A visita do Barcelona a Londres expôs os principais problemas do time catalão

Mais do que colocar sob risco a classificação direta às oitavas-de-final da Champions League, a duríssima derrota por 3 a 0 sofrida pelo Barcelona no Stamford Bridge expôs a abrupta queda de rendimento dos catalães em relação a magistral temporada anterior.

É bem verdade que a conquista do doblete espanhol logo no primeiro ano sob o comando de Hansi Flick, elevou demasiadamente as expectativas do Barcelona, o que torna natural que o desempenho inferior na atual temporada ganhe proporções ainda mais maiores. Ao mesmo tempo, era absolutamente esperado que a marcação em linha alta do Barça — tão bem executada pelos campeões espanhóis — passasse a ser explorada pelos adversários, levando em conta que tratava-se de uma das principais armas dos blaugranas.

Deste modo, o ideal nessa temporada seria Hansi Flick trabalhar sob a perspectiva de desenvolver um diferente esquema tático ao previsível time do Barcelona, uma constatação que ficou escancarada na visita dos catalães ao Stamford Bridge, que terminou com a vitória do Chelsea por 3 a 0. Aliás, um placar que acabou ficando no lucro de acordo com o amplo domínio por parte dos Blues, haja vista os três gols anulados no decorrer do jogo.

Em todo o caso, é importante destacar que Hansi Flick inovou na escalação do Barcelona ao mandá-lo à campo com o zagueiro Eric García formando uma dupla de volantes ao lado de Frenkie de Jong, posicionando Fermín Lopez um pouco mais adiantado no meio-campo a fim de fortalecer o setor e inibir as ações de Enzo Fernández, Reece James e Moisés Caicedo, à medida que Lamine Yamal atuou aberto pelo lado esquerdo do ataque, e Ferran Torres pelo direito, ambos com a intenção de marcar a subida dos laterais Malo Gusto e Marc Cucurella.

Enquanto isso, na defesa Hansi Flick priorizou a experiência e a força física ao definir Ronald Araújo como companheiro de zaga de Pau Cubarsí, deixando o lateral Gerrard Martín, que fez uma ótima partida no jogo anterior frente o Athletic Bilbao mesmo jogando improvisado como zagueiro, no banco de reservas em Londres. Pois é, no final das contas uma escolha que mostrou-se mais uma vez errada, visto que o capitão do Barcelona foi expulso no último lance do primeiro tempo ao receber o segundo cartão amarelo devido a uma entrada fortíssima em Marc Cucurella.

Vale ressaltar que essa não foi a primeira vez que Ronald Araújo deixou o Barcelona em apuros, visto que ele foi expulso nas quartas-de-final da última edição da Champions League. Na ocasião, o Barça vencia o Paris Saint-Germain pelo placar mínimo no estádio Olímpico de Montjuic, e parecia encaminhar a classificação às semifinais em razão da vitória por 3 a 2 no jogo de ida. Todavia, tudo foi por água abaixo no instante em que o zagueiro uruguaio deixou a equipe com um a menos ainda aos 29 minutos de partida. Por sinal, a goleada por 4 a 1 do PSG justifica essa tese.

Obviamente, esse é um comportamento inaceitável para um capitão, acima de tudo por se tratar de uma ação repetida. E além do aspecto comportamental, a verdade é que com Ronald Araújo o Barcelona perde por completo a qualidade na saída de bola, ao contrário do que acontece com Gerrard Martín que, embora não seja zagueiro de origem, marca muito bem, tem ótima noção de posicionamento e colabora mais na construção do jogo desde a defesa justamente pelas habilidades de lateral. Então, essa é uma questão que Hansi Flick precisa avaliar.

Consequentemente, o Barcelona se viu obrigado a atuar o segundo tempo inteiro com um jogador a menos, mas como se isso não bastasse Hansi Flick piorou a situação com as péssimas mexidas promovidas na etapa final, dentre as principais, a entrada de Andreas Christensen no lugar de Fermin López, que além de enterrar qualquer possibilidade de gol do Barça, também deixou um enorme buraco no meio-campo e diminuiu o poderio de criação do time.

