Não poderia ser diferente, uma partida pra lá de emocionante, um verdadeiro teste para cardíacos, assim posso definir a decisão de hoje entre Barcelona e Sevilla, no estádio Vicente Calderón, em Madrid, pela Copa do Rey (copa da Espanha), onde no final, com muita garra, raça, disposição e força de vontade o Barça levantou pela 28ª vez em sua história a taça da competição, e de cara, garantiu a conquista do doblete na temporada (campeonato espanhol + copa da Espanha).
A final começava com o poderoso Barcelona do trio MSN (Messi, Neymar e Suárez) como grande favorito, e lutando pelo bicampeonato da Copa do Rey, haja visto que na temporada passada, a equipe catalã foi campeã ao vencer o Athletic Bilbao por 3 a 1. Já o Sevilla, entrava em campo motivadíssimo, devido a conquista do tricampeonato da Europa League na quarta-feira, diante do Liverpool na Suíça.
A partida começou bastante amarrada, com o Barcelona buscando mais o jogo, e o Sevilla dando ênfase a forte marcação, pressionando principalmente a saída de bola do Barça para forçá-los ao erro. Nos primeiros 15 minutos de jogo, já era possível ver a equipe catalã com uma grande vantagem na posse de bola, mas oferecendo pouquíssimo perigo ao goleiro Sergio Rico, já que o Sevilla neutralizava muito bem todas ações ofensivas do adversário. Durante toda a primeira etapa era comum ver o brasileiro Neymar vir buscar jogo no setor de defesa, já que a bola pouco chegava ao ataque. Mas o ponto crucial do primeiro tempo foi quando o atacante Kevin Gameiro do Sevilla, recebeu a bola livre na frente, mano-a-mano com o último homem da defesa do Barcelona, o zagueiro Javier Mascherano, que o derrubou, evitando assim o gol do francês. Em seguida, de forma correta o árbitro expulsou o zagueiro Mascherano, deixando o Barça com dez jogadores em campo.
No segundo tempo, a postura do Sevilla mudou totalmente, com um jogador a mais no gramado, o time de Andaluzia foi quem comandou as ações do jogo, pior para o goleiro Ter Stegen, que sofreu com o forte ataque adversário, sempre articulado pelo meia Ever Banega. Para piorar ainda mais a situação do Barça, o atacante uruguaio Luis Suárez sofreu uma contratura muscular, e saiu chorando de campo. Mesmo com um jogador a menos na segunda etapa inteira e sem Luis Suárez, o Barcelona explorava os contra-ataques e se segurava como podia, até que no final do jogo, quando o relógio já apontava os acréscimos, o argentino Ever Banega levou o cartão vermelho, após falta em Neymar. Era tudo que o Barcelona precisava, a igualdade numérica novamente, e mais 30 minutos de prorrogação para decidir o jogo. Já o Sevilla, além de lamentar a expulsão de um de seus principais jogadores na partida, lastimava-se do fato de não ter aproveitado a chance de matar o jogo com um jogador a mais no segundo tempo inteiro.
Na prorrogação, o Sevilla que havia decidido a final da Europa League, contra o Liverpool na quarta-feira, sentiu o cansaço, e viu o Barcelona sobrando fisicamente. Mesmo as duas defesas incríveis de Sérgio Rico, não foram suficientes para segurar o 0 a 0, e ainda na primeira etapa da prorrogação, Messi fez um passe de gênio para o lateral-esquerdo Jordi Alba que passou como uma flecha por Vitolo, para abrir o placar para os catalães.
Mortos fisicamente, o Sevilla mostrou toda sua garra, tentou tirar forças de onde não tinha para buscar o empate, e indo ao ataque, deixou espaços na defesa, foi aí que novamente Messi achou Neymar livre dentro da área, tocou para o brasileiro que só tirou de Sergio Rico para fazer 2 a 0, matar o jogo, matar o Sevilla e garantir o bicampeonato da Copa do Rey para o valente Barcelona.
Quando falamos de Barcelona, sempre citamos a técnica refinada, a força tática, o talento individual de cada jogador, e dificilmente destacamos o fator empenho. Hoje ficou provado, que além da técnica, da tática, do talento, do jogo bonito, o Barcelona também é raça, é determinação, é luta, e uma equipe que reúne tantas qualidades assim, só pode mesmo ser campeã.