Se a diferença de dois pontos em relação à liderança da Primeira Liga já incomodava os torcedores benfiquistas há um ano, o que dirá então a atual desvantagem de dez pontos em comparação ao primeiro colocado Porto.
Pois é, o Benfica realmente não tem motivos para celebrar esse Réveillon tendo em vista que essa larga distância na terceira colocação da Liga Portugal retrata que a conquista do título português virou questão de milagre pelos lados da Luz, o que é fruto da conturbada temporada dos Encarnados, marcada pelas eleição presidencial do clube que teve Rui Costa reeleito, além da troca no comando técnico da equipe por intermédio da saída de Bruno Lage e da chegada de José Mourinho.
Aliás, uma mudança que resultou no retorno de José Mourinho à Luz após 25 anos e depois de um início de temporada aquém das expectativas por parte do Benfica, nem tanto em termos de resultados mas sim pelo futebol praticado em campo, que teve a derrota para o modesto Qarabag em Lisboa, como ponto crucial para determinar a queda de Bruno Lage, visto que naquele instante os Águias permaneciam invictos na Liga Portugal somando três vitórias e um empate, e já haviam ganho o título da Supertaça de Portugal ao derrotar o Sporting pelo placar mínimo.
Contudo, a vinda de José Mourinho, definitivamente, não surtiu o efeito esperado no Benfica, a exemplo dos 36 pontos assinalados no terceiro lugar da Liga Portugal, ou seja, dez a menos que o líder isolado Porto, também sob a liderança de um novo treinador (Francesco Farioli), e cinco atrás do atual bicampeão português, Sporting, após 16 jogos realizados, o que significa que este cenário não mudará ao desfecho do primeiro turno do campenato na próxima rodada.
A última do ano 👀
— Liga Portugal (@ligaportugal) December 30, 2025
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Em outras palavras, uma pífia campanha levando em consideração os mais de 100 milhões de euros investidos em contratações na temporada, que fazem do Benfica o clube que mais gastou nesta edição da Liga Portugal. Entretanto, a força do plantel benfiquista passou a não ser reconhecida pelo mesmo José Mourinho que chegou a afirmar que o ex-técnico Bruno Lage era feliz pelas opções que tinha à disposição quando ambos se enfrentaram pela fase pré-eliminatória da Champions League no início da temporada, na qual o Special One dirigia o time turco.
Portanto, passados cinco meses o discurso de José Mourinho mudou, algo que se nota até mesmo na prática, a julgar que dentre as cinco substituições possíveis o treinador português fez somente duas no decorrer da última partida contra o Braga, ao promover as entradas de Gianluca Prestianni e Franjo Ivanovic nos dez minutos finais de jogo, o que demonstra que ele não confia no banco de reservas.
A propósito, é importante destacar que mais uma vez José Mourinho preferiu colocar o atacante Franjo Ivanovic para atuar aberto no lado esquerdo do ataque, abrindo mão da utilização de Andreas Schjelderup, isto é, um verdadeiro ponta de origem, lembrando que o Benfica foi ao intervalo perdendo por 2 a 1, de virada, mas chegou ao empate no segundo tempo, após uma etapa inicial pra lá de ruim em que a primeira finalização ao gol do Braga deu-se apenas aos 25 minutos de partida.
Vale ressaltar que embora o Benfica tenha melhorado bastante no segundo tempo, as duas mexidas de José Mourinho comprometeram totalmente o setor de criação da equipe, em especial por conta da saída de Heorhiy Sudakov, o principal articulador de jogadas dos Encarnados. Ao mesmo tempo, o fato de Franjo Ivanovic atuar improvisado na ponta-direita também diminuiu o poderio ofensivo benfiquista.
Se o SC Braga foi superior na 1.ª parte, no 2.º tempo o Benfica melhorou bastante, ao ponto de ter terminado o jogo com sinal + em grande parte dos registos estatísticos
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Jogadores com melhor rating no SC Braga x Benfica:
7,7 Zalazar🥇
7,6 Sudakov🥈
7,5 Otamendi🥉 pic.twitter.com/SkoornJbAO
Deste modo, fica claro e evidente que as chances do Benfica voltar a soltar o grito de campeão português são remotíssimas, uma vez que nunca na história da Liga Portugal um líder deixou o título escapar após abrir dez pontos de vantagem no primeiro turno. Diante deste contexto, por mais difícil que seja o Sporting pode até sonhar com o título, o que não é a realidade dos pupilos de José Mourinho
Por este motivo, restou ao Benfica na segunda metade da temporada depositar todas as suas fichas na Taça de Portugal e na Champions League, onde as projeções apontam os portugueses — que ocupam a 25ª posição na classificação assinalando 6 pontos em seis jogos — com 52,3% de probabilidades de avançar aos playoffs de repescagem, de acordo com o supercomputador da Opta Analyst.

Ainda assim, na esperança de uma improvável reviravolta o Benfica visa a contratação de André Luiz, destaque do Rio Ave, para fortalecer a ponta-direita, tão questionada pelo insatisfeito José Mourinho. Inclusive, a necessidade é tanta que os Encarnados estão dispostos a desembolsar 11 milhões de euros para contratar o ex-jogador do Flamengo, que também acumula uma boa passagem pelo Estrela Amadora e já marcou 5 gols em 17 aparições na temporada 2025-26.
À vista disso, a intenção do Benfica é equilibrar os lados do ataque com André Luiz chegando para preencher a ponta-direita, e Dodi Lukebakio, assim que retornar de contusão, jogando pela esquerda. Quer dizer, pilares fundamentais para tornar funcional o estilo de jogo de José Mourinho, baseado na forte marcação em bloco médio, com rápida armação através de bolas esticadas em velocidade.
De qualquer maneira, a provável transferência de Andre Luiz ao Benfica reflete uma mudança no que diz respeito a política de contratações do clube da Luz, isso porque são raros os jogadores do mercado interno contratados pelos Águias nos últimos anos, em que centenas de milhões de euros foram despejados para trazer reforços de ligas do exterior. Logo, este novo “casamento” com a Liga Portugal remete aos tempos de José Mourinho no Porto campeão europeu de 2004, ao apostar em figuras como Paulo Ferreira, Nuno Valente e Maniche.
Em todo o caso, ao menos nesta virada de ano a sensação é a de que a primeira temporada do regresso de José Mourinho ao Benfica acabará de forma frustrante na Luz, seja pela escassez de títulos, seja pela ausência de um futebol minimamente convincente.