Cadê o PSG? Ninguém sabe, ninguém viu!

Passado o ano mais espetacular da história do Paris Saint-Germain, marcado pela conquista da inédita tríplice coroa, a sensação é a de que a magia, literalmente, acabou no Parque dos Príncipes.

A propósito, uma impressão que aumentou demasiadamente depois da recente derrota por 2 a 1 frente o Sporting, em Alvalade, pela penúltima rodada da fase de liga da Champions League, logo na semana seguinte a precoce queda dos atuais tetracampeões franceses pelo placar mínimo diante do recém-promovido à Ligue 1, Paris FC, em pleno Parque dos Príncipes, ainda pelo estágio 1/16 avos-de-final da Copa da França.

Na realidade, já era esperado que o PSG teria uma longa e dura caminhada para encarar no decorrer da temporada 2025-26, tendo em vista que a equipe não se preparou de forma adequada em virtude da Copa do Mundo de Clubes da FIFA no meio do ano, lembrando que dias antes alguns jogadores ainda disputaram a Final Four da Liga das Nações de UEFA, enquanto Nuno Mendes, João Neves, Vitinha, Gonçalo Ramos e Fabián Ruiz disputaram a decisão em Munique.

Consequentemente, a pré-temporada do Paris Saint-Germain ficou totalmente comprometida, ao mesmo tempo que apenas o goleiro Lucas Chevalier e o zagueiro Illya Zabarnyi foram contratados para reforçá-lo mediante a ausência de um lateral-direito no elenco para suprir possíveis ausências de Achraf Hakimi, e depois da inusitada venda de Gianluigi Donnarumma ao Manchester City, sob o consentimento do técnico Luis Enrique.

À vista disso, o treinador de 55 anos de idade priorizou a Champions League na primeira metade da temporada, o que se viu na preferência em rodar o plantel com maior frequência na Ligue 1, tanto é que dentre os onze jogadores com mais minutos em campo pela competição, somente quatro são considerados titulades do PSG. Tratam-se de Lucas Chevalier (1.440′), Vitinha (1.289′), Willian Pacho (1.085′) e Fabián Ruiz (795′).

Deste modo, o desempenho do PSG caiu na atual edição da Ligue 1 em comparação a campanha anterior, visto que os parisienses passaram o Réveillon de 2025 isolados a dez pontos no primeiro posto do campeonato, ao contrário de 2026, ano em que eles adentraram na vice-posição separados a um do líder Nantes. Aliás, uma condição que persiste desde o final de novembro, ou seja, antes dos rumores envolvendo a não continuidade de Luis Enrique após o desfecho da temporada virem à tona no noticiário esportivo europeu.

Pois é, uma notícia que explodiu como uma verdadeira bomba pelos lados do Parque dos Príncipes, dada a estabilidade alcançada por Luis Enrique no principal trabalho desenvolvido ao longo da carreira, que inclusive o transformou no melhor treinador do PSG em todos os tempos. Talvez seja essa a razão pela qual ele manifestou internamente a vontade de viver novos desafios, tendo como objetivo uma mudança à Premier League.

Todavia, seja por mera coincidência, ou não, depois do aviso de Luis Enrique o Paris Saint-Germain se despediu da Copa da França e foi derrotado pelo Sporting na Champions League, apesar de ter feito em Alvalade uma das melhores partidas até aqui na temporada, sobretudo por conta da fortíssima pressão exercida na recuperação pós-perda de bola, isto é, a principal característica do time campeão europeu, que pouco se viu nesta temporada devido a menor intensidade em campo.

Ademais, da mesma maneira que já havia acontecido na primeira eliminação da Copa da França antes das oitavas-de-final desde 2014, o PSG dominou totalmente as ações do jogo contra o Sporting, porém só converteu em gol um dos 28 arremates disparados. Como resultado, os franceses regressaram de Lisboa com a duríssima derrota por 2 a 1 na bagagem, que pode lhes custar a vaga entre os oito melhores colocados na tabela da Champions League.

Após um ótimo começo na Champions League, superando Atalanta, Barcelona e goleando o Bayer Leverkusen por 7 a 2, o Paris Saint-Germain viu a maré mudar a partir da derrota por 2 a 1 para o Bayer de Munique, mesmo jogando o segundo tempo inteiro com um jogador a mais em virtude da expulsão de Luiz Díaz. Sob este panorama, a vitória por 5 a 3 sobre o Tottenham veio seguida de um apático empate sem gols com o Athletic Bilbao, além do revés na capital portuguesa. Em outras palavras, a própria trajetória no torneio continental sinaliza o declínio parisiense.

Logo, o encanto que fez do PSG a equipe mais brilhante da última temporada deu lugar a atuações apagadas e pouco convincentes na atual. Não à toa, o principal artilheiro no período com dez tentos assinalados, Gonçalo Ramos, é o único atleta do clube francês com dois dígitos de gols marcados até então. Quer dizer, um número pra lá de irrelevante considerando que o algoz atacante do Sporting, Luiz Suárez, já balançou as redes o montante de 22 vezes.

Em todo o caso, a escassez de gols é oriunda da queda de rendimento coletiva e individual do PSG, visto que o meio-campo formado por João Neves, Vitinha e Fabián Ruiz já não tem a mesma fluidez, o trio de ataque Ousmane Dembélé, Khvicha Kvaratskhelia e Désiré Doué soma míseras 26 participações em gols contra 80 da temporada passada, o goleiro Lucas Chevalier não passa nem de longe a segurança do antecessor Gianluigi Donnarumma, e os laterais Achraf Hakimi e Nuno Mendes não estão conseguindo manter a mesma regularidade.

Ainda assim, não existe crise no Parque dos Príncipes. Por sinal, há quem diga que o adeus na Copa da França aliviou o calendário do PSG, ao passo que a derrota ante o Sporting servirá como o combustível que Luis Enrique tanto queria e precisava, cujo nome responde por desafio. A ver!

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