados nas principais compras atuais parecem seguir um critério mais equilibrado entre necessidade imediata, experiência e potencial futuro. O verdadeiro mérito de Jordi Cruyff será medido não pelo tamanho das cifras, mas pela harmonia existente entre as características dos reforços e o trabalho de Míchel.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="nl" dir="ltr">AZ en FC Groningen gaan 𝐚𝐚𝐧 𝐤𝐨𝐩 in de Eredivisie! ⚔️ Op welke plek staat jouw club? 👀 <a href="https://t.co/QngnngdtTj">pic.twitter.com/QngnngdtTj</a></p>&mdash; VriendenLoterij Eredivisie (@eredivisie) <a href="https://x.com/eredivisie/status/2089034298124878263?ref_src=twsrc%5Etfw">August 16, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">A empolgação chegou ao ponto de parte da torcida pedir simbolicamente um busto de Jordi diante da Johan Cruyff Arena, reconhecimento que revela o tamanho da carência acumulada.<br>Depois de anos marcados por incertezas, ver uma diretoria agir com ambição naturalmente devolve confiança a quem acompanhou a erosão do antigo protagonismo. Ainda assim, homenagens definitivas pertencem aos vencedores, enquanto essa reconstrução sequer enfrentou suas primeiras noites realmente turbulentas. </p>



<p class="has-medium-font-size">Isto posto, o PSV de Peter Bosz continua sendo o adversário a ser alcançado, possui uma estrutura consolidada e entrará na competição buscando um inédito tetracampeonato na era da Eredivisie. Ao Ajax caberá demonstrar que a movimentação do mercado não foi apenas uma reação emocional à supremacia do rival, mas o início de um caminho sustentável.<br>Uma janela pode renovar o entusiasmo de uma torcida; somente um projeto coerente consegue devolver a ela o hábito de celebrar.</p>



<p class="has-medium-font-size">Amsterdã foi construída enfrentando a água, erguida sobre canais e sustentada pela capacidade de transformar obstáculos naturais em parte de sua identidade. Talvez exista nessa história uma metáfora apropriada para o momento de um clube que precisa reaprender a permanecer de pé após tantas temporadas à deriva. O Ajax reuniu jogadores importantes, entregou o comando a um técnico compatível com sua filosofia e colocou o projeto nas mãos de um Cruyff. Existem razões concretas para acreditar que a equipe voltará à disputa da Eredivisie, incomodará o PSV e encontrará novamente um lugar relevante no cenário holandês.</p>



<p class="has-medium-font-size"><br>Contudo, entre a ambição de agosto e a consagração de maio existe uma longa travessia feita de pressão, escolhas, tropeços e capacidade de reação. Os <em>Godenzonen</em> já recuperaram a esperança; agora precisam transformar essa esperança em futebol — e o futebol, finalmente, em títulos.</p>
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		<title>Milan e Ruben Amorim: um clube e um treinador feridos em busca de reconstrução</title>
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		<dc:creator><![CDATA[JoaoRicardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Aug 2026 21:33:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[AC Milan]]></category>
		<category><![CDATA[Calcio]]></category>
		<category><![CDATA[Campeonato Italiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de uma temporada melancólica, os Rossoneri apostam no treinador português e reformulam o elenco para recuperar espaço entre os protagonistas do futebol europeu. De alegre, a segunda passagem de Massimiliano Allegri pelo Milan não teve praticamente nada. Faltaram a segurança defensiva, a regularidade e, principalmente, a capacidade de administrar resultados que sempre caracterizaram os [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-medium-font-size"><strong>Depois de uma temporada melancólica, os <em>Rossoneri</em> apostam no treinador português e reformulam o elenco para recuperar espaço entre os protagonistas do futebol europeu</strong>.</p>



<p class="has-medium-font-size">De alegre, a segunda passagem de Massimiliano Allegri pelo Milan não teve praticamente nada. Faltaram a segurança defensiva, a regularidade e, principalmente, a capacidade de administrar resultados que sempre caracterizaram os trabalhos do novo treinador do Napoli. Aliás, a temporada terminou de maneira melancólica, com a equipe despencando na tabela justamente quando precisava confirmar sua classificação para a Champions League. </p>



<p class="has-medium-font-size">Após permanecer durante 33 das 38 rodadas entre os quatro primeiros colocados, o Milan caiu de rendimento na reta final da temporada e terminou a Serie A somente na quinta posição. Para se ter uma ideia, os <em>Rossoneri</em> venceram apenas uma de suas cinco últimas partidas e desperdiçaram em pleno San Siro a oportunidade de assegurar a vaga no principal torneio europeu ao perderem do Cagliari por 2 a 1. Foi uma queda tão abrupta quanto dolorosa, responsável por encerrar prematuramente a passagem de Massimiliano Allegri por Milão.</p>



<p class="has-medium-font-size">O próprio treinador reconheceu, depois da rodada final, que os resultados do Milan desde a virada do ano haviam sido trágicos. As cinco derrotas sofridas em San Siro durante a jornada na Serie A ajudam a explicar por que um time aparentemente bem encaminhado perdeu o controle do próprio destino. Não se tratou apenas de um tropeço isolado na última rodada, mas do desfecho de um processo de deterioração que vinha acontecendo havia meses. </p>



<p class="has-medium-font-size">Na realidade, o Milan se tornou previsível ofensivamente, vulnerável nos momentos decisivos e excessivamente dependente das iniciativas individuais de seus principais jogadores. Quando Rafael Leão, Christian Pulisic e outros nomes importantes não encontravam soluções, quase nada surgia coletivamente. A demissão de Massimiliano Allegri, portanto, tornou-se inevitável depois do fracasso na corrida pela Champions League, conforme reconheceu o próprio treinador após a derrota na rodada final.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">A classificação final da temporada ✅ <a href="https://t.co/gq2UED2fHp">pic.twitter.com/gq2UED2fHp</a></p>&mdash; Lega Serie A (@SerieA_BR) <a href="https://x.com/SerieA_BR/status/2058672279542808703?ref_src=twsrc%5Etfw">May 24, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">É justamente nesse cenário de frustração que aparece Ruben Amorim, outro personagem procurando reconstruir sua imagem no mundo da bola. Milan e treinador se encontram em um momento no qual ambos precisam provar que ainda pertencem ao primeiro nível do continente. O clube deseja recuperar o protagonismo perdido, enquanto o técnico português tenta deixar para trás uma passagem extremamente desgastante pelo Manchester United.</p>



<p class="has-medium-font-size">Em outras circunstâncias, a escolha poderia ser interpretada como uma aposta arriscada demais para uma instituição pressionada por resultados imediatos. No entanto, talvez a necessidade de recomeçar seja precisamente aquilo que aproxima as duas partes. São dois gigantes feridos, cada um em sua dimensão, tentando transformar uma temporada de fracassos no ponto de partida para uma nova história.</p>



<p class="has-medium-font-size">A trajetória de Ruben Amorim no Manchester United deixou dúvidas que não podem ser ignoradas. O português insistiu no 3-4-2-1 mesmo quando o elenco não apresentava zagueiros, alas e meio-campistas adequados às exigências desse sistema. Em vez de adaptar sua abordagem às características disponíveis, tentou fazer com que os jogadores se ajustassem a um modelo que jamais funcionou plenamente em Old Trafford. </p>



<p class="has-medium-font-size">Deste modo, a convicção, considerada uma virtude durante seu período vitorioso no Sporting, acabou se transformando em inflexibilidade na Inglaterra. Ruben Amorim pareceu mais interessado em proteger sua identidade do que em encontrar respostas alternativas para os problemas apresentados pelo Manchester United. Seu grande desafio no Milan será demonstrar que aprendeu a diferença entre defender uma filosofia e permanecer prisioneiro dela.</p>



<p class="has-medium-font-size">A transformação do Manchester United depois de sua saída tornou essa discussão ainda mais relevante. Michael Carrick abandonou a linha com três zagueiros, recuperou o 4-2-3-1 e apresentou uma estrutura muito mais compatível com as características do elenco. O efeito foi imediato: foram 11 vitórias em 16 partidas, uma arrancada da sétima para a terceira colocação e a classificação para a Champions League. </p>



