O fim de Arne Slot se mostra cada vez mais próximo no Liverpool

A derrota por 3 a 2 diante do Bournemouth foi a sétima do Liverpool após 23 aparições na atual edição da Premier League, isto é, um número três vezes maior do que as quatro sofridas ao longo de toda a campanha rumo à conquista do título inglês na temporada passada.

À vista disso, toda a magia que envolveu o primeiro ano de Arne Slot em Anfield sucumbiu a ponto da torcida do Liverpool desejar a saída do treinador holandês, o que realmente surpreendente não apenas em função da abrupta queda de rendimento dos Reds, mas em especial pelo montante de 480 milhões de euros investidos na janela de transferências mais valiosa de todos os tempos na Premier League, em meio as contratações de Alexander Isak, Florian Wirtz, Hugo Ekitike, Jeremie Frimpong, Milos Kerkez e Giovanni Leone.

Por este motivo, era absolutamente natural que as expectativas em torno do Liverpool fossem ainda maiores antes da bola rolar na temporada 2025-26, afinal Arne Slot foi capaz de erguer o caneco da Premier League logo no ano seguinte à saída de Jurgen Klopp, e herdando o mesmo plantel do antecessor, com exceção a Federico Chiesa, o único reforço apresentado naquela oportunidade.

Deste modo, é compreensível porque a frustração pelos lados de Anfield tem a mesma proporção das esperanças criadas no início da temporada, tendo em vista que o Liverpool passou de mero favorito ao título da Premier League a postulante por uma vaga no G-4, a julgar pela sexta colocação na tabela a dois pontos do quarto colocado Manchester United, o que significa que a briga pelo bicampeonato inglês já inexiste em pleno mês de janeiro aos pupilos de Arne Slot.

Assim, a principal explicação para a temporada aquém do Liverpool recaí totalmente sobre Arne Slot, que mesmo recebendo excelentes peças não conseguiu encaixá-las na nova engrenagem. Inclusive, a percepção é a de que todo o sucesso alcançado na temporada anterior só veio porque o ex-técnico do Feyenoord usou o sistema de jogo similar ao de Jurgen Klopp, por mais que ele tenha potencializado o futebol de alguns jogadores — como Ryan Gravenberch.

E vale ressaltar que a percepção de que o Liverpool piora com as mudanças promovidas por Arne Slot é maior a cada partida realizada, algo que também é oriundo da não vinda de um zagueiro para fortalecer o setor defensivo, que hoje só conta com os titulares Virgil van Dijk e Ibrahima Konaté, além dos reservas Joe Gomez e Giovanni Leoni, lembrando que o jogador recém-contratado junto ao Parma está fora de combate durante todo o restante da temporada em decorrência de uma grave lesão sofrida no joelho.

Ademais, é importante destacar que nesta temporada Arne Slot vem enfrentando um obstáculo novo desde que desembarcou em Merseyside para comandar o Liverpool: o vestirário de Anfield. Pois é, depois de entrar em rota de colisão com Mohamed Salah, que até chegou a insinuar que não jogaria mais pelo clube antes da viagem para defender o Egito na Copa Africana de Nações, agora é a vez do sub-capitão Andy Robertson causar problemas ao treinador de 47 anos de idade, a exemplo da saída quase certa ao Tottenham.

Portanto, embora trocas de treinadores sejam raras no Liverpool, é difícil imaginar Arne Slot sequer finalizando a temporada no clube inglês, uma condição que se tornou ainda mais instável depois que Xabi Alonso foi demitido pelo Real Madrid há duas semanas. Além do técnico espanhol, a possível chegada de Steven Gerrard para dirigir os Reds até o meio do ano também vem ganhando força no noticiário esportivo europeu.

Apesar de decepcionar no Real Madrid, tanto o histórico trabalho desenvolvido no Bayer Leverkusen campeão da tríplice coroa alemã em 2024, quanto a excelente passagem pelo Liverpool como jogador, marcada por 210 partidas e pelas conquista Champions League entre 2004 e 2009, colocam Xabi Alonso como o principal favorito a ocupar o posto de Arne Slot, superando ao menos nos bastidores as fortíssimas concorrências de Steven Gerrard, Luis Enrique, Oliver Glasner, Enzo Maresca e Cesc Fàbregas.

A propósito, dentre todas essas opções é bastante óbvio que se Steven Gerrard chegar seria em virtude de uma escolha emocional, vide o passado glorioso e a enorme idolatria do ex-camisa 8 em Anfield. De qualquer maneira, uma decisão que não seria ideal aos atuais campeões ingleses, que precisam antes de mais nada de um treinador moderno, inteligente taticamente, e que conheça o DNA do clube. Quer dizer, características nas quais se encaixa Xabi Alonso.

Ao mesmo tempo, o Liverpool não se livrará de Arne Slot simplesmente como um objeto descartável, visto que essa não é — e nunca foi — a filosofia dos Reds, cujo respeito em relação ao treinador que ganhou a Premier League há sete meses continua intacto. Acontece, que o futebol é dinâmico e mantê-lo na função se mostra um grande equívoco quando o nível de jogo é baixíssimo, sem estrutura, intensidade, pressão, e até com os líderes do elenco perdidos.

Diante deste cenário, a realidade é que se a classificação direta às oitavas-de-final da Champions League não for confirmada na rodada de encerramento da fase de liga contra o Qarabag, em Anfield, é certo que o ciclo de Arne Slot chegará ao fim no Liverpool, mesmo com as míseras cinco vitórias nos últimos 18 compromissos comprovando de forma veemente que ele já acabou.

Logo, a queda de Arne Slot é questão de tempo, pois a pergunta não é mais se ele vai cair, mas sim, quando isso vai ocorrer. A ver!

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