Tanto José Mourinho quanto qualquer benfiquista jamais imaginou que poucos meses depois do Fenerbahce cair diante do Benfica nos playoffs pré-eliminatórios da Champions League, o Special One estaria ouvindo o ‘Hino dos Campeões’ novamente à frente do time português no Stamford Bridge, isto é, palco em que a sua carreira internacional começou.
Por essas e outras, o futebol é realmente fantástico. Acontece, que ao contrário das mais recentes visitas de José Mourinho ao Stamford Bridge, desta vez ele foi muito bem recebido pelo Chelsea, haja vista a calorosa recepção por parte de funcionários do clube, passando pelos quadros colocados na sala de imprensa com imagens marcantes das duas gloriosas passagens pelos Blues , e terminando com os aplausos dos torcedores na hora em que a bola rolou pela 2ª rodada da fase de liga da Champions League.
Aliás, uma homenagem pra lá de justa ao treinador que ergueu três canecos da Premier League, três da Copa da Liga e um da FA Cup, entre os anos de 2004 e 2007, além de 2013 e 2015, e que veio à tona neste momento em que José Mourinho não comanda mais um rival direto do Chelsea no certame do futebol inglês, o que, obviamente, não era o caso no período em que ele dirigiu Manchester United e Tottenham.
Seja como for, o resultado dessa mais recente aparição de José Mourinho no Stamford Bridge não foi muito diferente das sete anteriores, compostas por quatro derrotas, dois empates e apenas uma vitória. Por sinal, o único triunfo do treinador português na casa do Chelsea deu-se há mais de 15 anos, quando ele ainda era treinador da Inter de Milão e derrotou os londrinos, na época liderados por Carlo Ancelotti, pelo placar mínimo no jogo de volta das oitavas-de-final da edição 2009-10 da Champions League. O autor do gol que garantiu a classificação dos italianos? Samuel Eto’o.

Deste modo, o revés por 1 a 0 do Benfica frente o Chelsea acabou não surpreendendo, sobretudo porque esse é um daqueles jogos que o Benfica já avaliava com a possibilidade quase certa de não pontuar no momento em que os confrontos da fase de liga da Champions League foram sorteados, diferentemente da partida anterior contra o modesto Qarabag, na qual os portugueses perderam por 3 a 2, de virada, em pleno estádio da Luz. Não à toa, o ex-treinador benfiquista, Bruno Lage, foi demitido poucas horas depois.
Contudo, mesmo diante deste cenário o Benfica retornou à Lisboa com a sensação de que poderia ter somado o primeiro ponto na Champions League em Londres, a julgar pela boa atuação dos Encarnados, em especial nos quinze minutos iniciais de partida, ou seja, até eles sofrerem o único gol do jogo marcado pelo volante Richard Ríos contra a própria meta após o camisa 20 tentar interceptar o cruzamento de Alejandro Garnacho.
De qualquer maneira, em termos gerais o Benfica não apenas competiu bem, como causou problemas ao Chelsea, a exemplo das 9 finalizações e 1.15 gols esperados dos portugueses, mediante oito arremates e uma baixa taxa de 0.75 do lado dos ingleses, que inclusive terminaram o jogo pressionados e, nos minutos finais, até jogando duas bolas em campo para atrapalhar um ataque dos visitantes, algo comum em partidas disputadas na América do Sul.
Num jogo com poucas oportunidades, o Benfica teve mais remates e expected goals mas não conseguiu marcar e acabou derrotado com um autogolo de Rios
— Playmaker (@playmaker_PT) September 30, 2025
⚠ Rios terminou o jogo com um rating de 6.4, o seu pior desde que chegou ao Benfica (em igualdade com o jogo frente ao FC Alverca,… pic.twitter.com/3SZO8bP4Z5
Como balanço positivo, podemos destacar a força e o dinamismo dos meio-campistas Enzo Barrenechea, Richard Ríos e Fredrik Aursnes, já que o trio é capaz de ajudar na proteção à defesa e também participando na criação, ainda que o ex-volante do Palmeiras venha recebendo duríssimas críticas dos torcedores benfiquistas. Decerto, uma cobrança muito maior por conta dos 27 milhões de euros investidos pelo Benfica para contratá-lo neste meio de ano, o que o colocou como o reforço mais caro do clube na temporada.
Soma-se a isso, a técnica e apurada visão de Heorhiy Sudakov, o poderio ofensivo de Vangelis Pavlidis, além da habilidade, velocidade e qualidade no um contra um de Dodi Lukebakio. Quer dizer, atributos que certamente renderão ótimos frutos ao Benfica, derrotado pela primeira vez desde regresso do técnico José Mourinho à Luz há duas semanas, depois de vitórias sobre AVS (3×0) e Gil Vicente (2×1), e um empate com o Rio Ave (1×1).
Inegavelmente, a volta de José Mourinho ao clube onde tudo começou há um quarto de século deve-se ao mercado cada vez mais escasso do Special One, reduzido após a trajetória bastante aquém das expectativas pelo Fenerbahce, incluindo o final de ciclo ruim na Roma. Portanto, fica claro que o treinador de 62 anos de idade desembarcou em Lisboa tendo uma das últimas chances de se provar, caso contrário, é óbvio que ele não estaria trabalhando em Portugal.

Por este motivo, José Mourinho aceitou o desafio de assumir o Benfica numa fase pra lá de turbulenta dentro e fora de campo, considerando as eleições presidenciais do clube no próximo dia 25, e o começo irregular na temporada afetada negativamente pela montagem do elenco ter sido orientada e baseada de acordo com as características do antecessor Bruno Lage, e da Copa do Mundo de Clubes, que reduziu o período de preparação da equipe resultando na queda da capacidade física dos jogadores.
Em todo o caso, se o duelo no Stamford Bridge já se apresentava como o maior obstáculo dos comandados de José Mourinho até aqui, o que dirá então o próximo compromisso que eles viajarão ao Dragão para encarar o líder isolado da Liga Portugal com cem por cento de aproveitamento, Porto, em partida válida pela 7ª rodada do campeonato, o que significa que Mourinho enfrentará outro ex-clube num curto espaço de cinco dias.
Pois é, e levando em conta os quatro pontos que separam o primeiro e o terceiro colocados na tabela da Liga Portugal, uma derrota do Benfica no Dragão fará essa distância aumentar para sete, o que já comprometeria totalmente a caminhada dos Encarnados rumo ao título português, da mesma forma que na Champions League. Em outras palavras, a temporada pode escurecer de maneira precoce na Luz.