O Sevilla de Sampaoli

Antes do início de uma temporada, é totalmente comum vermos a mídia apontar o Real Madrid ou o Barcelona como favoritos à conquista do campeonato espanhol, e com razão, afinal, são os dois clubes mais ricos da Espanha e por conta de seus astronômicos orçamentos, costumam montar verdadeiras seleções para disputar as competições das quais participam. Acontece que na atual edição da Liga BBVA (campeonato espanhol) um intruso vem despertando a atenção de todos, e pasmem, não se trata do Atlético Madrid e muito menos do Valência, clubes que esporadicamente, acenam na ponta da tabela. A equipe a qual me refiro, é o Sevilla.
Sevilla Fútbol Club, clube espanhol, localizado na cidade de mesmo nome, na região da Andaluzia, foi fundado no ano de 1890, e que completou ontem 127 anos de uma linda história, composta por um título de campeão espanhol, cinco troféus de campeão da Copa da Espanha, cinco taças da Europa League (Copa da UEFA), além de conquistar em uma ocasião, tanto a Supercopa da Espanha quanto a Supercopa da Europa.

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Na temporada passada, o Sevilla conquistou o tricampeonato da Europa League, ao bater o Liverpool de virada, por 3 a 1.

Mas é nesta temporada, que o Sevilla, sob o comando do técnico argentino Jorge Sampaoli, faz a melhor campanha de sua história na liga espanhola, enchendo a torcida sevillista de esperanças. Ocupando a vice-liderança da Liga BBVA, contabilizando 42 pontos ganhos, com 13 vitórias, 3 empates e apenas 3 derrotas, em 19 partidas disputadas (73% de aproveitamento), o Sevilla jamais antes havia conquistado tantos pontos no final do primeiro turno do campeonato espanhol, portanto, podemos afirmar com total convicção, que a equipe andaluz faz uma campanha histórica até aqui. Não é à toa, que os rojiblancos (apelido do Sevilla) estão à frente de times como Barcelona, Atlético Madrid, Athletic Bilbao, Villarreal e Valência na tabela de classificação. Na rodada passada, rodada essa, que fechou o primeiro turno do campeonato espanhol, o Sevilla obteve mais uma vitória épica na competição, isso porque depois de estar atrás do placar em duas oportunidades, os comandados de Jorge Sampaoli demonstraram mais uma vez sua principal característica, a garra, e viraram a partida nas duas ocasiões, para assim derrotar o Osasuna, em Pamplona, por 4 a 3, obtendo assim sua quinta vitória consecutiva na liga. Vale lembrar, que este triunfo veio uma semana depois de o Sevilla ter derrotado o líder Real Madrid, também de virada, por 2 a 1, diante de sua torcida no estádio Ramón Sánchez Pizjuán.

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Após se destacar no Toulouse na temporada passada (17 gols em 35 jogos), o Sevilla contratou o atacante Wissam Ben Yedder junto ao clube francês pelo montante de 9 milhões de euros, para substituir o conterrâneo Kevin Gameiro. E ele vem dando conta do recado, sendo o artilheiro rojiblanco no campeonato espanhol com 8 gols marcados.

Quando lemos notícias que dão conta de que Paulo Henrique Ganso será vendido ainda nesta janela de transferência, somente após seis meses de sua chegada ao Sevilla, é fácil de imaginar o porque dessa venda precoce. A resposta é simples, Ganso não tem a característica que o técnico Jorge Sampaoli tanto exige, a raça. O time andaluz foi remontado pelo treinador argentino para disputar a temporada, e o ponto forte da equipe até o momento têm sido a força física e mental, pois a apatia, o desânimo e a impassibilidade são palavras que definitivamente não existem no dicionário sevillista. Não que o meia brasileiro seja indolente ou preguiçoso, mas os principais atributos de Paulo Henrique Ganso nunca foram o arrojo, o empenho, e a determinação, ele dispõe de outras qualidades como a técnica, a habilidade e a inteligência, porém a lentidão, a falta de entusiasmo e a baixa energia, não condizem com a realidade do Sevilla de hoje. Quem está acompanhando as partidas do time andaluz, sabe que é como assistir uma decisão de campeonato, pois a equipe além de ter uma incrível qualidade técnica e ser extremamente organizada taticamente, tem o empenho como principal virtude.

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Os minutos de Paulo Henrique Ganso com a camisa do Sevilla parecem estar contados, ainda mais depois da chegada de Stevan Jovetic. A Turquia aparece como o principal destino do meia brasileiro.

Durante uma partida, o Sevilla varia de tática inúmeras vezes, com os jogadores mudando de lados, funções e o time atuando hora recuado, hora avançado, hora explorando os contra-ataques, hora pressionando a saída de bola, mas sempre com intensidade, correndo muito, assim como acontecia com a seleção do Chile, na época comandada também por Jorge Sampaoli. Vale ressaltar ainda que o Sevilla melhorou demasiadamente seu desempenho fora de casa, conquistando o total de 18 pontos (5 vitórias, 3 empates e 2 derrotas), a segunda melhor campanha como visitante atrás somente do Barcelona. Como mandante, o Sevilla também surpreende e tem a segunda melhor performance na competição, sendo superado apenas pelo Real Madrid. No estádio Ramón Sánchez Pizjuán, os rojiblancos colecionam 8 vitórias e 1 derrota, em nove partidas disputadas.
Aonde essa equipe do Sevilla chegará, ainda é cedo para falar, mas uma coisa é fato, o trabalho de Jorge Sampaoli já merece ser exaltado, e para quem achava que técnicos não passavam de meros coadjuvantes, aí está a resposta. A abertura do segundo turno da Liga BBVA terá inicio a partir de amanhã, porém o Sevilla só joga no domingo (dia 29), quando viajará até Barcelona, para encarar o Espanyol, dando continuidade a sua incessante caça ao líder Real Madrid.

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