Manchester United se despede de 2025 navegando em águas calmas

Apesar de diversos contratempos, da 15ª colocação na tabela da Premier League, da precoce eliminação frente o Grimsby Town na Copa da Liga, além da queda diante do Tottenham na decisão da Europa League, o 2025 do Manchester United terminou sem turbulências, e o melhor: deixando boas perspectivas em relação ao novo ano.

A propósito, um cenário diferente daquele que se apresentava sobretudo devido a lesão na coxa esquerda sofrida por Bruno Fernandes, que havia perdido míseros três jogos em razão de contusões ou doença desde que desembarcou em solo inglês para vestir a camisa do Manchester United em 2020, além dos desfalques de Noussair Mazraoui, Amad Diallo e Bryan Mbeumo, todos defendendo as cores das suas respectivas seleções na Copa Africana de Nações.

E como o próprio Ruben Amorim afirmou é impossível qualquer jogador não apenas do Manchester United, como de toda a Premier League, substituir o líder, maior criador de jogadas, cobrador de bolas paradas e a peça dos Reds Devils que mais pressiona a arbitragem em campo. Não à toa, eles colecionavam cinco derrotas nas últimas seis partidas disputadas sem o meia português, sendo que a mais recente vitória nessas condições pela Premier League havia sido em março de 2022.

Em contrapartida, o panorama mudou completamente depois do triunfo pelo placar mínimo sobre o Newcastle na rodada de Boxing Day, que mais do que os três pontos conquistados provou que o Manchester United é capaz de resistir a dependência de Bruno Fernandes. Por sinal, méritos ao treinador Ruben Amorim, que finalmente abdicou do irredutível 3-4-3, utilizado em TODAS as 59 partidas anteriores no cargo, em prol do 4-2-3-1.

Na realidade, a ausência de Bruno Fernandes motivou Ruben Amorim a utilizar uma linha de quatro homens na defesa e armar o meio-campo mais sólido com Mason Mount, na meia, dividindo a carga de criação com o suporte de Matheus Cunha e Patrick Dorgu, ambos abertos pelos lados e todos posicionados a frente dos volantes Casemiro e Manuel Ugarte, que ajudavam tanto no apoio ao ataque quanto na proteção defensiva. Enquanto isso, Benjamin Sesko jogou como referência no ataque.

Em outras palavras, bastou Bruno Fernandes se lesionar para que, enfim, Ruben Amorim abrisse mão das suas convicções, afinal nem mesmo nos jogos em que o Manchester United estava em desvantagem no placar precisando vencer ou ir em busca de um resultado ele deixava o 3-4-3 de lado. Ademais, a ótima atuação da dupla de zaga formada pelo novato Ayden Heaven e Lisandro Martínez também deve ser enfatizada, especialmente em virtude da enorme qualidade do zagueiro argentino na saída de bola.

No entanto, o principal destaque na vitória contra o Newcastle foi Patrick Dorgu, o melhor jogador da partida, ainda que exercendo um novo papel ao ser deslocado da lateral-esquerda ao lado direito do meio-campo. Como resultado, o dinamarquês contratado no início do ano junto ao Lecce marcou o inédito gol pelo Manchester United depois de 38 partidas e 31 finalizações dadas até balançar as redes pela primeira vez.

Consequentemente, o que vimos foi um Manchester United mais fluido e dinâmico em ação. Inclusive, a ótima apresentação de Patrick Dorgu provou que os Red Devils ganharam um novo reforço para atuar na ponta-direita, o que pode fazê-los desistir, ao menos momentaneamente, da contratação de Antoine Semenyo, o nome de perfil mais ofensivo que Ruben Amorim busca para equilibrar os lados com Bryan Mbeumo pela direita. Decerto, eles terão maior margem para negociar a vinda do jogador do Bournemouth.

Vale ressaltar que a multa rescisória de Antoine Semenyo é de 75 milhões de euros, e com o suposto interesse do Liverpool em contratá-lo — para provavelmente substituir Mohamed Salah —, a tendência é que a negociação não aconteça pelos lados do Old Trafford, até porque o Manchester United também mira a contratação de um volante, cujas opções são Rúben Neves, Conor Gallagher e Tyler Adams. Logo, com a ascensão de Patrick Dorgu a prioridade passou a ser o meio-campo, que vê a saída de Kobbie Mainoo como quase certa.

Insatisfeito em razão da baixíssima minutagem, Kobbie Mainoo não começou nenhuma das 19 partidas realizadas pelo Manchester United como titular até aqui na temporada. O fato do jovem jogador de 20 anos de idade exercer todas as funções do meio-campo anima Ruben Amorim a mantê-lo no clube que, por sua vez, vê com bons olhos a possibilidade de um empréstimo até o final da tempodada nos mesmos moldes de Rasmus Hojlund, atualmente no Napoli.

De qualquer maneira, o Manchester United adentra ao último jogo do ano no sexto lugar da Premier League, empatado com o quinto colocado Chelsea e separado a somente três pontos do G-4, o que significa que os comandados de Ruben Amorim estão firmes na briga por uma vaga na Champions League. Ou seja, uma enorme evolução se levarmos em consideração a 14ª colocação na última rodada de 2024.

Aliás, são pra lá de prováveis as chances do Manchester United finalizar o primeiro turno da Premier League somando dez pontos a mais do que os 22 registrados na temporada passada, a julgar que os Red Devils enfrentarão o lanterna Wolverhampton, ainda sem nenhuma única vitória na atual edição do campeonato, no Old Trafford neste último compromisso do ano.

Obviamente, falar em boa fase ainda é um tanto quanto forçado ao otimismo extremo, mas é inegável que depois de muito tempo o Manchester United passará o Réveillon navegando em águas calmas.

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