Quando um profissional não apresenta resultados convincentes, seja lá qual for o lugar aonde ele trabalha, é totalmente normal vê-lo demitido depois de algum tempo. Mas se analisarmos a situação de Thomas Tuchel, constataremos que isso nem sempre é uma lógica, afinal, no último sábado o treinador alemão levou o Borussia Dortmund ao título da Copa da Alemanha e mesmo com esse triunfo, a diretoria aurinegra comunicou a imprensa de forma oficial, na tarde de ontem (terça-feira), de que ele não será mais o comandante da equipe na próxima temporada.
Três dias após erguer a taça da Copa da Alemanha, o treinador Thomas Tuchel, de 43 anos, foi demitido de forma surpreendente pelo Borussia Dortmund. Mesmo com o contrato vigente até junho de 2018, a diretoria resolveu arcar com os gastos da multa rescisória, encerrando de uma vez por todas o vínculo do técnico para com o clube. No sábado passado os aurinegros (apelido do Borussia Dortmund) bateram o Eintracht Frankfurt por 2 a 1 no estádio Olímpico de Berlim, conquistando assim seu primeiro título depois de cinco anos. Além disso, foi também o primeiro, e único, troféu de Tuchel no comando do time. Vale ressaltar ainda que o Borussia Dortmund terminou a Bundesliga (campeonato alemão) na terceira posição da tabela, atrás somente do campeão Bayern Munique e do vice RB Leipzig, portanto, o técnico classificou o time diretamente para a fase de grupos da próxima Champions League. Já na atual edição do torneio continental, o Borussia Dortmund chegou até as quartas de finais, aonde foi eliminado pelo Monaco, perdendo tanto no jogo de ida (3 a 2) quanto no jogo da volta (3 a 1).

Curiosamente, Thomas Tuchel teve a mesma trajetória de seu antecessor Jurgen Klopp, pois depois de iniciar a carreira como treinador em um time das divisões inferiores da Bundesliga (Augsburg II), ele ganhou notoriedade no Mainz 05, clube pelo qual trabalhou de 2009 até 2014. Devido ao enorme sucesso, Tuchel logo foi contratado pelo poderoso Borussia Dortmund em 2015, substituindo Klopp no comando da equipe. Logo em sua primeira temporada nos aurinegros, Thomas Tuchel realizou uma ótima campanha na Busdesliga, levando o Borussia a ser o melhor vice-campeão alemão da história, além de ter sido também vice-campeão da Copa da Alemanha, perdendo ambos títulos para o rival Bayern Munique. Por conta dessas performances, Tuchel recebeu diversos elogios, principalmente pela maneira que sua equipe atuava dentro de campo, um estilo de jogo extremamente ofensivo, com muita velocidade e intensidade, resgatando o bom futebol do time.

No entanto, a segunda temporada de Thomas Tuchel comandando o Borussia Dortmund foi bastante inconstante, algo que incomodou os torcedores aurinegros. Digo isso, pois o time alemão realizou diversas contratações, entre elas a de Mario Gotze, que após três temporadas no Bayern Munique, retornou ao seu clube de coração, além dele, vieram os jogadores André Schurrle, Marc Bartra, Ousmane Dembélé, Sebastian Rode, Raphael Guerreiro, entre outros. Apesar de ter feito altos investimentos na montagem do elenco, o técnico sofreu com o grande número de contusões que atrapalhou muito a equipe ao longo da jornada. Mesmo assim, o Borussia Dortmund teve forças para vencer a Copa da Alemanha, depois de bater o badalado Bayern Munique nas semifinais em plena Allianz Arena por 3 a 2, e em seguida derrotar o Eintracht Frankfurt pelo placar de 2 a 1 na decisão do torneio. Soma-se a isso a excelente campanha dos comandados de Thomas Tuchel no estádio Signal Iduna Park, aonde o time fechou pela segunda vez consecutiva uma temporada invicto pela Bundesliga.

Diante de todas estes números fica bastante nítido que não haviam motivos para que a diretoria aurinegra demitisse o treinador por conta de seu desempenho, isto posto, podemos afirmar que o real motivo do desligamento do técnico, foi a sua conturbada relação com o departamento de futebol do Borussia Dortmund, um vínculo cheio de desentendimentos e repleto de discórdias, basta lembrarmos dos atritos entre Thomas Tuchel e os dirigentes em janeiro de 2016, período em que o Borussia Dortmund abriu mão da negociação com o meia Oliver Torres, então no Atlético Madrid. Posteriormente vieram as discussões por causa das saídas de Mats Hummels, Ilkay Gundogan e Henrikh Mkhitaryan, peças fundamentais no esquema do time. Cabe agora ao Borussia Dortmund escolher de forma minuciosa quem será o novo comandante da equipe, para que na próxima temporada, o conjunto aurinegro possa soltar novamente o grito de campeão ao lado de sua fiel e fanática torcida.