Na semana passada, Racing e Corinthians disputaram na Arena Corinthians, os primeiros noventa minutos de uma verdadeira decisão, válida pelas oitavas de finais da Copa Sul-Americana. Por fim, o empate de 1 a 1 acabou sendo extremamente comemorado pelo time argentino, que agora pode até se dar ao luxo de empatar sem gols no estádio El Cilindro, que com certeza irá se transformar em um fervoroso caldeirão, tudo devido a enorme obsessão da Academia para vencer um torneio internacional, algo que não acontece desde 1967, época em que o clube de Avellaneda consagrou-se campeão tanto da Copa Libertadores como da Copa Intercontinental (o atual Campeonato Mundial de Clubes).
Após o empate da última quarta-feira em Itaquera, muitas pessoas se surpreenderam com o Racing que mesmo não tendo feito uma boa apresentação, conseguiu voltar para Avellaneda com um bom resultado na bagagem. Para quem não sabe, a Academia terminou a edição anterior do Campeonato Argentino na 4ª posição da tabela, e devido a esse excelente desempenho, a equipe comandada pelo treinador Diego Cocca sofreu com a saída de diversos jogadores na janela de transferências de meio de ano. Para ser mais específico foram exatas 21 perdas, o equivalente a quase dois times inteiros, portanto o trabalho de reconstrução pelo qual atravessa o Racing começou no início desta temporada.

Dentre tantas saídas, as principais perdas de Diego Cocca foram as do meia Marcos Acuña, vendido ao Sporting Lisboa pela bagatela de 9,6 milhões de euros, e a do atacante Gustavo Bou, que foi emprestado ao Tihuana (México) por 3 milhões de euros. Vale ressaltar que Gustavo Bou era até então um dos grandes símbolos da Academia na atualidade juntamente com o seu parceiro de ataque Lisandro López. Para se ter ideia, Bou balançou as redes adversárias 43 vezes em 90 partidas defendendo as cores da equipe celeste. Não à toa, seu nome foi sondado por diversos clubes sul-americanos e até mesmo europeus, dentre eles o Boca Juniors, o Corinthians, o West Ham e a Lazio. Apesar de sofrer uma pressão da torcida por conta da grande quantidade de jogadores vendidos, o Racing conseguiu embolsar o montante de 16,14 milhões de euros na última janela de transferências, dinheirama essa, que foi fundamental para a diretoria remontar toda a equipe, além de logicamente colocar as contas em dia, já que a Academia passava por alguns problemas financeiros, assim como acontece com a maioria dos clubes argentinos.

Trabalhando conjuntamente, o treinador Diego Cocca e a diretoria do Racing foram ao mercado e de lá trouxeram 13 novas peças ao elenco. O reforço mais badalado da equipe foi a do colombiano Andrés Ibarguen, destaque do Atlético Nacional na conquista da Copa Libertadores 2016, que foi contratado por 3,5 milhões de euros. Além de Ibarguen, vieram também o volante Arévalo Rios, figura conhecidíssima da seleção uruguaia, e que veio do Veracruz (México) a custo zero, o lateral-esquerdo Lucas Orban, ex-Genoa, que chegou por 2,5 milhões de euros, e o meia-direita Augusto Solari do River Plate, que custou 2 milhões de euros ao time de Avellaneda. No geral foram gastas as cifras de 13,74 milhões na janela de transferências. Como a AFA (Associação de Futebol da Argentina) adequou o calendário do futebol argentino com o do futebol europeu desde o ano passado, a temporada regular de nossos hermanos teve início no mês de agosto, por isso podemos afirmar que Diego Cocca está apenas iniciando sua nova jornada, com um elenco repleto de bons nomes porém que ainda necessitam de um pouco mais de entrosamento para render o que deles todos esperam.

O início de temporada do Racing é razoável até aqui, pois como citei anteriormente, são muitos jogadores novos no time. O esquema que tem sido utilizado por Diego Cocca recentemente, é o 5-3-2, ou seja, uma formação bem conservadora, com diversos jogadores preenchendo o setor defensivo da equipe. Em três rodadas disputadas até o momento pelo Campeonato Argentino, o Racing ocupa somente a 12ª posição com 4 pontos ganhos, obtendo 1 vitória (Temperley), 1 empate (San Lorenzo) e 1 derrota (Banfield) na competição. Na rodada passada, realizada no último domingo, a Academia visitou o Banfield, e saiu do estádio Florencio Solá derrotado pelo placar mínimo. O resultado negativo enfureceu o treinador Diego Cocca, que chegou a dizer na entrevista coletiva pós jogo, que as portas do clube estão abertas para os jogadores que não demonstrarem atitude dentro de campo. Até devido ao baixo aproveitamento (44,4%) no campeonato nacional, o Racing tem como principal meta vencer a Copa Sul-Americana, competição na qual o conjunto celeste já está nas oitavas de finais. Uma prova disso, é que os comandados de Diego Cocca enfrentaram o Banfield com uma equipe totalmente mista, poupando seus principais atletas para o “jogo do ano” diante do Corinthians. Isto posto, o Racing utilizará força máxima contra os paulistas na noite desta quarta-feira, que dependendo do placar final, poderá transformar-se em uma enorme festa ou então em uma grande tragédia no El Cilindro.