O maior Natal da história do Napoli. Este é o sentimento na capital da Campânia

Depois de faturar o Scudetto da Serie A, o Napoli voltou a soltar o grito de campeão ao vencer a Supercopa da Itália após dez anos de jejum, desta vez sob a liderança de Antonio Conte, que continua fazendo história no clube da Campânia.

Embora a Supercopa da Itália seja a competição de menor relevância do futebol italiano, ela foi demasiadamente comemorada pelos torcedores napolitanos, acima de tudo porque o Napoli não a vencia desde 2005 — sobre a Juventus, nos pênaltis —, além de não ganhá-la como detentor do Scudetto há exatos 25 anos, quando goleou a Juventus por 5 a 1 no estádio San Paolo, lembrando que este foi o terceiro título por parte dos Azzurri.

A propósito, para comemorar o primeiro título da temporada 2025-26 o Napoli deu uma pausa na Serie A e encarou uma longa viagem à Arábia Saudita para a disputa da Supercopa da Itália, na qual os atuais campeões italianos somaram duas contudentes vitórias por 2 a 0 sobre o Milan, na semifinal, e diante do Bologna, na final que teve David Neres, autor dos dois gols da decisão no Al-Awwal Stadium, como destaque.

Apesar de dividir o favoritismo juntamente com a Inter de Milão, o Napoli desembarcou em Riade desfalcado de três importantes pilares como André-Frank Anguissa, Kevin De Bruyne e Romelu Lukaku. Ainda assim, o elenco napolitano provou sua força com David Neres assumindo o protagonismo tanto na decisão quanto na semifinal. Não à toa, o camisa 7 terminou a Supercopa da Itália como artilheiro máximo ao balançar as redes três vezes em dois jogos. Aliás, essa foi a primeira vez que ele marcou em duas partidas seguidas pelo clube italiano.

Além de David Neres, os renegados do Manchester United, Rasmus Hojlund e Scott McTominay, também se sobressaíram na Supercopa da Itália, o que já era esperado pela ótima temporada que a dupla vem realizado. Por sinal, o meio-campista escocês repete neste segundo ano a excelente performance da temporada de estreia vestindo a camisa do Napoli, marcada por 12 tentos e quatro assistências na caminhada rumo ao quarto Scudetto.

Já Rasmus Hojlund também deixou a sua marca na Supercopa da Itália ao fazer o segundo gol da semifinal frente o Milan, que se junta aos outros seis marcados por ele em 19 aparições até aqui na temporada. E por mais que o ex-jogador do Manchester United tenha passado em branco na final contra o Bologna, ele novamente desempenhou um papel crucial na criação de espaços para David Neres, Eljif Elmas e os alas Matteo Politano e Leonardo Spinazzola, dada a sua constante movimentação no ataque.

Deste modo, o Napoli, construído em torno de Scott McTominay e Romelu Lukaku na temporada passada, hoje tem David Neres e Rasmus Hojlund como peças-chave da engrenagem de Antonio Conte, que transformou os problemas de lesões em oportunidades de crescimento no time, tendo em vista que o dinamarquês só adquiriu a titularidade em função da ausência do belga, enquanto o brasileiro só vem jogando porque Kevin De Bruyne contundiu gravemente a coxa na vitória sobre a Inter de Milão no final de outubro.

Portanto, ainda que Antonio Conte reclame de forma constante — o que faz parte da sua natureza — é inegável que ele tem em mãos um elenco qualificado tecnicamente que, graças a sua enorme capacidade, vem gerando os frutos que os Azzurri esperam, tanto é que o Napoli é o primeiro clube italiano a vencer um título na temporada, algo que Inter de Milão e Juventus, com plantéis mais fortes e valiosos, não conseguiram.

Logo, as expectativas do Napoli aumentaram na Serie A após a conquista da Supercopa da Itália, até porque a distância em relação a líder Inter de Milão é de apenas dois pontos. Além disso, os Nerazzurri vem encontrando enormes dificuldades em grandes jogos desde a temporada anterior, ainda com Simone Inzaghi à frente da equipe, vide os cinco Derby Della Madonnina sem vitórias, que se estenderam para seis clássicos com a recente derrota por 1 a 0, bem como a queda por 2 a 1 diante do próprio Napoli no estádio Diego Maradona.

Ademais, a experiência do multi-campeão Antonio Conte em comparação ao novato Cristian Chivu pode prevalecer na acirrada corrida pelo título da Serie A, o que se subentende que essa briga deve se intensificar contra Luciano Spalletti e Massimiliano Allegri, também donos de Scudettos, especialmente ante o Milan, que acaba de trazer Niklas Fullkrug para reforçar o ataque e não tem competições internacionais para disputar na temporada, dispondo assim de um calendário menos desgastante.

Diante deste cenário, fica evidente que tanto o ânimo quanto a energia mudaram pelos lados de Nápoles depois da Supercopa da Itália, e os últimos enfrentamentos ante o Bologna demonstram isso de forma nítida, pois quem não se lembra das palavras de Antonio Conte ao afirmar que não gostaria mais de dirigir um morto-vivo após a derrota por 2 a 0 no Renato Dall’ara em meados de novembro, e passados quase dois meses esse “zumbi” ressuscitou ao vencer o segundo título no ano.

E como não poderia deixar de ser, por trás do sucesso do Napoli está Aurelio De Laurentiis, o único presidente capaz de conduzir o Napoli à conquista de dois Scudettos num curto espaço de três anos, um feito alcançado somente por Juventus, Inter de Milão e Milan nos últimos 75 anos. Mesmo com a personalidade explosiva e métodos às vezes questionáveis, o mandatário italiano sempre montou equipes competitivas, a exemplo dos resultados esportivos e financeiros dos napolitanos no decorrer destas duas décadas sob a sua gestão.  

Isto posto, o Natal será festivo ao Napoli da mesma forma que a despedida do ano eternizado em meio aos dois títulos comemorados, que ainda traz perspectivas pra lá de positivas para 2026.

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