Mais um recomeço no Chelsea — Liam Rosenior, e a esperança por um futuro próspero

Os inéditos títulos da Conference League e da Copa do Mundo de Clubes sinalizavam que o Chelsea navegava em águas calmas pela primeira vez na era pós-Roman Abramovich, isto é, sob a gestão da BlueCo — holding liderada por Todd Boehly —, uma sensação que aumentou depois das vitórias sobre Barcelona e Liverpool na primeira metade da temporada.

No entanto, tudo não passava de uma mera ilusão, a julgar pela saída de Enzo Maresca logo no primeiro dia do ano ou três semanas após receber o prêmio de melhor técnico da Premier League no mês de novembro. Sim, embora o Chelsea atravessasse uma fase instável no fim do ano, marcada por três jogos seguidos sem vencer no campeonato, somada as derrotas frente os recém-promovidos Sunderland e Leeds United, o motivo real que resultou na queda do treinador italiano envolveu fatores externos, depois que ele entrou em rota de colisão com a diretoria.

Portanto, o aspecto campo-bola não teve influência alguma na demissão de Enzo Maresca, que ao longo destes 18 meses no clube do oeste de Londres foi capaz de organizar o vestiário composto por mais jogadores do que armários no vestiário no momento da sua chegada, além de implementar uma nova identidade de jogo ao plantel mais jovem da Premier League, cuja média de idade corresponde a 23,8 anos, algo que o experiente Mauricio Pochettino, por exemplo, não havia conseguido anteriormente.

Seja como for, 72 horas após o adeus de Enzo Maresca, o Chelsea anunciou oficialmente a contratação de Liam Rosenior, que se destacou ao conduzir o Strasbourg à Conference League em virtude da 7ª colocação na edição passada da Ligue 1. Aliás, o mesmo posto que o novato treinador de 41 anos de idade deixou a equipe francesa depois de desembarcar na capital inglesa para assumir o comando dos Blues.

A propósito, é importante salientar que da mesma forma que o Chelsea, o Strasbourg também é administrado pela BlueCo. Por essa razão, é bastante comum vermos jogadores que não são aproveitados em Stamford Brigde serem emprestados ao clube da Alsácia para se adaptar ao futebol europeu, vide o recente caso de Andrey Santos. Logo, a inusitada transferência de Liam Rosenior demonstra que a mesma política se estendeu aos treinadores.

Inclusive, vale ressaltar que a ida de Liam Rosenior ao Chelsea no meio da temporada 2025-26 não agradou em nada os torcedores do Strasbourg, que revoltados pedem a saída da BlueCo, o que é algo absolutamente compreensível considerando a invencibilidade e melhor campanha na fase de liga da Conference League com 16 pontos em seis jogos (5V-1E), bem como o sétimo lugar na tabela da Ligue 1.

Em todo o caso, o cenário encontrado por Liam Rosenior não é muito diferente na Premier League, tendo em vista que o Chelsea terminou a 8ª rodada ocupando a oitava posição na classificação a três pontos do G-4. Em contrapartida, a caminhada dos ingleses na Champions League é contrária em comparação a do Strasbourg na Conference League, a exemplo da 13ª colocação com dez pontos, o que os obriga a vencer os últimos dois compromissos da fase de liga contra Pafos e Napoli para vislumbrar a possibilidade de avançar diretamente às oitavas-de-final.

Ainda assim, a principal dúvida da torcida do Chelsea envolvendo Liam Rosenior diz respeito ao o que ela pode esperar a partir de agora com a chegada do treinador que realizará o primeiro trabalho na Premier League. Pois é, com passagens por Derby County e Hull City antes de ingressar no Strasbourg, o ex-lateral de Fulham, Hull City e Brighton privilegia o jogo de posse ofensiva e pressão em linha alta, isto é, características similares em relação a Enzo Maresca.

Ademais, o Strasbourg, de Liam Rosenior, mudava a composição tática de acordo com o adversário que enfrentava ao variar entre o 4-3-3 e o 4-2-3-1, além de por vezes jogar com uma linha de três zagueiros no 3-4-2-1. Soma-se a isso, o fato de que a construção das jogadas eram quase sempre iniciadas pelo goleiro Mike Penders que, curiosamente, pertence ao Chelsea, o que se subentende que Robert Sánchez desempenhará um papel fundamental não somente debaixo das metas.

Não à toa, Mike Penders é o goleiro da Ligue 1 dentre aqueles com mais de 900 minutos jogados que registra a maior média de toques fora da área ostentando uma elevada taxa de 39,4 por jogo. Além disso, por priorizar o controle através da posse de bola, o Strasbourg optava por trocas de passes curtas e precisas, assinalando assim a terceira menor porcentagem de lançamentos levando em conta as cinco principais ligas do futebol europeu, estando apenas atrás de PSG e Barcelona.

Já na fase defensiva, o Strasbourg costumava pressionar os zagueiros adversários a fim de recuperar a bola no terço final do campo e, consequentemente, maximizar suas próprias oportunidades de ataque. E dependendo da condição da partida e do oponente, a marcação era realizada de forma individual. Em outras palavras, abordagens intensas e ousadas que exigiam bastante da parte física dos atletas.

Por fim, outro atributo positivo de Liam Rosenior é a facilidade no desenvolvimento de jovens jogadores, uma vez que o Strasbourg é detentor do plantel com a menor média de idade das cinco principais ligas da Europa, tendo o grupo dois anos mais novo que o Chelsea na atualidade. Então, sob mais este aspecto fica fácil compreender porque os Blues ofereceram ao do técnico inglês um contrato válido até 2032, claramente, visando um trabalho a longo prazo.

Isto posto, a realidade é que Liam Rosenior chega ao Chelsea com a experiência de conhecer o futebol inglês dos tempos de jogador e de ter dirigido dois clubes na Championship League, aliada a significativa influência na Ligue 1 e a perspectiva da BlueCo catalisar o sucesso do investimento em novatos atletas do Strasbourg também para promissores treinadores. Ou seja, tudo parece perfeito na teoria, restando saber, de fato, como será na prática. A ver!

Deixar um comentário

Menu