<p class="has-medium-font-size">Evidentemente, nenhum trabalho pode ser explicado exclusivamente por uma troca de formação, pois Michael Carrick também recuperou a confiança do grupo e simplificou algumas funções. Ainda assim, a reação expôs como o Manchester United havia sido prejudicado pela rigidez do ex-treinador do Sporting. Não à toa, Carrick acabou efetivado com contrato de dois anos, deixando Ruben Amorim diante de uma comparação que certamente o acompanhará durante seus primeiros meses na Itália.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-7 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="580" height="403" data-id="118263" src="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Caterpillar-e1787086808738.jpg" alt="" class="wp-image-118263"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Em 63 jogos no comando do Manchester United, Rúben Amorim venceu  apenas 24 partidas, registrando uma pífia taxa de 38,1% de vitórias no clube inglês (24V-18E-21D).</strong></figcaption></figure>
</figure>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Isso não significa, porém, que o fracasso em Manchester tenha apagado tudo o que Ruben Amorim construiu anteriormente. No Sporting, ele desenvolveu uma equipe intensa, organizada, ofensiva e capaz de acelerar rapidamente depois de recuperar a posse da bola. Também conquistou dois títulos da Liga Portugal, duas Taças da Liga e uma Supertaça, encerrando um longo período de espera da torcida sportinguista. Seu trabalho em Lisboa mostrou competência para desenvolver jovens, valorizar jogadores e criar uma identidade facilmente reconhecida. Foi esse treinador moderno, dominante e formador que convenceu a direção do Milan, não necessariamente a versão desgastada vista em Old Trafford. Ao anunciar sua contratação até 2029, os <em>Rossoneri</em> destacaram justamente a pressão alta, as transições rápidas e a capacidade do português de potencializar talentos. </p>



<p class="has-medium-font-size">A pergunta central, naturalmente, está relacionada à maneira como o técnico de 41 anos de idade pretende organizar o Milan. Tudo indica que o 3-4-2-1 continuará sendo seu ponto de partida, mas a Serie A exigirá variações e soluções diferentes ao longo da temporada. Mario Gila, contratado da Lazio por cerca de €30 milhões, conhece o campeonato e reúne velocidade, capacidade de antecipação e qualidade para conduzir a bola desde a defesa. O espanhol assinou até junho de 2031 depois de realizar 120 partidas em quatro temporadas pelo clube romano. Sua chegada oferece a Ruben Amorim um zagueiro habituado a defender em espaços maiores e a iniciar jogadas sob pressão. Mais do que simplesmente aumentar as opções do setor, Gila parece ter sido contratado especificamente para ocupar uma função importante dentro do novo modelo.</p>



<p class="has-medium-font-size">O investimento mais impactante, entretanto, foi realizado no ataque. Gonçalo Ramos deixou o Paris Saint-Germain e assinou contrato com o Milan até junho de 2031, em uma operação estimada em €74 milhões. Aos 25 anos, o português chega como o centroavante escolhido para liderar uma equipe que sofreu muito com a falta de continuidade nessa posição. Ele oferece presença dentro da área, intensidade para pressionar a saída adversária e movimentação para abrir espaços aos jogadores que chegam de trás. Seu conhecimento das ideias de Ruben Amorim e sua formação no futebol português também podem acelerar a adaptação ao novo projeto. Não por acaso, sua contratação foi tratada como prioridade e se transformou na maior operação financeira já realizada pelos <em>Rossoneri</em>. </p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Treinadores 🇵🇹 portugueses a orientar o Milan:<br>Paulo Fonseca (2024/25)<br>Sérgio Conceição (2024/25)<br>Rúben Amorim🆕 <br><br>⚠ Rúben Amorim é o 5.º treinador 🇵🇹 português a orientar uma equipa da Serie A, depois de José Mourinho, Paulo Sousa, Paulo Fonseca e Sérgio Conceição <a href="https://t.co/cn139TJwII">pic.twitter.com/cn139TJwII</a></p>&mdash; Playmaker (@playmaker_PT) <a href="https://x.com/playmaker_PT/status/2066924049339453872?ref_src=twsrc%5Etfw">June 16, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p class="has-medium-font-size"></p>



<p class="has-medium-font-size">Além dos dois grandes reforços, Ruben Amorim recebeu jogadores que retornaram de empréstimo e ainda precisarão definir seu espaço no elenco. Francesco Camarda regressou após sua experiência no Lecce e permanece como uma das maiores promessas formadas nas categorias de base do clube. Samuel Chukwueze voltou do Fulham oferecendo velocidade e capacidade de atuar pelos dois lados do ataque. Yunus Musah, novamente em Milão depois de defender a Atalanta, reúne intensidade e versatilidade para diferentes funções no meio-campo. Nenhum desses retornos possui o impacto midiático de Gonçalo Ramos, mas todos podem ser úteis em uma temporada que exigirá profundidade e alternativas. Caberá ao treinador identificar quem realmente se enquadra em sua estrutura e quem deverá ser negociado antes do fechamento da janela.</p>



<p class="has-medium-font-size">A reconstrução também passa pela manutenção de referências dentro do vestiário. Mike Maignan renovou por mais cinco temporadas e permanece como capitão, liderança técnica e um dos melhores goleiros do futebol europeu. Luka Modrić, por sua vez, assinou por mais um ano e oferece uma experiência difícil de encontrar no mercado. Embora já não consiga sustentar a mesma intensidade durante todos os jogos, o croata pode ser fundamental na organização, no controle do ritmo e na formação dos mais jovens. Logo, Ruben Amorim precisará administrar seus minutos, protegendo-o fisicamente e aproveitando sua inteligência nos momentos em que o Milan necessitar de serenidade. Uma reconstrução saudável não pode depender apenas de juventude e energia; ela também precisa de peças capazes de compreender emocionalmente o peso de vestir a camisa rubro-negra.</p>



<p class="has-medium-font-size">O mercado, contudo, ainda não parece encerrado para o Milan. O clube começou a janela investindo aproximadamente €100 milhões somente em Gonçalo Ramos e Mario Gila, mas ainda existem posições que precisam de reforços, tanto é que Diego Moreira, do Strasbourg, desembarcou em Milão por €50 milhões entre valor fixo e bônus. O ponta belga é um pedido de Ruben Amorim para acrescentar explosão, juventude e capacidade de atacar espaços pelos corredores. Todavia, sua chegada também aumentará a possibilidade de outras saídas no setor ofensivo antes do encerramento da janela.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-8 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="580" height="387" data-id="118271" src="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Caterpillar-1-e1787088103480.jpg" alt="" class="wp-image-118271"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Contratado pelo montante de 75 milhões de euros junto ao PSG, Gonçalo Ramos se tornou o reforço mais caro da história do Milan.</strong></figcaption></figure>
</figure>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">A reformulação não se limita às chegadas, porque ao mesmo tempo o Milan vem abrindo espaço dentro do elenco e da folha salarial. Álex Jiménez foi vendido ao Bournemouth, enquanto Álvaro Morata seguiu para o Como e Lorenzo Colombo se transferiu ao Genoa. Tommaso Pobega deixou definitivamente o clube rumo ao Bologna, e Niclas Fullkrug retornou ao West Ham após o término de seu empréstimo. Também existem incertezas envolvendo nomes como Fikayo Tomori, Christopher Nkunku, Santiago Giménez, Youssouf Fofana e Pervis Estupiñán. Essas possíveis negociações indicam que Ruben Amorim não pretende apenas corrigir pequenos detalhes do grupo deixado por Massimiliano Allegri, como também deseja remodelar o elenco de acordo com suas ideias, o que aumenta simultaneamente sua autoridade e sua responsabilidade pelos resultados.</p>



<p class="has-medium-font-size">Os amistosos de pré-temporada mostraram que essa transformação ainda está longe de ser concluída. A derrota por 3 a 0 para o Chelsea expôs dificuldades na construção, problemas defensivos e a falta de sincronização entre os setores. Poucos dias depois, o Milan reagiu ao derrotar o Manchester United por 4 a 2, justamente no reencontro de Ruben Amorim com seu antigo clube. Samuel Chukwueze, Alphadjo Cissé, Gonçalo Ramos e Ruben Loftus-Cheek marcaram os gols de uma atuação bem mais agressiva. O resultado não apaga os problemas anteriores, mas oferece confiança antes da estreia na Serie A contra o Torino. Mais importante do que o placar foi perceber uma equipe capaz de reagir, pressionar e encontrar diferentes caminhos para chegar ao gol.</p>



<p class="has-medium-font-size">Em resumo, Ruben Amorim e Milan chegam a esse casamento carregando cicatrizes, dúvidas e uma necessidade enorme de afirmação. O treinador precisa provar que não é apenas um técnico de um único sistema, enquanto o clube precisa mostrar que ainda sabe construir projetos esportivos consistentes. Gonçalo Ramos, Mario Gila e Diego Moreira são sinais importantes de investimento, mas nenhum mercado milionário substituirá a evolução coletiva que faltou na reta final da última temporada. </p>



<p class="has-medium-font-size">Deste modo, se Ruben Amorim demonstrar flexibilidade e recuperar a capacidade de desenvolver jogadores exibida no Sporting, poderá encontrar em Milão o ambiente perfeito para reconstruir sua reputação. Se repetir a rigidez apresentada em Manchester, o peso da camisa e a impaciência do futebol italiano rapidamente transformarão esperança em pressão. Afinal, estamos diante do início de uma verdadeira retomada ou apenas de mais uma tentativa desesperada de um clube e um treinador escaparem dos próprios fracassos?</p>



