O futebol é um esporte realmente envolvente, digo isso porque a cada nova temporada que se inicia, os torcedores se enchem de esperanças, e sonham com o sucesso de seus respectivos times. Com o Valencia não é diferente, afinal, um dos clubes mais gloriosos da Espanha, que inclusive coleciona sete taças da Copa do Rei e seis troféus do Campeonato Espanhol na bagagem, passou os últimos dois anos apenas brigando na parte inferior da tabela, porém com a chegada do treinador Marcelino García Toral, a principal equipe da Comunidade Valenciana vive momentos de bastante expectativa em relação ao futuro.
A fase recente do Valencia definitivamente não é nada boa, basta analisarmos as campanhas dos últimos dois anos dos Ches (apelido do Valencia), a começar pela temporada retrasada, a 2015/16 para ser mais específico, época em que o conjunto valenciano terminou sua participação no Campeonato Espanhol somente na 12ª posição com 44 pontos (11 vitórias, 11 empates e 16 derotas), ou seja, uma péssima colocação para um time da grandeza do Valencia. Segundo o chinês Peter Lim, dono do clube, a culpa dessa péssima performance foi do então treinador Gary Neville.
Buscando retomar o caminho das vitórias, a solução encontrada pela diretoria foi contratar o experiente técnico italiano Cesare Prandelli. Mas a vida do comandante italiano à frente do clube espanhol durou apenas três meses, foram somente dez jogos no total. Prandelli pediu demissão alegando não aceitar a enorme bagunça que se encontrava o Valencia naquela ocasião. O resultado disso, foi visto no final do campeonato anterior (2016/17), quando os Ches encerraram o torneio mais uma vez no 12º posto da tabela com 46 pontos ganhos (13 vitórias, 7 empates e 18 derrotas). Desta maneira fica claro que o desempenho da equipe que não disputará competições internacionais pelo segundo ano consecutivo, foi bastante similar nas últimas duas temporadas.

Curiosamente a história novamente se repetiu no Valencia, pois o ex-treinador Voro González sobreviveu apenas seis meses no cargo, e foi demitido pela diretoria valenciana no final da temporada passada. Acredito que a irregularidade da equipe, que oscilou demasiadamente na disputa do último campeonato, tenha sido o fator primordial para a demissão de Voro González. Para o seu lugar, foi anunciado oficialmente o nome de Marcelino García Toral, conhecido pelas suas ótimas passagens pelo Sevilla (2011) e principalmente pelo Villarreal (2013 a 2016). O asturiano de 51 anos, chegou com a corda toda, tanto é, que protagonizou uma verdadeira revolução dentro do clube, dispensando diversos atletas e promovendo outros. Logo em sua primeira entrevista coletiva no estádio Mestalla, Marcelino afirmou que mais de dez jogadores não faziam parte de seus planos, entre eles o recém-contratado Fabián Orellana (3 milhões de euros). Além do chileno, estavam na lista de dispensa os emprestados Mário Suárez, Guilherme Siqueira, Munir El Haddadi e Eliaquim Mangala, os que já estavam cedidos por empréstimo Pablo Piatti, Yoel Rodríguez e Álvaro Negredo que assim nem retornarão ao time, e por último algumas peças que integravam o plantel principal, como é o caso de Diego Alves, Matt Ryan, Zakaria Bakkali, Enzo Pérez, Vinicius Araújo, Aymen Abdennour e Aderlan Santos.

As mudanças não foram apenas fora das quatro linhas, muito pelo contrário, na pré-temporada dos Ches, realizada na França, já foi possível observar diversas transformações no estilo de jogo e esquema tático da equipe do Valencia. Amante do sistema 4-4-2, o mesmo que utilizou no Villarreal, Marcelino García Toral não perdeu tempo, e logo de cara o implantou no time. Pudemos constatar também uma nova filosofia de jogo, com uma marcação bastante alta, aonde os dois atacantes pressionam a saída de bola do adversário. Outro detalhe que chamou a atenção foram as constantes subidas dos laterais, que avançavam ao ataque praticamente durante toda a partida, servindo assim como elemento chave para as jogadas ofensivas. O altíssimo número de arremates de longa distância dados pelos jogadores do Valencia também surpreenderam nos amistosos de pré-temporada, sempre que eles achavam um espaço livre, finalizavam na meta adversária. Enquanto isso, no setor defensivo foi aonde notamos maiores mudanças, era nítido que os zagueiros marcavam mais forte, em certas oportunidades até passando dos limites, lembrando que os defensores estavam melhor posicionados em campo, à medida que a linha de quatro homens do meio-campo fechavam todos os espaços, dificultando o jogo do oponente.

Com a dispensa de 15 jogadores, como citei anteriormente, é óbvio que o elenco do Valencia necessita de novas peças. Até agora chegaram apenas o goleiro brasileiro Neto, contratado junto a Juventus por 6 milhões de euros, e o volante Nemanja Maksomovic, que veio do Astana (Cazaquistão) a custo zero (fim de contrato). Já o atacante Simone Zaza, que passou a temporada anterior emprestado aos Ches, foi comprado em definitivo pelo conjunto valenciano por 16 milhões de euros. Enquanto os reforços não chegam, a solução encontrada por Marcelino García Toral foi promover os jovens Nacho Gil, Javi Jiménez, Nacho Vidal e Nando ao plantel principal, após a ótima performance dos novatos revelados nas categorias de base do clube, nas atividades de pré-temporada da equipe. O objetivo crucial do Valencia no momento, é contratar um líder, já que o ex-capitão do time, Enzo Pérez, foi vendido ao River Plate por 5 milhões de euros. Caso este nome não desembarque no Mestalla, caberá ao meia Dani Parejo, grande destaque dos Ches nos últimos anos, exercer o papel de comandante dentro de campo. Rumores dão conta de que ainda nesta semana a diretoria irá apresentar oficialmente o zagueiro colombiano Jeison Murillo, da Internazionale, em uma transação que giraria em torno de 12 milhões de euros. Aproveitando a viagem para Milão, o pacote de reforços poderia até aumentar, já que o francês Geoffrey Kondogbia também interessa aos espanhóis, e viria por empréstimo de uma temporada. Para finalizar, o mexicano Iván Marcano, que atualmente defende as cores do Porto, e cujo contrato se encerra em janeiro de 2018, também pode pintar na equipe de Marcelino García Toral. Resta saber agora, se essa imensa reformulação pela qual passou o Valencia irá surtir o efeito esperado, todavia, esta é uma questão que só o tempo será capaz de nos responder, mas que o sol voltou a brilhar no Mestalla, isso é fato.