Se ser goleado já é duro para qualquer clube, o que dirá então num clássico diante do maior rival mesmo que fora de seus domínios, e ainda sofrendo um hat-trick do jogador que o esnobou justamente para defender o inimigo.
Pois é, este trágico cenário retrata porque a semana não começou nada bem para o Tottenham, derrotado por 4 a 1 frente o Arsenal no Emirates Stadium, com direito a três gols marcados por Eberechi Eze, que em agosto havia acertado todos os detalhes para se transferir aos Spurs, mas poucas horas antes de assinar este novo vínculo atendeu ao telefonema de Mikel Arteta e, assim, decidiu pular o muro no norte de Londres para realizar o sonho de vestir a camisa do clube do coração.
Entretanto, além da enorme rivalidade e da “traição” de Eberechi Eze, o longo tabu de seis jogos sem vitórias dos Spurs contra os Gunners também estava em jogo no primeiro North London Derby da temporada, e isso sem contar com a possibilidade do Tottenham atrapalhar o Arsenal lhe tirando pontos na corrida pelo título inglês, bem como o fato de encerrar a 12ª rodada da Premier League situado no G-4 da tabela. Logo, fica claro porque o 4 a 1 causou enormes estragos aos pupilos de Thomas Frank.
Consequentemente, aumentou para SETE a sequência negativa do Tottenham no North London Derby, marcada pelo montante de seis derrotas e um empate desde o triunfo por 3 a 0 em maio de 2022 no Tottenham Stadium, época em que os autores dos gols, Harry Kane e Son Heung-min, ainda atuavam pelos Spurs, cujo incômodo jejum no Emirates Stadium é ainda maior mediante aos 15 clássicos sem vitórias pela Premier League (10D-5E).
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Deste modo, sem o bode expiatório Daniel Levy, que deixou a presidência do Tottenham há dois meses após quase 25 anos administrando o clube, toda a pressão vem recaindo sob Thomas Frank, contratado nessa temporada para suceder Ange Postecoglou no comando da equipe, visto que a goleada sofrida no North London Derby deu-se depois da queda pelo placar mínimo diante do Chelsea, seguida do empate em 2 a 2 com o Manchester United. Ou seja, foi um mísero ponto obtido dentre os 9 possíveis nas três rodadas passadas da Premier League.
Ainda assim, o Tottenham continua separado a apenas três pontos do G-4 em função do bom início na Premier League, mas que já deixava a luz de alerta acesa em relação aos pontos fracos dos Spurs, destacados em especial pela falta de criatividade do time totalmente dependente da genialidade de Mohammed Kudus, que embora não tenha sido o reforço mais caro vem sendo o principal nome dos londrinos na temporada com quatro assistências e um gol assinalado em 16 jogos.
Como resultado, mesmo em meio as vitórias já era possível identificar alguns problemas do Tottenham como a circulação constante da bola sem nenhuma efetividade, na qual víamos os jogadores sem saber o que fazer em campo. De qualquer maneira, um efeito causado pelo impacto das lesões de James Maddison, Dejan Kulusevski e Dominic Solanke, além das pífias atuações de Xavi Simons, a peça escolhida para suprir a não vinda de Eberechi Eze, que segue tentando se adaptar aos novos clube, liga e país.
Xavi Simons com a camisa do Tottenham:
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15 jogos
0 gols
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Vale ressaltar que Thomas Frank segue com a intenção de tornar o Tottenham mais veloz e dominante na posse de bola, mas a manutenção de dois volantes de perfis defensivos como João Palhinha e Rodrigo Bentancur vem dificultando essa tarefa, principalmente porque ele vem utilizando um sistema com três zagueiros — no caso, o 3-4-2-1. Não à toa, os Spurs terminaram o North London Derby registrando o patético índice de 0.07 gols esperados, uma taxa que não muda muito em comparação aos jogos anteriores ante Manchester United (0.92) e Chelsea (0.10).
Ademais é importante salientar que o nulo poderio ofensivo do Tottenham se reflete tanto através da zero finalização dos Spurs no primeiro tempo do North London Derby, quanto por intermédio dos quatro toques na bola dados por eles na grande área do Arsenal ao longo dos noventa minutos, o que representa nada menos que o mesmo número de gols marcado pelos líderes da Premier League no clássico.

No entanto, diversos outros apontamentos também colocam Thomas Frank contra a parede nestes poucos mais de cinco meses à frente do Tottenham, como é o caso da fragilidade defensiva da equipe que, mesmo jogando com uma linha de cinco na defesa, acabou sendo goleada no North London Derby. Em outras palavras, uma condição contrária do que ocorreu na passagem do treinador dinamarquês pelo Brentford, a exemplo das contundentes vitórias sobre Chelsea, Manchester City e Liverpool atuando com este mesmo esquemo tático.
Por se tratar de um clube grande onde as exigências são elevadas, fica complicado Thomas Frank implementar uma formação mais defensiva já que isso não agrada os torcedores, diferentemente do que acontecia no Brentford. Em todo o caso, como essa abordagem pragmática acabou funcionando para o Tottenham na decisão Supercopa da UEFA contra o Paris Saint-Germain, e na vitória por 2 a 0 sobre o Manchester City em meados de agosto, pela 2ª rodada da Premier League, o técnico de 52 anos de idade resolveu repetí-la no North London Derby.
Seja como for, por mais que Thomas Frank deva ser responsabilizado pelo começo irregular no Tottenham, é inegável que ele não é o grande culpado, afinal o ex-treinador do Brentford herdou o 17º colocado da última edição da Premier League após uma movimentação pra lá de ruim no mercado de transferências, vide os 35 milhões de euros investidos para a compra de Mathys Tel, que já não havia deixado uma boa impressão no recente empréstimo de seis meses ao clube, além dos 65 milhões de euros despejados na contratação de Xavi Simons junto ao RB Leipzig, claramente por conta dos fracassos nas negociações envolvendo Eberechi Eze e Morgan Gibbs-White.
Soma-se a isso os excessivos casos de contusões, a julgar que a lista de desfalques do Tottenham é enorme apesar de estarmos na primeira metade da temporada. A propósito, até mesmo os recém-contratados Kota Takai e Randal Kolo Muani estão fora de combate no momento em virtude de lesões. Logo, ainda que as críticas estejam todas direcionadas ao técnico Thomas Frank, é inegável que, antes dele, a diretoria deve ser questionada.
Contudo, a tendência é que a turbulência atravessada pelo Tottenham neste mês de novembro, que terminará com a visita ao Paris Saint-Germain no Parque dos Príncipes, dê lugar a uma navegação tranquila na Premier League, tendo em vista os próximos compromissos contra Fulham, Newcastle United, Brentford e Nottingham Forest. Todavia, se a situação não mudar depois disso, é bom Thomas Frank se preparar para uma verdadeira avalanche no norte de Londres.
A ver!