Juventus fora da Champions League: o fracasso que expõe a crise da Velha Senhora

A temporada 2025-26 terminou de maneira melancólica para a torcida da Juventus. Acostumada historicamente a disputar títulos nacionais e protagonizar grandes campanhas continentais, a Velha Senhora encerra a Serie A apenas na sexta colocação, garantindo somente uma vaga na próxima edição da Europa League.

Em outras palavras, um cenário frustrante para um clube do tamanho da Juventus, que iniciou a temporada sonhando em retornar definitivamente ao topo do futebol italiano e europeu. A ausência na próxima Champions League representa não apenas um fracasso esportivo, mas também um golpe duríssimo no planejamento financeiro da equipe de Turim. Afinal, deixar de disputar a principal competição do continente inevitavelmente reduz receitas, enfraquece o orçamento e torna o projeto do clube menos atrativo para grandes jogadores.

E isso pesa enormemente no mercado da bola. A Juventus tinha como grande objetivo garantir uma vaga na Champions League justamente para convencer atletas de elite a defenderem suas cores na próxima temporada. Nomes como o goleiro Alisson e o meia Bernardo Silva apareciam entre os nomes monitorados pela diretoria. Entretanto, sem a presença no principal torneio europeu, a tendência é que esses jogadores priorizem projetos esportivos mais competitivos e financeiramente mais sólidos. A Juve perde força não somente dentro de campo, mas também nos bastidores do mercado europeu, algo extremamente preocupante para um clube que tenta desesperadamente reconstruir sua imagem após anos turbulentos.

O primeiro grande erro da Juventus nesta temporada foi cometido ainda antes da bola rolar. Após o término da temporada 2024-25, a diretoria decidiu manter Igor Tudor no comando técnico da equipe. É verdade que o treinador croata havia feito um bom trabalho emergencial ao substituir Thiago Motta durante a luta pela classificação à Champions League naquela reta final da Serie A. Sob sua liderança, a Juve conseguiu terminar o campeonato na quarta colocação e assegurou vaga no G-4. Porém, transformar um técnico de solução temporária em comandante definitivo de um projeto tão delicado mostrou-se uma decisão equivocada por parte dos bianconeri.

Vale ressaltar que temporada até começou de maneira promissora. A Juventus venceu suas três primeiras partidas na Serie A e parecia caminhar para uma campanha consistente. Contudo, a ilusão durou pouco. Logo depois, a equipe mergulhou em uma sequência assustadora de oito partidas consecutivas sem vencer considerando todas as competições. Foram cinco empates e três derrotas em um curto espaço de tempo, expondo problemas táticos, psicológicos e técnicos gravíssimos. Os bianconeri demonstravam enorme dificuldade na criação ofensiva, sofriam defensivamente e pareciam completamente perdidos em campo. O ambiente começou a ficar pesado em Turim e, consequentemente, a pressão da torcida aumentava rodada após rodada.

Somente no final de outubro a diretoria decidiu agir. Igor Tudor foi demitido, e a Juventus apostou na chegada de Luciano Spalletti para tentar salvar a temporada. O experiente treinador italiano desembarcou em Turim trazendo esperança de reorganização, principalmente pelo excelente trabalho realizado à frente do Napoli, além da bagagem adquirida no comando da seleção italiana. Inicialmente, a mudança realmente pareceu surtir efeito. A Juve apresentou melhora na Serie A, voltou a vencer partidas importantes e mostrou sinais de recuperação na tabela. Todavia, os problemas estruturais do elenco continuavam evidentes e acabariam cobrando seu preço nos momentos decisivos da temporada.

Na Champions League, por exemplo, a Juventus jamais conseguiu convencer plenamente. A campanha na fase de liga foi extremamente irregular, marcada por atuações pouco inspiradas e resultados decepcionantes. A equipe terminou apenas na 13ª colocação geral, muito distante do grupo dos oito melhores classificados diretamente às oitavas-de-final. Isso obrigou a Velha Senhora a disputar os play-offs de repescagem, aumentando ainda mais a pressão sobre um plantel já bastante abalado emocionalmente. E o pior acabou acontecendo justamente diante do Galatasaray.

Embora muitos apontassem a Juventus como favorita no confronto, o time italiano foi atropelado no jogo de ida em Istambul. A goleada por 5 a 2 sofrida na Turquia expôs todas as fragilidades defensivas da equipe de Luciano Spalletti. A atmosfera infernal criada pela torcida do Galatasaray engoliu completamente a Juventus, que parecia incapaz de competir em alto nível continental. Ainda assim, no jogo de volta em Turim, os bianconeri conseguiram reagir de maneira impressionante. Venceram por 3 a 0 no tempo regulamentar e levaram a decisão para a prorrogação, reacendendo a esperança dos torcedores.

