As fichas de Xabi Alonso estão se esgotando no Real Madrid

A única vitória conquistada pelo Real Madrid nos últimos cinco compromissos já é um motivo pra lá de razoável para abalar as estruturas do Santiago Bernabéu, acima de tudo porque o mais recente empate contra o Girona resultou aos Merengues a perda da liderança da LaLiga, agora ocupada pelo rival Barcelona.

Desta maneira, por mais curto que seja esse recorte ele serve exatamente como termômetro para medirmos a pressão que assola o Real Madrid e, em especial, o técnico Xabi Alonso, que agora não tem mais a primeira colocação da LaLiga para se sustentar em meio ao início aquém das expectativas no clube espanhol, tendo a campanha na Champions League como a última “ficha” restante no momento.

Vale ressaltar que a sequência negativa do Real Madrid teve início a partir da derrota diante do Liverpool, na qual placar de 1 a 0 não correspondeu ao amplo domínio por parte dos ingleses em Anfield. De lá pra cá, foram meros empates com Rayo Vallecano (0x0), Elche (2×2) e Girona (1×1), além da vitória sobre o Olympiacos (4×3), em Atenas, que ao menos, momentaneamente, amenizou o clima de tensão no clube.

Em todo o caso, não são os resultados que mais preocupam os torcedores madrididistas, mas sim o futebol praticado pelos Merengues. Prestes a completar os primeiros seis meses à frente do Real Madrid, Xabi Alonso ainda não conseguiu replicar o trabalho tão autoral desenvolvido no Bayer Leverkusen, tampouco construir uma identidade de jogo ao time madrilenho, algo que já era de se presumir mediante ao pouquíssimo tempo no clube, bem como a enorme mudança tática implementada por ele.

Aliás, isso explica porque muitos jogadores não se mostram confortáveis em suas respectivas funções e, consequentemente, Xabi Alonso vem travando embates com alguns deles como Federico Valverde e Vinícius Júnior, afinal o elenco ainda não tem conviccção nas ideias do novo treinador que também não se ajuda, seja por conta das escalações e substituições feitas no decorrer das partidas, seja por intermédio da rotação da equipe.

Em contrapartida, a hipotética demissão de Xabi Alonso não é cogitada pelos lados do Santiago Bernabéu, visto que a diretoria madridista entende que o jovem treinador de 44 anos de idade precisa de tempo e de novos reforços para repetir o sucesso alcançado no Bayer Leverkusen. Não à toa, é provável que o Real Madrid se movimente na janela de transferências de janeiro, o que é bastante incomum em se tratando dos Merengues.

Por sinal, tão anormal que o Real Madrid não contratou nenhum defensor nem mesmo quando Carlo Ancelotti perdeu os zagueiros Éder Militão e David Alaba, além do lateral Dani Carvajal no primeiro semestre da temporada passada. Seja como for, uma condição que mudou completamente a partir da chegada de Xabi Alonso no meio do ano, vide o 167,5 milhões de euros investidos nas contratações de Dean Huijsen, Álvaro Carreras, Franco Mastantuono e Trent Alexander-Arnold.

Ainda assim, o principal reforço solicitado por Xabi Alonso acabou não sendo contratado, como era o caso de Martín Zubimendi, que preferiu defender as cores do Arsenal após deixar a Real Sociedad. À vista disso, o Real Madrid entende que precisa de outros jogadores que se enquadrem nas características de jogo do ex-treinador do Bayer Leverkusen para que este novo sistema tático realmente se consolide a ponto de render os frutos esperados.

Contudo, antes de pensar em novas aquisições o Real Madrid planeja negociar alguns atletas a fim de equilibrar a balança referente a compras e vendas. Por este motivo, já é certo que Endrick será emprestado ao Lyon até o final da temporada, ao passo que Fran Garcia, Dani Ceballos e Rodrygo também poderão entrar na lista de transferíveis, porém todos de forma definitiva devido ao péssimo custo-benefício representado pelo baixo aproveitamento e o alto salário do trio. Para se ter uma ideia, o brasileiro acumula 30 jogos sem balançar as redes.

Por outro lado, um zagueiro está na mira do Real Madrid, visto que os contratos de Antonio Rudiger, de 32 anos, e David Alaba, de 33, terminam no meio do ano que vem, e dentre eles é praticamente certo que o austríaco não continuará no clube. Diante deste cenário, rumores dão conta de que Ibrahim Konaté, Marc Guéhi e Dayot Upamecano podem desembarcar na capital espanhola já no mês de janeiro, uma vez que o vínculo de todos também se encerra em 2026.

Ademais, há um consenso sobre a necessidade do Real Madrid trazer um meio-campista capaz de controlar o ritmo do jogo, na realidade uma carência que se vê desde as saídas de Toni Kroos no ano anterior, e Luka Modric há cinco meses. E com o fracasso na negociação envolvendo Martín Zubimendi, o principal alvo madridista passou a ser Adam Wharton, do Crystal Palace, enquanto Kees Smit, do AZ Alkmaar, aparece como a segunda alternativa.

De qualquer modo, resta saber se com as possíveis vindas de um zagueiro e de um meio-campista com capacidade de construção de jogo, a engrenagem do Real Madrid, enfim, funcionará sob a batura de Xabi Alonso, cujas fichas estão se esgotando no Santiago Bernabéu.

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