O mundo dá voltas

O futebol é realmente o esporte aonde o imponderável predomina, afinal, quem diria que seis meses depois do Monaco surpreender o mundo conquistando o campeonato francês e chegando nas semifinais da Champions League 2016/17, o conjunto monegasco cairia logo na fase de grupos da atual edição do torneio europeu, e detalhe, sem nem ao menos se classificar para a Europa League. Mas coincidentemente, este fenômeno já ocorreu com o Monaco na temporada 2003/04, e ao que tudo indica continuará acontecendo caso a filosofia de trabalho da diretoria não sofra nenhuma mudança.
Na temporada passada, o Monaco foi sem sombra de dúvidas a grande sensação do futebol europeu, e não somente pelos números ou façanhas conquistados pela equipe do principado fora das quatro linhas, mas também pelo ótimo estilo de jogo apresentado pelo time dentro de campo. Para quem não se lembra, o Monaco ergueu a taça de campeão da Ligue 1, dezessete anos após o seu último título, acabando assim com a hegemonia do então tetracampeão PSG. Além dessa enorme proeza, os comandados de Leonardo Jardim foram semifinalistas da Champions League 2016/17, juntamente com os poderosos Real Madrid, Atlético Madrid e Juventus, aliás, foram justamente os italianos que eliminaram os monegascos do torneio continental. Entretanto, para chegar neste estágio da competição, o Monaco precisou desbancar fortes adversários como Borussia Dortmund (quartas de finais), Manchester City (oitavas de finais), Tottenham (fase de grupos), Bayer Leverkusen (fase de grupos) e Fenerbahce (playoffs pré-eliminatórios). Desta maneira, fica evidente porque o conjunto monegasco encantou o mundo naquela ocasião.

Contabilizando
Contabilizando 95 pontos (30 vitórias, 5 empates e 3 derrotas) em 38 rodadas disputadas, o Monaco consagrou-se campeão francês na temporada 2016/17, com oito pontos de vantagem em relação ao vice-colocado, PSG.

Como não poderia deixar de ser, as expectativas em relação ao Monaco no inicio desta temporada eram enormes, até porque o presidente Dmitry Rybolovlev havia garantido oficialmente a permanência do treinador Leonardo Jardim, que renovou seu contrato com os campeões franceses até o ano de 2020. No entanto o drama do Monaco começou quando poderosos clubes europeus demonstraram interesse pelos principais atletas do time do principado, tudo devido ao grande sucesso obtido pelos monegascos. Com isso, as iminentes saídas de Bernardo Silva e Benjamin Mendy para o Manchester City, Tiemoué Bakayoko para o Chelsea e Kylian Mbappé para o PSG, foram determinantes para desmantelar a sólida base da equipe, que demorou anos para ser formada. Nem mesmo as contratações dos promissores Keita Baldé (Lazio), Youri Tielemans (Anderlecht), Terence Kongolo (Feyenoord), Adama Diakhaby (Rennes) e Jordi Mboula (Barcelona B), além do já consagrado Stevan Jovetic (Internazionale), foram suficientes para que o Monaco conseguisse avançar pelo menos às oitavais de final da Champions League.

Jogadores do RB Leizig comemoram a vitória por 4 a 1 sobre o Monaco, em pleno estádio Luis II, resultado este, que culminou com a precoce eliminação do time monegasco da Champions League.
Jogadores do RB Leizig comemoram a vitória por 4 a 1 sobre o Monaco em pleno estádio Luis II, resultado este, que culminou com a desclassificação do time monegasco da Champions League.

O reflexo destas importantes perdas do Monaco, ficaram explícitas na atual edição da Champions League. Situado no grupo G do torneio europeu, ao lado de Besiktas, Porto e RB Leipzig, a equipe do principado foi eliminado da competição de maneira precoce, com uma rodada de antecedência para ser mais específico. Colecionando dois empates e três derrotas em cinco partidas realizadas, os pupilos de Leonardo Jardim marcaram somente dois pontos na Champions League, obtendo desta forma, 13,3% de aproveitamento. A desclassificação do time monegasco veio da pior forma possível, com uma sonora goleada para o RB Leipzig por 4 a 1, diante de sua torcida no estádio Luís II. O líder Besiktas, que soma 11 pontos já está previamente classificado às oitavas de finais, enquanto a segunda vaga será disputada entre Porto (2º colocado) e RB Leipzig (3º colocado), ambos com 7 pontos na classificação. Logo, o Monaco está fora inclusive da Europa League, pois não tem chances matemáticas nem mesmo para alcançar o terceiro posto do grupo.

Falcão Garcia é o artilheiro do Monaco na temporada com 17 gols marcados.
Falcão Garcia é o artilheiro do Monaco na temporada com 15 gols marcados.

Na Ligue 1, o milionário PSG investiu milhões para trazer ao time os craques Neymar, Daniel Alves e Kylian Mbappé. Com todo este alto investimento, os parisienses permanecem invictos no campeonato com 35 pontos, por isso as chances do Monaco conquistar o bicampeonato da competição são verdadeiramente remotas. Contudo, os atuais campeões franceses aparecem na vice-posição da tabela com 29 pontos, computando 9 vitórias, 2 empates e 2 derrotas até aqui no torneio. Mesmo com essa boa performance (74,4% de aproveitamento), dificilmente os monegascos terão forças para brigar de igual para igual com o Paris Saint-Germain pelo título nacional, ao contrário da equipe da temporada passada que alcançou a incrível marca de 107 gols na liga, e tinha todos os requisitos para encarar qualquer que fosse o adversário. Curiosamente, este mesmo fenômeno ocorreu com o Monaco na temporada 2003/04, época em que o time comandado por Didier Deschamps foi vice-campeão da Champions League e posteriormente teve boa parte da equipe vendida. Ainda restam 25 rodadas para o término da Ligue 1, ou seja, águas vão rolar, porém já é possível afirmar de antemão, que o Monaco de hoje está a milhares de quilômetros distante do Monaco de seis meses atrás. A política adotada pela diretoria do clube, de contratar somente jovens promessas do futebol mundial, prova que o planejamento do time do principado é sempre a longo prazo, portanto, podemos esperar um Monaco forte novamente daqui a duas ou três primaveras. Aguardemos!

 

Deixar um comentário

Menu