<p class="has-medium-font-size">A ver!</p>
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		<title>Arsenal deixa de perseguir e assume o posto de time a ser batido na Premier League</title>
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		<dc:creator><![CDATA[JoaoRicardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 20:24:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Inglaterra]]></category>
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		<category><![CDATA[Campeonato Inglês]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após três vice-campeonatos consecutivos e a conquista inglesa na última temporada, os Gunners abrem 2026/27 com autoridade ao vencer o Manchester City por 3 a 0 na Supercopa. Durante mais de duas décadas, o Arsenal iniciou cada temporada tentando reencontrar um passado que parecia cada vez mais distante. Desde a histórica conquista invicta da Premier [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-medium-font-size"><strong>Após três vice-campeonatos consecutivos e a conquista inglesa na última temporada, os <em>Gunners </em>abrem 2026/27 com autoridade ao vencer o Manchester City por 3 a 0 na Supercopa.</strong></p>



<p class="has-medium-font-size">Durante mais de duas décadas, o Arsenal iniciou cada temporada tentando reencontrar um passado que parecia cada vez mais distante. Desde a histórica conquista invicta da Premier League em 2004, sob o comando de Arsène Wenger, o clube londrino não carregava de maneira tão evidente o rótulo de equipe a ser batida no futebol inglês. Quase sempre perseguidor, algumas vezes competitivo e em tantas outras apenas nostálgico, o gigante do norte de Londres finalmente mudou de posição. Agora, são seus adversários que procuram alcançá-lo. A vitória por 3 a 0 sobre o Manchester City, na Supercopa da Inglaterra, não criou essa condição, mas apresentou a confirmação mais contundente de uma nova realidade.</p>



<p class="has-medium-font-size">Antes de chegar ao título da Premier League, o Arsenal precisou atravessar três dolorosos vice-campeonatos consecutivos. Cada frustração colocou em dúvida a capacidade de Mikel Arteta e de seus jogadores de suportarem a pressão dos momentos decisivos. Entretanto, aquele sofrimento também fortaleceu um grupo que aprendeu a competir enquanto acumulava cicatrizes. Na temporada passada, os <em>Gunners </em>enfim romperam a barreira, conquistaram o campeonato e ainda sobraram diante dos principais concorrentes. Não foi um triunfo circunstancial, decidido por um tropeço alheio na última rodada, mas a consolidação de um projeto que amadureceu até assumir o controle da Inglaterra.</p>



<p class="has-medium-font-size">As diferenças na classificação ajudam a dimensionar a superioridade construída pelo campeão. Considerando somente os integrantes do chamado <em>Big Six</em>, o Arsenal terminou a edição anterior sete pontos à frente do vice-campeão Manchester City. A vantagem aumentou para 14 em relação ao Manchester United, chegou a 25 sobre o Liverpool e alcançou impressionantes 33 diante do Chelsea. Já o Tottenham, eterno rival e vizinho, ficou 44 pontos atrás dos <em>Gunners</em>. Números tão expressivos não representam apenas uma fotografia da tabela: mostram o abismo existente entre um trabalho consolidado e diversos projetos ainda tentando encontrar direção.</p>



<p class="has-medium-font-size">A primeira demonstração da nova temporada ocorreu justamente diante do adversário que mais ameaçou a ascensão londrina nos últimos anos. Em Cardiff, Arsenal e Manchester City disputaram a Supercopa da Inglaterra no compromisso inaugural de ambos em 2026-27. Esperava-se uma decisão equilibrada, naturalmente marcada pelo ritmo ainda incompleto do começo de campanha. O que se viu, porém, foi um campeão seguro de suas forças, organizado com a bola e extremamente confortável sem ela. O placar de 3 a 0 traduziu com precisão a diferença apresentada dentro de campo, sem qualquer necessidade de exagero para tornar o resultado mais impactante.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="en" dir="ltr">Another day to remember 😍<br><br>Our Community Shield Full Match Replay is live 👊</p>&mdash; Arsenal (@Arsenal) <a href="https://x.com/Arsenal/status/2089396841020355037?ref_src=twsrc%5Etfw">August 17, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">A construção da conquista começou praticamente junto com o apito inicial. Riccardo Calafiori marcou logo no primeiro minuto e desmontou qualquer estratégia mais cautelosa preparada pelo Manchester City. Aos 28, Kai Havertz ampliou a vantagem, oferecendo ao Arsenal a tranquilidade necessária para controlar o restante da final. Martin Odegaard apareceu no primeiro lance do segundo tempo e deu números definitivos ao triunfo. Três gols distribuídos por momentos fundamentais, capazes de impedir qualquer reação do adversário. Os <em>Gunners</em> atacaram cedo, feriram novamente antes do intervalo e encerraram a discussão assim que retornaram dos vestiários.</p>



<p class="has-medium-font-size">A atuação coletiva também teve personagens importantes em diferentes setores. David Raya voltou a transmitir confiança no gol, enquanto Ben White e Riccardo Calafiori ofereceram segurança defensiva, intensidade e participação ofensiva pelas laterais. Miles Lewis-Skelly mostrou personalidade no meio-campo e confirmou que sua juventude não impede a compreensão dos movimentos exigidos pelo sistema. Kai Havertz, além do gol, contribuiu para ocupar espaços e conectar a linha central aos homens de frente. Em uma equipe tão bem treinada, cada jogador parece conhecer não apenas sua função, mas também o instante exato de abandonar a posição original para criar uma vantagem.</p>



<p class="has-medium-font-size">Entre tantas boas apresentações, Martin Odegaard voltou a ocupar o centro do espetáculo. O norueguês recupera o futebol que já havia demonstrado durante a Copa do Mundo de 2026 e começa a nova campanha em alto nível. Sua qualidade técnica nunca esteve em discussão, mas a retomada da influência sobre os acontecimentos torna o Arsenal ainda mais difícil de enfrentar. Ele organiza, acelera, aproxima companheiros e encontra espaços que permanecem invisíveis para a maioria. Quando o capitão está confiante, a engrenagem londrina ganha delicadeza sem perder intensidade, como se a força do conjunto pudesse finalmente caminhar ao lado da imaginação.</p>



<p class="has-medium-font-size">Christos Tzolis, por sua vez, apresentou uma estreia capaz de alimentar enorme expectativa. Contratado depois de se destacar pelo Club Brugge, o grego chegou credenciado pelas 29 assistências distribuídas na última temporada. Em sua primeira decisão vestindo a camisa do Arsenal, participou diretamente de dois gols e demonstrou entrosamento imediato com os novos companheiros. Sua presença pelo lado esquerdo pode oferecer o equilíbrio que Mikel Arteta buscava para o ataque, já tão perigoso pela direita com Bukayo Saka. Não se trata somente de acrescentar outro ponta, mas de impedir que todo o sistema ofensivo dependa da inspiração de um único corredor.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="en" dir="ltr">That winning feeling for <a href="https://x.com/Arsenal?ref_src=twsrc%5Etfw">@Arsenal</a> 🏆 <a href="https://t.co/EAY9AO8vQM">pic.twitter.com/EAY9AO8vQM</a></p>&mdash; Premier League (@premierleague) <a href="https://x.com/premierleague/status/2089028493359108222?ref_src=twsrc%5Etfw">August 16, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Se o Arsenal já possuía o melhor elenco do futebol inglês — e possivelmente um dos mais completos da Europa —, a contratação de Bruno Guimarães elevou ainda mais o patamar técnico do plantel. O brasileiro tem condições de formar, ao lado de Declan Rice e Martin Odegaard, um dos trios de meio-campo mais qualificados do mundo. São jogadores capazes de oferecer combate, criatividade, intensidade, condução e leitura dos espaços sem comprometer o equilíbrio. Quantos adversários da Premier League possuem recursos suficientes para controlar essa formação durante 90 minutos? A resposta poderá explicar por que os atuais campeões começam a competição alguns passos à frente.</p>



<p class="has-medium-font-size">O mercado, aliás, talvez ainda não esteja encerrado para o clube londrino. A provável saída de Gabriel Martinelli pode levar a diretoria a buscar outro jogador de velocidade para as pontas, mantendo duas alternativas de alto nível em cada posição. Gabriel Jesus, ausente até mesmo do banco de reservas na Supercopa, parece claramente fora dos planos de Mikel Arteta. Essas situações precisam ser resolvidas para evitar ruídos ao longo da campanha, sobretudo quando o calendário se tornar mais pesado. Ainda assim, é revelador que as principais dúvidas do Arsenal estejam relacionadas ao acabamento de um grupo fortíssimo, e não à necessidade urgente de reconstruí-lo.</p>



