Quando clubes de futebol contratam um novo treinador para dirigir o time, as esperanças de diretores, torcedores e até mesmo dos jogadores se renovam, afinal, os técnicos são responsáveis diretos pelo êxito de uma equipe. O Valencia é uma prova disso, pois nas últimas duas temporadas (2015/16 e 2016/17), os Ches terminaram sua participação na La Liga somente no 12º posto da tabela, período em que os morcegos foram comandados por Gary Neville, Paco Ayestarán, Cesare Prandelli e Salvador “Voro” González, e passaram por momentos de extrema turbulência, que poderiam facilmente ser apagados de sua gloriosa história.
Sonhando em ver o Valencia novamente brigando com os principais concorrentes ao título do campeonato, e consequentemente lutando por uma das vagas da Champions League, a diretoria decidiu trazer ao time o experiente treinador Marcelino García Toral, já que o técnico de 52 anos é bem familiarizado com o conjunto valenciano. Após ótimas passagens por Sevilla e Villarreal, Marcelino aceitou esse novo desafio em sua carreira, e assinou um vínculo de duas primaveras com os Ches. Surpreendentemente, começava a partir deste instante, o regresso do Valencia ao caminho do sucesso.

Depois de estudar minuciosamente cada peça de seu plantel, a primeira atitude de Marcelino García Toral no Valencia, foi utilizar cada segundo da pré-temporada para realizar testes e ver quais eram as principais carências da equipe. No entanto, o treinador chegou logo mostrando que não estava para brincadeira, tanto é, que dispensou mais de quinze atletas do elenco, entre eles estavam nomes como Nani, Enzo Pérez, João Cancelo, e o goleiro Diego Alves, grande ídolo da torcida. Após fazer uma bela limpeza no grupo de jogadores, Marcelino García Toral começou a reconstrução do time de acordo com o esquema que tinha em mente, o tradicional 4-4-2, pouco usado no futebol atual, pois muitos acreditam que seja uma formação ultrapassada. Dando ênfase total ao setor defensivo da equipe, o técnico asturiano trouxe ao Valencia os zagueiros Gabriel Paulista (Arsenal) e Jeison Murillo (Internazionale), além do goleiro brasileiro Neto, ex-Juventus. Para o meio-campo, desembarcaram no Mestalla o volante Geoffrey Kondogbia (Internazionale) e o jovem sérvio Nemanja Maksimovic. Por último, para o setor ofensivo, chegou o atacante Gonçalo Guedes (PSG). Com isso, foram gastos apenas 39 milhões de euros (somando a compra de Simone Zaza e Fabián Orellana, que já haviam sido feitas pela diretoria do Valencia) para a montagem do novo Valencia.

Mesmo sem contar com nenhuma grande estrela no elenco, o Valencia tornou-se a grande sensação da temporada, não à toa, os Ches ocupam a 2ª posição na tabela da La Liga com 21 pontos ganhos, atrás somente do líder Barcelona (25 pontos), e detalhe, permanecendo invictos na competição ao lado apenas do Barcelona e do Atlético Madrid. Contabilizando 6 vitórias e 3 empates em nove partidas disputadas pelo Campeonato Espanhol, os valencianos obtém 77,8% de aproveitamento. Com essa campanha fantástica, os comandados de Marcelino García Toral conseguiram alcançar o melhor início da história do clube ao longo de seus 98 anos, superando inclusive o arrasador começo da temporada 1947/48. Vale ressaltar ainda que o Valencia já enfrentou fortes concorrentes como o Real Madrid (2 x 2), Atlético Madrid (0 x 0), Athletic Bilbao (3 x 2) e na rodada anterior atropelou o Sevilla, goleando o time da Andaluzia no estádio Mestalla por 4 a 0, lembrando que essa foi a terceira goleada dos Ches no campeonato, pois anteriormente os morcegos haviam goleado o Betis (6 x 3) e o Málaga (5 x 0). Por essas e outras, o Valencia é dono do segundo melhor ataque da La Liga com 25 gols marcados, registrando um tento a menos que o Barcelona, líder neste quesito com 26 gols.

Em pouco mais de quatro meses no comando do Valencia, fica nítido que Marcelino García Toral resgatou o prestígio deste clube quase centenário. Como se fosse um imperador, que assumiu um império repleto de glórias porém totalmente em ruínas, Marcelino trouxe novamente ao conjunto valenciano o espírito competitivo, composto por jogadores que lutam incessantemente durante os noventa minutos de uma partida. Coletivamente, o time se entende bem tanto dentro quanto fora das quatro linhas. Já individualmente, os atletas se sentem mais confiantes até por isso atravessam uma ótima fase. O goleiro Neto, tornou-se unânime no gol dos Ches. O zagueiro Gabriel Paulista voltou a brilhar, assim como Jeison Murillo, antes esquecido na Internazionale. Outro bom exemplo é o argentino Ezequiel Garay, que fez a torcida literalmente se esquecer de Nicolás Otamendi. Já no meio-campo, com toda a sua imponência e força física, se destaca Geoffrey Kondogbia. Os jovens Carlos Soler e José Gayà, ambos formados nas categorias de base dos morcegos, são considerados as duas maiores revelações do futebol espanhol na atualidade. Mais à frente, a referência do time, o capitão e camisa 10, Dani Parejo, homem de confiança do técnico asturiano. Jamais poderíamos deixar de mencionar o português Gonçalo Guedes, rápido e habilidoso, e que em tão pouco tempo foi capaz de transformar-se em um novo ídolo no Mestalla. No ataque, a dupla Rodrigo Moreno e Simone Zaza, que juntos balançaram as redes em 13 ocasiões na La Liga, dispensam comentários. Assim, como um império repleto de guerreiros gladiadores, Marcelino García Toral vem fazendo o seu “reino” cada dia mais poderoso.