PSG transforma pressão em goleada e inicia busca pelo tri europeu

Bicampeão continental supera o Slovan Bratislava por 6 a 1, encontra respostas na reformulação de Luis Enrique e tenta levar a reação para a Ligue 1.

A verdadeira estreia do Paris Saint-Germain na temporada 2026-27 parece ter acontecido somente na primeira rodada da Champions League. Diante do Slovan Bratislava, no Parque dos Príncipes, os atuais bicampeões europeus finalmente reencontraram a autoridade que marcou suas últimas campanhas continentais. A goleada por 6 a 1 não representou apenas uma vitória previsível contra um dos adversários mais acessíveis da fase de liga. Ela serviu como uma resposta contundente depois de semanas marcadas por atuações irregulares, resultados decepcionantes e dúvidas sobre a motivação de um elenco que conquistou praticamente tudo nos últimos dois anos. Em uma noite, Paris voltou a reconhecer o time que aprendeu a dominar a Europa.

É necessário, evidentemente, dimensionar a fragilidade do oponente para não transformar o placar elástico em uma conclusão definitiva. O Slovan Bratislava provavelmente será o compromisso mais tranquilo entre os oito jogos do PSG nesta etapa inicial do torneio. Ainda assim, favoritos também precisam confirmar sua superioridade dentro de campo, em especial quando atravessam um período de instabilidade. A equipe parisiense não se limitou a vencer: pressionou, acelerou, criou espaços e manteve a intensidade mesmo depois de construir uma vantagem confortável. Mais do que os seis gols, foi a postura competitiva que ofereceu a melhor notícia a Luis Enrique.

O contraste com o início da Ligue 1 torna essa atuação ainda mais significativa. Depois de três rodadas, o PSG ocupa apenas a 13ª colocação, soma dois pontos e ainda procura sua primeira vitória no campeonato. Os empates por 2 a 2 diante de Rennes e Lille já haviam acendido o sinal de alerta, sobretudo porque a igualdade contra o clube do norte francês somente foi alcançada nos acréscimos, após uma desvantagem de dois gols. Na sequência, a derrota de virada por 2 a 1 para o Monaco, em pleno Parque dos Príncipes, aprofundou a sensação de que a engrenagem precisava de reparos. Para um time habituado a controlar o cenário doméstico, o começo está muito abaixo das expectativas.

A campanha nacional também carrega a frustração da Supercopa da França. A derrota por 1 a 0 para o Lens na decisão impediu que o PSG abrisse o calendário levantando mais uma taça dentro do país. Curiosamente, o desempenho internacional aponta para uma direção oposta, porque os parisienses derrotaram o Aston Villa na final da Supercopa da UEFA. Assim, forma-se um paradoxo pouco comum: a equipe que continua imponente além das fronteiras francesas ainda não conseguiu estabelecer a mesma superioridade no próprio território. O desafio imediato é transformar a confiança europeia em regularidade doméstica.

Existem razões compreensíveis para essa oscilação, embora elas não eliminem a necessidade de reação. A maioria dos jogadores participou da Copa do Mundo de 2026, retornou mais tarde ao clube e teve uma pré-temporada encurtada. O desgaste físico se mistura ao cansaço mental acumulado por um grupo que disputou duas temporadas longas e terminou ambas no ponto mais alto do continente. Nesse contexto, surge a pergunta inevitável em torno do projeto parisiense: depois de dois títulos consecutivos da Champions League, o apetite permanece intacto? A resposta apresentada contra o Slovan Bratislava foi positiva, mas precisará ser repetida diante de obstáculos muito mais exigentes.

Luis Enrique parece compreender que conservar a fome competitiva exige renovação. O treinador não promove uma ruptura radical, mas conduz uma reforma pequena em quantidade e profunda em significado. Contra o Slovan Bratislava, manteve o 4-3-3 que oferece identidade ao conjunto, porém alterou peças importantes da formação titular. Ferran Torres ocupou o lugar de Désiré Doué no ataque, Dro Fernández substituiu João Neves no meio-campo e Illia Zabarnyi apareceu na vaga de Marquinhos. Maghnes Akliouche, por sua vez, recebeu uma oportunidade no setor habitualmente ocupado por Kvicha Kvaratskhelia.

As escolhas ganham peso porque o PSG disputou as duas últimas finais europeias com uma base praticamente intocável. A única diferença entre aquelas escalações esteve no gol, com Matvei Safonov assumindo o posto anteriormente ocupado por Gianluigi Donnarumma. Os dez atletas de linha foram os mesmos nas conquistas de 2025 e 2026, uma continuidade que fortaleceu os automatismos e ajudou a construir a hegemonia recente. Entretanto, aquilo que representa segurança também pode produzir acomodação quando não existe concorrência interna. Ao mexer em posições relevantes, Luis Enrique envia ao elenco uma mensagem simples: o passado garante prestígio, mas não assegura titularidade.

