Foi-se a época em que as pessoas paravam na frente da telinha para assistir aos jogos do Brasil. Tempos áureos, quando a seleção ainda tinha um vínculo com a população brasileira, que cada jogador conseguia representar o povo e honrar a camisa, deixando a alma dentro de campo. Atualmente, o que vimos é um grupo de jogadores “estrangeiros”, comandados por técnicos quase sempre contestados que são dirigidos por uma confederação milionária, sem credibilidade alguma e que não colabora em nada com os clubes.
No período das décadas de 50,60,70, até o final da década de 80, assistir a um jogo do Brasil era motivo de alegria, as pessoas contavam a hora para ver a partida da seleção brasileira. Hoje, quando ligamos a televisão, assistimos um Galvão Bueno alucinado, tentando chamar audiência, fazendo o possível e o impossível para que os telespectadores não mudem de canal, ou até prefiram dormir. Eu não culpo os jogadores por isso, acho que nos tempos atuais, as coisas mudaram, o mundo se transformou, a velocidade da informação, a internet, a globalização, juntamente com a crise política e econômica que atravessa nosso País são os grandes responsáveis pelo desinteresse na seleção brasileira. Isso porque, antigamente as pessoas ligavam a televisão, ou iam ao estádio para assistir a seleção brasileira do Pelé do Santos, do Zico do Flamengo, do Rivelino do Corinthians, do Falcão do Internacional, uma época em que os jogadores realmente jogavam no Brasil, desfilavam pelos gramados do País, e conheciam os reais problemas pelos quais a nação passava. Hoje, quando vamos acompanhar um jogo do Brasil, alguns até se emocionam no momento do hino nacional, porém assim que o árbitro dá o pontapé inicial, já perdemos o interesse e muitas vezes optamos por assistir um filme, um reality show, dormir, brincar com o cachorro, mas ver o jogo, nem pensar. Claro que o fato de a seleção não jogar nada, colabora, mas soma-se a isso a falta de identidade dos jogadores para com o povo. Jogadores praticamente europeus, que não vivem no País há anos, mal sabem dos problemas sociais que aqui passamos, que apenas pegam o jatinho fretado dos clubes em que jogam, pousam no local onde o Brasil vai jogar, e poucas horas após a partida já estão novamente no aeroporto regressando aos seus respectivos clubes na Europa. Por isso condicionei o problema também para a velocidade da informação, pois hoje, se um atleta faz dois gols no campeonato brasileiro, logo recebe uma proposta muitas vezes não tão vantajosa financeiramente do exterior, mas sabendo que terá segurança, tranquilidade, conforto e que irá viver em um país de Primeiro Mundo, ele não pensa duas vezes, assina o contrato e vai. São os casos de jogadores contratados por DVD, quando olheiros analisam somente as jogadas bonitas, os gols, os dribles, os desarmes, e fecham contrato rapidamente com o representante do jogador, algo que antigamente não acontecia, fazendo com que os jogadores passassem a carreira toda atuando no Brasil.
Além desse aspecto, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) não colabora em nada para promover a seleção, e não passa credibilidade nenhuma a população, basta citar o presidente (Marco Polo Del Nero) que não pode nem sair do Brasil, pois se sair, pode ser preso devido a acusações da justiça norte-americana num caso que envolve esquemas de corrupções de dirigentes de futebol. Ademais, acompanhamos diariamente o trabalho da CBF, que não da suporte algum aos clubes brasileiros, só visa seu próprio enriquecimento, haja visto o número de patrocinadores que tem a Confederação Brasileira de Futebol atualmente, contabilizando 11 no total.
Parece que o projeto agora é de deixar o torcedor com raiva da seleção, pois com o início da Copa América Centenário, a CBF ao invés de paralisar o campeonato brasileiro de futebol, assim como a Conmebol fez com a Taça Libertadores, deixou o campeonato prosseguir, prejudicando diversas equipes nacionais com desfalque de seus principais jogadores. O Santos é um exemplo, ficará sem o atacante Gabriel e o meia Lucas Lima por quase um turno inteiro do campeonato. O mesmo acontece com São Paulo (sem Ganso, Rodrigo Caio e Mena), com o Corinthians (sem Elias), com o Grêmio (sem Bolaños, Marcelo Grohe e Wallace), com o Flamengo (sem Guerreiro), entre outros, gerando com isso a ira do torcedor para com a seleção.
A adequação do calendário brasileiro com o calendário europeu, já passou da hora de acontecer, a Argentina por exemplo, seguirá o modelo do calendário europeu a partir de Agosto, evitando assim prejudicar os clubes nas competições nacionais. Depois do vexatório 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil, na Copa do Mundo, muitas pessoas acreditavam que uma mudança positiva aconteceria, mas na verdade nada mudou, a esculhambação continua a mesma. À continuar assim, a seleção brasileira que só tem adeptos durante a disputa da Copa do Mundo, tenderá a afastar cada vez mais os seus admiradores, gerando desinteresse e fazendo com que a paixão dos torcedores pelos seus clubes não pare de aumentar.
Brazil's defender David Luiz (R) is consoled by Brazil's defender and captain Thiago Silva after losing the semi-final football match between Brazil and Germany at The Mineirao Stadium in Belo Horizonte on July 8, 2014, during the 2014 FIFA World Cup. AFP PHOTO / GABRIEL BOUYS