Ninguém segura os Samurais Azuis

Na manhã da última quinta-feira, o Japão carimbou seu passaporte, e garantiu a tão desejada vaga para disputar a Copa do Mundo da Rússia em 2018, aliás este será o sexto Mundial consecutivo dos japoneses. Os Samurais Azuis (apelido do Japão) se juntarão a Rússia, Brasil, Irã e México, lembrando que ainda restam 27 vagas em aberto. Mesmo sofrendo uma enorme pressão por conta de más apresentações, o treinador Vahid Halilhodzic conseguiu dar a volta por cima e levou o Japão para mais uma Copa.
Situado no grupo 2 das Eliminatórias Asiáticas da Copa do Mundo da Rússia 2018, o Japão teve um início desanimador na competição, pois logo na 1ª rodada, sofreu uma dura derrota para os Emirados Árabes Unidos, e pior, atuando em casa, diante de sua torcida. Este péssimo resultado gerou uma enorme desconfiança na mídia japonesa, que a partir desta partida começou a questionar o trabalho do técnico Vahid Halilhodzic. Mas essa pressão não foi suficiente para desanimar o comandante bósnio, que logo na segunda rodada viu o Japão se recuperar, e bater a Tailândia por 2 a 0, fora de seus domínios. Daí em diante, os Samurais Azuis dominaram o torneio, colecionando cinco triunfos e dois empates nas rodadas seguintes. Não à toa, o combinado japonês é o atual líder de seu grupo com 20 pontos ganhos, somando 9 vitórias, 2 empates e 1 derrota nas Eliminatórias, obtendo assim 74,1% de aproveitamento.

Apesar de não agradar boa parte da torcida japonesa, o bósnio Vahid Halilhodzic classificou o Japão com uma rodada de antecedência.
Apesar de não agradar boa parte da torcida japonesa, o bósnio Vahid Halilhodzic classificou o Japão para o próximo Mundial, com uma rodada de antecedência.

A classificação do Japão é indiscutível, até porque os Samurais Azuis além de ocuparem a liderança isolada das Eliminatórias Asiáticas, são donos tanto do melhor ataque (17 gols marcados) quanto da melhor defesa (6 gols sofridos) do torneio. No entanto, nem mesmo essa ótima campanha é capaz de dar tranquilidade ao treinador Vahid Halilhodzic. Mas o real motivo de tanta insatisfação, é o fato do técnico bósnio manter os jogadores Shinji Kagawa, Keisuke Honda e Shinji Okazaki, os três principais astros do futebol japonês na atualidade, sentados no banco de reservas da seleção. A explicação de Halilhodzic para deixá-los entre os suplentes, é que a intensão do técnico juntamente com a sua comissão, é rejuvenescer o time do Japão, colocando jovens promessas para assim garantir um futuro promissor ao selecionado, que na opinião dele está bastante envelhecido, e consequentemente necessita de uma nova geração. Contudo, outros badalados atletas continuam entre os titulares da equipe japonesa como é o caso de Eiji kawashima, Yuto Nagatomo, Maya Yoshida, Yuya Osako, Takuma Asano e logicamente do capitão Makoto Hasebe.

Heisuke Honda, Shinji Kagawa e Shinji Okasaki, os três maiores astros do futebol japonês, são meros reservas na equipe de Vahid Halilhodzic.
Keisuke Honda, Shinji Kagawa e Shinji Okasaki, os três maiores astros do futebol japonês, são meros reservas na equipe de Vahid Halilhodzic.

O confronto diante da Austrália na quinta-feira passada foi encarado por japoneses e australianos como uma verdadeira decisão de Copa do Mundo, afinal, o vencedor garantiria sua vaga direta ao Mundial da Rússia, enquanto o perdedor correria um sério risco de ficar de fora do torneio, devido ao progresso da Arábia Saudita, agora vice-líder do grupo 2 das Eliminatórias. O fato de atuar no Saitama Stadium já era um ponto favorável ao Japão, que no primeiro turno da competição (4ª rodada) havia empatado com a Austrália por 1 a 1, em Docklands. Sabendo das dificuldades que teria pela frente, o técnico Vahid Halilhodzic armou o seu time no 4-3-3, porém escalando três volantes no meio, dando total prioridade na proteção a defesa. Cansado de ver os Samurais Azuis dominarem as partidas e mesmo assim sofrer derrotas tolas, Halilhodzic optou por armar uma equipe mais conservadora e pragmática. E para a alegria dos 59.492 torcedores presentes no Saitama Stadium, essa escolha surtiu efeito, tanto é que os anfitriões não tiveram dificuldades para bater a Austrália por 2 a 0, com gols de Takuma Asano e Yosuke Idegushi.

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Takuma Asano abriu o marcador na vitória do Japão sobre a Austrália por 2 a 0.

Classificado para participar de sua sexta Copa do Mundo seguida, o principal objetivo do Japão agora é melhorar a sua performance no torneio, até porque os Samurais Azuis terão um bom tempo para fazer ajustes na equipe. A história do Japão em Mundiais, teve início na Copa da França em 1998, a primeira dos japoneses ao longo da trajetória, e naquela ocasião, a equipe foi eliminada ainda na fase de grupos com três derrotas consecutivas (Argentina, Croácia e Jamaica). Em seguida, na Copa disputada no próprio Japão, em 2002, o conjunto japonês melhorou sua performance, perdendo da Turquia nas oitavas de finais da competição. Entretanto, no Mundial da Alemanha em 2006, os Samurais Azuis novamente não passaram da fase de grupos. Por conseguinte, na Copa da África do Sul em 2010, a esperança voltou a reinar, e o Japão por pouco não avançou às quartas de finais, digo isso pois o combinado japonês parou nas oitavas de finais frente ao Paraguai, sendo vencido nas dramáticas penalidades (5 a 3). Para finalizar, na última edição da Copa do Mundo, realizada no Brasil, o Japão, na época dirigido pelo técnico italiano Alberto Zaccheroni, mais uma vez decepcionou, caindo na fase de grupos, colecionando duas derrotas (Costa do Marfim e Colômbia) e um empate (Grécia). Curiosamente, o primeiro teste dos pupilos de Vahid Halilhodzic, será já na próxima terça-feira (14:30, horário de Brasília), contra a Arábia Saudita, em Jidá, pela última rodada das Eliminatórias Asiáticas, ou seja, está aí uma ótima oportunidade para os japoneses iniciarem sua preparação para a Copa da Rússia 2018 com o pé direito.

 

 

 

 

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