Gasperini faz a esperança do Scudetto renascer em Roma e na Roma

Embora o Império Romano tenha acabado em 476 d.C. , quem vive na capital italiana tem a clara sensação de que um novo imperador tomou posse ca capital. O seu nome? Gian Piero Gasperini.

Sim, a impactante chegada de Gian Piero Gasperini surtiu efeito imediato na Roma, atendendo as elevadíssimas expectativas geradas depois da histórica passagem de nove anos do treinador italiano pela Atalanta, marcada pela conquista do primeiro grande título do clube ao vencer a Europa League na temporada retrasada, além de campanhas pra lá de consistentes na Serie A, com quatro terceiros lugares e uma quarta colocação, que no final das contas resultaram em cinco qualificações à Champions League.

Ademais, a empolgação dos torcedores romanistas devido a contratação de Gian Piero Gasperini também era alimentada pelo futebol agressivo e ofensivo praticado pela Atalanta, baseado especialmente na marcação individual, na pressão da recuperação pós perda de bola, e tanto pela intensidade quanto pela incessante movimentação dos jogadores por intermédio do esquema com três zagueiros, 3-4-3. Ou seja, uma sistema de jogo bastante autoral do treinador de 67 anos de idade.

Não por um acaso, bastaram os primeiros cinco meses da primeira temporada pós-Gian Piero Gasperini para que a Atalanta, literalmente, caísse num verdadeiro abismo simbolizado pela atual 13ª posição da Serie A, lembrando que o clube de Bérgamo já trocou até de treinador ao trazer Raffaele Palladino para substituir Ivan Juric, demitido após 15 jogos no cargo, em virtude da duríssima sequência de sete partidas seguidas sem vencer no campeonato.

Ao mesmo tempo, lá no topo da classificação a Roma começou a colher de forma rápida os frutos da contratação de Gian Piero Gasperini. Líderes isolados da Serie A com 27 pontos ganhos, os Giallorossi não encerravam as dez jornadas iniciais da competição no primeiro posto há exatos 10 anos e 26 dias, isto é, desde o desfecho da 10ª rodada da temporada 2015-16, época em que eles ainda eram comandados por Rudi Garcia.

E como não poderia deixar de ser, o sonho da torcida em ver a Roma dar a quarta volta olímpica na Serie A — sendo a primeira depois de 25 anos — se tornou realidade na capital italiana. Aliás, embora não estejamos nem ao menos com um terço da temporada completa, trata-se de uma perspectiva absolutamente plausível mediante a transformação da equipe, a revolução no modelo de jogo, a construção de uma nova identidade, a recuperação de jogadores-chave, além da total aceitação de um grupo que comprou a ideia do treinador.

Experiente, Gian Piero Gasperini aproveitou os pontos fortes do time dirigido pelo antecessor Claudio Ranieri para desenvolver o crescimento da Roma, tais como a solidez defensiva, a criatividade e o foco, tudo isso, é claro, incrementando alguns dos seus toques especiais. Consequentemente, nomes como Mario Hermoso, Zeki Celik e Lorenzo Pellegrini, que terminaram a última temporada desgastados e repletos de incertezas, acabaram se valorizando na atual.

 Como resultado, vemos a Roma muito mais competitiva e combativa sob a liderança de Gian Piero Gasperini, sobretudo porque os jogadores estão correndo por ele. Aliás, uma condição indispensável para que a filosofia de jogo do ex-treinador da Atalanta funcione, levando em consideração que o método de marcação individual exige demasiadamente da parte física de cada peça em campo.

Inclusive, seria injusto não conceder um parágrafo inteiro deste artigo para elogiar o lateral Wesley, sem sombra de dúvidas, o principal reforço trazido pela Roma na temporada, a ponto até de fazer os 30 milhões de euros investidos para contratá-lo junto ao Flamengo parecerem uma pechincha. Atuando como ala pela direita, o camisa 43 joga o futebol mais característico da ideia de Gian Piero Gasperini, se destacando defensiva e ofensivamente, quando joga como um tipíco ponta. Logo, não é coincidência que o primeiro tento dos Giallorossi na Serie A tenha saído dos seus pés, e o gol que os colocou na liderança da tabela também. 

Seja como for, para manter viva a esperança da conquista do quarto scudetto, a Roma precisará ser, novamente, cirurgica no mercado em janeiro, assim como foi ao contratar Wesley, tendo em vista que a chegada de um atacante se mostra fundamental para fortalecer o setor ofensivo do time dono do sétimo melhor ataque da Serie A por ter balançado as redes apenas 15 vezes. Quer dizer, um cenário completamente oposto em comparação ao defensivo, o menos vazado da competição com seis gols sofridos.

A propósito, vale ressaltar que os indicados por Gian Piero Gasperini para reforçar o ataque da Roma são Joshua Zirkzee, do Manchester United, e Joaquín Panichelli, do Strasbourg. Diante deste cenário, a vinda do ex-jogador do Bologna, via empréstimo, se apresenta mais plausível em função do pouco espaço que ele vem tendo no elenco de Ruben Amorim, diferentemente do atacante argentino, vice-artilheiro da Ligue 1 com 9 gols em 12 partidas.

Em todo o caso, a falta de um centroavante à altura retrata claramente porque a caminhada dos pupilos de Gian Piero Gasperini rumo ao scudetto italiano tende a ser mais complicada do que as percorridas por Napoli e Inter de Milão, detentores de plantéis mais qualificados. Por este motivo, é fundamental que a diretoria da Roma não poupe esforços, seja para trazer Joshua Zirkzee, seja para contratar Joaquín Panichelli.

De qualquer maneira, certa vez o treinador do Manchester City, Pep Guardiola, afirmou que enfrentar a Atalanta era como ir numa consulta ao dentista. Pois é, acontece que agora este consultório mudou de Bérgamo para Roma e o doutor ganhou o novo status de imperador, que logo em seu primeiro ano na Cidade Eterna já está na batalha para conquistar a Itália.

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