Uma paixão chamada Atleti

A Champions League e o Atlético Madrid definitivamente não foram feitos um para o outro, logicamente que chegará o dia em que os rojiblancos conquistarão a “orelhuda”, porém isso não mudará em nada a verdadeira devoção que os torcedores colchoneros tem pelo time vermelho, branco e azul da capital espanhola. Tudo porque torcer para o Atleti não é simplesmente apoiar a equipe, trata-se de um conjunto de sentimentos que vão muito mais além de uma mera paixão clubística. Para exemplificar, palavras como felicidade, alegria, sofrimento, angústia, superação, dor, orgulho, esperança, força e amor podem explicar um pouco das emoções sentidas pelos fanáticos adeptos do Atlético Madrid.
Na tarde de ontem, podemos novamente constatar o que significa o Atleti para a sua torcida, afinal, a equipe dirigida por Diego Simeone necessitava de um milagre para classificar-se às oitavas de final da Champions League, pois além de ter a obrigação de derrotar o Chelsea, atual campeão inglês, em pleno estádio Stamford Bridge, os colchoneros precisavam torcer para que a Roma não vencesse o modesto Qarabag no estádio Olímpico (Roma). Mesmo sabendo dessa difícil missão, 1500 torcedores rojiblancos viajaram pouco mais de 1730 km (Madrid – Londres) para acompanhar o Atlético. Representando cada um dos milhões de colchoneros espalhados ao redor do mundo, estas 1500 vozes não pararam de cantar um momento sequer, vibraram com o gol de Saúl no início da segunda etapa, lamentaram o gol dos ingleses poucos minutos depois, porém sempre com a mesma empolgação, entusiasmo e orgulho do seu time. Após o apito final, exaltaram o ídolo Diego Simeone e os jogadores como se estes tivessem sido campeões, ou seja, um ato invejável.

Como não poderia deixar de ser, os torcedores colchoneros marcaram presença no Stamford Bridge, e mesmo em total minoria, fizeram mais barulho do que os torcedores dos blues.
Como não poderia deixar de ser, os colchoneros marcaram presença no Stamford Bridge, e mesmo estando em total minoria, fizeram mais barulho do que os blues. Não à toa, os rojiblancos são conhecidos como os torcedores mais argentinos da Europa.

A precoce eliminação do Atlético Madrid ainda na fase de grupos da Champions League, pode sim, ser considerada um vexame, isso porque o time espanhol é o atual semifinalista do torneio, e nos últimos cinco anos, disputou duas vezes a grande final da competição. A primeira delas ocorreu no estádio da Luz, em Lisboa, na edição 2013/14 da Champions League, e naquela oportunidade, os colchoneros perderam do Real Madrid na prorrogação (4 x 1), após empatarem por 1 a 1 no tempo regulamentar, lembrando que os rojiblancos sofreram um doloroso gol do zagueiro Sérgio Ramos nos acréscimos da partida. Já na temporada 2015/16, o treinador Diego Simeone levou novamente o Atleti à decisão do título europeu, e curiosamente, o arquirrival Real Madrid, estava mais uma vez em seu caminho, porém nesta ocasião, o palco do duelo foi o mítico estádio San Siro, em Milão. Para a tristeza de toda a nação vermelha, branca e azul de Madrid, a história se repetiu, só que agora a derrota aconteceu nas dramáticas cobranças de pênaltis, que poderiam ter sido evitadas caso o atacante Antoine Griezmann não tivesse desperdiçado uma penalidade no tempo normal. Desta maneira, o resultado de 1 a 1 prevaleceu no placar do jogo, e o Atlético Madrid bateu na trave de novo.

A derrota para o Real Madrid na final da Champions League 2014/15, até hoje não foi digerida pelo técnico Diego Simeone, que inclusive apontou este revés como o mais doloroso de sua carreira.
A derrota para o Real Madrid na final da Champions League 2013/14, até hoje não foi digerida pelo técnico Diego Simeone, que inclusive, apontou este revés como o mais doloroso de sua carreira.

Na atual edição da Champions League, o sorteio já foi um grande vilão do Atlético Madrid, visto que o conjunto madrilenho dividiu o mesmo grupo que o Chelsea, campeão inglês na temporada passada, a Roma, vice-campeã do Calcio e o Qarabag, este considerado o time mais fraco devido a sua pouca tradição. Depois de seis partidas realizadas, os comandados de Diego Simeone encerraram sua participação no torneio continental com 7 pontos ganhos, contabilizando 1 vitória, 4 empates e 1 derrota, obtendo assim, um pífio aproveitamento de 38,9% na competição. Entretanto, a desclassificação do Atlético Madrid não ocorreu no último jogo frente o Chelsea no Stamford Bridge, ela foi sacramentada ali, já que os colchoneros foram eliminados quando desperdiçaram valiosos pontos ao empatar contra o lanterninha Qarabag por 0 a 0 no Azerbaijão, e por 1 a 1 na capital espanhola, coisa que tanto o Chelsea quanto a Roma, não fizeram. Outro fato que chama a atenção é o baixo número de gols marcados pelos rojiblancos, que em seis partidas balançaram as redes adversárias somente em cinco ocasiões, registrando uma insignificante média de 0,83 gol por jogo. Diante destas informações fica claro que os atacantes Antoine Griezmann, Ángel Correa, Kevin Gameiro, Fernando Torres e Luciano Vietto realmente não deram conta do recado.

Se o Atlético Madrid pudesse contar com o hispano-brasileiro Diego Costa na primeira fase da Champions League, com certeza a história seria diferente.
Se o Atlético Madrid pudesse contar com o hispano-brasileiro Diego Costa na primeira fase da Champions League 2017/18, com certeza a história teria sido diferente.

Nesta temporada o Atlético Madrid já realizou 22 jogos, sendo que destes, o time coleciona onze empates, dez vitórias e uma única derrota, portanto, o alto número de empates vem atrapalhando a equipe de Diego Simeone. A principal resposta para essa queda de rendimento dos colchoneros é que em setembro de 2016 o time sofreu uma punição imposta pela FIFA, sendo impedido de contratar reforços até janeiro de 2018, ou seja, os rojiblancos ficaram impossibilitados de atuar em três janelas de transferências europeias seguidas. Dessa forma o elenco que até então já era reduzido, sofreu ainda mais por não ter peças de reposição quando jogadores titulares se machucavam, eram suspensos ou poupados. Com o final desta penalização se aproximando, enfim Diego Simeone poderá contar com Diego Costa, Vitolo e o meia argentino Lautaro Martínez, todos recém-contratados. A eliminação rendeu ao Atlético Madrid a perda de 6 milhões de euros, valor dado pela UEFA aos clubes que se classificam às oitavas de finais da Champions League. No entanto, águas ainda vão rolar, porque agora os colchoneros terão a oportunidade de disputar a Europa League, torneio que os madrilenhos venceram duas vezes (2009/10 e 2011/12), enquanto pela La Liga, eles seguem firme no terceiro posto da tabela, brigando diretamente pelo título do campeonato. Contudo, como citei anteriormente, estes são aspectos que pouco importam aos torcedores rojiblancos, que continuarão venerando o Atleti independentemente de conquistas, triunfos e façanhas, ao contrário de seu arquirrival que mesmo com toda a sua fama, status, jogadores galáticos e doze troféus da Champions League, é dono de uma torcida fria, que pouco os apoia em campo.

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