Nenhuma mudança produziu impacto maior do que a entrada de Ferran Torres. Principal reforço esportivo do novo ciclo, ainda que Maghnes Akliouche tenha sido a contratação mais cara ao deixar o Monaco por 50 milhões de euros, o espanhol marcou três vezes e transformou a estreia continental em sua noite de afirmação. Agora são cinco gols em quatro partidas e somente 217 minutos disputados, números que evidenciam uma adaptação imediata. Não se trata apenas de aproveitar um adversário inferior, mas de demonstrar repertório, leitura dos espaços e precisão para participar de diferentes momentos ofensivos. Seu hat-trick torna cada vez mais difícil imaginar o ataque titular sem a sua presença.

A escolha por Ferran Torres também revela a direção pretendida para a nova versão do PSG. Diferentemente de Gonçalo Ramos, referência mais fixa e acostumada a ocupar a área, o ex-atacante do Barcelona pode atuar centralizado, partir da esquerda ou aparecer pelo lado direito. Essa mobilidade combina com um sistema que depende de trocas constantes, aproximações rápidas e jogadores capazes de alterar suas funções durante a mesma jogada. Désiré Doué continua reunindo talento suficiente para recuperar espaço e igualmente pode ocupar várias zonas do campo. Contudo, neste momento, é ele quem precisa responder à concorrência criada pelo início fulminante do novo companheiro.

Ousmane Dembélé também aproveitou a noite para afastar uma inquietação pessoal. Depois de começar a temporada sem marcar, o atacante balançou as redes duas vezes, participou decisivamente da construção ofensiva e deu duas assistências na partida. Como resultado, alcançou cinco participações diretas em gols cinco jogos. A estatística mostra que sua influência nunca desapareceu, mesmo durante o breve período de seca diante da meta adversária. Quando o camisa 10 alia criação, movimento e poder de definição, o ataque parisiense ganha um grau de imprevisibilidade que poucos rivais conseguem neutralizar.

Fabián Ruiz completou o placar e reforçou outra característica essencial desse PSG: a capacidade de encontrar gols em diversos setores. O protagonismo não precisa ficar concentrado em apenas um atacante, porque o meio-campo chega à área, os pontas alternam movimentos e os laterais ampliam o campo. O retorno de Nuno Mendes ao time titular foi particularmente relevante nesse sentido. Ao lado de Achraf Hakimi, o português devolve profundidade, agressividade e velocidade à equipe. Poucas duplas de laterais exercem tanta influência sobre o funcionamento coletivo quanto os dois quando estão saudáveis e atuam em plena intensidade.

A reformulação não se resume aos titulares escolhidos na estreia. Maghnes Akliouche chegou como o investimento mais elevado da janela, enquanto Mika Godts, contratado junto ao Ajax, acrescenta juventude e capacidade de desequilíbrio pelos lados. Lucas Digne, vindo do Aston Villa, oferece experiência e uma alternativa confiável para o corredor esquerdo. Ao mesmo tempo, as saídas de Bradley Barcola, Gonçalo Ramos, Ibrahim Mbaye e Kang-in Lee encerram ciclos e abrem minutos para novas combinações. O PSG preserva o núcleo campeão, porém evita tratar a continuidade como sinônimo de imobilidade.

Essa renovação controlada talvez seja o caminho mais inteligente para perseguir um feito raríssimo. Na era moderna da Champions League, somente o Real Madrid conseguiu conquistar o torneio em três temporadas consecutivas, entre 2016 e 2018. O PSG inicia sua tentativa de entrar nesse território histórico sabendo que talento e profundidade já não bastam. Será necessário administrar o desgaste, preservar a competitividade e impedir que a familiaridade com as vitórias diminua a urgência do grupo. A goleada da primeira rodada coloca os franceses na liderança graças aos seis gols marcados, mas a classificação inicial ainda representa apenas uma fotografia passageira.

O calendário agora exige que essa energia atravesse as fronteiras da competição europeia. O próximo compromisso será contra o Brest, antes do clássico diante do Olympique de Marseille, ambos longe de Paris. Depois de desperdiçar sete dos nove pontos disponíveis nas primeiras rodadas, o campeão francês já não pode tratar novos tropeços como simples consequência de uma preparação incompleta. São confrontos capazes de recolocar o PSG no caminho do pentacampeonato nacional, mas também de aumentar rapidamente a pressão sobre o plantel parisiense. Recuperar terreno na Ligue 1 tornou-se a prioridade mais urgente de Luis Enrique.

Paris, afinal, já conhecia a força de sua equipe nas noites europeias; o que precisava descobrir era se os pupilos de Luis Enrique ainda desejavam escrever novos capítulos. O 6 a 1 não responde sozinho a todas as perguntas, tampouco apaga o início doméstico decepcionante, mas apresenta indícios importantes. Ferran Torres parece feito para a fluidez desse ataque, Ousmane Dembélé voltou a decidir, Nuno Mendes restaurou o equilíbrio do lado esquerdo e os novos jogadores demonstraram que podem romper a hierarquia estabelecida. O PSG reapareceu com fome justamente no palco em que se tornou gigante. Resta saber: essa mesma versão chegará à Ligue 1 a tempo de recuperar os pontos perdidos?

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