A turbulenta temporada do Celtic teve mais um nebuloso capítulo escrito após a derrota por 3 a 1, de virada, frente o Rangers em pleno Celtic Park, a julgar pela demissão de Wilfried Nancy após míseros 33 dias no cargo.
Por sinal, a saída de Wilfried Nancy resultou na terceira mudança de treinador promovida pelo Celtic na temporada em que os atuais tetracampeões escoceses começaram a sua caminhada com Brendan Rodgers, substituído no final de outubro pelo interino Martin O’Neill, que retorna mais uma vez ao comando da equipe depois da precoce queda do técnico permanente detentor do menor tempo à frente dos Hoops ao longo da história.
Contratado junto ao Colombus Crew no início de dezembro, Wilfried Nancy colecionou oito partidas na curtíssima passagem por Parkhead, das quais perdeu seis e venceu apenas duas. A propósito, o Celtic conquistou a primeira vitória somente na quinta partida sob a sua liderança, após derrotas diante de Hearts (2×1), Roma (3×0), St. Mirren (3×1) e Dundee United (2×1). Logo, os triunfos sobre Aberdeen (3×1) e Livingston (4×2) não foram suficientes para amenizar a pressão que o assolava no clube de Glasgow, tanto é que os reveses seguintes frente Motherwell (2×0) e Rangers (3×1) culminaram na sua demissão.

De qualquer maneira, o adeus de Wilfried Nancy retrata de forma evidente o equívoco do Celtic não apenas em contratá-lo, como ainda de ter lhe oferecido um contrato de dois anos, afinal o jovem treinador francês de 48 anos de idade jamais havia comandado nenhum clube europeu na carreira, tendo como únicas experiências os trabalhos realizados no CF Montreal e no Colombus Crew, ambos da Major League Soccer, onde faturou a MLS Cup de 2023 e a Leagues Cup de 2024.
Todavia, mais do que isso o erro cometido pela cúpula diretiva do Celtic se mostra ainda maior quando analisamos que Martin O’Neill havia ganho sete dos oito jogos em que se manteve como interino dos Hoops entre a saída de Brendan Rodgers e a chegada de Wilfried Nancy, lembrando que o técnico norte-irlandês tem uma fortíssima ligação junto ao clube pelo qual ergueu sete canecos entre 2000 e 2005.
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Em todo o caso, por pior que tenha sido a trajetória de Wilfried Nancy em Parkhead, é inegável que ele não é o principal responsável pela crise vivida pelo Celtic na temporada. Na realidade, a vice-colocação na tabela da Scottish Premiership ao lado do Rangers, a exatos seis pontos de distância em comparação ao líder Hearts, é reflexo do péssimo planejamento da diretoria, sobretudo no que diz respeito a movimentação na janela de transferências, o real motivo que causou a renúncia por parte de Brendan Rodgers.
Vale ressaltar que na última janela de transferências o Celtic priorizou a parte econômica em vez de reforçar o time. Não à toa, o atacante Adam Idah acabou sendo negociado junto ao Swansea City a poucas horas do fechamento do mercado, isso depois de perder o artilheiro Kyogo Furuhashi em janeiro e por pouco não vender Nicolas Kuhn, sua principal peça, ao Como. Sem ambição, os escoceses foram eliminados pelo desconhecido Kairat Almaty na fase pré-eliminatória da Champions League, algo que, é claro, irritou o então técnico Brendan Rodgers.
Deste modo, com um elenco envelhecido e limitado tecnicamente, o Celtic corre o risco de perder até a longa hegemonia de 14 títulos escoceses nos últimos treze anos, já que o Hearts figura como principal candidato à se tornar o primeiro campeão da Scottish Premiership fora do eixo dos rivais de Glasgow desde o Aberdeen, de Alex Ferguson, em 1985. Para se ter uma ideia, somente nas 20 rodadas disputadas pela atual edição do campeonato os Hoops já somam duas derrotas a mais do que as quatro sofridas em todas as 38 jornadas da temporada passada.
Ademais, ao desfecho da 20ª rodada da temporada anterior, o Celtic ainda permanecia invicto na Scottish Premiership contabilizando o montante de 54 pontos ganhos, isto é, nada menos que 16 a mais do que os 38 assinalados no momento, colecionando na época 17 vitórias, 3 empates, 57 gols marcados e apenas 7 sofridos. Atualmente, a classificação nos mostra que o conjunto alviverde balançou as redes 34 vezes e foi vazado em 21 oportunidades.
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No entanto, apesar deste obscuro cenário o regresso de Martin O’Neill renovou as esperanças pelos lados de Parkhead, considerando tanto o seu passado glorioso quanto o presente animador pelo clube, tendo em vista o Celtic venceu o Old Firm (3×1) válido pelas semifinais da Copa da Liga Escocesa, além dos confrontos da Europa League contra Midtjylland e Feyenoord, dentre as seis vitórias obtidas nos sete jogos em que ele esteve à beira do campo entre os meses de novembro e dezembro, e tudo isso sofrendo seis gols no período.
Em outras palavras, um recorte pra lá de positivo levando em conta os 18 gols sofridos e somente 11 marcados durante o breve ciclo de Wilfried Nancy em Glasgow, mesmo com o Celtic enfrentado o lanterna Livingston, o que foi fruto do futebol ofensivo e expansivo implementado pelo ex-técnico do Columbus Crew. Quer dizer, uma abordagem que necessitava de defensores melhores para o seu funcionamento ideal.
Aliás, a gota d’água para a despedida de Wilfried Nancy foi a derrota no Old Firm, mas antes disso ele havia perdido a decisão da Copa da Liga Escocesa para o St. Mirren — clube cujo estádio tem capacidade para 8.000 torcedores — no Hapdem Park, e ostentava o rótulo de ser o primeiro técnico dos Hoops a perder quatro partidas consecutivas após longos 48 anos.
Portanto, pior do que isso praticamente não dá pra ficar e, é óbvio, que isso tranquiliza Martin O’Neill mesmo em meio a turbulência vivida em Parkhead, a ponto da batalha rumo ao pentacampeonato escocês entrar na rota do Celtic. A ver!