A ausência da Itália na Copa da Rússia certamente não foi bom ao torneio, afinal, estamos nos referindo a uma das seleções mais tradicionais do planeta, dona de quatro títulos mundiais. No entanto, a péssima gestão da FIGC (Federação Italiana de Futebol) nos últimos anos, culminou com o enfraquecimento do selecionado italiano, e consequentemente com a não ida da Azzurra à Copa, um fenômeno que não acontecia há exatos 60 anos.
Como não poderia deixar de ser, a queda diante da Suécia na repescagem das Eliminatórias gerou enorme insatisfação nos italianos, um povo literalmente apaixonado por futebol. Buscando resgatar o prestígio no mundo da bola, a FIGC, agora presidida por Roberto Fabriccini, traçou um inovador planejamento, vislumbrando o sucesso da Azzurra na Copa das Nações 2018, e posteriormente, na Eurocopa 2020. E o nome escolhido pela entidade para comandar a seleção nos próximos dois anos foi o de Roberto Mancini, que dirigiu o Zenit (clube da Rússia) na última temporada. Curiosamente, Andrea Pirlo, ex-jogador do Milan, da Juventus e da própria Azzurra, será o auxiliar técnico de Mancini nessa nova jornada da Itália.
Ao contrário do antecessor Gianpiero Ventura, que conseguiu a façanha de deixar a Itália de fora da Copa do Mundo da Rússia, Roberto Mancini dispõe de um currículo mais gabaritado, composto pelo tricampeonato do Calcio (2006, 2007 e 2008) com a Internazionale, além de um título da Premier League (2012) à frente do Manchester City. Entretanto, o recente trabalho do treinador de 53 anos de idade no Zenit, foi bastante abaixo das expectativas, tanto é, que a equipe de São Petersburgo terminou o Campeonato Russo somente na 4ª posição da tabela, lembrando que ela era considerada a grande favorita ao título devido ao alto investimento feito pela diretoria na contratação de reforços. Mas como a história de Mancini na Bota é gloriosa tanto nos tempos em que ele era atleta como depois que pendurou as chuteiras, a maioria dos italianos confiam no jovem treinador.

Com dois anos de contrato pela frente, Roberto Mancini sabe mais do que ninguém que precisará de resultados positivos para se manter no comando da seleção italiana. Por esta razão, a Azzurra realizará três amistosos em um intervalo de oito dias, assim, o treinador tentará dar uma nova identidade ao time o mais rápido possível. Aliás, a primeira convocação de Roberto Mancini já causou certa repercussão na mídia, visto que jogadores como o polêmico Mario Balotelli e o novatos Rolando Madragora, Mattia Caldara e Domenico Berardi estavam presentes na lista. A outra mudança que chamou a atenção foi que o zagueiro Leonardo Bonucci, do Milan, é o novo capitão da Nazionale, uma vez que Gianluigi Buffon se aposentou dos gramados.
O primeiro compromisso de Roberto Mancini como técnico da Itália ocorreu na tarde de ontem (terça-feira) contra a Arábia Saudita, e graças aos gols de Mario Balotelli e Andrea Belotti, os tetracampeões mundiais venceram os árabes por 2 a 1 na Suíça. Apesar do placar apertado, a Azzurra apresentou um ótimo futebol, imprimindo bastante intensidade, volume de jogo, e usufruindo da posse de bola na maior parte do tempo. Armada no 4-3-3, a equipe explorou demasiadamente os lados dos campos, já que contava com o talento dos habilidosos pontas Lorenzo Insigne e Matteo Politano, além dos excelentes laterais Davide Zappacosta e Domenico Criscito. Resumindo, vimos um time compacto, organizado e rápido dentro de campo, por este motivo, a estreia de Roberto Mancini foi realmente animadora.
Agora os pupilos de Roberto Mancini terão de encarar uma missão ainda mais indigesta, já que eles enfrentarão a poderosíssima França na tarde de sexta-feira (16:00, horário de Brasília), em Nice. Em seguida, a Azzurra encerrará essa série de amistosos contra a Holanda, que também não se qualificou à Copa da Rússia, no dia 04 (segunda-feira), em Turim. Curiosamente, a Itália tenta reagir a essa crise no futebol ao mesmo tempo que graves problemas políticos afetam o país, deixando-o à beira de verdadeiro um colapso financeiro. Logicamente é muito cedo para prever qualquer diagnóstico, dado que Roberto Mancini começou a sua trajetória como técnico da seleção italiana há cerca de duas semanas, todavia, nos causa uma boa impressão ver a Nazionale sendo totalmente remodelada dentro e fora das quatro linhas, afinal, esse é um belo indício de que ela está no caminho certo.