Há algo de cruel no futebol quando os sonhos não terminam lentamente, mas sim abruptamente, como se uma força invisível decidisse, de uma hora para outra, cobrar o preço da ousadia. O Nottingham Forest viveu, na última temporada, um daqueles capítulos raros em que o impossível parecia não apenas plausível, mas inevitável. O clube, carregado por uma identidade reconstruída e uma confiança recém-descoberta, terminou a Premier League na sétima posição. O prêmio foi a Europa. O prêmio foi o retorno ao palco continental. O prêmio foi a sensação de pertencimento entre os grandes. O City Ground voltou a respirar noites europeias. A carruagem estava pronta. O conto de fadas havia começado. Mas como em toda história que desafia a lógica, existe sempre o momento da meia-noite. Existe sempre o instante em que a magia se desfaz. E no caso do Nottingham Forest, esse instante não foi causado por limitações técnicas…
A carruagem mágica do Nottingham Forest virou abóbora nesta temporada
O sonho vivido pelos torcedores do Nottingham Forest na temporada passada se converteu num verdadeiro pesadelo na atual, como se fosse a carruagem mágica do famoso conto de fadas da ‘Cinderela’ se transformando numa abóbora à meia-noite. Por sinal, uma enorme mudança que teve início com a saída do treinador Nuno Espírito Santo, que entrou em rota de colisão com o novo gestor global dos clubes administrados por Evangelos Marinakis, Edu, em função de divergências entre ambos no que diz respeito aos reforços contratados na última janela de transferências, lembrando que o Nottingham Forest investiu o montante de 236,9 milhões de euros neste meio de ano, sendo o sexto time da Premier League que mais gastou nesta temporada. Consequentemente, a chegada de Edu ao City Ground ficou marcada pela queda do treinador que não apenas salvou a equipe que ocupava a 17ª colocação da Premier League do rebaixamento na temporada…
Fogo na Floresta
Quando Nuno Espírito Santo desembarcou em solo inglês para assumir o comando do Nottingham Forest em dezembro de 2023, o objetivo era apenas um: salvar do rebaixamento a equipe que ocupava o 17º lugar da Premier League, somando uma mísera vitória em 13 compromissos. Pois é, e apesar da desconfiança em virtude da passagem curta e aquém das expectativas pelo Tottenham, Nuno Espírito Santo não apenas livrou o Nottingham Forest da degola, como ainda o conduziu à Conference League no ano seguinte, em razão da sétima posição na tabela da Premier League, realizando nada menos que a melhor campanha do clube desde a terceira colocação na temporada 1994-95. A propósito, é importante destacar que o Nottingham Forest passou a maior parte da edição anterior da Premier League situado no G-4, mas acabou perdendo fôlego na reta final da competição. Entretanto, como “prêmio de consolação”, os Tricky Trees foram presenteados com…