A Catalunha amanheceu em festa na manhã desta segunda-feira (12), afinal o Barcelona ergueu o primeiro caneco na temporada ao retornar da Arábia Saudita com o bicampeonato da Supercopa da Espanha na bagagem.
Pois é, e embora estejamos nos referindo a competição menos relevante do futebol espanhol, é inegável que ela causa enormes estragos pra quem a perde, sobretudo em se tratando do El Clásico. Por falar nisso, é importante destacar que o sob o comando de Hansi Flick o Barcelona conquistou a quinta vitória no sexto duelo contra o Real Madrid, dos quais se incluem duas finais de Supercopa e uma da Copa do Rei, o que demonstra a enorme superioridade do Barça sobre o arquirrival desde a chegada do treinador alemão há um ano e meio.
No entanto, o principal nome da conquista da Supercopa não foi Hansi Flick, mas sim Raphinha, autor de dois dos três gols da vitória do Barcelona por 3 a 2, que resultaram no sétimo tento do atacante brasileiro nos últimos cinco El Clásicos disputados, lembrando que ele se despediu do torneio como o melhor jogador e artilheiro máximo ao balançar as redes 4 vezes e ainda conceder uma assistência na semifinal diante do Athletic Bilbao.
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Deste modo, fica claro e evidente que a conquista em Jeddah teve um sabor pra lá de especial ao Barcelona, que além de ganhar uma motivação extra para o restante da temporada, conseguiu abalar as estruturas do Real Madrid, especialmente se levarmos em conta o fato de que TODOS os campeões das edições da Supercopa da Espanha realizadas na Arábia Saudita, exceto na pandemia, venceram a LaLiga naqueles respectivos anos.
No entanto, a vitória sobre o Real Madrid na final da Supercopa expôs alguns pontos fracos do Barcelona que precisam ser corrigidos por Hansi Flick, principalmente para não comprometer a caminhada dos blaugranas na Champions League, onde o grau técnico dos adversários é maior em comparação a LaLiga. A começar pela ultra-dependência de Raphinha, sem sombra de dúvidas o melhor e único componente do setor ofensivo do Barça que segue atuando no mesmo nível da última temporada.
Não à toa, o Barcelona perdeu somente um dentre os 17 jogos com Raphinha em ação até aqui na temporada. Em termos de números ele ainda não é o melhor jogador do Barça, porém logo será com os registros aumentando a cada partida. Portanto, é fundamental Hansi Flick encontrar uma alternativa viável para superar a “RaphinhaDependência” a fim de evitar uma queda de rendimento em campo nos momentos em que o camisa 11 não estiver à disposição, apesar dos atuais campeões espanhóis contarem com a sua presença nas grandes partidas.
Por sinal, este é outro fator que precisa ser debatido: a dificuldade do Barcelona em grandes jogos. Para se ter uma ideia, o atual triunfo sobre o Real Madrid foi apenas o segundo dentre os cinco dos catalães na temporada, a exemplo da vitória por 3 a 1 sobre o Atlético de Madrid, e das derrotas frente PSG (2×1) e Chelsea (3×0), ambos pela Champions League, além do revés por 2 a 1 no El Clásico válido pela 10ª rodada da LaLiga.
Logo, trata-se de um sonoro alerta das dificuldades do Barcelona ao enfrentar adversários mais fortes, acima de tudo na parte defensiva, a julgar pelos dez gols sofridos pelos comandados de Hansi Flick nestes cinco compromissos. À vista disso, mesmo com o recorde de cinco partidas seguidas sem serem vazados até a goleada por 5 a 0 sobre o Athletic Bilbao na semifinal da Supercopa da Espanha, a realidade é que a defesa continua sendo o ponto fraco barcelonista.
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A alta linha defensiva do Barcelona é questionada desde a temporada anterior, ainda que com as conquistas da Supercopa da Espanha, da Copa do Rei e da LaLiga no ano de estreia de Hansi Flick, e o ex-treinador do Bayern de Munique e da seleção alemã segue tentando solucionar esse problema que se intensificou depois da inusitada transferência de Iñigo Martínez ao Al-Nassr, tanto é que mesmo jogando de maneira reativa e explorando os contra-ataques, no 3-5-2, o Real Madrid foi capaz de marcar dois gols no Barça — e só não fez o terceiro por conta de preciosas intervenções do goleiro Joan García nos acréscimos da decisão.
Inclusive, nas vitórias por 2 a 0 contra Villarreal e Espanyol, o Barcelona só não sofreu gol em virtude do baixíssimo poderio ofensivo dos dois oponentes. A propósito, isso explica porque os catalães realmente continuam sobrando no certame do futebol espanhol, no qual sustentam uma sequência de 12 vitórias consecutivas considerando todas as competições, o que não abrange a Champions League, vide o empate em 3 a 3 com o Club Brugge, a derrota por 3 a 0 para o Chelsea, além da sofrida virada por 2 a 1 sobre o Eintracht Frankfurt em pleno Camp Nou, nas últimas três rodadas do torneio continental.
Ofensivamente, o Barcelona encontrou inúmeros espaços em campo para atacar o defensivo Real Madrid que abriu mão de ter a bola, haja vista os 68% de posse por parte dos catalães. Todavia, mesmo sob essa condição favorável eles não mostraram nem de longe a mesma efetividade e letalidade da temporada passada, algo que é oriundo de uma menor rotação e intensidade, além da falta de ritmo e de maior regularidade de peças como Fermín Lopez, Lamine Yamal, Ferran Torres e Robert Lewandowski.
Diante deste cenário, o bicampeonato da Supercopa reforça a tese da supremacia barcelonista na Espanha, pois mesmo distante do nível esperado o Barcelona venceu o fragilizado Real Madrid, que não vem jogando bem e ainda entrou em campo desfalcado de Éder Militão, Kylian Mbappé, e com Federico Valverde atuando improvisado na lateral-direita, um panorama que, certamente, seria diferente se do outro lado estivessem Arsenal, PSG ou Bayern de Munique.
Em resumo: o Barcelona precisa evoluir — e muito — se quiser, ao menos, competir pelo título da Champions League, ao mesmo tempo que vem tranquilamente trilhando o caminho rumo aos bicampeonatos da LaLiga e da Copa do Rei, depois do bi da Supercopa.