Estádio Jornalista Mário Filho, popularmente conhecido como Maracanã, um dos maiores templos do futebol mundial, encontra-se totalmente abandonado. Faltariam palavras, adjetivos e qualidades para descrever o que representa o estádio do Maracanã, que por conta da incompetência e falta de respeito de nossos políticos, está literalmente jogado as traças.
Não é novidade para ninguém que o Brasil vive uma das piores senão a pior crise econômica de toda sua história, e o estado do Rio de Janeiro, vem sentindo na pele essa recessão, tanto é que o governador Luiz Eduardo Pezão, já havia declarado no meio do ano de 2016, que a Cidade Maravilhosa estava em estado de calamidade pública. Isso prejudica automaticamente a população, que sofre com o inexistente atendimento em hospitais, a falta de segurança. obras paradas, fornecedores não fornecendo mais por falta de pagamento e salários de funcionários públicos atrasados. Não é à toa que o Rio de Janeiro iniciou o ano de 2017 com um rombo de R$ 17 bilhões em suas contas públicas, e logicamente, o futebol também acaba sentindo todo esse impacto.

O Maracanã palco de espetáculos grandiosos, como duas finais de Copa do Mundo (1950 e 2014), e de tantas outras decisões de Copa Libertadores da América, Copa América, Campeonato Brasileiro, Torneio Mundial de Clubes e outros mais, atualmente luta para sobreviver. Tudo começou com as reformas por decorrência da Copa do Mundo de 2014, quando o estádio teve de passar por inúmeras mudanças para se enquadrar no padrão FIFA de qualidade, e pasmém, uma das principais alterações, foi extinguir a famosa geral do Maracanã, aonde personagens hilários marcavam presença na maioria das vezes fantasiados, levando alegria à galera. Posteriormente vieram as Olimpíadas do Rio em 2016, e novamente o Maracanã entrou em reforma, agora para receber os jogos olímpicos. Vale lembrar que todas estas reformas, custaram ao bolso dos brasileiros, a bagatela de 1,2 bilhão de reais. Com o final dos eventos (Copa do Mundo e Olimpíadas), o maior templo do futebol nacional, foi esquecido, tudo porque a Odebrecht, recusou-se a assumir a administração do estádio após o término das Olimpíadas, enquanto o estado do Rio de Janeiro não tem dinheiro para manter o estádio funcionando. A situação no momento é essa, a concessionária e o governo carioca brigam na justiça para saber quem ficará responsável pelo Maracanã, visto que ambos não o querem de maneira alguma.

Isso tem afetado até mesmo a área do turismo, afinal, o tour do Maracanã (passeio que inclui a visita de turistas ao estádio) segue suspenso, assim como as partidas de futebol. O estádio permanece deserto, e com a redução no número de seguranças, diversas objetos foram roubadas do local, como por exemplo, o busto do jornalista Mário Filho, que dá nome ao estádio. Além disso, o Maracanã segue sem luz, por falta de manutenção dos equipamentos de energia, e o gramado, se é que podemos chamar assim, mais parece um pasto.
No ano passado cansamos de ver as equipes do Flamengo e do Fluminense, mandando seus jogos em cidades como Juiz de Fora, Cariacica, Brasília e até mesmo em São Paulo (no estádio do Pacaembu), enquanto o Botafogo mandou suas partidas no Luso-Brasileiro, estádio da Portuguesa da Ilha do Governador, pois assim como o Maracanã, o estádio do Engenhão também passava por obras.

Com o início de 2017, o estádio do Engenhão novamente receberá jogos do Botafogo, e o Flamengo acertou com a Portuguesa o uso de seu estádio (Luso-Brasileiro), que tem capacidade para 15 mil lugares, durante os três próximos anos. Já o Fluminense, utilizará o estádio Giulite Coutinho (campo do América-RJ), em Edson Passos, na cidade de Mesquita, a 40 km de distância do estádio das Laranjeiras.
O Campeonato Carioca (Taça Guanabara) terá início no próximo dia 29, e é na minha opinião, um dos torneios regionais mais charmosos do País, afinal, acompanhar uma peleja entre Olaria x Fluminense na rua Bariri, ou então o confronto entre Bangu x Botafogo em Moça Bonita, é algo que realmente encanta por toda a história, a mística que envolve as equipes, o estádio, o clima e tudo que rodeia o jogo. Mas acompanhar um campeonato carioca, sem os tradicionais clássicos no Maracanã, é como ir ao Rio de Janeiro e não encontrar lá o Cristo Redentor, é como se a Cidade Maravilhosa perdesse uma parte de si.