Mas quando parecia próxima de uma classificação heroica, a Juventus voltou a demonstrar toda sua fragilidade emocional. Na prorrogação, sofreu dois gols e acabou eliminada de maneira traumática. A queda diante do Galatasaray abalou profundamente os jogadores e praticamente destruiu o restante da temporada. A equipe jamais conseguiu se recuperar mentalmente após aquela noite europeia. O desempenho na Serie A caiu, os resultados negativos se multiplicaram e a Juve passou a desperdiçar pontos preciosíssimos contra adversários tecnicamente inferiores.

Os tropeços diante do Hellas Verona simbolizam perfeitamente o colapso da temporada da Juventus. No primeiro turno, a equipe empatou em 1 a 1 fora de casa frente um adversário que acabou rebaixado. Já no segundo turno, novo empate em 1 a 1, desta vez dentro do Allianz Stadium, em uma atuação extremamente pobre da equipe. Foram quatro pontos desperdiçados que lhe renderiam a vaga na Champions League. A Juve demonstrava enorme dificuldade para propor jogo contra oponentes mais fechados, além de apresentar um sistema ofensivo previsível e pouco criativo durante a caminhada na Serie A.

Outro golpe duríssimo aconteceu contra a Fiorentina, rival histórica da Juventus. A Viola fez uma temporada muito abaixo das expectativas, mas ainda assim conseguiu tirar pontos importantes do time de Turim. No primeiro turno, empate por 1 a 1. Já na penúltima rodada, a derrota por 2 a 0 dentro de casa sepultou as últimas esperanças da Juve de classificação para a Champions League. O Allianz Stadium viveu um clima pesadíssimo, com vaias, protestos e enorme frustração por parte dos torcedores, que viam a a vaga no G-4 ruir diante de seus olhos.

Toda essa crise esportiva também está diretamente ligada aos problemas financeiros acumulados pela Juventus nos últimos anos. Desde a contratação de Cristiano Ronaldo em 2018, o clube passou a enfrentar enormes dificuldades econômicas. A tentativa de recolocar a Juventus no topo da Europa através de investimentos pesados acabou gerando desequilíbrios financeiros graves. Em determinados momentos, a Juve chegou inclusive a sofrer punições relacionadas ao Fair Play Financeiro, afetando diretamente seu planejamento esportivo e administrativo. Hoje, os bianconeri colhem as consequências de anos de decisões equivocadas dentro e fora das quatro linhas.

Além dos problemas financeiros, a sucessão de escolhas questionáveis para o comando técnico também contribuiu enormemente para o declínio da Juventus. A aposta em Andrea Pirlo como treinador foi extremamente arriscada para um profissional ainda completamente inexperiente. Depois veio a tentativa de resgatar a boa fase do eneacampeonato italiano com o retorno de Massimiliano Allegri, seguido de experiências frustradas com Thiago Motta e, posteriormente, Igor Tudor. A Juve parece ter perdido completamente sua identidade esportiva nos últimos anos, alternando estilos de jogo, projetos e filosofias sem qualquer continuidade real. A consequência disso foi um clube cada vez mais distante do padrão competitivo que marcou sua história.

Agora, resta a Luciano Spalletti tentar reconstruir a equipe em um cenário muito mais complicado. Sem Champions League, com menor capacidade financeira e pressionada pela torcida, a Juventus deverá montar um elenco mais modesto para a próxima temporada. A disputa da Europa League certamente está muito abaixo das expectativas históricas do clube, especialmente para uma instituição acostumada a frequentar as fases decisivas da Champions League durante grande parte de sua trajetória recente. A sensação é de que a Velha Senhora entrou em um ciclo de decadência difícil de interromper.

E o mais preocupante para os torcedores bianconeri talvez seja justamente a falta de perspectiva imediata de recuperação. A Juventus encerra a Serie A atrás de equipes como o surpreendente Como e também da Roma. Um panorama inimaginável há poucos anos para aquele que foi o clube dominante do futebol italiano durante praticamente toda a década passada. A reconstrução da Juve exigirá paciência, competência administrativa e decisões muito mais assertivas daqui para frente. Porque, caso contrário, a Velha Senhora corre o risco de continuar cada vez mais distante da elite do futebol europeu.

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