Já na fase ofensiva a situação não foi diferente, visto que depois do incrível gol desperdiçado por Ferran Torres nos primeiros minutos de partida, o Barcelona só incomodou o goleiro adversário novamente aos dez minutos finais, por intermédio de um arremate de Rafinha. Além do mais, a apagada atuação de Lamine Yamal, que ficou literalmente no bolso de Marc Cucurella — assim como já havia ocorrido nos enfrentamentos contra Nuno Mendes e Álvaro Carreras —, também anulou o ataque dos atuais campeões espanhóis.

À vista disso, o Barcelona retornou da capital inglesa pressionado na 18ª colocação da Champions League, já que a derrota para o Chelsea foi o terceiro tropeço dos pupilos de Hansi Flick na competição, depois do revés sofrido diante do Paris Saint-Germain por 2 a 1, de virada, em pleno estádio Olímpico de Montjuic, e do empate em 3 a 3 com o Club Brugge na Bélgica. Não à toa, eles seguem de fora do G-8, que lhes garantiria a qualificação automática às oitavas-de-final.

A propósito, mesmo se os Barcelona vencer os três próximos compromissos ante Eintracht Frankfurt (c), Slavia Praga (c) e Copenhague (c), o que é uma condição completamente viável, ele chegará aos 16 pontos na tabela da Champions League, ainda assim uma contagem que pode não ser suficiente para que a vaga nas oitavas-de-final seja confirmada, por mais que na última edição do torneio o Aston Villa tenha avançado através desta mesma pontuação.

Logo, com o calendário pesado que na primeira semana de 2026, que já inclui a Supercopa da Espanha, seria essencial o Barcelona encerrar a fase de liga da Champions League excluindo a necessidade de jogar os playoffs de repescagem no mês de fevereiro, especialmente porque o sucessivo casos de lesões continua sendo o maior obstáculo do Barça na temporada, a exemplo das recentes ausências de Lamine Yamal, Robert Lewandowski, Raphinha, Dani Olmo e Frenkie de Jong, além dos atuais desfalques de Pedri e Gavi.

Como resultado, o ponto priorizado por Hansi Flick ao desembarcar na Catalunha para comandar o Barcelona, como foi o caso do aumento da capacidade física e atlética da equipe, se encontra inteiramente comprometido nesta temporada. Em outras palavras, um problema novo aos blaugranas, que ao longo de toda a caminhada rumo ao doblete tiveram as três principais peças do time, Raphinha, Lamine Yamal e Pedri, sempre disponíveis.

Assim, embora separado a apenas um ponto da liderança da LaLiga, o Barcelona saiu de campo derrotado nos três grandes jogos disputados até aqui na temporada contra Paris Saint-Germain (2×1) e Chelsea (3×0) pela Champions League, bem como no El Clásico disputado no Santiago Bernabéu (2×1), um dado que retrata a dificuldade dos catalães quando se deparam com adversários de nível técnico superior.

Contudo, os torcedores barcelonistas têm um motivo especial para confiar numa reviravolta na temporada: o Camp Nou. Liberado após a Data Fifa de novembro, a casa do Barcelona foi o palco da goleada por 4 a 0 sobre o Athletic Bilbao, 909 dias depois da última partida, e ao que tudo indica a capacidade para 63.000 lugares está bastante próxima de ser cedida devido a conclusão das obras na arquibancada ‘Gol Nord’.

Diante do exposto, com o Camp Nou oferecendo um impacto mais positivo na dinâmica futebolística do Barcelona, somado ao regresso de Raphinha e o processo final de recuperação de Pedri, é possível visualizar o caminho dos catalães com maior otimismo, apesar da enorme dificuldade de Hansi Flick em aprimorar sistemas defensivos, que inclusive marcou sua segunda e última temporada bastante aquém das expectativas no Bayern de Munique, após a conquista da sêxtupla coroa no ano de estreia.

Sendo assim, aguardemos as cenas dos próximos capítulos!

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