Azzurra amarelada

O dia 13 de novembro de 2017 ficará marcado para sempre na memória dos italianos, afinal, foi nesta fatídica data que a Squadra Azzurra protagonizou o maior vexames de sua gloriosa história. Me refiro a triste derrota da Itália para a Suécia na repescagem das Eliminatórias da Copa 2018, que consequentemente tirou o conjunto de Giampiero Ventura do Mundial da Rússia, um fenômeno que não acontecia desde 1958, há exatos 59 anos. Este trágico episódio, levou toda a nação italiana aos prantos, e muitos são os fatores que colaboraram para a eliminação da Itália, que ao lado da Holanda, assistirá o torneio somente pela televisão.
O caminho da Itália rumo à Copa da Rússia 2018 já se apresentava bastante tortuoso antes mesmo do início das Eliminatórias, digo isso porque a Azzurra foi sorteada no mesmo grupo da Espanha, portanto, duas tradicionais seleções do Velho Continente disputariam apenas uma vaga direta ao Mundial, ou seja, através desta informação, fica evidente que os contratempos da Itália começaram cedo. Situada no grupo C das Eliminatórias europeias, os comandados de Giampiero Ventura encerraram sua participação na vice-posição da tabela com 23 pontos, justamente atrás da líder Espanha (28 pontos), colecionando 7 vitórias, 2 empates e 1 derrota em dez partidas realizadas, obtendo assim, 76,7% de aproveitamento no torneio.
Vale recordar que os espanhóis fizeram muito bem a lição de casa, pois mantiveram-se invictos nas Eliminatórias (9 vitórias e 1 empate), diferentemente dos italianos que desperdiçaram pontos nos confrontos frente a Espanha, sua concorrente direta, registrando um empate em casa (1 x 1) e uma decepcionante derrota fora de seus domínios (3 x 0). Além disso, os tetracampeões do mundo empataram contra a modesta Macedônia na penúltima rodada (1 x 1), resultados estes, que sacramentaram a ida da Itália à repescagem do torneio.

O choro de Gianluigi Buffon revela o quanto a Copa do Mundo era importante ao lendário goleiro, que aos 39 anos, disputaria seu último Mundial na carreira.
O choro de Gianluigi Buffon revela o quanto a Copa do Mundo era importante ao lendário goleiro italiano, que aos 40 anos, disputaria seu último Mundial na carreira.

Na repescagem a Itália teve pela frente uma verdadeira pedreira, a surpreendente Suécia, que na fase de grupos, deixou para trás nada mais nada menos do que a poderosa Holanda, e além disso, conseguiu derrotar a França por 2 a 1 em Estocolmo, portanto, os nórdicos tinham totais chances de eliminar os italianos. No jogo de ida, disputado na sexta-feira passada, na Friends Arena (Estocolmo), os anfitriões levaram a melhor, tudo porque aos 16 minutos da segunda etapa, o volante Jakob Johansson, que havia acabado de entrar, acertou um belo arremate na baliza de Gianluigi Buffon, garantindo a vitória da Suécia por 1 a 0.
No jogo de volta, realizado nesta segunda-feira em Milão, a Itália atuou sobre uma enorme pressão, vinda tanto das arquibancadas do estádio San Siro quanto de um país inteiro, sedento para ver os tetracampeões novamente em uma Copa do Mundo. No entanto, a retranca armada pelo técnico sueco Jan Andersson funcionou de maneira extremamente eficaz, pois o ferrolho amarelo segurou o ímpeto italiano durante os 90 minutos do duelo. No final da partida, o placar sem gols classificou a zebra Suécia, e por consequência, acabou com os sonhos da Azzurra, que igualou o feito das Eliminatórias de 1958, ao ficar de fora de um Mundial.

Assim como o povo, a imprensa italiana parece não acreditar na desclassificação da Azzurra.
As capas de jornais nos mostram que assim como o povo, a imprensa italiana parece não acreditar na desclassificação da Azzurra.

Na minha opinião um dos principais fatores que colaboraram para a desclassificação da Itália na repescagem das Eliminatórias da Copa 2018, foi o processo de renovação pela qual atravessa a Squadra Azzurra. Sabemos que mudanças são realmente complicadas, quando alguma entidade, organização, companhia, equipe de futebol, ou até mesmo uma simples pessoa passa por um regime de reestruturação, estas necessitam de demanda e tempo, e sem planejamento, isso definitivamente não funcionará. Não é nenhuma novidade que a seleção da Itália está envelhecida, e astros como Gianluigi Buffon, Gioirgio Chiellini, Andrea Barzagli, Daniele De Rossi já não rendem mais como antigamente, por este motivo estão sendo convocados novatos como Manolo Gabbiadini, Gianluigi Donnarumma e Federico Bernardeschi, porém tudo isso vem ocorrendo em plena disputa das Eliminatórias. Acredito, que está seja a pior fase de transição de gerações italianas desde a década de 50, tanto é, que hoje a Azzurra ainda depende totalmente de seus velhos medalhões, e não consegue arquitetar um ataque eventualmente perigoso, além de não encontrar meio-campistas que possam criar jogadas com o mínimo de eficiência, como na época de Francesco Totti por exemplo.

O treinador Giampiero Ventura jamais esteve a altura da seleção italiana.
O treinador Giampiero Ventura jamais esteve à altura da seleção italiana.

Outro erro crucial da FIGC (Federação Italiana de Futebol) foi ter contratado Giampiero Ventura para comandar a Squadra Azzurra. Um país repleto de ótimos treinadores como Carlo Ancelotti, Maurizio Sarri, Roberto Mancini, Antonio Conte, Massimiliano Allegri, Luciano Spalletti, Gian Piero Gasperini, jamais poderia ter Giampiero Ventura como técnico. O “dinossauro” de 70 anos de idade, recebeu o emprego por conta de bons relacionamentos e não devido ao seu talento, não à toa, em seu currículo constam somente um título da Serie C e dois da Serie D. Não sou, e nunca fui a favor de criar bodes expiatórios, entretanto, a escolha do presidente da FIGC, Carlo Tavecchio, por Giampiero Ventura, deve sim, custar a sua saída da entidade. Além disso, o trabalho de Tavecchio à frente da entidade é uma lástima, basta analisarmos a situação atual dos times italianos juntamente com a do Calcio, que estão enfraquecidos há tempos, elementos que também contribuem para o enfraquecimento da seleção nacional.
Ver a Itália fora da Copa do Mundo, entristece a todos nós, amantes do futebol, ainda mais sabendo que este seria o último Mundial de Gianluigi Buffon, que por decorrência da eliminação na repescagem das Eliminatórias, encerrou da pior maneira possível sua carreira internacional. Resta agora ao conjunto italiano escolher um homem competente para dirigir a Federação, contratar um treinador qualificado para comandar a Azzurra, e trabalhar arduamente durante os próximos oito anos, para que em 2022 no Qatar, o azul volte a reinar na camisa da Itália, deixando de lado a cor que hoje está amarelada.

 

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