Os primeiros doze meses de um treinador em um novo clube, pode até ser extremamente brilhante, como no caso de Antonio Conte, recém-contratado pelo Chelsea, e que além de liderar isoladamente a Premier League, é também finalista da FA Cup (Copa da Inglaterra), fazendo assim uma campanha mais do que perfeita. Mas realmente isso não é algo normal, o comum é o treinador ir aos poucos se ambientando com o clube, jogadores, funcionários e diretores, para em seguida, através de muito trabalho, ir desenvolvendo uma filosofia de jogo de acordo com o material humano que tem em mãos, e somente após cinco ou seis meses, começar a colher os frutos ali plantados. Sabedor de todas estas circunstâncias, o técnico espanhol Josep Guardiola resolveu deixar o Bayern Munique, time que comandava há exatas três temporadas, e dominava o futebol alemão, para encarar o desafio de disputar pela primeira vez em sua carreira a Premier League (campeonato inglês), aliás, este sempre foi um grande sonho de Guardiola, desde a época em que ainda era atleta do Barcelona. Dizem que os gênios adoram ser desafiados, por isso acredito que o multi-campeão espanhol saiu de sua zona de conforto para assumir a difícil missão de dirigir o milionário Manchester City.

Recebido com uma enorme festa no centro de treinamento do Manchester City, Pep Guardiola chegou na “Terra da Rainha” com uma apresentação digna de um pop estar, afinal, os citizens (apelido do Manchester City) enxergavam nele a fórmula para alcançar a hegemonia no futebol europeu, tudo por conta do excelente trabalho desenvolvido por ele tanto no Barcelona quanto no Bayern Munique. Depois de iniciar de forma magistral a temporada, somando dez vitórias nos dez primeiros jogos à frente de seu novo clube, Guardiola levou os torcedores do time inglês juntamente com a mídia local ao êxtase, porém esse momento mágico durou pouco. Logo vieram os primeiros tropeços na Premier League, seguido da eliminação nas oitavas de finais da Copa da Liga Inglesa para o arquirrival Manchester United (1 a 0), e para sacramentar de vez a fase turbulenta, veio a eliminação também na Champions League, na fase de oitavas de finais para o surpreendente Monaco. Após vencer o jogo de ida por 5 a 3 no Etihad Stadium, e perder o jogo de volta por 3 a 1 no consulado, a igualdade de 6 a 6 prevaleceu no placar agregado do embate, mas como os monegascos marcaram três gols fora de casa contra somente um dos ingleses, o Monaco garantiu sua vaga para o próximo estágio do torneio.

A busca de Pep Guardiola por seu primeiro título no Manchester City, seguiu na FA Cup, já que na Premier League, os citizens estão bem distantes do líder Chelsea, 11 pontos para ser mais específico, enquanto pela FA Cup, os comandados de Pep Guardiola estavam na fase semifinal, ou seja, a um passo da grande final. Diante do lendário estádio de Wembley, completamente abarrotado, o Manchester City entrou em campo sedento por uma vitória, porém do outro lado estava o Arsenal, do experiente Arsene Wenger, que assim como Guardiola, só vê nesta competição a oportunidade de levantar um caneco na temporada, em virtude disso, de antemão você já pode imaginar que o jogo foi encarado por ambos como uma verdadeira decisão de Copa do Mundo. Após sair na frente do marcador, com um gol do argentino Sergio Aguero aos 17 minutos do segundo tempo, o Manchester City cedeu o empate ao time londrino logo em seguida, aos 26 minutos da segunda etapa, permitindo com que o duelo fosse para o tempo extra. Para a alegria dos gunners (apelido do Arsenal) e para a tristeza dos citizens, o chileno Alexis Sánchez sacramentou a eliminação do City ao marcar o gol da classificação do Arsenal no minuto 10 do primeiro tempo da prorrogação. Sem poder de reação, Pep Guardiola e seus pupilos deixaram Wembley extremamente abatidos, adotando o discurso de que a meta do time agora é classificar-se para a Champions League.

Curiosamente desde que iniciou sua carreira como técnico de um time profissional em 2008, Pep Guardiola jamais passou uma temporada em branco, relembrando que até hoje, o treinador espanhol comandou somente duas equipes, o Barcelona (2008 até 2012) e o Bayern Munique (2013 a 2016) ganhando ao longo destes dez anos de trajetória o total de 21 títulos. Me recordo que na edição anterior da Premier League, o ex-comandante dos citizens, Manuel Pellegrini, deixou o time na 4ª posição do campeonato (classificado para a Champions League), e mesmo assim foi bastante questionado em relação ao seu trabalho, inclusive, os donos do Manchester City foram contundentes ao afirmar que o chileno não fez mais do que a sua obrigação, pois tinha em mãos um dos elencos mais caros do planeta. Agora eu lhe pergunto, se Pep Guardiola não conseguir a almejada vaga para a Champions League, será cobrado da mesma forma? Acredito que a resposta seja não.

Restando somente seis rodadas para o término da Premier League, o próximo compromisso do Manchester City será na quinta-feira, contra nada mais nada menos que o Manchester United, invicto há 23 jogos na competição. Ademais, caso os pupilos de José Mourinho vençam, eles superarão os citizens na tabela do campeonato, que tem o Chelsea no primeiro posto (75 pontos), seguido do Tottenham (71), Liverpool (66), Manchester City (64) e Manchester United (63), todos com 32 jogos realizados, menos o Liverpool que já disputou 34 partidas. Posteriormente ao dérbi da cidade de Manchester, os citizens terão pela frente jogos tranquilos, contra adversários da metade inferior da tabela como o Middlesbrough (f), Crystal Palace (c), Leicester (c), West Bromwich (jogo atrasado, será em casa) e Watford (f). Na análise geral, podemos afirmar com total convicção que a primeira temporada de Pep Guardiola na Inglaterra será razoável desde que o time dele conquiste uma vaga na Champions League, ou então, será decepcionante caso a sonhada classificação não aconteça. Aguardemos!