<p class="has-medium-font-size">A estabilidade também separa os <em>Gunners</em> de quase todos os candidatos ao título. Chelsea e Liverpool iniciam trabalhos com Xabi Alonso e Andoni Iraola, respectivamente, enquanto o Manchester City começa uma nova era sob a direção de Enzo Maresca. Tottenham e Manchester United possuem treinadores que assumiram seus cargos na segunda metade da temporada passada, em circunstâncias absolutamente adversas. Somente agora esses profissionais poderão conduzir uma preparação completa e estabelecer suas ideias desde o primeiro dia. Enquanto os rivais ainda aprendem novos caminhos, Mikel Arteta lidera um Arsenal que conhece cada curva da estrada.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="en" dir="ltr">Every winner of the Community Shield since 2000:<br><br>🏆 2000 &#8211; Chelsea<br>🏆 2001 &#8211; Liverpool<br>🏆 2002 &#8211; Arsenal<br>🏆 2003 &#8211; Man Utd<br>🏆 2004 &#8211; Arsenal <br>🏆 2005 &#8211; Chelsea<br>🏆 2006 &#8211; Liverpool<br>🏆 2007 &#8211; Man Utd<br>🏆 2008 &#8211; Man Utd<br>🏆 2009 &#8211; Chelsea<br>🏆 2010 &#8211; Man Utd<br>🏆 2011 &#8211; Man Utd <br>🏆 2012… <a href="https://t.co/CRkd5K70SS">pic.twitter.com/CRkd5K70SS</a></p>&mdash; Squawka (@Squawka) <a href="https://x.com/Squawka/status/2088913980467421527?ref_src=twsrc%5Etfw">August 16, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Nesse cenário de mudanças, o Aston Villa surge como um postulante que merece atenção. A longevidade de Unai Emery representa uma vantagem importante em uma liga marcada por transições técnicas e reformulações profundas. O Villa apresenta identidade, mecanismos estabelecidos e maior familiaridade com as exigências do treinador. Ainda existe, contudo, uma distância considerável para o Arsenal em termos de profundidade, qualidade individual e repertório coletivo. O clube de Birmingham pode incomodar, tirar pontos dos favoritos e permanecer nas primeiras posições, todavia, precisará superar seus próprios limites para sustentar uma disputa até as últimas rodadas.</p>



<p class="has-medium-font-size">Talvez o aspecto mais preocupante para os concorrentes seja a maneira como o Arsenal iniciou esta temporada. Mesmo durante a campanha do título, muitas vitórias foram construídas por meio das bolas paradas e de uma solidez defensiva impressionante. Em Cardiff, no entanto, os <em>Gunners</em> também exibiram fluidez, criatividade e capacidade para dominar o adversário com naturalidade. A defesa continua firme, porém agora parece amparada por um ataque mais equilibrado e imprevisível. Se os londrinos conservarem suas antigas virtudes enquanto ampliam as possibilidades ofensivas, a perseguição dos demais poderá se transformar em uma corrida contra algo praticamente inalcançável.</p>



<p class="has-medium-font-size">O Arsenal entra, portanto, como franco favorito ao bicampeonato da Premier League, feito que não consegue desde a década de 1930. A Supercopa não garante o título nacional, tampouco permite decretar o destino de uma competição antes mesmo de seu início. Em contrapartida, determinadas atuações funcionam como mensagens, e a vitória sobre o Manchester City soou como um aviso bastante claro. </p>



<p class="has-medium-font-size">Depois de passar anos tentando recuperar a grandeza perdida, os <em>Gunners </em>voltaram ao ponto mais alto e parecem preparados para permanecer ali. Pela primeira vez em muito tempo, o Arsenal não olha para os rivais procurando referências: é toda a Inglaterra que o observa de baixo pra cima.</p>
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		<title>Como desafia a aristocracia italiana e transforma sonho em projeto de Champions League</title>
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		<dc:creator><![CDATA[JoaoRicardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 13:58:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Biancoblù]]></category>
		<category><![CDATA[Calcio]]></category>
		<category><![CDATA[Campeonato Italiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com ideias modernas, investimento e coragem para enfrentar os gigantes, Cesc Fàbregas levou o clube à melhor campanha de sua história na Serie A. Durante muito tempo, o Como pareceu pertencer mais às fotografias históricas do futebol italiano do que ao presente da competição. Foram 22 anos de ausência da Serie A até o retorno [...]</p>
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<p class="has-medium-font-size"><strong>Com ideias modernas, investimento e coragem para enfrentar os gigantes, Cesc Fàbregas levou o clube à melhor campanha de sua história na Serie A</strong>.</p>



<p class="has-medium-font-size">Durante muito tempo, o Como pareceu pertencer mais às fotografias históricas do futebol italiano do que ao presente da competição. Foram 22 anos de ausência da Serie A até o retorno em 2024, cercado pela curiosidade de quem desejava saber se aquele projeto ambicioso teria força para sobreviver entre os gigantes. A primeira resposta veio com a décima colocação na edição 2024-25 do campeonato, resultado que já representava a melhor campanha do clube desde 1988. A segunda participação consecutiva depois do acesso foi ainda mais ruidosa, visto que os comandados de Cesc Fàbregas terminaram na quarta posição, somando 71 pontos e garantindo uma inédita vaga na Champions League. Os <em>Biancoblù</em> que haviam passado mais de duas décadas distante dos grandes palcos agora atravessava a porta principal da Europa.</p>



<p class="has-medium-font-size">A campanha foi histórica não apenas pelo lugar ocupado na tabela, mas por tudo aquilo que o Como precisou deixar para trás. Foram 20 vitórias, 11 empates e somente sete derrotas em 38 rodadas, com 65 gols marcados, 29 sofridos e saldo positivo de 36. Mais do que assegurar a melhor colocação de sua trajetória na Serie A, o time lombardo terminou à frente de Milan, Juventus, Atalanta, Lazio e Fiorentina, instituições habituadas a disputar competições continentais e com estruturas esportivas muito mais consolidadas. O Como não entrou na Champions League porque recebeu uma brecha generosa dos adversários. Ele conquistou seu espaço ao apresentar regularidade, organização e uma identidade difícil de encontrar até mesmo em equipes com orçamentos maiores. A surpresa existiu, mas não foi obra do acaso.</p>



<p class="has-medium-font-size">Também seria equivocado, entretanto, transformar essa trajetória em uma fábula romântica sobre um pequeno clube construído sem recursos. O Como possuía o sétimo elenco mais valioso do futebol italiano e contou com o respaldo financeiro dos proprietários para formar um grupo jovem, técnico e profundo. O investimento foi considerável, especialmente em atletas com potencial de valorização, mas dinheiro sozinho jamais explica 71 pontos em uma liga tão taticamente exigente. Outros clubes gastaram mais, carregaram camisas mais pesadas e começaram a temporada com objetivos superiores, mas acabaram olhando para cima na classificação. A grande virtude do trabalho esteve justamente em aproximar capacidade econômica e competência esportiva. Cesc Fàbregas recebeu boas peças, mas entregou um time que valia mais coletivamente do que a soma individual de seus jogadores.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="it" dir="ltr">Il Como ha avuto la miglior difesa di questa <a href="https://x.com/hashtag/SerieAEnilive?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#SerieAEnilive</a> 🔒 <a href="https://t.co/HFNHR63Cn5">pic.twitter.com/HFNHR63Cn5</a></p>&mdash; Lega Serie A (@SerieA) <a href="https://x.com/SerieA/status/2059557499708084275?ref_src=twsrc%5Etfw">May 27, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">A principal marca do treinador espanhol esteve na coragem de propor o jogo. Seu Como não se comportava como um recém-chegado interessado apenas em fechar espaços, reduzir riscos e esperar pelo erro adversário. Partindo geralmente de uma estrutura em 4-2-3-1, a equipe procurava construir desde a defesa, controlar a posse e avançar por meio de passes verticais. Um dos volantes recuava para auxiliar os zagueiros, enquanto o outro se apresentava como referência por dentro. Os laterais ganhavam altura e os jogadores de frente ocupavam os corredores internos, produzindo superioridade numérica entre as linhas. A intenção não era conservar a bola por vaidade estatística. O controle funcionava como uma forma de defender, atrair a pressão e preparar o espaço que seria atacado no movimento seguinte.</p>



<p class="has-medium-font-size">Essa estrutura, no entanto, estava longe de ser imóvel. Conforme o posicionamento do adversário, o Como podia construir com três jogadores na primeira linha, liberar simultaneamente os laterais e formar um losango no centro do campo. Em outros momentos, um dos pontas fechava por dentro, transformando-se praticamente em um meia, enquanto o lateral mantinha a amplitude. Quando alcançava o último terço, o desenho inicial frequentemente se convertia em um 4-4-2 ou até mesmo em um 4-2-4, com o camisa 10 se aproximando do centroavante. Havia conceitos reconhecíveis do jogo posicional, mas não uma tentativa de copiar mecanicamente Barcelona ou Manchester City. Cesc Fàbregas adaptou as ideias aprendidas ao longo de sua carreira às características de um elenco que ainda estava sendo construído.</p>



