Não nos restam dúvidas de que o Monaco foi a grande surpresa dessa temporada no futebol europeu, basta analisarmos a campanha dos pupilos de Leonardo Jardim. A começar pela Ligue 1 (campeonato francês), aonde o time do Principado consagrou-se campeão após longos 17 anos passando em branco. Já na Champions League, os monegascos foram eliminados na fase de semifinais, portanto, a equipe permaneceu entre as quatro melhores do Velho Continente. Para finalizar, o desempenho do Monaco nas copas nacionais também foi ótimo, afinal, ele ficou com o vice-campeonato da Copa da Liga Francesa, enquanto na Copa da França, parou nas semifinais, perdendo para o rival PSG em ambas competições. Diante desta excelente performance, você deve estar imaginando que o bilionário Dmitry Rybolovlev, dono do Monaco, investiu muito para a montagem do plantel, mais é aí que você se engana.
Vendido no ano de 2011 ao russo Dmitry Rybolovlev, o Monaco chegou a gastar cerca de 500 milhões de reais na temporada 2013/14 só em contratações de jogadores, período em que vieram ao time nomes como os de James Rodríguez (R$ 200 milhões), Falcão García (R$ 150 milhões) e João Moutinho (R$ 83,5 milhões), sendo essa a temporada que o mandatário mais investiu na equipe do Principado. Acontece que toda essa gastança acabou, por conta de um fato extremamente inusitado, me refiro a separação de Dmitry Rybolovlev e da ex-esposa Elena. Digo isso, pois a justiça ordenou que o magnata pagasse a bagatela de R$ 10,6 bilhões para a ex-mulher, valor que representava o total de aproximadamente 55% de sua fortuna. Todo esse imbróglio claramente afetou as finanças do clube monegasco, que na janela de transferência de 2014 se desfez de suas principais peças e desembolsou apenas 65 milhões de reais para reforçar a equipe, que começava a partir daquele instante, a ser comandada pelo português Leonardo Jardim.

Vivendo um momento financeiro “difícil” também na temporada 2015/16, restou a Dmitry Rybolovlev vender mais alguns medalhões que permaneceram no elenco, como foi o caso de Layvin Kurzawa, Geoffrey Kondogbia, Anthony Martial e Yannick Carrasco, para investir na contratação de jovens promessas do futebol mundial, tudo isso sob o olhar clínico de Leonardo Jardim, que deu o aval para a diretoria do Monaco trazer os novatos Bernardo Silva (empréstimo do Benfica), Jemerson, Mario Pasalic e Gabriel Boschilia, afim de equilibrar novamente a balança. Assim, o magnata russo juntamente com o treinador português reconstruíram o time do Principado, que na janela de 2016 gastou cinco vezes menos que o poderoso PSG. Apenas três jogadores do elenco campeão francês, custaram mais de dez milhões de euros, trata-se de Bernardo Silva (15 milhões de euros), Djibril Sidibé (14,5 milhões de euros) e Benjamin Mendy (12,5 milhões de euros), enquanto Danijel Subasic, Andrea Raggi e Valère Germain por exemplo, chegaram ao clube monegasco a custo zero. Outro fator que colaborou demasiadamente com o sucesso do Monaco, foi a sua ótima categoria de base, a mesma que já revelou craques como Thierry Henry e David Trezeguet, apresentou ao mundo nesse último ano, o atacante Kylian Mbappé.

Em contrapartida, todo esse sucesso tem um preço, tanto é, que o desmanche do Monaco não demorou a começar, ou seja, jogadores sairão, porém mais dinheiro irá entrar nos cofres de Dmitry Rybolovlev. O primeiro a se despedir do conjunto monegasco foi o meia Bernardo Silva, comprado pelo Manchester City por incríveis 273 milhões de reais, lembrando que o português foi adquirido junto ao Benfica por R$ 57 milhões, portanto, só nessa transação o time do Principado lucrou o total de 216 milhões de reais. Outro que está com os dias contados é o volante Fabinho, que segundo alguns tabloides ingleses, acertou sua ida ao Manchester United, que pagará ao Monaco o montante de 189 milhões de reais pelo atleta brasileiro, que após duas temporadas emprestado ao atual campeão francês, foi negociado em definitivo no ano de 2014 por singelos R$ 21 milhões. O resultado disso é um lucro de 168 milhões de reais. No entanto, Dmitry Rybolovlev espera ansiosamente a venda de sua maior jóia, Kylian Mbappé, que ao que tudo indica está de saída para o Real Madrid pela enorme cifra de R$ 420 milhões, uma venda extraordinária para um jovem criado nas categorias de base do Monaco. Além deles, acredito que a equipe do Principado encontrará sérias dificuldades para segurar os jogadores Djibril Sidibé, Benjamin Mendy, Tiemoué Bakayoko e Thomas Lemar.

Ao mesmo tempo que jogadores saem, logicamente outros chegam, e a política de Dmitry Rybolovlev continua a mesma, contratar jovens atletas vislumbrando bons negócios no futuro. Não à toa, a primeira aquisição do Monaco foi o belga Youri Tielemans, nada mais nada menos que a maior promessa do futebol europeu. O meio-campista de apenas 20 anos de idade fez uma temporada brilhante à frente do Anderlecht, clube pelo qual realizou 37 exibições pela liga belga, marcando 13 gols e dando 12 assistências. O segundo reforço já confirmado pelo time do Principado é o espanhol Jordi Mboula, de 18 anos, que veio do Barcelona B e assinou um vínculo contratual de cinco primaveras, enquanto o volante Soualiho Meité (23 anos), ex-Zulte Waregem (Bélgica), foi a terceira e última contratação até aqui. Além deles, os torcedores monegascos comemoraram bastante a renovação de contrato do colombiano Falcão García que reencontrou o seu bom futebol depois de viver graves problemas por conta de lesões. O novo contrato dele se estendeu até 2020. A esperança também é de que um nome de impacto seja anunciado pelo Monaco nessa janela, e no início da semana, a mídia francesa informou que Leonardo Jardim solicitou a contratação de um atacante para atuar ao lado de Falcão García. Os atletas sugeridos pelo treinador foram Carlos Bacca (Milan), Dick Origi (Liverpool) e de Michy Batshuayi (Chelsea). A única notícia que realmente não é uma especulação, é a de que o Monaco continuará lucrando milhões em mais uma janela de transferências.