Uma final inédita, entre equatorianos e colombianos, algo que jamais ocorreu na longa história da Copa Libertadores de América. Trata-se do duelo entre Independiente Del Valle x Atlético Nacional, que jogarão hoje, às 21;45 (horário de Brasília), no estádio Olímpico Atahualpa, em Quito. Após 25 anos, não teremos uma final com equipes brasileiras ou argentinas presentes, a última vez que isso aconteceu, foi em 1991, quando o Colo-Colo (Chile) derrotou o Olímpia (Paraguai) na final da competição.
Começando a Copa Libertadores no grupo E do torneio, o Independiente Del Valle, mostrou que não estava para brincadeira desde o inicio da competição, afinal, classificou-se na segunda colocação do grupo, com 11 pontos ganhos, ficando somente 2 pontos abaixo do líder Atlético Mineiro. Vale destacar, que os equatorianos deixaram para trás o tradicional Colo-Colo e o desconhecido Melgar (Peru). Na fase de oitavas de final, os Negriazules (apelido do Independiente Del Valle), encararam o atual campeão da Copa Libertadores, River Plate, e surpreendentemente eliminaram a poderosa equipe argentina pelo placar agregado de 2 a 1, foi aí que os equatorianos começaram a ganhar destaque por boa parte da mídia. Nas quartas de finais, o Pumas (México) foi a vítima do Independiente Del Valle, que venceu o primeiro jogo por 2 a 1 em Quito, e perdeu o segundo jogo também por 2 a 1, na cidade do México, por isso, o duelo foi decidido nas dramáticas cobranças de pênaltis, onde os equatorianos levaram a melhor, acertando 5 penalidades, contra 3 dos mexicanos. Já nas semifinais do torneio continental, o Independiente Del Valle enfrentou o temido Boca Juniors, e se engana quem pensa que os equatorianos tremeram diante do adversário, muito pelo contrário, depois de saírem perdendo, eles viraram a partida de forma inimaginável, e ganharam o primeiro confronto dos argentinos por 2 a 1, em Quito. No segundo jogo, os Negriazules se depararam com o estádio La Bombonera completamente lotado, e o Boca Juniors saiu na frente logo de cara, aos 3 minutos Pavón abriu o placar para os Xeinezes (apelido do Boca). Quando a eliminação parecia próxima, a estrela do Independiente Del Valle brilhou, e incrivelmente, os equatorianos viraram a partida, triunfando sobre o favorito Boca Juniors por 3 a 2, em plena La Bambonera. Agora a equipe disputará a sua primeira final de Copa Libertadores na história.
O Atlético Nacional qualificou-se na liderança do grupo D da Copa Libertadores, com uma campanha arrasadora, somando o total de 16 pontos, com 5 vitórias e 1 empate em 6 partidas disputadas. Nas oitavas de finais, os colombianos passaram sem dificuldades pelo Huracán, após empatarem a primeira partida em 0 a 0 na Argentina, o Atlético Nacional jogou relaxado em Medellín, e goleou os argentinos por 4 a 2 no segundo jogo. Na fase seguinte, as quartas de finais, o Atlético Nacional enfrentou outra equipe argentina, desta vez o adversário foi o Rosário Central, e posso me referir ao duelo como uma verdadeira batalha. Depois de perder o primeiro confronto em Rosário por 1 a 0, os Verdolagas (apelido do Atlético Nacional) receberam os argentinos no estádio Atanasio Girardot (estádio do Atlético Nacional) precisando vencer por dois gols de diferença. Em uma partida alucinante, quando tudo parecia resolvido a favor do Rosário Central, o meia-atacante Berrío marcou o gol salvador (3 a 1) aos 50 minutos do segundo tempo, e classificou os colombianos para a fase seguinte da competição. Nas semifinais, o Atlético Nacional venceu facilmente o São Paulo, tanto fora de casa (2 a 0), quanto em seus domínios (2 a 1), e passados 21 anos de sua última decisão de Copa Libertadores da América, os colombianos voltam a disputar uma final.

O treinador uruguaio Pablo Repetto mandará a campo o Independiente Del Valle armado no 4-2-3-1, com Azcona no gol, na defesa, uma linha de quatro homens, composta por Núñez, Caicedo, Mina e Tellechea. No meio-campo, Orejuela e Rizotto são os volantes do time, enquanto um pouco à frente, Cabezas, Sornoza e Julio Angulo formam uma linha de três meias. No ataque, José Angulo completa a equipe equatoriana.
O Atlético Nacional, do experiente técnico Reinaldo Rueda, está armado como joga habitualmente, também no 4-2-3-1, com Armani no gol, no setor defensivo, Bocanegra, Sánchez, Henríquez e Díaz formam uma linha de quatro jogadores. No setor de meio-campo, a dupla de volantes é composta por Arias e Pérez, já adiante, Berrío, Macnelly Torres e Marlos Moreno integram uma linha de três meias ofensivos. No setor de ataque, o matador Borja fica encarregado de marcar os gols do time colombiano.
Acredito que acompanharemos um jogo muito interessante logo mais em Quito, afinal, ambas equipes jogam de maneira ofensiva, buscando o gol quase que a todo momento. As duas utilizam demasiadamente os meias (Sornoza e Macnelly Torres) para criação das jogadas, e exploram bastante os lados do campo, com os velozes pontas. Não posso deixar de citar o empenho dos times, típico de equipes sul-americanas. Creio que será uma final muito legal para assistir e pelo fato de jogar em casa, diante de sua torcida, e na altitude de Quito, o Independiente Del Valle vença a primeira partida da decisão da Copa Libertadores da América, porém por um placar apertado.