Pela segunda vez consecutiva, a Europa é do Real Madrid, e pela 12ª vez a taça da Champions League vai para os madridistas, que permanecem como o maior vencedor do torneio ao longo da história. Enquanto isso, a Juventus voltará para a Itália com o seu sétimo vice-campeonato na competição, sendo o maior vice até hoje. Dois sentimentos, duas emoções totalmente distintas, que podem refletir a enorme diferença existente entre as equipes dentro das quatro linhas.
Quando Juventus e Real Madrid entraram no gramado do Millennium Stadium para decidirem a 61ª final da Champions League, muitos imaginavam um duelo extremamente equilibrado, com o conjunto italiano tendo como ponto forte seu eficiente sistema defensivo, ao contrário dos espanhóis que com o seu poderoso ataque, sonhava levar o bicampeonato do torneio. Dois estilos completamente diferentes, duas escolas distintas, porém o desejo era o mesmo, ou seja, erguer a taça da Champions League.

Assim que o árbitro Felix Brych deu o apito inicial, tudo conspirava a favor da Juventus, afinal, a Vecchia Signora (apelido da Juventus) começou o jogo partindo pra cima, tanto que em seis minutos o time de Massimiliano Allegri já havia chegado duas vezes no gol de Keylor Navas, uma com Gonzalo Higuaín e outra com o volante Miralem Pjanic, exigindo duas boas defesas do arqueiro costa-riquenho. Mas a partir deste momento a Juve literalmente parou, e viu os Blancos (apelido do Real Madrid) tomarem as ações da partida, algo normal para os pupilos de Zinedine Zidane, que costumam encaixar seu jogo depois dos primeiros dez minutos dos jogos. Já no controle do duelo, o Real Madrid abriu o placar aos 20 minutos, após uma boa troca de passes entre Daniel Carvajal e Cristiano Ronaldo, que acertou um belo chute no canto direito de Gianluigi Buffon. Por incrível que pareça, foi justamente depois de sofrer o gol que a Juventus acordou, e foi em busca do empate que não demorou para acontecer, foram exatos sete minutos para que Mario Mandzukic empatasse o embate através de uma verdadeira pintura. Aliás, eu não poderia deixar de exaltar a ótima performance do croata, que fez uma excelente temporada atuando aberto pelo lado esquerdo do campo, provando de uma vez por todas ser um grande jogador. A partir daí, o confronto ficou novamente equilibrado até o fim dos primeiros quarenta e cinco minutos.

A segunda etapa começou equilibrada, com as duas equipes marcando bastante, fechando todos os espaços dentro de campo, por conta disso, a partida ficou amarrada e com muitas faltas. Da maneira que o jogo caminhava, apenas uma jogada individual poderia mudar a história do duelo, e aos 15 minutos o talento do brasileiro Casemiro se fez valer, quando o camisa 14 acertou um petardo no arco de Gigi Buffon que nada pôde fazer, nem mesmo lamentar, pois três minutos depois Cristiano Ronaldo se antecipou a Leonardo Bonucci, ampliando o placar após boa jogada de Lukas Modric pela direita. O terceiro gol do Real Madrid pode ser considerado o golpe de misericórdia na Juventus, que viu o treinador Massimiliano Allegri tentar uma reação imediata, tirando o zagueiro Andrea Barzagli e colocando o meia Juan Cuadrado, deixando de utilizar o 3-4-2-1 para implementar o 4-2-3-1, porém essa mudança foi em vão, já que os merengues continuaram dominando as ações do jogo, ditando o ritmo da partida, fato que enfureceu os jogadores da Juve, não à toa, o colombiano Juan Cuadrado, que acabara de entrar instantes atrás, foi expulso aos 37 minutos. Assim o domínio dos espanhóis tornou-se ainda mais amplo, e para fechar sua participação na Champions League com chave de ouro, o jovem Marco Asensio só precisou completar o cruzamento de Marcelo para fazer o quarto e último gol da decisão.

O bicampeonato coloca o Real Madrid ainda mais isolado como o maior vencedor da Champions League, já que o conjunto madridista alcançou seu 12º título, cinco à frente do Milan, que com sete conquistas aparece no segundo posto. Em seguida, as equipes do Bayern Munique, Barcelona e Liverpool dividem a terceira posição com cinco taças cada um. Completam esta vasta lista os times do Ajax (4), Manchester United (3), Internazionale (3), Benfica (2), Porto (2), Nottingham Forest (2), enquanto diversos outros clubes contam com um troféu. Além disso, os galáticos foram os primeiros a chegar ao bicampeonato do torneio depois do Milan que venceu a competição duas vezes seguidas nas temporadas 1988/89 e 1989/90. Ao que tudo indica, o português Cristiano Ronaldo deverá ganhar a bola de ouro da FIFA pela quinta vez na carreira, digo isso porque o craque português termina a Champions League como campeão e novamente artilheiro da competição com 12 gols marcados, aspectos que colocam o gajo como o principal favorito a ser eleito o melhor jogador do mundo em janeiro. Mais uma longa temporada do futebol europeu se encerrou, infelizmente para nós amantes da bola, que iremos aguardar ansiosamente pelo início da próxima, que promete ser extremamente agitada, emocionante e repleta de novidades.