Entre a memória do Renascimento e a ameaça do rebaixamento, a Fiorentina descobre que milhões compram talento, mas reconstruir exige uma ideia. Florença aprendeu a desafiar limites antes que seus habitantes conhecessem qualquer arquibancada. Entre 1420 e 1436, Filippo Brunelleschi ergueu a cúpula de Santa Maria del Fiore, transformando engenho numa resposta monumental ao impossível. Aquela construção exigiu cálculos, invenções, paciência e uma compreensão extraordinária das forças envolvidas. Séculos depois, a Fiorentina parece esquecer justamente essa lição diante da própria obra inacabada. No futebol, como na arquitetura, nenhuma ambição permanece em pé quando os fundamentos cedem. O retrato viola oferece pouco espaço para interpretações generosas: 18ª colocação, quatro pontos e presença na zona do rebaixamento. São seis derrotas, um empate e somente uma vitória em oito compromissos pelo campeonato italiano. Dos 24 pontos disputados, vinte ficaram pelo caminho, espalhados entre frustrações que começam a adquirir aparência de rotina. Uma campanha…