Qualidade acima da grana

A noite de ontem, ficou marcada negativamente na história do Palmeiras, que depois de investir milhões na formação de seu elenco, sucumbiu nas oitavas de finais da Copa Libertadores 2017, diante do modesto Barcelona Guayaquil, em pleno Allianz Parque.
A atmosfera era totalmente favorável ao Verdão, pois além de jogar em casa, a missão dos comandados de Cuca era facilmente reversível no confronto frente o Barcelona Guayaquil, afinal, o Palmeiras precisava vencer o seu oponente pela diferença de dois tentos para evitar as dramáticas cobranças de pênaltis, e assim avançar para as quartas de finais da Copa Libertadores, lembrando que os paulistas não poderiam nem pensar em sofrer gols. Levando em consideração o alto investimento feito pelo clube brasileiro justamente para a disputa do torneio continental, era nítido o favoritismo do time alviverde.
Após um primeiro tempo sofrível, aonde os anfitriões ofereceram pouquíssimo perigo ao goleiro Máximo Banguera, podemos considerar que a única virtude do Palmeiras foi apenas a raça e a determinação, aspectos necessários dentro de uma partida, porém muito pouco para quem precisa vencer um jogo com uma vantagem de dois gols. Já no segundo tempo, o técnico Cuca sacou o meia-atacante Roger Guedes que deu lugar ao meia Moisés, destaque do Verdão na conquista do Campeonato Brasileiro 2016. Essa substituição surtiu o efeito esperado, tanto é, que logo aos cinco minutos da etapa final, Moisés abriu o placar para o Palmeiras, depois de uma boa jogada de Dudu. A partir daí, quando todos imaginavam que o conjunto alviverde iria sacramentar de vez a sua classificação, o time literalmente parou, e o cansaço aliado ao stress psicológico arrastou o duelo para as penalidades. Nas cobranças de pênaltis o rico Palmeiras não foi capaz de derrotar os equatorianos, e novamente caiu nas oitavas de finais da competição, perdendo por 5 a 4.

O modesto Barcelona Guayaquil, atual 9º colocado no Campeonato
O modesto Barcelona Guayaquil, atual 9º colocado no Campeonato Equatoriano, eliminou o Palmeiras da Copa Libertadores, em pleno Allianz Parque. Agora a equipe comandada pelo treinador Jorge Guillermo Almada Álves aguarda o vencedor do duelo entre Santos x Atlético-PR.

Enquanto o Palmeiras sofria uma dura eliminação para o Barcelona Guayaquil, simultaneamente a torcida do Atlético Mineiro acompanhava no Mineirão, o que viria a ser um dos maiores vexames da história do Galo. Digo isso pois os pupilos de Rogério Micale tinham que cumprir em campo o mesmo objetivo dos paulistas no Allianz Parque, ou seja, reverter a derrota por 1 a 0 na partida de ida em Cochabamba, entretanto, o adversário era o inexpressivo Jorge Wilstermann. Por incrível que pareça, o time que conta com os badalados Fred, Robinho, Elias, além do goleiro Victor, não conseguiu superar a retranca boliviana, que por sua vez segurou o placar de 0 a 0 até o final do jogo. Aliás, vale lembrar que a desclassificação do alvinegro de Minas Gerais foi justíssima, já que a equipe apostou demasiadamente nos cruzamentos para a área, foram 43 no total, e apenas cinco finalizações certas ao longo dos noventa minutos do embate, isto é, um pífio repertório de jogadas para um conjunto que dispõe de enorme qualidade técnica. Com isso, o Jorge Wilstermann é o primeiro clube boliviano que despachou uma agremiação tupiniquim na fase de mata-mata da Copa Libertadores até hoje, e agora terá pela frente o River Plate nas quartas de finais.

Segundo dados do site Transfermarkt, o elenco do Jorge Wilstermann
Segundo dados do site Transfermarkt, o elenco do Jorge Wilstermann é avaliado em 3,75 milhões de euros, à medida que o do Atlético Mineiro vale 65,75 milhões de euros, portanto, o plantel do Galo é quase dezoito vezes mais caro em relação ao dos bolivianos.

Não podemos esquecer ainda do Flamengo, outro milionário clube brasileiro que também gastou uma bela bufunfa na montagem de seu plantel, trazendo atletas como Diego, Dario Conca, Leandro Damião, Réver, entre outros, e passou vergonha na atual edição da Copa Libertadores. Para refrescar a memória, o Mengão não chegou nem mesmo a avançar para as oitavas de finais, pois foi eliminado ainda na fase de grupos do torneio sul-americano. Muitos irão dizer que o rubro-negro carioca foi desclassificado precocemente porque estava situado no grupo E, considerado o grupo da morte, ao lado do San Lorenzo, Universidad Católica (Chile) e do compatriota Atlético Parananense, todavia como pode um elenco caríssimo que naquela ocasião ainda era treinado pelo já demitido Zé Ricardo, ficar somente no terceiro posto atrás das equipes do San Lorenzo e do Atlético Paranaense, ambas com um poderio financeiro enormemente inferior ao time da Gávea.
Até o momento o único representante do Brasil na Copa Libertadores confirmado nas quartas de finais é o Grêmio que derrotou o Godoy Cruz por 2 a 1. Em contrapartida, hoje os times do Santos, Atlético Paranaense, além do Botafogo, entrarão em campo para decidirem seus futuros na competição.

Jogadores do San Lorenzo comemoram vitória diante do Flamengo, que culminou com a desclassificação do time carioca ainda na fase de grupos da Copa Libertadores.
Jogadores do San Lorenzo comemoram vitória diante do Flamengo (2 a 1), que culminou com a desclassificação do time carioca ainda na fase de grupos da Copa Libertadores.

Desta forma novamente a história se repetiu, em outras palavras, times brasileiros sofrendo eliminações bisonhas na Copa Libertadores, perdendo para adversários de menor expressão após investirem grandiosas cifras vislumbrando o êxito no maior torneio de clubes sul-americano. Mas até quando os dirigentes perceberão que apenas dinheiro não basta para alcançar o sucesso? Na Europa por exemplo, é raro vermos os poderosos Real Madrid, Barcelona, Bayern Munique, Juventus ou Chelsea, perderem para equipes pequenas. As eliminações de Palmeiras e Atlético Mineiro, seria equivalente ao Manchester United perder para o Ludogorets (hexacampeão búlgaro) na fase final da Champions League. Porque será que em 180 minutos, o Palmeiras não teve capacidade para marcar somente dois gols no 10º colocado do possante Campeonato Equatoriano? Porque falta qualidade, falta um repertório maior aos treinadores brasileiros, falta uma filosofia de jogo mais contundente, organização tática, uma proposta de jogo mais efetiva. Solicitar a contratação de estrelas e não fazê-las jogar, de nada adiantará. Outro detalhe que não poderíamos deixar passar em branco é em relação a incompetência das diretorias dos clubes brasileiros. A desclassificação de Palmeiras e Atlético Mineiro que nesse ano já demitiram seus técnicos não é nenhuma surpresa, tudo porque demitir treinadores para eximir os erros administrativos e de gestão, não mudará o destino das equipes, muito pelo contrario, só escancará tamanha incapacidade. Enquanto essa mentalidade não mudar, veremos cada dia mais “Tolimas”, “Barcelonas” (Guayaquil) e “Jorges Wilstermanns” mandando os brasileiros para casa na Copa Libertadores. E dá-lhe vergonha!

 

 

 

 

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