<p class="has-medium-font-size">Sem a bola, o Como também recusava a passividade. A equipe pressionava imediatamente após perder a posse, tentando recuperar o controle antes que o oponente pudesse acelerar a transição. Essa contrapressão agressiva exigia distâncias curtas, concentração e coragem para manter a última linha adiantada. Quando o primeiro combate era superado, surgiam riscos, principalmente às costas dos laterais ou nos espaços deixados pelo volante que participava da saída. A derrota por 4 a 0 para a Inter, em San Siro, expôs alguns desses limites e encerrou uma sequência de 11 partidas de invencibilidade. Mas até as dores fizeram parte do amadurecimento. Os <em>Biancoblù</em> não abandonaram suas convicções depois de serem castigados; aprenderam a controlar melhor os momentos em que precisavam avançar e aqueles em que deveriam proteger o próprio equilíbrio.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-9 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="580" height="387" data-id="118218" src="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2026/08/134196928221705637-8-e1786714826779.jpg" alt="" class="wp-image-118218"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Discípulo do Guardiolismo, Cesc Fàbregas soma 90 jogos à frente do Como, registrando 39 vitórias, 27 empates, 24 derrotas, 133 gols marcados e 93 sofridos.</strong></figcaption></figure>
</figure>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">No estádio Giuseppe Sinigaglia, a identidade ganhou força diante de um cenário tão belo quanto apertado. Em 19 partidas como mandante, o Como conquistou dez vitórias, seis empates e sofreu apenas três derrotas, totalizando 36 pontos. Marcou 35 gols e concedeu somente 15, transformando sua casa na quinta melhor campanha de toda a Serie A. A goleada por 6 a 0 sobre o Torino, a maior vitória do clube na história da competição, simbolizou o auge dessa segurança territorial. Todavia, a força como mandante não surgiu apenas da atmosfera criada às margens do lago. O campo familiar permitia à equipe reconhecer melhor as distâncias, encurralar adversários e sustentar ataques sucessivos. Em Como, os visitantes não enfrentavam somente um time inspirado, mas uma engrenagem treinada para ocupar cada pedaço disponível.</p>



<p class="has-medium-font-size">Foi fora de casa, porém, que a campanha adquiriu contornos ainda mais impressionantes. O Como conquistou dez vitórias, cinco empates e perdeu apenas quatro vezes como visitante, contabilizando 35 pontos — a terceira melhor campanha longe de seus domínios. Foram 30 gols marcados e míseros 14 sofridos, números que afastam qualquer interpretação de que a classificação tenha sido sustentada exclusivamente pela vantagem do Sinigaglia. A vitória pelo placar mínimo sobre o Verona assegurou matematicamente a presença europeia, enquanto a goleada por 4 a 1 sobre a Cremonese, na rodada final, confirmou o quarto lugar. Os <em>Biancoblù</em> aprenderam a transportar sua personalidade. Não precisavam das águas do lago diante dos olhos para reconhecer quem eram, porque sua identidade já viajava dentro do próprio jogo.</p>



<p class="has-medium-font-size">Entre tantos símbolos da evolução, Nico Paz foi o mais luminoso. O argentino atuou como meia central, ponta que se deslocava para dentro e organizador entre as linhas, tornando-se a peça capaz de transformar uma posse controlada em uma jogada decisiva. Sua canhota dava direção aos ataques, mas sua importância não se limitava ao último passe ou à finalização. O camisa 10 sabia receber de costas, proteger a bola, girar sob pressão e conduzir até obrigar a defesa a abandonar suas posições. Ao terminar a temporada com 12 gols na Serie A — e 13 gols e oito assistências considerando também a Copa da Itália —, foi eleito o melhor meio-campista do campeonato. Em um futebol cada vez mais dependente de estruturas, ele ofereceu ao Como aquilo que nenhuma prancheta produz sozinha: imaginação.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="en" dir="ltr">Como 1907 midfielder Nico Paz has been named the Serie A Enilive 2025/26 MVP – Best Midfielder. The award was presented during the pre-match ceremony ahead of Cremonese-Como 1907.<br><br>Congratulations, Nico! <a href="https://t.co/A69fjhN1if">pic.twitter.com/A69fjhN1if</a></p>&mdash; Como1907 (@Como_1907) <a href="https://x.com/Como_1907/status/2058614654075613652?ref_src=twsrc%5Etfw">May 24, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Anastasios Douvikas foi outro protagonista indispensável, encerrando a Serie A com 14 gols. Seus movimentos em profundidade empurravam as linhas defensivas para trás e abriam os espaços utilizados por Nico Paz, Jesús Rodríguez e Lucas Da Cunha. Aliás, Rodríguez finalizou a competição como líder de assistências da equipe, com nove, oferecendo aceleração e criatividade pelos lados. Máximo Perrone ajudava a organizar a saída e a controlar o ritmo, enquanto Maxence Caqueret entregava mobilidade para aproximar os diferentes setores. Já Mergim Vojvoda — lateral versátil, e não propriamente um meio-campista — cumpria uma função importante nas rotações, avançando pelo corredor ou fechando como apoio à construção. O brilho tinha nomes, mas nasceu de relações coletivas cuidadosamente desenvolvidas.</p>



<p class="has-medium-font-size">Na defesa, Jean Butez foi uma das bases silenciosas da classificação. O goleiro disputou as 38 rodadas, sofreu apenas 29 gols e terminou 19 partidas sem ser vazado, liderando a Serie A em jogos sem sofrer gols. Sua contribuição começava antes da defesa propriamente dita, pois a segurança com os pés permitia ao Como sair curto mesmo sob pressão. À frente dele, os <em>Biancoblù</em> aperfeiçoaram uma proteção que equilibrava ousadia e prudência, algo essencial para um time que mantinha muitos jogadores adiantados. Não à toa, apenas Inter, Roma e Juventus terminaram o campeonato com menos derrotas. </p>



<p class="has-medium-font-size">Isto posto, o Como inicia esta nova temporada caminhando sobre uma fronteira delicada entre crescimento e ansiedade. Existe qualidade para continuar entre os primeiros, recursos para fortalecer o plantel e um treinador cuja reputação se expande a cada nova solução apresentada. Também existem perigos: o calendário mais pesado, a pressão inédita e a possibilidade de o projeto perder equilíbrio ao tentar acelerar ainda mais. </p>



<p class="has-medium-font-size">Deste modo, a principal missão não é abandonar a ousadia, mas protegê-la com profundidade e maturidade. Às margens do lago, onde durante tantos anos o futebol pareceu somente parte da paisagem, renasceu um Como que deseja ocupar o centro da fotografia e que aprendeu a sonhar; agora terá de demonstrar que também sabe permanecer acordado.</p>
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		<title>PSG conserva a fome e transforma a Europa em território parisiense</title>
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		<dc:creator><![CDATA[JoaoRicardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 13:41:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[França]]></category>
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		<category><![CDATA[Luis Enrique]]></category>
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		<category><![CDATA[Supercopa da Europa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bicampeão da Supercopa da UEFA, conjunto de Luis Enrique supera limitações físicas, preserva sua espinha dorsal e inicia outra temporada perseguindo a eternidade. Pelo segundo ano consecutivo, o Paris Saint-Germain inicia uma temporada dando a volta olímpica no continente. Doze meses depois de superar o Tottenham nos pênaltis, a equipe francesa derrotou outro representante inglês [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-medium-font-size"><strong>Bicampeão da Supercopa da UEFA, conjunto de Luis Enrique supera limitações físicas, preserva sua espinha dorsal e inicia outra temporada perseguindo a eternidade</strong>.</p>



<p class="has-medium-font-size">Pelo segundo ano consecutivo, o Paris Saint-Germain inicia uma temporada dando a volta olímpica no continente. Doze meses depois de superar o Tottenham nos pênaltis, a equipe francesa derrotou outro representante inglês e voltou a erguer a Supercopa da UEFA. Desta vez, o Aston Villa caiu por 2 a 1 na Red Bull Arena, em Salzburgo, diante de um adversário ainda distante de sua condição física ideal. Khvicha Kvaratskhelia abriu o placar, Brian Madjo empatou antes do intervalo e Désiré Doué decidiu o confronto durante a etapa final. Mais importante do que acrescentar uma taça à coleção foi perceber que o desejo dos campeões permanece intacto. O PSG terminou o último ciclo no alto do pódio e começou o novo exatamente no mesmo lugar.</p>



<p class="has-medium-font-size">A conquista possui peso ainda maior quando considerada a preparação reduzida oferecida a Luis Enrique. Vários atletas que participaram da Copa do Mundo retornaram recentemente, deixando o treinador com pouquíssimo tempo para recuperar pernas, ajustar movimentos e reconstruir automatismos. Ousmane Dembélé, por exemplo, acumulava somente dois dias de atividades antes do compromisso oficial, retrato evidente de um calendário que cobra excelência sem conceder descanso. Khvicha Kvaratskhelia apresentou condição superior à de alguns companheiros, mas também precisou disputar uma decisão sem a base atlética habitual. Mesmo diante desse cenário, os parisienses demonstraram capacidade suficiente para competir, controlar diferentes momentos e sobreviver ao desgaste. Quando o organismo ainda não responde por completo, inteligência coletiva e memória tática passam a correr pelo jogador.</p>



