Nem Inter de Milão, tampouco Napoli ou Juventus. O novo líder da Serie A após o encerramento da 5ª rodada responde pelo nome de Milan, que ao derrotar os atuais campeões italianos assumiu o posto mais alto da tabela pela primeira vez desde outubro de 2023.
A propósito, um começo realmente inimaginável depois da oitava colocação na edição anterior da Serie A, marcada pela pior campanha do Milan nos últimos dez anos que inclusive deixou o clube de fora de torneios continentais nesta temporada, seguido da derrota por 2 a 1 diante da recém-promovida, Cremonese, logo na rodada inicial do Calcio em pleno San Siro.
Pois é, um cenário que se apresentava pra lá de obscuro e mudou por completo em função das quatro vitórias conquistadas pelos Rossoneri frente Lecce (2×0), Bologna (1×0), Udinese (3×0) e Napoli (2×1), respectivamente, nas quais eles balançaram as redes em oito oportunidades e foram vazados uma única vez. Não à toa, embora dividindo a liderança com napolitanos e romanistas, todos somando 12 pontos após o término da 5ª rodada da Serie A, o Milan supera ambos devido ao saldo positivo de seis gols.
Por sinal, tendo três clubes diferentes vencendo o scudetto nas últimas quatro temporadas, a Serie A se confirma novamente como a liga mais disputada do futebol europeu, isso porque além de ter um tríplice empate de Milan, Napoli e Roma na liderança, neste momento ela também apresenta os sete primeiros colocados separados por míseros três pontos na classificação, conforme publicação abaixo:
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— Lega Serie A (@SerieA) September 29, 2025
De qualquer maneira, uma sequência de quatro vitórias consecutivas que comprovam a evolução do Milan, sobretudo neste mais recente triunfo sobre o Napoli, certamente, o adversário mais difícil enfrentado pelos comandados de Massimiliano Allegri até aqui na Serie A, a julgar pela invencibilidade dos Azzurri — que não apenas mantiveram como fortaleceram a base da equipe campeã italiana na temporada passada — até essa última visita à Milão.
E vale ressaltar que um dos principais destaques da consistente exibição do Milan foi Christian Pulisic. Autor de 15 tentos na primeira temporada defendendo as cores do time italiano, o atacante norte-americano finalizou a segunda como artilheiro do Milan contabilizando 17 e as mesmas dez assistências do ano de estreia, números que simbolizam o progresso do jogador que fez somente 19 gols pelo Borussia Dortmund e 26 pelo Chelsea, ao longo das quatro primaveras vestindo a camisa de cada um dos seus ex-clubes.
Pois é, e na atual temporada o desempenho de Christian Pulisic segue em ascensão, a exemplo dos seis gols marcados e das duas assistências concedidas em sete jogos realizados, que resultam no seu melhor início da carreira. E isso sem contar que o camisa 11 se tornou o atleta detentor do maior número de participações em gols considerando os três últimos anos da Serie A (46), se notabilizando até mesmo em comparação ao capitão da rival Inter de Milão, Lautaro Martínez (45).
Aliás, a tendência é que os registros de Christian Pulisic aumentem nesta temporada por conta do seu novo posicionamento em campo após a chegada de Massimiliano Allegri. Ao mudar o esquema tático do Milan para o 3-5-2, ele passou a atuar mais próximo do gol ao atuar como segundo atacante ao lado de Santiago Giménez, ao invés de jogar aberto como ponta. E além das boas apresentações, a liderança exercida pelo jogador de 27 anos de idade o coloca como uma força motriz dentro do elenco milanista.

Ademais, outro ponto fundamental para a reviravolta dos Rossoneri foi a contratação de Luka Modric. Reconhecido pela enorme qualidade técnica, visão e personalidade, o meia croata segue atuando no mais alto nível físico apesar da idade, e viu o seu futebol ser potencializado com a vinda de Adrien Rabiot. Como resultado, a mentalidade que inexistia até a última temporada também foi renovada no Milan.
Consequentemente, as comparações junto ao Napoli já começaram a ser feitas pela mídia italiana. Há onze meses, mais especificamente no dia 29 de outubro de 2024, os napolitanos derrotavam o Milan por 2 a 0 no San Siro nas mesmas circunstâncias dos milanistas na atualidade, isto é: um retorno após campanha frustrante na Serie A; nenhuma competição internacional para disputar; o primeiro ano de um técnico de primeira linha à frente da equipe; uma derrota na estreia do campenato; e transferências de última hora na janela de transferências.
E as semellhanças não param por aí, visto que à beira do campo Massimiliano Allegri se mostra tão vibrante quanto Antonio Conte, comemorando gols e vitórias como se fossem válidos por uma final de campeonato, e cobrando os jogadores como se estivesse participando do jogo. À vista disso, o Milan transformou-se num time muito mais vibrante, intenso, combativo e competitivo sob a liderança do experiente treinador seis vezes campeão italiano, vide os 55% de duelos vencidos, aliados as nove interceptações de bola na partida contra o Napoli.
Por fim, a organização defensiva — ponto forte das equipes dirigidas por Massimiliano Allegri — já se sobressai em meio aos três gols sofridos nas cinco primeiras rodadas da Serie A, incluindo os quase 40 minutos se defendendo com um jogador a menos em campo e, ainda assim, resistindo aos ataques do Napoli. Seja atuando no 4-4-2, seja jogando no 5-3-2, sem a bola o Milan se tornou um time sólido e consistente, quer dizer, características predominantes dos clubes que faturaram o scudetto neste período recente.
Deste modo, bastaram 5 partidas ou 450 minutos para que o Milan passasse de um mero coadjuvante que com muito otimismo brigaria pelo G-4 na Serie A para um dos principais aspirantes à conquista do título, em especial levando em conta que Rafael Leão está prestes a retornar à ação, e Christopher Nkunku em busca da forma física ideal, o que significa que há muita margem para o crescimento daquele que antes enxergava o scudetto como uma espécie de ficção científica, e hoje o vê como pura realidade.