Não me restam dúvidas de que a edição 2017 do Campeonato Brasileiro é a mais fraca da história do torneio, e por esta razão, o Brasileirão poderia ser facilmente chamado de “Brasileirinho”, devido a baixa qualidade técnica das equipes na competição. Acredito que apenas dois fatores devem ser exaltados neste campeonato: o primeiro deles é a ótima performance do Corinthians no primeiro turno do torneio, que definitivamente fez uma campanha surreal, merecedora de aplausos; em segundo, jamais poderíamos deixar de destacar o apoio da torcida do São Paulo, que a cada rodada vem lotando as arquibancadas do estádio do Morumbi, demonstrando todo o seu afeto pelo clube, ajudando assim o Tricolor a sair da incômoda zona do rebaixamento. De resto, o que vemos no Campeonato Brasileiro são jogos extremamente chatos, com times limitadíssimos, tecnicamente horrorosos, além de arbitragens pífias, de um nível jamais visto anteriormente, dignas de um torneio de várzea.
Dias antes do início do Brasileirão 2017, estávamos ansiosos para ver em campo os times do Flamengo e do Palmeiras, considerados os grandes concorrentes ao título do campeonato. Todo este favoritismo tem uma explicação, o alto investimento feito por ambos os clubes para a disputa da competição. Por este exato motivo, eu apontaria tanto o Flamengo como o Palmeiras como os dois maiores fiascos do campeonato este ano. Outro que também poderia ser incluído nesta lista, é o Atlético Mineiro, que mesmo com a badalada dupla de ataque Fred e Robinho, ocupa somente a 9ª posição na tabela, um reflexo da péssima gestão do presidente Daniel Nepomuceno, que só nesta temporada já mandou para a rua os treinadores Roger Machado e Rogério Micale. Agora, sabe-se lá até quando o presidente do Galo apostará as suas fichas em Oswaldo de Oliveira.

O primeiro turno do Corinthians foi tão magistral, que o time agora se dá ao luxo de colecionar vários tropeços no segundo turno, e ainda assim consegue manter a larga distância de 8 pontos em relação ao segundo colocado, Santos. O fato das equipes do Grêmio e do Santos priorizarem totalmente a Copa Libertadores da América, beneficiaram o Timão, que não tem nada haver com isso, e aproveitou este detalhe para acumular uma boa gordura lá na frente. Vale lembrar que o Imortal teve a oportunidade de colar no líder do campeonato na 10ª rodada, porém foi derrotado em plena Arena Grêmio por 1 a 0, ao contrário do Peixe que aproveitou a sua chance, vencendo os comandados de Fábio Carille na Vila Belmiro por 2 a 0. Restando 12 rodadas para o término da competição, já é possível afirmar de antemão que apenas um desastre tirará o título do Corinthians, digo isso porque mesmo registrando a 16ª melhor campanha do segundo turno do Brasileirão, o alvinegro de Itaquera segue isolado na liderança, enquanto os demais concorrentes não esbanjam nenhum tipo de reação.

Mas é na parte de baixo da tabela que está a grande emoção do Brasileirão 2017, tudo porque do oitavo colocado adiante, todos estão na briga contra o temível descenso. São 13 equipes lutando para fugir da zona da degola, tanto é que somente quatro pontos separam o Atlético Paranaense, 8º colocado com 34 pontos, do Sport Recife (17º colocado com 30 pontos), primeiro time dentro do Z-4. Essa é mais uma amostra do menosprezável nível do Campeonato Brasileiro. Dos 20 clubes que participam da competição, apenas sete deles obtêm um aproveitamento igual ou superior a 50% dos pontos. Outro dado marcante do torneio, é que só os três primeiros colocados contabilizam um saldo de gols acima de 10. Todas estas informações deixam bem claro que as 12 rodadas finais serão uma verdadeira guerra, com diversas equipes incompetentes batalhando para permanecer na divisão de elite do futebol nacional. Contudo, se fosse por merecimento, deveríamos ter no mínimo dez agremiações com o rebaixamento decretado, e nenhum campeão.

A maior culpada pela crescente queda do Campeonato Brasileiro é a CBF, que como sabemos, não adéqua o calendário brasileiro com o do futebol europeu, fazendo com que os clubes percam peças importantes no meio da competição, enfraquecendo-os de maneira incrível. Além disso, os horários dos jogos, a desorganização, a política e principalmente a grotesca arbitragem brasileira, colaboram para que o Brasileirão seja atualmente um dos piores campeonatos do planeta. Não podemos deixar de citar os treinadores brasileiros, que ganham milhões para montar equipes deploráveis taticamente, que se limitam o tempo todo a se defender, e bem mal diga-se de passagem, enquanto no ataque somente alçam bolas na área adversária, sempre com as ligações diretas como filosofia de jogo. Times assustadoramente mal treinados, com jogadores incapazes de criar jogadas diferenciadas, arrematar bons chutes em direção ao gol, e que quando se doam durante os 90 minutos de uma partida, já acham que fizeram o suficiente. No Brasileirão 2016, ficou evidente a falta de qualidade do campeão Palmeiras, que vivia de bolas aéreas, inclusive provenientes da cobrança de laterais. Não é à toa que nossos times estão passando vergonha há anos na Copa Libertadores, perdendo de equipes equatorianas, colombianas, bolivianas, etc. É por essas e outras, que as pessoas estão cada vez mais aderindo a ideia de assistir as ligas europeias, ao invés de perder tempo com o lamentável torneio da CBF.