<p class="has-medium-font-size">O Aston Villa teve um período maior de trabalho, embora Unai Emery não contasse com todos os nomes desejados para a final. Do outro lado, Luis Enrique possuía o plantel principal à disposição, porém encontrou profissionais em estágios bastante distintos de condicionamento. A vantagem inglesa aparecia na intensidade, na pressão e na disposição para atacar espaços deixados por uma formação naturalmente menos acelerada. Já a superioridade francesa estava na qualidade técnica, na familiaridade entre os setores e na tranquilidade para enfrentar circunstâncias desfavoráveis. Não foi uma exibição impecável, tampouco precisava ser durante uma abertura de calendário tão atípica. Houve sofrimento, mas também aquela maturidade reservada aos esquadrões que aprenderam a vencer sem depender da perfeição.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="en" dir="ltr">Back-to-back 😤<br><br>Paris retain Super Cup 🏆<a href="https://x.com/hashtag/SuperCup?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#SuperCup</a> <a href="https://t.co/AgcO00vkAe">pic.twitter.com/AgcO00vkAe</a></p>&mdash; UEFA Champions League (@ChampionsLeague) <a href="https://x.com/ChampionsLeague/status/2087645857772351573?ref_src=twsrc%5Etfw">August 12, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Khvicha Kvaratskhelia personificou essa mistura entre talento e disponibilidade ao inaugurar o marcador aos 20 minutos. O georgiano apresentou força para sustentar duelos, precisão nas conduções e coragem para transformar uma oportunidade em vantagem. Brian Madjo, de apenas 17 anos, respondeu antes do intervalo, tornou-se o mais jovem a balançar as redes nessa competição e premiou a ousadia inglesa. O empate revelou fragilidades parisienses, especialmente quando a retaguarda precisou proteger grandes extensões sem contar com pressão imediata sobre a bola. Depois, Désiré Doué apareceu aos 16 minutos da etapa final, rompeu a linha defensiva e marcou um gol inicialmente anulado, mas corretamente validado após revisão do VAR. Em uma noite destinada às novas gerações, dois jovens escreveram capítulos opostos de uma história que poderá acompanhá-los por muitos anos.</p>



<p class="has-medium-font-size">O título também confirma quanto a continuidade se transformou em uma das maiores virtudes do projeto conduzido por Luis Enrique. Esta será a terceira campanha de um grupo acostumado a dividir o vestiário, reconhecer movimentos e interpretar as ideias do técnico quase por instinto. A base que goleou a Inter de Milão por 5 a 0 na primeira conquista da Champions League permaneceu praticamente intacta na caminhada seguinte. A mudança mais significativa aconteceu no gol, onde Matvey Safonov ocupou o espaço deixado por Gianluigi Donnarumma. Contra o Arsenal, na decisão continental de 2026, dez jogadores de linha repetiram a formação utilizada no triunfo anterior e sustentaram o bicampeonato após novo drama nas penalidades. Enquanto muitos rivais ainda apresentam seus nomes, o PSG já conhece até os silêncios de quem joga ao lado.</p>



<p class="has-medium-font-size">A permanência das principais peças não ocorre por acaso, evidentemente, pois o poder financeiro permite recusar propostas, oferecer salários competitivos e proteger contratos. Entretanto, dinheiro sozinho nunca garantiu a construção de um time, algo que a própria história parisiense tratou de comprovar em diferentes oportunidades. Durante anos, o clube francês reuniu estrelas extraordinárias, capas de revista e campanhas publicitárias sem desenvolver uma identidade proporcional ao investimento. A transformação surgiu quando hierarquia, intensidade e disciplina passaram a valer mais do que a soma das celebridades contratadas. Hoje existe uma engrenagem, não apenas uma vitrine montada às margens do Sena. O capital do Catar continua sendo combustível essencial, porém a direção finalmente encontrou alguém capaz de desenhar a estrada.</p>



<p class="has-medium-font-size">A grande pergunta, portanto, não está relacionada ao talento disponível, mas à fome conservada depois de tantas celebrações. Como convencer um elenco bicampeão europeu a correr com a urgência de quem ainda não conquistou absolutamente nada? A resposta inicial surgiu em Salzburgo, onde atletas desgastados disputaram cada lance como se o troféu fosse o primeiro de suas carreiras. Satisfação excessiva costuma ser uma adversária invisível, aproximando-se lentamente até transformar ambição em acomodação. Luis Enrique precisará manter o grupo desconfortável, criando desafios internos e impedindo que o sucesso recente anestesie a competitividade. A glória pode alimentar novas jornadas, mas também oferece um travesseiro macio demais para quem decide repousar sobre ela.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="en" dir="ltr">Only 4️⃣ sides have ever won back-to-back Super Cups. 🔥🔥 <a href="https://t.co/PSrkPdkgaw">pic.twitter.com/PSrkPdkgaw</a></p>&mdash; Flashscore.com (@Flashscorecom) <a href="https://x.com/Flashscorecom/status/2087840340795363451?ref_src=twsrc%5Etfw">August 13, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Somente o Real Madrid conseguiu levantar três Champions consecutivas na era moderna, entre 2016 e 2018, sob o comando de Zinedine Zidane. Agora, o Paris Saint-Germain entra no torneio tentando reproduzir uma sequência que parecia restrita à camisa mais pesada da Europa. A comparação ainda exige prudência, pois aquela dinastia espanhola atravessou mata-matas dramáticos e encontrou soluções mesmo quando não dominava os rivais. Os franceses, por sua vez, carregam juventude, repertório e uma organização coletiva provavelmente superior à apresentada no início do ciclo vencedor madrilenho. Ainda assim, cada edição oferece armadilhas diferentes, adversários renovados, lesões imprevisíveis e noites em que a lógica simplesmente abandona o estádio. Ser protagonista permite sonhar; tornar o favoritismo uma terceira taça exigirá sobreviver ao imponderável.</p>



<p class="has-medium-font-size">Nesse projeto, a Ligue 1 representa uma vantagem estratégica que nenhum concorrente estrangeiro consegue ignorar. A superioridade doméstica possibilita distribuir minutos, descansar titulares e preservar energia para os compromissos decisivos do calendário continental. Na campanha passada, Ousmane Dembélé participou de 12 dentre as 34 rodadas do campeonato, exemplo claro de uma administração voltada para os meses mais importantes. Enquanto gigantes da Inglaterra, da Itália e da Espanha precisam utilizar força máxima em rodadas potencialmente perigosas, o PSG encontra margem maior para experimentar. Essa diferença não explica sozinha os títulos, mas ajuda a entender por que os atuais bicampeões europeus chegaram inteiros à reta decisiva. Em uma temporada extensa, saber quando não acelerar pode ser tão valioso quanto possuir o ataque mais veloz.</p>



<p class="has-medium-font-size">A janela de transferências também mostra uma diretoria interessada em fortalecer alternativas sem desmontar a estrutura campeã. Maghnes Akliouche chegou do Monaco por 50 milhões de euros, trazendo criatividade, condução curta e conhecimento profundo do futebol francês. Lucas Digne retornou à capital depois de uma longa trajetória internacional e custou cerca de 7 milhões, oferecendo experiência para substituir Nuno Mendes quando necessário. Aos 33 anos, o lateral não ameaça o protagonismo do português, mas impede que o PSG perca completamente suas referências pela esquerda. São movimentos menos cinematográficos do que as antigas contratações de astros, embora muito mais coerentes com as necessidades existentes. O mercado parisiense já não procura somente brilho; agora busca funções capazes de sustentar o sistema.</p>



<p class="has-medium-font-size">Ferran Torres, ainda tratado como alvo para o ataque, representaria uma mudança considerável em relação a Gonçalo Ramos, negociado após ser importante em diferentes momentos. O português oferecia presença na área, força pelo alto e comportamento de centroavante clássico diante de defesas fechadas. Já o espanhol pode circular pelos dois lados, atuar centralizado, exercer a função de falso nove ou aparecer como referência móvel. Essa versatilidade abriria corredores para Ousmane Dembélé, Kvicha Kvaratskhelia, Désiré Doué Bradley e Maghnes Akliouche, ampliando as possibilidades de troca durante uma mesma partida. Por outro lado, retirar um finalizador especializado também pode cobrar seu preço quando o adversário estacionar dez homens perto da própria baliza. Toda escolha tática entrega uma solução enquanto discretamente cria outro problema.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="fr" dir="ltr">Superchampions d&#39;Europe ! 🤩 <a href="https://t.co/9AUlVrARrS">pic.twitter.com/9AUlVrARrS</a></p>&mdash; Paris Saint-Germain (@PSG_inside) <a href="https://x.com/PSG_inside/status/2087646298572783757?ref_src=twsrc%5Etfw">August 12, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">A possível chegada de Zion Suzuki segue raciocínio semelhante, ainda que sua utilização imediata permaneça cercada por dúvidas. O japonês destacou-se no Parma e realizou uma boa Copa do Mundo, reunindo juventude, reflexo e potencial para evoluir. Um empréstimo permitiria ao goleiro acumular experiência sem interromper a sequência de Matvey Safonov, escolhido como titular após a saída de Gianluigi Donnarumma. Todavia, a administração dessa posição merece cuidado porque confiança e estabilidade possuem valor especial para quem atua sob as traves. Contratar promessa, mantê-la parada e esperar desenvolvimento automático seria um erro conhecido no futebol europeu. Se o negócio avançar, o PSG precisará oferecer ao atleta um caminho esportivo, não apenas um contrato confortável.</p>



<p class="has-medium-font-size">Também chama atenção a juventude de uma formação que já conquistou aquilo que muitas gerações jamais conseguiram alcançar. Marquinhos, aos 32 anos, permanece como capitão, memória e elo entre o período das frustrações milionárias e a atual era vencedora. Lucas Digne, com 33, acrescenta experiência a um vestiário no qual quase todos os protagonistas ainda estão abaixo da casa dos 30. Isso significa que o ciclo não precisa terminar agora, desde que o clube saiba renovar estímulos, administrar egos e aceitar pequenas mudanças antes que elas se tornem urgentes. Preservar uma equipe não significa congelá-la, porque até os mecanismos mais precisos precisam receber novas peças. A continuidade funciona quando mantém a identidade sem transformar familiaridade em estagnação.</p>



<p class="has-medium-font-size">Em 1789, a tomada da Bastilha simbolizou a ruptura de Paris com uma ordem que parecia impossível de derrubar. Séculos depois, guardadas todas as proporções históricas, o clube da capital também rompeu suas próprias muralhas ao abandonar a condição de eterno candidato para assumir o papel de potência confirmada. A antiga prisão representava um regime sustentado pelo passado; o Parque dos Príncipes agora abriga um PSG determinado a escrever o futuro. Antes, os parisienses observavam a aristocracia europeia de longe, acumulando eliminações dolorosas e explicações insuficientes. Hoje, são os oponentes que procuram uma brecha para invadir o território controlado por Luis Enrique. Toda revolução, porém, só permanece viva enquanto seus protagonistas resistem à tentação de se transformar naquilo que derrubaram.</p>



<p class="has-medium-font-size">O Paris Saint-Germain inicia outra caminhada com o elenco preservado, o banco reforçado e a ambição aparentemente renovada. A vitória sobre o Aston Villa não assegura domínio futuro, mas oferece a primeira evidência de que a saciedade ainda não alcançou o vestiário do Parque dos Príncipes. Haverá concorrentes mais preparados, noites menos favoráveis e desafios capazes de expor limitações escondidas pela superioridade técnica. Mesmo assim, poucos times reúnem tamanha combinação de juventude, experiência, recursos financeiros, continuidade e clareza de ideias. </p>



<p class="has-medium-font-size">Até onde pode chegar um campeão que ainda se comporta como perseguidor? A resposta será construída ao longo dos próximos meses, mas Paris já avisou à Europa que continua com fome.</p>
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		<title>Porto começa como terminou: campeão, sólido e à frente dos rivais na corrida pelo bi português</title>
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		<dc:creator><![CDATA[JoaoRicardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Aug 2026 17:14:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Campeonato Português]]></category>
		<category><![CDATA[Dragões]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A temporada 2026-27 começou exatamente como a anterior terminou para o Porto: com uma vitória por 1 a 0 e a sensação de que algumas coisas simplesmente se recusam a mudar no Estádio do Dragão. Se a última rodada da Liga Portugal passada terminou com o triunfo pelo placar mínimo sobre o Santa Clara, o [...]</p>
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<p class="has-medium-font-size">A temporada 2026-27 começou exatamente como a anterior terminou para o Porto: com uma vitória por 1 a 0 e a sensação de que algumas coisas simplesmente se recusam a mudar no Estádio do Dragão. Se a última rodada da Liga Portugal passada terminou com o triunfo pelo placar mínimo sobre o Santa Clara, o primeiro compromisso oficial do novo calendário repetiu o roteiro. Diante do Torreense, os comandados de Francesco Farioli venceram novamente pelo mesmo resultado, porém desta vez com gol de Victor Froholdt, e levantaram a Supertaça de Portugal. Entre o encerramento de uma campanha vitoriosa e o nascimento de outra, os <em>Dragões</em> atravessaram o verão sem perder aquilo que talvez tenha sido sua maior virtude: a capacidade de ganhar sem precisar encantar.</p>



<p class="has-medium-font-size">Dias depois, diante do Alverca, veio a primeira demonstração de que a fórmula permanece funcionando também na Liga Portugal. O triunfo por 2 a 0 foi construído durante a etapa inicial, quando André Silva e Gabri Veiga converteram duas cobranças de pênalti e entregaram aos <em>Dragões</em> exatamente o cenário em que essa equipe mais gosta de atuar. Com uma vantagem confortável, o Porto diminuiu os riscos, administrou espaços e passou a controlar o ritmo da partida através da posse de bola. O adversário ainda conseguiu aumentar a pressão no segundo tempo, criou dificuldades e obrigou Diogo Costa a trabalhar, mas não encontrou o gol. Outra vitória, outra baliza intacta e mais uma atuação que carregou impressões bastante familiares.</p>



<p class="has-medium-font-size">Não se trata de coincidência. A defesa foi o grande alicerce da conquista portuguesa na última temporada e continua sendo o ponto mais confiável do trabalho desenvolvido por Francesco Farioli. Em 34 rodadas da edição 2025-26 da Liga Portugal, os Dragões sofreram míseros 18 gols e terminaram nada menos que 21 partidas sem serem vazados. São números que ajudam a dimensionar uma estrutura extremamente difícil de desmontar. A equipe não se defende somente quando recua ou fecha espaços diante da própria área. Também utiliza a bola como mecanismo de proteção, alongando suas posses, diminuindo a oportunidade de transições oferecidas aos oponentes e escolhendo cuidadosamente os momentos de acelerar. É um Porto que compreendeu que dominar o jogo também significa controlar aquilo que o rival pode fazer nele.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">25.ª Supertaça Cândido de Oliveira para o FC Porto 💙 <a href="https://t.co/xXFPUKATkC">pic.twitter.com/xXFPUKATkC</a></p>&mdash; FC Porto (@FCPorto) <a href="https://x.com/FCPorto/status/2083671119261761774?ref_src=twsrc%5Etfw">August 1, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Nesse mecanismo, Diogo Costa continua sendo uma espécie de seguro contra os raros momentos em que o sistema falha. Ele foi um dos destaques contra o Alverca e manteve o excelente nível apresentado com a seleção portuguesa na Copa do Mundo de 2026. Sua importância, entretanto, vai muito além das defesas. A tranquilidade para participar da construção, a leitura dos espaços às costas da última linha e a personalidade nos momentos de maior pressão transformam o camisa 99 em parte fundamental da identidade portista. Todo grande time precisa de um grande goleiro, mesmo quando o sistema defensivo consegue limitar consideravelmente o trabalho para protegê-lo durante os 90 minutos. E poucas equipes em Portugal possuem uma garantia tão valiosa no gol.</p>



<p class="has-medium-font-size">À frente de Diogo Costa, a continuidade também prevaleceu. A compra em definitivo de Jakub Kiwior permitiu ao Porto preservar a parceria do polonês com seu compatriota Jan Bednarek, mantendo intacto o coração de uma defesa que funcionou em altíssimo nível durante a campanha passada. Em um setor no qual entrosamento, posicionamento e comunicação valem tanto quanto qualidade individual, conservar a dupla titular representa quase uma contratação. Os dois já conhecem os mecanismos de Francesco Farioli, sabem quando avançar, quando proteger a profundidade e de que maneira coordenar a linha defensiva. Se o título português foi construído sobre fundações extremamente resistentes, os <em>Dragões</em> tomaram uma decisão bastante lógica para tentar conquistá-lo novamente: em vez de reconstruirem a casa, preservaram seus pilares.</p>



<p class="has-medium-font-size">Essa filosofia explica boa parte da atuação do clube no mercado. Ao contrário de promover uma revolução depois do título, a diretoria priorizou a manutenção da equipe campeã de portuguesa. Inbeom Hwang, contratado junto ao Feyenoord, e André Silva representam até aqui as principais adições, enquanto Eirik Granaas, Mame Niang e João Afonso aparecem como movimentos de menor impacto imediato. Existe inteligência nessa escolha. Um time que funciona não precisa necessariamente ser desmontado apenas porque uma nova temporada começou. Enquanto Benfica e Sporting atravessam processos de reformulação, o Porto manteve mecanismos conhecidos, uma base consolidada e jogadores completamente adaptados às ideias do treinador. Em uma corrida longa, começar vários passos à frente dos principais concorrentes representa uma vantagem considerável.</p>



<p class="has-medium-font-size">Mas toda virtude, quando levada ao extremo, pode produzir seu próprio problema. A continuidade que fortalece o Porto também o torna previsível. Depois de uma temporada inteira observando o 4-3-3 de Francesco Farioli, ninguém em Portugal precisa mais descobrir como os <em>Dragões</em> pretendem jogar. Os adversários conhecem sua saída de bola, sabem da tentativa frequente de construir uma vantagem cedo e entendem o comportamento da equipe quando consegue abrir o marcador. O Porto acelera para ferir e, depois de encontrar o gol, desacelera para controlar. Passa a circular a bola, diminuir o ritmo e obrigar o rival a persegui-la. Saber tudo isso obviamente não significa conseguir impedir sua execução. Todavia, quanto mais tempo um modelo permanece exposto, maior se torna a quantidade de respostas desenvolvidas contra ele.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">🫡  FC Porto vence há sete épocas seguidas na estreia<br><br>É o melhor registo dos portistas em 25 anos! O último desaire em estreias do campeonato aconteceu em 2019/20, frente ao Gil Vicente (2-1). <a href="https://t.co/aUqeAgeC9O">pic.twitter.com/aUqeAgeC9O</a></p>&mdash; Playmaker (@playmaker_PT) <a href="https://x.com/playmaker_PT/status/2086531584312639953?ref_src=twsrc%5Etfw">August 9, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">É justamente por isso que o mercado ainda precisa entregar novas ferramentas a Francesco Farioli. André Silva chega como solução importante para um ataque que aguarda o retorno de Samu somente entre novembro e dezembro, mas seria arriscado considerar o setor completamente resolvido. Outro ponta de lança acrescentaria profundidade ao elenco e, principalmente, ofereceria características diferentes para determinadas circunstâncias. Existem partidas em que controlar não será suficiente, especialmente diante de adversários fechados ou em noites europeias nas quais o Porto precisará buscar um resultado. Nessas ocasiões, alternativas deixam de ser luxo e passam a ser necessidade. Ter mais jogadores não significa simplesmente preencher o banco de reservas, mas oferecer ao treinador italiano maneiras diferentes de solucionar problemas que inevitavelmente surgirão ao longo do calendário.</p>



<p class="has-medium-font-size">A prioridade, no entanto, deveria estar na ponta direita. Borja Sainz vem ocupando o setor e possui qualidade suficiente para cumprir a função, inclusive pela capacidade de contribuir tanto ofensivamente quanto durante a recomposição. O problema é que o espanhol atua naturalmente pelo lado esquerdo, onde seus movimentos são mais espontâneos e suas principais virtudes encontram terreno adequado para aparecer. A contratação de uma peça para o setor permitiria equilibrar o ataque, ampliar as possibilidades no um contra um e devolver ao ex-atleta do Norwich seu habitat natural. Para uma equipe que precisa se tornar menos previsível, acrescentar ameaça por outro corredor seria um avanço importante.</p>



<p class="has-medium-font-size">Também existe uma lacuna na lateral esquerda. Francisco Moura oferece segurança quando está disponível, porém sua ausência reduz consideravelmente as alternativas de Francesco Farioli. Zaidu Sanusi não parece capaz de entregar a mesma consistência, acima de tudo para um Porto que deseja competir em diferentes frentes durante toda a temporada. Buscar outro jogador para a posição deveria, portanto, fazer parte das prioridades antes do fechamento da janela. Não apenas para substituir o titular quando necessário, mas também para permitir variações de características dependendo do adversário. Calendários extensos castigam elencos desequilibrados, e aquilo que parece apenas uma pequena deficiência em agosto pode transformar-se em um problema enorme quando chegarem os meses decisivos das competições.</p>



<p class="has-medium-font-size">Nesse cenário, a provável transferência de Rodrigo Mora para a Roma representa uma perda esportiva considerável, mas pode abrir uma oportunidade financeira importante. Poucos jogadores de sua geração surgiram recentemente no futebol português carregando tamanho potencial, e abrir mão de uma promessa dessa dimensão naturalmente deixa marcas. Seja como for, grandes vendas fazem parte da realidade econômica dos clubes portugueses, e o verdadeiro julgamento sobre uma negociação desse porte começa depois que o dinheiro entra no caixa. Caso se confirme, a saída permitirá ao Porto atacar definitivamente suas principais necessidades, trazendo duas ou três peças capazes de contribuir imediatamente o fortalecimento do plantel portista. Vender um talento é doloroso, mas negociá-lo e não reinvestir adequadamente seria muito mais difícil de justificar.</p>



<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Porto já tem dois pontos de vantagem sobre Sporting, Benfica e Braga. <a href="https://t.co/p1qKTXAqWM">pic.twitter.com/p1qKTXAqWM</a></p>&mdash; B24 (@B24PT) <a href="https://x.com/B24PT/status/2086566348432290290?ref_src=twsrc%5Etfw">August 9, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>



<p class="has-medium-font-size"></p>



<p class="has-medium-font-size">Existe ainda um elemento que torna essa necessidade de profundidade especialmente importante: a Champions League. O Porto não enfrentará somente o calendário doméstico nesta temporada, e a competição europeia exigirá muito mais física, técnica e taticamente de um grupo que encontrará adversários capazes de desafiar sua maior qualidade. Na Liga Portugal, muitas vezes será possível abrir vantagem e administrá-la. Na Europa, haverá noites em que serão os <em>Dragões</em> obrigados a correr atrás da bola, sobreviver sem ela ou transformar completamente seu comportamento durante uma partida. É nesse ambiente que um elenco com alternativas se torna indispensável. O torneio continental não costuma perdoar equipes que possuem apenas uma maneira de jogar, por melhor que essa maneira funcione dentro das próprias fronteiras.</p>



<p class="has-medium-font-size">Deste modo, o desafio de Francesco Farioli não está em abandonar aquilo que construiu, mas em acrescentar novas camadas a uma estrutura vencedora. O 4-3-3 continuará sendo o ponto de partida, a posse permanecerá como instrumento de controle e a solidez defensiva dificilmente deixará de representar a principal identidade dos <em>Dragões</em>. Evoluir não significa negar essas virtudes, porém oferecer uma segunda resposta quando a primeira não funcionar. Um ponta-direita, outra opção para o comando do ataque e um lateral-esquerdo poderiam entregar exatamente essa liberdade. O Porto não precisa de uma revolução. Precisa somente evitar que sua estabilidade se transforme em imobilidade, permitindo com que o técnico portista tenha recursos suficientes para surpreender adversários que passaram meses estudando cada detalhe de sua engrenagem.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-10 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="580" height="387" data-id="118190" src="https://www.soccerblog.com.br/wp-content/uploads/2026/08/134196928221705637-5-e1786468087939.jpg" alt="" class="wp-image-118190"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Em 55 partidas sob o comando de Francesco Farioli, o Porto coleciona 41 vitórias, 8 empates, 6 derrotas, 100 gols marcados, 33 tentos sofridos e 79,3% de aproveitamento.</strong></figcaption></figure>
</figure>



<p></p>



<p class="has-medium-font-size">Por enquanto, ninguém em Portugal parece começar a temporada em condições melhores. Benfica e Sporting ainda procuram reorganizar peças e construir novas dinâmicas, enquanto o Porto simplesmente retomou o caminho de onde havia parado. Já conquistou a Supertaça, estreou com vitória na Liga, ainda não sofreu gols e preservou toda a espinha dorsal responsável pelo título anterior. Isso transforma os atuais campeões portugueses em francos favoritos ao bicampeonato, ainda que favoritismo algum atravesse sozinho nove meses de competição. A grande vantagem dos <em>Dragões</em> está no ponto de partida: enquanto seus principais rivais ainda precisam descobrir exatamente aquilo que podem ser, Francesco Farioli já sabe perfeitamente aquilo que sua equipe é.</p>



<p class="has-medium-font-size">Às margens do Douro, em contrapartida, permanecer nunca significou necessariamente ficar parado. O rio que atravessa o Porto continua no mesmo lugar enquanto suas águas estão sempre seguindo adiante, e talvez exista aí uma boa metáfora para aquilo que os <em>Dragões</em> precisam fazer nesta temporada. Preservar a identidade, mas renovar as possibilidades. Manter a defesa, o controle, a organização e a frieza de uma equipe que aprendeu a ganhar, acrescentando ao mesmo tempo as peças capazes de torná-la menos decifrável. </p>



<p class="has-medium-font-size">A taça levantada logo no primeiro compromisso mostra que a máquina continua funcionando. As próximas movimentações no mercado dirão se ela pode ficar ainda mais poderosa. Porque, entre defender o trono em Portugal e voltar a encarar as grandes noites da Champions League, o Porto precisará ser mais do que o ótimo time da temporada passada: precisará encontrar maneiras de ser uma versão ainda melhor de si mesmo.</p>
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